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O Fim de um Ciclo Evolutivo

Amílcar Del Chiaro Filho

O homem foi criado para viver em sociedade, entretanto, ela as vezes nos assusta. Vivemos uma onda de violência estarrecedora, parecendo-nos que todas barreiras morais foram quebradas. Violências, tráfico e uso de drogas, assaltos, latrocínios, seqüestras, pornografia, exploração de crianças, prostituição, corrupção e um sem número de delitos maiores ou menores, que assustam ao homem honesto, trabalhador, cultivador de um pensamento religioso ou ético-moral.

Seria o fim do mundo? Seriam as cornetas do apocalipse, a tocar para reunir o rebanho humano e lhe dar uma sentença condenatória ou de salvação? Não! É apenas mais uma etapa evolutiva que parece chegar ao fim, para se iniciar outra.

Qual as vantagens de se viver em sociedade? Não seria melhor o isolamento? É preciso convir que, embora os animais se comuniquem, somente o homem tem o raciocínio e a palavra articulada, assim como diferentes meios de comunicação, que vai da escrita à simbologia e desta à fala gestual. Tudo isso foi conquistado pelo homem através da evolução e é fácil deduzir que são meios de comunicação que indicam o seu próprio uso, a vida social, a vida de relação.

Ninguém pode progredir sozinho. Os seres humanos são solidários e coletivamente progridem com maior facilidade, porque ninguém tem todas as faculdades, toda capacidade e por isso precisa dos demais.

Ninguém deve isolar-se do mundo para a sua satisfação egoística. Todos temos a obrigação de contribuir para o progresso geral. Da mesma forma, a pequena sociedade formada pela família, também tem as suas obrigações morais. Destruir a família é voltar aos tempos de barbárie, onde os sexos se uniam pelo prazer e para o instinto de reprodução, da perpetuação da espécie.

O homem pelo corpo participa da natureza dos animais, contudo, ele é um espírito imortal, que obedece às leis morais que devem nortear a sua vida. Com outras palavras, além da vida animal, um homem é um ser moral e está destinado a vencer a atração da matéria e elevar-se espiritualmente.

Voltemos à abertura dessa editorial. Somos uma sociedade com grandes desníveis sociais. Uma minoria possui quase toda a riqueza, enquanto parte da maioria tem bastante, e outros nada possuem? Seria pela vontade de Deus? Teria essa esmagadora maioria usado mal a fortuna e agora estão pagando os seus débitos? Não! O que acontece é que criamos e mantemos uma sociedade injusta. Deus permite isso porque temos o livre-arbítrio, e essas são condições de aprendizado. Aprende o que nada tem, e aprende o que tem muito.

O Livro dos Espíritos nos ensina que não foi Deus o criador das classes sociais, e sim os homens. Ora, se criamos, cabe a nós corrigir. Como? Dividindo as riquezas entre todos? Não! Isso nada resolveria. O que é preciso é fraternidade, solidariedade e uma melhor distribuição dos bens da terra.

Nossa sociedade está doente, sofrendo de uma carência crônica de amor. Não somos subdesenvolvidos e sim sub-amantes da vida. Não amamos o bastante para sermos solidários e enquanto essa situação persistir, teremos mendigos, famintos, drogados, traficantes, corruptos, sonegadores de impostos, maus políticos, prostituição, miséria e doenças diversas.

Os homens só poderão se unir pelo amor. Precisamos nos tornar mais humanos, mais tolerantes, mais cristãos, contudo, não no sentido de seita, de separatividade, e sim, pelo sentimento amplo do amor e da verdade. Que o amor seja um sentimento a unir todos os homens.

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