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Comunicação, Magia do Verbo

Christina Elizabeth Daltro

Comunicar, segundo os léxicos, significa participar, informar, fazer saber, transmitir. Comunicação, portanto, é a ação, o efeito ou o meio de comunicar, estabelecendo uma ponte, uma ligação entre dois ou mais interlocutores.

Essa ligação pode ser efetivada através de palavras, olhares, gestos, mímicas e até posturas corporais. Isso porque pode-se saber muito sobre uma pessoa apenas pela observação de como ela se comunica. Até um simples aperto de mão (firme, seguro, exageradamente forte, inseguro ou displicente), um olhar (sereno, encarando de frente ou temeroso, esquivo, tímido...) ou um riso (malicioso, contente, simpático, sarcástico) dizem muito daquele de quem promanam.

Um bom observador, ao entrar em contato com um interlocutor, já começa a saber em profundidade com quem está lidando pela observação de suas atitudes, possíveis tiques nervosos, tom de voz, porte e maneiras físicas, traje, etc. Isso porque muito do que comunicamos pelas nossas maneiras é inconsciente, isto é, permanece oculto para nós mesmos. Em face da vida agitada, confusa e cheia de obrigações que predomina nos dias atuais, a tendência hoje é ficarmos na "defensiva", prevenidos contra tudo e todos, temendo possíveis ataques ou qualquer coisa que ameace nossa segurança. E com isso vamos nos afastando aos poucos e ficando calados, isolados, reduzindo lamentavelmente nosso contato com os outros. As pessoas se fecham, não demonstram emoções e sentimentos, não exteriorizam seus temores e aflições, deixando, portanto, de utilizar o poderoso meio da palavra para se comunicarem. E isso vale em relação à nossa família, nossos amigos, a alguém em especial ou, até a um interlocutor casual. Convém que procuremos, sempre, ter alguém em quem confiar nossas confidências, da mesma forma como podemos ser o confidente de alguém, se não a gente vai se enclausurando cada vez mais em nosso ego, a sós com nossos temores.

As conseqüências da comunicação deficiente são: isolamento - silêncio - tristeza - pensamentos negativos (o que abre o campo psíquico às influências espirituais negativas) - atos impensados, precipitados - descambamento para os vícios (como baldas tentativas de amenizar as tensões e contrariedades) - tornar-se  agressivo, inacessível, etc.

Devemos nos lembrar, sempre, de que a comunicação é um ato normal e necessário das pessoas. Jovens e velhos, sadios e doentes, ricos e pobres, instruídos ou incultos, todos temos necessidade de estar em contato com os outros, permutando valores, trocando experiências, simpatias, entendendo-nos sobre os problemas da vida e, assim, ajudando-nos mutuamente a resolvê-los. Precisamos entender, também, que existem boas regras de comunicação, cujo conhecimento está ao alcance de qualquer um, bastando se tenha alguma vontade de conhecê-las.

Alinhamos, a seguir, uma série delas:

  1. Não interromper o interlocutor, Hoje existe um conceito entre pessoas educadas que é de péssimo gosto interromper quem está falando, mesmo que com os usuais "com licença", "perdão". A pessoa que está usando a palavra é que deve saber que só pode ouvir a opinião do outro quando se calar para deixá-lo falar.
  2. Evitar falar só sobre si mesmo. A pessoa que tem a si própria no centro de todas suas cogitações torna se antipática e petulante.
  3. Evitar as conversas de uma temática única, aquela que mais nos agrada, por exemplo: só sobre negócios. Todos devemos exercitar a capacidade de diversificar nosso campo de interesse, inclusive para perceber os interesses dos outros.
  4. Nos temas mais polêmicos, redobrar os cuidados para não ser inconveniente nem faltar ao respeito às convicções alheias, tais como: política, religião, gostos pessoais...
  5. Uma conversa equilibrada é aquela em que ambas as partes falam e ouvem alternadamente, em proporção mais ou menos equivalente.
  6. Reduzir os comentários em torno de doenças, e, quando for o caso, procurar falar sempre em tom animador.
  7. Procurar ser objetivo naquilo que fala, respeitando o tempo de quem ouve: na narração de casos, abster-se dos detalhamentos dispensáveis, como por exemplo, rebuscar as primeiras origens, retificar pormenores, deter-se para procurar lembrar de nomes, épocas certas, quando isso nada acrescenta ao interesse da narrativa.
  8. Não monopolizar as atenções. Numa festa ou em qualquer reunião de amigos, tanto é desagradável o isolamento, timidez, quanto o exibicionismo.
  9. Numa conversa em grupo, evitar centralizar a atenção em um ou dois apenas, ignorando os demais presentes. Da mesma forma, manda a delicadeza se procure inteirar do nível cultural e campo de interesse de cada um dos da "roda", a fim de fazer com que todos se sintam à vontade.
  10. Evitar os excessos de gestos e movimentação do corpo, bem como as gargalhadas ruidosas.
  11. Evitar as expressões contundentes e de gíria, as quais, embora muitos usem, não é de bom alvitre a quem preze sua imagem e relacionamento.
  12. Não usar expressões de línguas estrangeiras para mostrar erudição: nas raras ocasiões em que isso seja cabível, dar um jeito de clarear a tradução, para não ofender possíveis desconhecimentos de quem ouve.

Estas e muitas outras normas convinham ser observadas por quem deseje ter bom relacionamento com seus próximos.

Lembremo-nos de que não é preciso "falar bonito", chamar a atenção", para impressionar bem, Basta falar, comunicar-se com simplicidade.

Usando de absoluta sinceridade e franqueza, sem que isso seja sinônimo de indelicadeza.

A COMUNICAÇÃO é, pois, uma das mais poderosas forças que temos ao dispor, desde que bem utilizada, sendo, inclusive, uma das fontes mais diretas da felicidade pessoal.

Na conversação equilibrada falamos e ouvimos, alternadamente, em proporção mais ou menos equivalente.

(REVISTA ESPÍRITA ALLAN KARDEC 31 MAIO/JUNHO 91)

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