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Adeus, Ano Velho!

Carlos Augusto Abranches

Centro Espírita Celeiro de Luz

Na memória de cada um, a vontade de dar rápido adeus ao ano que se acaba. É que nem todos conseguiram executar os projetos elaborados lá atrás, no fim de dezembro e início de janeiro, quando o ano vigente ainda era um bebê, cheio de promessas em potencial.

Depois de 365 dias, é hora não só de esperar por tempos melhores, mas de igualmente avaliar como foram aproveitadas essas milhares de horas de vida do período anterior. E é aí que, para muitos, começam as dificuldades.

Na auto-avaliação do fim desta jornada, para muitos a lembrança é de que foram difíceis os momentos de provar essa capacidade. Assumir desafios é buscar tentativas de solucionar definitivamente os problemas, e não nos deixar levar por eles indefinidamente. Em alguns momentos, os obstáculos foram maiores do que a possibilidade de superação, mas uma lição foi aprendida; foi possível encontrar amigos, que ajudaram a vencer barreiras quase intransponíveis. Investimos em um aspecto, e outro, de valiosa grandeza, nos foi descortinado.

Retomando o projeto que elaboramos para o ano ser o melhor possível, publicado em REFORMADOR de janeiro de 96*, projetamos para o primeiro mês do ano a coragem de assumir desafios.

Em fevereiro, a proposta foi desenvolver a qualidade de assumir compromissos. Boas lições foram assimiladas. No lar, pelo esforço em educar a alma.

No grupo espírita, pelo crescimento da colaboração junto aos trabalhos da casa, e no Planeta, pela compreensão de que um pequeno auxílio anônimo que se presta repercute de forma permanente no fortalecimento das vibrações de paz, em benefício da coletividade.

No mês de março, a decisão foi trabalhar em nós a paciência. E como foi bom termos incluído essa qualidade da alma no roteiro de ações. Com um pouco mais de paciência, foi possível tolerar, pelo menos por instantes, aquele companheiro menos simpático, até porque, sob outro ângulo de observação, ficou mais fácil para tantos outros aprimorarem a paciência deles para conosco. Um esforço heróico e recíproco, em nome da fraternidade...

Abril nos pediu maior vigilância para enfrentar o inesperado. Hoje, a poucos momentos de um novo ano, afirmamos o valor de termos nos preparado para as dores de algumas tristezas profundas, que ocuparam nossos dias sem perguntar se estávamos prontos para recebê-las. Foi útil, também, para outros instantes de intensa alegria, nos quais mantivemos a serenidade, ao reconhecer que a vida é feita de todos estes tipos de situação; a diferença está na forma com que cada um vai lidar com o que lhe chega: se em desespero descontrolado, diante da dor, ou se com efusividade inconseqüente, no outro extremo. Em tudo, as lições ajudaram-nos a conquistar um pouco de serenidade e equilíbrio.

Maio foi a época do exercício da fé e da esperança. Período trabalhoso, já que, da forma que o mundo veio sendo conduzido, foi difícil consolidar um pouco mais do cimento da fé e do perfume da esperança nos alicerces da própria alma.

Em junho, depois de algumas derrotas vividas nos meses anteriores, foi fundamental lembrar que somos capazes, que não iríamos desistir por causa de um ou outro deslize, e que a vitória é nossa meta final.

Julho foi o mês da sensibilidade. Por ela, foi importante dedicar alguns momentos do dia ao silêncio, à meditação relaxante, ao aprimoramento da capacidade de ouvir as canções que a natureza entoa e que se não consegue ouvir.

Em agosto, abrimo-nos para o novo. O mesmo novo que permitiu uma melhor administração da Casa Espírita, através de técnicas mais modernas que não descaracterizaram os fundamentos doutrinários. Um novo que abriu possibilidades de aprofundamento na relação com os colegas, já que no coração de um homem renovado sempre há espaço para se guardar novas alternativas de convivência.

Durante setembro, exercitamos o acionamento da vontade, o leme vigoroso que conduz nossa empresa mental. A vontade foi (e continua sendo, porque aprendemos a tarefa) o elo mais forte que permanece nos unindo aos compromissos com os movimentos mais avançados de transformação da Humanidade, para melhor.

No mês de outubro, tratamos de nossas doenças. Poderíamos ter ido mais fundo, mas já foi possível descobrir que seremos sempre nossos próprios médicos, promovendo a cura pessoal, quando aprimoramos cada vez mais a capacidade de fazer escolhas justas.

Novembro foi o período de dar e receber as melhores impressões, relativas aos alimentos que nutrem a fome da alma. Fizemos alguns bons amigos, e pudemos nos tornar simpáticos a outros, que outrora não nos queriam tão bem assim.

Finalmente, em dezembro, estamos exercendo o item da auto-avaliação.

Com certeza, não rompemos com a realidade, ao citar lembranças boas dos compromissos assumidos para os meses anteriores.

Apenas quisemos reforçar o fato de que o mundo precisa de projetos de vida esperançosos. Para que desfiar o relatório de derrotas, se temos pela frente tantos avanços por realizar?

É óbvio (e o bom senso nos sugere isto) que não podemos desprezar as pedras aparecidas pelo caminho. Mas uma coisa é se machucar com elas, e outra é seguir adiante, apesar dos tropeços, por mais dolorosos que tenham sido.

Antes de se despedir do ano, recoste-se por uns momentos e revisite as experiência vividas nesta etapa. Aproveite o instante de arquivar estas lições, para que sua vida não seja mais uma das tantas que, na hora das festas natalinas, prefere beber para esquecer o ano velho e sair bem bonita, a fim de assistir a entrada do ano-novo vestida de branco, pouco antes da festa de reveillon.

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