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Livro dos Espíritos

Centro Espírita Celeiro de Luz

O Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes:

  1. o das manifestações;
  2. o dos princípios e da filosofia que delas decorrem;
  3. o da aplicação desses princípios.

Daí possuir o Espiritismo três graus de adeptos:

  1. Os que crêem nas manifestações e se limitam a comprová-las. Para estes, o Espiritismo é uma ciência experimental.
  2. Os que lhe percebem as conseqüências morais.
  3. Os que praticam ou se esforçam por praticar a moral espírita.

Qualquer que seja o ponto de vista científico ou moral sob que considerem esses estranhos fenômenos, todos compreendem constituírem eles uma ordem inteiramente nova de idéias, que surge, e da qual não pode deixar de resultar uma profunda modificação no estado da humanidade; e compreendem igualmente que essa modificação não pode deixar de operar-se no sentido do bem.

Quando aos adversários, também podem ser classificados em três categorias:

  1. A dos que negam sistematicamente tudo o que é novo ou deles não provenha, e que falam sem conhecimento de causa.

A esta classe pertencem todos os que admitem senão o que possa ter o testemunho dos sentidos. Nada viram, nada querem ver e ainda menos aprofundar. Ficariam mesmo aborrecidos se vissem as coisas muito claramente, porque forçoso lhes seria convir em que não têm razão. Para eles, o Espiritismo é uma quimera, uma loucura, uma utopia. Não existe! E está tudo resolvido. São os incrédulos de caso pensado. Ao lado destes, podem colocar-se os que não se dignam de dar aos fatos a mínima atenção sequer, por descargo de consciência, a fim de poderem dizer: Quis ver e nada vi. Não compreendem que seja preciso mais de meia hora para alguém se inteirar de um ciência.

  1. A dos que, sabendo muito bem o que pensar da .realidade dos fatos, os combatem, todavia por motivo de interesse pessoal.

Para estes, o Espiritismo existe, mas lhe receiam as conseqüências. Atacam-no como a um inimigo.

  1. A dos que acham na moral espírita uma censura por demais severa aos seus atos ou às suas tendências.

Tomado ao sério, o Espiritismo os embaraçaria. Não o rejeitam nem o aprovam. Preferem fechar os olhos.

Os primeiros são movidos pelo orgulho e pela presunção; os segundos pela ambição; os terceiros pelo egoísmo.

Concebe-se que, nenhuma solidez tendo, essas causas de oposição venham a desaparecer com o tempo, pois em vão procuraríamos uma quarta classe de antagonistas, a dos que em patentes provas contrárias se apoiassem, demonstrando estudo laborioso e porfiado da questão. Todos apenas opõem a negação, e nenhum aduz demonstração séria e irrefutável.

Fora presumir demais da natureza humana supor que ela possa transformar-se de súbito, por efeito das idéias espíritas. A ação que estas exercem não é certamente idêntico, nem do mesmo grau, em todos os que a professam. Mas o resultado dessa ação, qualquer que seja, ainda que extremamente fraco, representa sempre uma melhora.

Será, quando menos, o de dar a prova da existência de um mundo extracorpóreo, o que implica a negação das doutrinas materialistas. Isto deriva da só observação dos fatos, porém para os que compreendem o Espiritualismo filosófico e nele vêem outra coisa que não somente os fenômenos mais ou menos curiosos, diversos são os seus efeitos.

O primeiro e mais geral consiste em desenvolver o sentimento religioso até naquele que, sem ser materialista, olha com absoluta indiferença para as questões espirituais, Dai lhe advém o desprezo pela morte. Não dizemos o desejo de morrer; longe disso, porquanto o espírita defenderá sua vida como qualquer outro, mas uma indiferença que o leva a aceitar, sem queixa nem pesar, uma morte inevitável, como coisa mais de alegrar do que temer, pela certeza que tem do estado que se lhe segue.

O segundo efeito, quase tão geral como o primeiro, é a resignação nas vicissitudes da vida. O Espiritismo dá a ver as coisas de tão alto que, perdendo a vida terrena três quartas partes de sua importância, o homem não se aflige tanto com as tribulações que a acompanham. Dai mais coragem nas aflições, mais moderação nos desejos. Dai também o banimento da idéia de abreviar os dias da existência, por isso que a ciência espirita ensina que pelo suicídio sempre se perde o que se queria ganhar.

A certeza de um futuro, que temos a faculdade de tornar feliz, a possibilidade de estabelecermos relações com os entes que nos são caros, oferecem ao espírita suprema consolação. O horizonte se lhe dilata ao infinito, graças ao espetáculo a que assiste incessantemente, da vida de além túmulo, cujas misteriosas profundezas lhe é facultado sondar.

O terceiro efeito é o de estimular no homem a indulgência para com os delitos alheios. Todavia, cumpre dizê-lo, o princípio egoísta e tudo o que dele decorre são o que há de mais tenaz no homem e, por conseguinte, mais difícil de desenraigar. Toda gente faz voluntariamente sacrifícios, contanto que nada custem e de nada privem. Para a maioria dos homens, o dinheiro tem ainda irresistível atrativo, e bem poucos compreendem a palavra supérfluo, quando de sua pessoa se trata. Por isso mesmo a abnegação da personalidade constitui sinal de grandíssimo progresso.

O Espiritismo não traz, ao mundo, moral diferente da de Jesus. vem não só confirmá-la como mostrar-nos a sua utilidade prática. Toma inteligíveis e patentes as verdades que haviam sido ensinadas sob a forma alegórica. E, juntamente com a moral, traz-nos a definição dos mais abstratos problemas da psicologia.

Por bem largo tempo os homens se têm estraçalhado e anatematizado mutuamente em nome de um Deus de paz e de misericórdia, ofendendo-o com semelhante sacrilégio. O Espiritismo é o laço que um dia os unirá.

As Três Revelações

"E rogarei ao Pai e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre."
(João, 14:16)

A Humanidade já foi contemplada com três revelações. A primeira, quando da vinda de Moisés; nela o Monoteísmo tomou forma, e Deus foi apresentado como o único Deus verdadeiro. Na segunda, quando do advento de Jesus Cristo, foi Deus apresentado como .Pai de infinita misericórdia e amor, substituindo o Jeová dos Exércitos, rancoroso e vingativo. A terceira, com o advento do Espiritismo, teve como finalidade básica restabelecer na Terra as primícias dos ensinamentos de Jesus Cristo.

A Primeira Revelação:

Quando Moisés libertou o povo hebreu do longo cativeiro no Egito, demorou cerca de quarenta anos, para atravessar o deserto, que poderia, facilmente, ter sido transposto em poucos meses.

Um dos propósitos dessa delonga era extirpar do seio do povo os conceitos politeístas contraídos no Egito. No decurso dessa prolongada travessia, Moisés recebeu o Decálogo, ou os Dez Mandamentos, conseguido através de suas faculdades mediúnica. Recebeu, também, instruções do Mundo Maior, no sentido de reunir setenta dos anciãos de Israel, dentre eles os que exerciam maior autoridade sobre o povo, formando, assim, o Colégio dos Profetas.

Essa escola, com sede em Guilgal, governou o povo hebreu durante mais de três séculos. Foi, realmente, um domínio de liberdade, santificado pela religião, e cada comunidade possuía seus anciãos, seus levitas, para instruírem as crianças. Com o advento de Saul, o primeiro rei, surgiram os sacerdotes, e, dali por diante, os profetas tiveram que enfrentar a prepotência deles é também dos governantes.

No conjunto de leis implantado por Moisés, é necessário distinguir duas partes distintas: a lei de Deus, recebida no Monte Sinai, e as leis civis e disciplinares. A lei de Deus é eterna, imutável, perfeita; as outras leis eram apropriadas aos costumes e ao caráter do povo. Era um conjunto de leis de natureza transitória, as quais deveriam servir apenas a uma época, pois eram mutáveis e destinadas a conter os ímpetos de um povo indisciplinado que havia sido libertado do jugo dos Egípcios.

A lei de Deus está contida nos Dez Mandamentos, também denominado Decálogo:

  1. Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa de servidão. Não terás deuses estrangeiros diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem figura alguma do que há em cima no Céu, e do que há embaixo na Terra, nem de coisa que haja nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto;
  2. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão;
  3. Lembra-te de santificar o dia de sábado;
  4. Honrarás a teu pai, e a tua mãe, para teres uma dilatada vida sobre a terra que o Senhor teu Deus te há de dar;
  5. Não matarás;
  6. Não cometerás adultério;
  7. Não furtarás;
  8. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo;
  9. Não desejarás a mulher do teu próximo;
  10. Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem outra qualquer coisa que lhe pertença.

Esse conjunto de leis prevalece por todos os tempos, em todas as nações da Terra; por isso mesmo tem caráter divino. As demais, legisladas por Moisés, tinham caráter temporário e objetivavam refrear os abusos arraigados, a idolatria e os preconceitos adquiridos na longa escravidão no Egito.

Moisés, no entanto, não divulgava essas leis como sendo de sua autoria, pois sabia, de antemão, que elas seriam recebidas com reservas, encontrariam opositores e muitos contestariam a sua autoridade. Por isso, como o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos, Moisés houve por bem atribuir-lhes uma origem divina, emprestando-lhes, assim, maior autoridade.

A Segunda Revelação:

Jesus Cristo não veio destruir a lei - a lei de Deus; veio dar-lhe cumprimento, desenvolvendo-a e dando-lhe o verdadeiro sentido, adaptando-a ao grau de desenvolvimento humano.

Quanto às leis estabelecidas por Moisés, pelo contrário, ele as modificou sensivelmente, no fundo e na forma; combateu os abusos das práticas exteriores e a observância de vãs tradições, tendo mesmo sintetizado todas as leis nas seguintes palavras: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo", acrescentando que nessas singelas palavras estão contidas todas as leis e todos os profetas.

O escopo maior do advento de Jesus Cristo foi recomendar, com veemência, que a lei de Deus tivesse o seu cumprimento, que fosse praticada na Terra com todo o seu desenvolvimento e com todas as suas conseqüências. O Mestre deixou transparecer, claramente, em seus ensinos, que deixaria de haver razão para essa lei, se continuasse a subsistir o privilégio de alguns homens ou de um povo. Aos olhos de Deus todos os homens são iguais, merecendo o mesmo desvelo e a mesma solicitude.

Jesus Cristo veio ensinar aos homens que a verdadeira vida não está sobre a Terra, mas no Mundo Maior, que ele simbolizou como sendo o Reino de Deus. Veio ensinar aos homens o caminho reto que leva a Deus.

O advento de Jesus Cristo era aguardado com grande emoção pelo povo judeu; entretanto, como Moisés havia vaticinado que Deus suscitaria um profeta igual a ele, os judeus passaram a ficar na expectativa de um Messias guerreiro, impávido, invencível, que varresse da velha Palestina os invasores romanos e restabelecesse a hegemonia do povo de Israel.

O fato de as profecias afirmarem que o Messias seria da linhagem de Davi também levou os judeus a acreditarem que ele, a exemplo do que fez o rei Davi, não se limitaria a destruir um gigante como Goleias, mas assolaria todos os povos vizinhos, dilatando, assim, os acanhados limites do território judaico.

Surgindo no cenário do mundo, desprovido da espada de Davi, e estabelecendo preceitos nada parecidos com aqueles implantados por Moisés, Jesus Cristo se defrontou com a mais acerba oposição por parte dos sacerdotes, dos escribas, dos fariseus, dos saduceus e de uma camada da população que não aceitava o tão esperado Messias como filho de um humilde carpinteiro, e falando sobre paz, mansuetude, tolerância e amor.

O Messias descendia de humilde família, apregoava a concórdia e o amor, não aspirava à posição política no mundo.

Ordenava que a espada fosse embainhada. Seus assessores não eram homens aguerridos como Josué, Davi e Joab, mas sim humildes pescadores do mar da Galiléia. As suas palavras não eram as de um conquistador que viesse expulsar os romanos intrusos, mas de um homem sereno, que proferia palavras de fraternidade e paz. Prometeu a bem-aventurança aos pacificadores e aos mansos. Recomendou que não se perdoasse o inimigo apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes.

Por isso, ele não foi aceito como Messias, e os seus acirrados inimigos cercaram-no de todos os obstáculos, fizeram toda a sorte de conluios, e não descansaram, enquanto não o viram suspenso na cruz, no meio de dois facínoras. Entretanto, Jesus nos revelou um Deus diferente, um Pai de Infinito amor e misericórdia, que faz a chuva beneficiar justos e injustos, e o sol brilhar para os bons e para os maus. Um Deus eterno, Criador de todas as coisas, uno, indivisível, soberanamente justo e bom. .Desta forma, estava concretizada a Segunda Revelação.

A Terceira Revelação:

Nos Evangelhos está contida a promessa viva de Jesus Cristo, que não deixaria órfã a Humanidade, pois enviaria o Espírito de Verdade, o Consolado, o Paráclito, a fim de restabelecer, em seu devido tempo, todos os seus ensinamentos, numa fase quando o gênero humano estivesse mais preparado para recebê-los.

A História conta que, no decorrer dos séculos que se sucederam ao advento de Jesus Cristo, houve numerosas tentativas, no sentido de fazerem com que os Espíritos do Senhor pudessem trazer suas mensagens à Terra. É inegável que algumas delas chegaram a ser reveladas; contudo, com maior amplitude, isso se tornou possível apenas no século XIX, quando os homens estavam mais adequadamente preparados para essa fase de transição, ou seja, para receberem uma Nova Revelação. As forças reacionárias, que se haviam imiscuído nas religiões dogmáticas, já haviam perdido parte do seu predomínio; o mundo havia saído muito recentemente da trevosa época da Idade Média, quando predominavam a ignorância, o obscurantismo, a superstição, o fanatismo, o absolutismo e a intolerância.

Um sopro de vida nova pareceu agitar o planeta, após esse período. As ciências tomavam grande impulso, mas esse impulso velo em desprestigio da religião. Os homens dedicavam-se ao estudo aprofundado da matéria e se afastavam dos problemas enigmáticos do Espírito. E, à medida que se intensificavam as investigações científicas, menos se cogitava das questões de âmbito religioso.

Na realidade, após o século IV da era cristã, teve inicio um processo sistemático, no sentido de coibir o intercâmbio entre os mundos corpóreo e imponderável. Repetia-se o mesmo panorama reinante, após a instituição dos primeiros reis de Israel. Assim como os profetas ofereciam entraves aos desmandos dos reis e aos preceitos emanados dos sacerdotes, também os Espíritos desencarnados, após a oficialização do Cristianismo, pelo Imperador Constantino, passaram a constituir obstáculos aos governantes, e, sobretudo, aos sacerdotes da nova fé cristã. Por isso, intensa perseguição foi movida contra os medianeiros que recebiam as mensagens do Mundo Maior. implantou-se a Inquisição. Muitos instrumentos de tortura foram idealizados; muitas fogueiras foram acesas, e, se dentre os sacrificados houve muitos falsos profetas e embusteiros, também houve muitos médiuns e missionários de reconhecido mérito, autênticos enviados dos Céus. A História dá conta dos milhares e milhares de missionários que tiveram suas vozes silenciadas pela força, por injunção dos poderes religiosos aliados aos poderes temporais.

Pode-se afiançar que os primeiros precursores do Espiritismo foram os famosos médiuns Emmanuel Swedenborg e Andrew Jackson Davies, além de muitos outros. O mundo já estava preparado para o grandioso evento da vinda do Consolador, o que viria a ser consubstanciado na codificação da Doutrina Espírita.

Poucos anos antes do advento de Allan Kardec, como missionário da Terceira Revelação, surgiram no pequeno vilarejo de Hydesville, nos Estados Unidos da América do Norte, as três irmãs Fox, que, no dia 31 de março de 1848, inauguraram um método de comunicação inteligente com o mundo invisível.

Dali por diante, surgiram' muitas pessoas dotadas mediunidade, produzindo uma série de fenômenos retumbantes e conseguindo atrair a atenção de numerosos sábios de renome mundial.

Era chegada a hora psicológica, para que a Doutrina dos Espíritos fosse revelada e codificada. Surgiu, então, no cenário do mundo, a figura exponencial de Hippolyte Léon Denizard Rivail, que, usando o pseudônimo de Allan Kardec, tomou contato com os fenômenos, e, com a ajuda de três jovens médiuns - Caroline Baudin, Julie Baudin e Ruth Celine Japhet, conseguiu lançar o arcabouço de uma nova doutrina, dando à publicidade "O Livro dos .Espíritos" em 1857. A nova doutrina veio para revolver e revolucionar o mundo inteiro. Seus fundamentos estão alicerçados sobre a comunicabilidade dos Espíritos, a multiplicidade dos mundos habitados, a reencarnação e a imortalidade da alma, corroborando, assim, tudo aquilo que Jesus Cristo nos legou e que está contido nas páginas dos Evangelhos.

Estava reservada a Allan Kardec a missão portentosa de organizar, através de uma codificação completa, a nova concepção religiosa da alma, lançando luzes sobre o verdadeiro sentido dos ensinamentos da doutrina cristã. Kardec foi, portanto, um missionário que atuou como lídimo intérprete da vontade de Espíritos de grande elevação, sob a égide do Espírito de Verdade, para que no mundo fosse implantada uma Doutrina que tem o amplo aspecto de Ciência, Filosofia e Religião.

O Espiritismo é, portanto, a revivescência do Cristianismo revelado por Jesus, há quase vinte séculos, e cujos ensinos sofreram, no decorrer dos séculos, o impacto das deturpações e degenerescência, que objetivavam servir os interesses escusos de grupos e de pessoas. Aí está, pois, a Terceira Revelação.

Por que o Espiritismo Agrada ?

Em sua viagem, em 1862, em discurso pronunciado nas reuniões dos espiritas de Lyon e Bordeaux, o Codificador da Doutrina Espirita responde a esta pergunta:

"Por que ele agrada?" É muito fácil explicar.

Ele agrada:

  1. porque satisfaz à aspiração instintiva do homem, em relação ao futuro;
  2. porque apresenta o futuro sob um aspecto que a razão pode admitir;
  3. porque a certeza da vida futura faz com que o homem enfrente, com paciência, as misérias da vida presente ;
  4. porque com a Doutrina da pluralidade das existências, essas misérias revelam uma razão de ser, tornam-se explicáveis e, ao invés de serem atribuídas à Providência, em forma de acusação, passam a ser justificáveis, compreensíveis e aceitas sem revolta;
  5. porque é um motivo de felicidade saber que os seres que amamos não estão perdidos para sempre, que os encontraremos e que estão, constantemente, juntos de nós;
  6. porque as orientações dadas pelos Espíritos são de molde a tornar os homens melhores em suas relações recíprocas.

Esses e além desses, outros motivos que só os espíritas podem compreender.

Em contrapartida, que sedução oferece o materialismo? O nada.

Com tal elementos, o futuro do Espiritismo não pode ser duvidoso e, todavia, Se devemos nos surpreender com alguma coisa, será com o fato de que tenha franqueado um caminho tão rápido através dos preconceitos".

("Viagem Espirita em 1862")

ed. O CLARIM

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