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Pena de MorteLuiz Carlos Camarão "Esta semana a Justiça dos Estados Unidos assassinou legalmente uma mulher, culpada de crime idêntico: Assassinato. A diferença entre os dois assassinos é que a mulher e o seu companheiro mataram para roubar (para com o resultado do furto comprarem drogas, eram viciados) e os carrascos americanos mataram em nome da lei, talvez até digam, que matam em nome de Deus, já que em nome de Deus são legalmente inspirados suas leis e os seus códigos"- Rachel de Queiroz (Jornal Correio Braziliense - Brasília, DF, 7-2-98.) De vez em quando, acontecimentos no mundo surgem que sacodem a atenção da Humanidade e a fazem questionar, meditar e deliberar sobre suas próprias convicções a respeito de determinados assuntos. A condenação à pena capital e sua execução com a injeção letal, da senhora Karla Tucker, no Texas, produziu, certamente, esta espécie de concussão, acentuados que foram seus efeitos pela grande repercussão que a mídia provocou. Resultado: sobre o assunto "pena de morte" abriu-se uma celeuma nos Estados Unidos da América, que decerto respingará preocupações dentre os países que prevêem a pena máxima em suas leis, e naqueles que, atualmente, debatem a inclusão ou não da pena de morte como necessária à repressão e correção da criminalidade. No presente caso, vários foram os motivos que o tornaram singular e propiciaram extensas meditações sobre o assunto e que, em última análise, denotam a fragilidade das leis terrenas para julgar, dentro de uma perfeita eqüidade, os atos das criaturas e suas motivações, seu arrependimento, sua tentativa de correção de rumos no caminho do reequilíbrio e da verdadeira justiça. A comovente história de Karla Tucker foi amplamente divulgada e, embora as diferentes versões vendidas pela mídia, possibilita, através dos pontos comuns, vislumbrar o seguinte quadro:
Uma análise apenas superficial desse quadro-resumo já oferece subsídios para que se questione a capacidade da justiça terrena na aplicabilidade da pena máxima. É oportuno juntar, a isto, inúmeros casos em que, utilizando-se talvez do axioma de que "a justiça é cega", quantas injustiças temos praticado em nome dessa mesma justiça, provando que longe estamos da elevação moral que nos autorize a atirar a primeira pedra. Em "O Evangelho segundo o Espiritismo", capítulo XI, item 14, em mensagem recebida por via mediúnica, o Espírito Isabel de França questiona: "Ignorais que há muitas ações que são crimes aos olhos de Deus de pureza e que o mundo nem sequer como faltas leves considera?" Perante todas essas considerações, é necessário que tomemos, urgentemente, um posicionamento definitivo com relação à pena de morte. Posicionamento que precisa ser o resultado de uma indagação íntima e profunda quanto às adaptações que as nossas leis precisam sofrer para que se aproximem das Leis Divinas. O artigo da escritora Rachel de Queiroz, do qual retiramos o trecho citado em epígrafe, foi propriamente denominado Os Cristãos deviam ser contra e expressa a posição da autora com relação ao assunto, e que julgamos bastante lúcida. Qual o posicionamento da Doutrina Espírita? Tratam do assunto as questões 760 a 765, Parte Terceira, capitulo VI, de "O Livro dos Espíritos", e que podem ser resumidas nos seguintes pontos:
Para terminar, achamos muito importante lembrar palavras do médium Divaldo Pereira Franco, em resposta à pergunta do ator Dionísio Azevedo, em um antigo programa de televisão denominado "Terceira Visão". Pergunta o ator: - E a pena de morte, Divaldo, você é a favor ou contra? Responde o médium baiano: - Contra. Matar, nunca. Mesmo quando o Estado, arbitrariamente, toma nas suas mãos o direito sobre a vida do cidadão, e decreta a pena de morte, ela se torna legal, porém, continua imoral. Nenhuma lei moraliza o crime. Então, a nossa falência é que nos leva a matar, quando o nosso trabalho deveria ser educar e, no caso do delinqüente, reeducar. Quando assumimos - segundo os melhores juristas do mundo - a posição de juízes, e decretamos a pena de morte, demonstramos o nosso ódio e o nosso fracasso: não tendo podido conduzir o indivíduo, vingamo-nos, destruindo-lhe, aparentemente, a vida. Do ponto de vista espírita, na visão cósmica do Espírito, sabemos que a morte não faz cessar a vida e que aquele que recebeu a pena de morte e se libertou da matéria, de maneira nenhuma se extinguiu, ele continua na psicosfera terrestre engendrando crimes e inspirando obsessões ainda mais lamentáveis. O ideal é sempre dignificar a criatura, promovê-la, reeducá-la, no caso do delinqüente, ou educá-la, quando chega às nossas mãos. . Ocaso de Uma EraINALDO LACERDA LIMA Eis que agoniza, enfim, do segundo milênio Sendo cega ainda a fé, poucos têm esperança Flagelos, raiva, dor, enfermidade, crimes, Já há prenúncios, porém, de melhores regimes, (Do livro inédito "Canções da Nova Era".) |
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