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PolíticaCentro Espírita Celeiro de Luz A sociedade propicia condições para um aperfeiçoamento interativo entre o homem e o meio social À medida que os homens progridem, dão sua contribuição para o progresso da sociedade, suas leis e mecanismos de poder. Por outro lado, esses avanços impulsionam os mais atrasados para a frente. É uma via de mão dupla O Espiritismo e a PolíticaKardec poderia ter optado por restringir o seu trabalho apenas ao estudo técnico da mediunidade. Já seria ama grande contribuição, é bem verdade, mas ele percebeu que os fenômenos que estudava tinham, pela sua natureza, forte impacto sobre a compreensão do significado da vida: "Percebi, naqueles fenômenos, a chave do problema tão obscuro e tão
controvertido do passado e do futuro da Humanidade, a solução que eu procurava
em toda a minha vida." Vários pontos abordados por Kardec em sua obra avançam para uma análise espírita da política, não se restringindo ao estudo do mundo dos Espíritos e da mediunidade. Esses textos se encontram sobretudo em O Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo e Obras Póstumas. Até mesmo em O Livro dos Médiuns dedicado ao estudo da mediunidade, aparece a sua preocupação com a contribuição do Espiritismo para a solução dos problemas humanos: "A par das obras especiais, formigam os jornais repletos de fotos, de
narrativas, de acontecimentos, de rasgos de Ouve-se muito no movimento espírita (e em outros meios) a frase "não gosto de política" ser dita com certa vaidade, como símbolo de imunidade aos erros, desvios e desmandos que os poder propicia. Não resiste à lógica esta forma de pensar e agir, pois ninguém está imune de responsabilidade pela vida social, por mais que queira se isolar. Na verdade a alegada inconsciência política e a conseqüente abstinência política são também práticas políticas, que contribuem para a manutenção das estruturas vigentes e dos grupos hegemônicos. Os parâmetros fundamentais para a busca do progresso político, sob o ponto de vista espírita, são os seguintes: Liberdade:Somos Espíritos livres e, quando encamados, o livre arbítrio se toma o nosso maior instrumento de progresso material e espiritual. Tornamo-nos mais livres à medida que aprendemos a nos relacionar com a natureza e com as demais pessoas, conhecendo e respeitando os limites de cada um. Igualdade:Somos iguais perante Deus e nossa sociedade deve desenvolver o respeito por
todos os seus integrantes, quaisquer que sejam sua origem e suas características
individuais Esse respeito deve se refletir em igualdade Fraternidade:A base de uma organização social sólida está no combate ao egoísmo e na reunião de esforços para o bem comum. Espiritismo e Democracia"A democracia é o governo no qual o povo, titular da soberania, ou a exerce
diretamente ou por meio de seus representantes." (7) A democratização dos mecanismos sociais de participação e de legitima representação - a democracia formal - é uma das componentes fundamentais do progresso social. No entanto, ela não é, por si só, suficiente. A construção de uma sociedade livre, igualitária e justa a democracia real , capaz de possibilitar a todos o acesso aos recursos sociais e ao poder- requer mais do que a democracia formal. As leis e os viciados sistemas de representação não têm garantido a igualdade de direitos (brancos e negros, mulheres e homens, pobres e ricos etc.), o fim da fome e da miséria, o fim da violência, o fim das precárias condições dos serviços prestados pelo Estado. A democracia real é um desafio social que abrange dois aspectos fundamentais: o progresso continuo dos instrumentos formais e os progresso das pessoas. O Espiritismo está comprometido com ambos. Participação Política O Centro Espírita tem condições de assumir um papel político relevante na sociedade, ao contribuir para a conscientização política das pessoas. O debate aberto e sento dos problemas sociais, desvinculado de interesses transitórios, de grupos e de partidos é uma conseqüência natural dos estudos espíritas. Para isso é fundamental acabarmos com a censura aos debates sociais nos estudos, que faz muitas vezes com que tampemos o sol com a peneira, deixando de ver 0 que ocorre em nosso dia-a-dia, e até mesmo evitando entender o que está escrito nas próprias obras espíritas. (V. item 5 "Participação consciente", mais adiante) À luz das idéias espíritas, os espíritas podem se engajar em diversas atividades na sociedade, juntamente com outras pessoas, espíritas ou não, com as quais se identifiquem. A participação pode ocorrer através de diversas entidades não governamentais como sindicatos, conselhos tutelares, associações de bairros, ecológicas, de defesa de direitos humanos, de defesa dos direitos do consumidor etc. As organizações governamentais (esferas municipal, estadual e federal) e os mecanismos de representação formal também representam espaço para participação: no executivo, no legislativo e no judiciário. É importante notar, nesta forma de participação, a importância da organização partidária. Às vezes se observam espíritas de boa vontade(?) se envolverem e serem engolidos por partidos comprometidos com idéias conservadoras e, que, mais do que 0 povo, representam pequenos mas poderosos grupos que lutam para manter em suas mãos privilégios e poder. Já assisti a cenas em que espíritas, seguindo orientação partidária, votavam a favor de orçamentos que priorizavam obras diversas em detrimento de verbas para educação. Certamente não foi em nem uma obra espírita que buscou justificativa para este posicionamento. Ouve-se muito que 'os partidos são todos iguais" No entanto, o estudo das propostas e, sobretudo, a atuação dos integrantes de cada um, explicarão diferenças marcantes que devem ser consideradas na escolha de um partido através do qual atuar. O sistema partidário ainda tem muito a progredir, mas é através dele que temos condição de participar das organizações governamentais. É grande, sem dúvida, a responsabilidade envolvida na decisão de participar da política, qualquer que seja a instancia. Muitos são os interesses e as pressões. É majoritário o mecanismo de trocas ("é dando que se recebe") favorecendo poucos e marginalizando muitos. Muitos são os casos dos que sucumbem diante de tão poderosos e bem estruturados meios de manutenção do poder vigente. Mas este quadro reforça, ainda mais, o quanto ainda há para ser feito. A responsabilidade pela omissão dói ainda mais na consciência daqueles que sabem quais são os melhores caminhos: "A aspiração por uma ordem superior de coisas é indicio da possibilidade de
atingi-la. Cabe aos homens progressistas ativar esse movimento pelo estudo e a
aplicação dos meios mais eficazes."8 Participação ConscienteA visão espírita nos permite identificar alguns princípios norteados para
aprimorar a organização social. Devidamente discutidos, esses princípios
estabelecem a base da contribuição espírita à atuação social. Pinçamos,
diretamente de O Livro dos Espíritos, um pequeno (mas significativo) conjunto
desses princípios. A leitura Completa da parte III desse livro dará
Participação Política do Espírita"Porque, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons? - Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão. (Questão n° 932 de O Livro dos Espíritos) Há uma inequívoca contribuição política, sob o aspecto filosófico que o Espiritismo oferece à sociedade humana, a fim de que ela se estruture, organize e funcione em termos de verdade, da justiça e do amor. Disseram os Espíritos: "Quando bem compreendido, se houver identificado com os costumes e as crenças, o Espiritismo transformará os hábitos, os usos, as relações sociais." (Questão n° 917, grifos nossos)Portanto, o espírita deve estar atento na concretiza-o da Doutrina Espírita na sociedade, apesar dos obstáculos e dificuldades semeados pelo egoísmo e pelo orgulho de pessoas e grupos. Assim, como um ser social e conseqüentemente um ser político ele deve ter uma ação social ou política. Apresentamos algumas reflexões de como o espírita deve e não deve atuar na política:
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