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Você sabia ?

Correio Fraterno do ABC - Boletim de Setembro de 2000

Interferência positiva

O cidadão H. E. V. L., 35 anos, vendera os poucos bens que tinha em Santa Helena, no interior do Maranhão, e partiu, com a esposa e um casal de filhos, para Recife, onde tinha um emprego prometido. Foram para um hotel até que o emprego fosse liberado. Acontece que esse tal emprego não foi liberado. E depois de dois meses e onze dias o dinheiro, que era parco, acabou. A família procurou os órgãos de assistência social, mas não encontrou apoio. O jeito foi ir para um banco de jardim na Praça Maciel Pinheiro. Passado alguns dias, sem poder voltar para a sua terra e sem poder ficar, o sr. H. E. V. L. entrou em desespero e pensou em suicidar-se. Na madrugada do dia 8 de julho de 1989, ele deixou a família dormindo no banco da Praça e saiu disposto a liquidar com a própria vida. Logo, porém, foi abordado por uma mulher idosa, mas jovial e alegre, que transmitia muita força moral. Ela se identificou como D. Yvone. Ela passou uma das mãos sobre a cabeça dele e falou-lhe das conseqüências desastrosas do suicídio e aconselhou escrever para uma senhora residente em Rio das Flores. Deu-lhe o nome e o endereço e disse que essa senhora iria ajudá-lo a voltar para sua terra natal. E como ele não poderia enviar a carta sem dinheiro, ela disse: "Amanhã um homem vai lhe dar um dinheiro", o que de fato aconteceu. Alguns dias depois, a carta chegou ao seu destino e o maranhense voltou com sua família para Santa Helena sem jamais saber que naquela madrugada de julho de 89 ele havia conversado com o Espírito Yvonne do Amaral Pereira que, quando encarnado, fora médium e escreveu inúmeros livros espíritas, inclusive Memórias de um Suicida. (1)

Uma maravilhosa lição de amor

Nos anos 60 o sr. Benedito Antônio Alves prestava serviços domésticos na residência de Chico Xavier, em Uberaba. Num certo período, o médium passou a sair de casa todos os dias à hora do almoço. Não informava onde ia, dizia apenas que ia visitar um enfermo necessitado de atenção. Comumente solicitava: - Benedito, faça o favor de preparar um franguinho bem macio, que preciso levar a um doente. Lembre-se de que deve ficar bem tenro, pois ele está muito fraco. Precisa fortalecer-se, pouco a pouco, dia a dia! Quem seria o doente que mereceria tanta dedicação do maior médium do mundo? Assim, diariamente saía o Chico levando uma vasilha com o alimento cuidadosamente preparado pelo serviçal. Este, porém, morria de curiosidade em conhecer tão ilustre doente, mas o Chico não o revelava. Um dia, o sr. Benedito resolveu segui-lo pelas ruas de Uberaba. Atravessaram o bairro, Chico à frente. De repente, o médium entrou num matagal, o sr. Benedito fez o mesmo. Mais à frente ele estacou o passo, a cena era por demais comovente e inesperada ao mesmo tempo. No fundo da mata o Chico atendia o misterioso doente: um cãozinho viralata machucado e faminto. (2)

A ressurreição de Sherlock

O escritor escocês Sir Arthur Conan Doyle, romancista, criador do detetive Sherlock Holmes se interessou pelo Espiritismo. Estudou muito essa matéria e em 24 de janeiro de 1887 passou, com seu amigo Ball, um arquiteto de Portsmouth, a fazer reuniões espíritas com um médium experimentado de nome Horstead. Ao todo foram 6 reuniões de janeiro ao princípio de julho. Numa dessas reuniões o médium disse estar vendo um Espírito de cabelos grisalhos, testa alta, lábios delgados e de fisionomia enérgica que olhava fixamente para Conan Doyle. Durante a reunião esse velho se apresentou mais uma vez e um dos presentes recebeu dele uma mensagem alusiva a Conan Doyle, em que dizia: "Esse cavalheiro é médico. Não deve ler o livro de Leigh Hunt!" Conan Doyle esclareceu depois que estava mesmo vacilante sobre se deveria ou não comprar o livro Os Dramaturgos Cômicos da Restauração e que não o adquirira devido à sua linguagem libidinosa. Jamais, porém, havia revelado esse fato a quem quer que seja, nem estava pensando nele nessa ocasião. "Portanto, conclui, não foi um caso de telepatia". Sherlock Holmes granjeara imensa popularidade. Conan Doyle, porém, desejava que o público tivesse dado maior atenção às suas novelas históricas. Tanto é assim que posteriormente ele "matou" o Sherlock, mas essa criação do seu pensamento foi tão prodigiosa, tão genial, que Conan Doyle se viu forçado a provocar-lhe a "ressurreição", atendendo ao clamor de leitores do Reino Unido, da Europa, dos Estados Unidos, enfim, do mundo. (3) (*)

(*) Arthur Conan Doyle A fama do personagem Sherlock Holmes superou a de seu criador, Conan Doyle. Eminentemente cerebral, Holmes é capaz de, à vista de um simples cartão de visita e pela dedução, traçar o perfil de seu dono, fornecendo dados que causam surpresa e admiração.

* Arthur Conan Doyle nasceu em Edimburgo, Escócia, em 22 de maio de 1859. Filho de católicos irlandeses, formou-se em medicina, profissão que inicialmente exerceu junto com a literatura. Em 1887 publicou A Study in Scarlet (Um estudo em vermelho), romance em que aparecem pela primeira vez Sherlock Holmes e seu fiel companheiro, o Dr. Watson. Em 1890, lançou The Sign of the Four (O sinal dos quatro), com grande êxito. A partir daí, resolveu dedicar-se integralmente ao ofício de escritor. Há em seus livros sempre um duelo entre o detetive e seu inimigo oculto, também dotado de inteligência rara: o desenlace vem carregado de forte dose dramática. A expressão de Sherlock Holmes ante a constante admiração de seu companheiro - "Elementar, meu caro Watson" - entrou para a linguagem cotidiana. Cansado da própria criação, Doyle, numa história de 1893, matou seu principal personagem; mas, pressionado pelo público, teve de ressuscitá-lo. Escreveu também romances históricos e de aventuras, como The Lost World (1912; O mundo perdido). A morte do filho na primeira guerra mundial levou-o a converter-se ao espiritismo em definitivo, a cuja causa se entregaria até o fim da vida. Conan Doyle morreu em 7 de julho de 1930, em Crowborough, Inglaterra.

O pai da Anatomia

André Vesálio (1514-1564) lecionou em Pádua, Piza e Bolonha. Sua paixão era a Anatomia. Em sua obra mais importante De Corporis Hanani Fabrica, criticou os ensinos de Galeno. Foi um dos primeiros a dissecar o corpo humano, a fim de criar a teoria anatômica. Foi condenado à morte pela Inquisição por ter sido acusado de dissecar um homem vivo, mas Fernando II da Espanha, de quem era médico particular, conseguiu a comutação da pena por uma peregrinação à Terra Santa. Quando voltava para assumir a cátedra de Anatomia em Veneza morreu num naufrágio nas costas da Ilha de Santo. (4)

O inesperado editorial

Li esta crônica há muito tempo e estava a sua procura. Hoje, ela veio parar em minhas mãos novamente e não posso deixar de registrá-la. Foi escrita por Adolfo Bloch, dono de jornais e depois possuiria a revista e a TV Manchete e a revista Fatos & Fotos. Escreveu ele que certo dia estava em seu escritório buscando inspiração para o editorial da edição do jornal que iria para a rua na madrugada. A inspiração, porém, não vinha. Pensava, pensava e... nada! De repente, entrou no seu escritório sua filha de seis anos de idade, querendo brincar, mas ele não podia, pois estava atrasado com o editorial. Tomou uma decisão, pegou um mapa-múndi que estava pendurado numa das paredes, cortou-o em muitos pedacinhos e deu à menina, a fim de que ela montasse o quebra-cabeça. Minutos depois a garotinha disse eufórica: - Papai, pronto, já consertei o mundo! O jornalista, bastante surpreso, volta-se para trás e constata que a filha havia mesmo montado o quebra-cabeça e questiona: - Como, filhinha, conseguiu realizar essa tarefa em tão pouco tempo? E a simpática criança explica-lhe triunfante: - É que atrás do mapa tinha a figura de um homem. Consertei o homem, conseqüentemente o mundo estava também consertado. Ele não precisava de um material melhor para o seu editorial. Era só organizá-lo e foi o que fez. (5)

Um certo retrato

O inglês Sir Newman Flower, espírita, era um apaixonado pela obra musical de George Frieddrich Händel. Ele colecionava tudo que podia sobre Händel e levou 4 anos para biografá-lo. Pretendia fechar a biografia com um retrato que Händel houvesse tirado em sua velhice. Em sua coleção não existia esse retrato e ele lamentava por não possuí-lo. Numa sessão espírita, o Espírito-guia de Gladys Osborne - Leonardo - disse-lhe que o retrato que procurava estava em Halle, terra natal de Händel. Flower viajou para lá e, de fato, encontrou o retrato de que precisava para fechar o seu trabalho biográfico. (6)

O leão de São Jerônimo

Diz a tradição católica que certo dia São Jerônimo meditava às margens do Jordão, quando um leão com uma das patas machucada aproximou-se. São Jerônimo examinou o membro lesado e constatou que um espinho graúdo era a causa do ferimento. Pacientemente, retirou o estrepe e o rei dos animais grato, jamais o abandonou. Quando ele morreu o animal deitou sobre a sua campa e ali permaneceu até morrer de fome. (7)

Outras formas de vida

Em 1972 o cientista R. D. Brown, após descobrir rara substância química no espaço, declarou sua convicção na existência de outras formas de vida no universo. Ele e mais três outros cientistas australianos que trabalhavam na "Monach University, de Melbourne descobriram uma nuvem de moléculas essenciais à toda forma de vida, numa galáxia que dista 30 mil anos-luz da Terra. A nuvem 500 vezes maior que o sistema solar e com o mesmo peso da Terra foi localizada graças a um espectrômetro de microondas construído na Monach University. Coligaram o espectrômetro ao radiotelescópico de Parkes Soth Wales e registraram os sinais expectroscópicos da nuvem. (8)

Bibliografia:

  • (1) "Yvonne do Amaral Pereira";

  • (2) "Chico Xavier Fonte de Luz e Bênçãos";

  • (3) "Reformador"/novembro 1978;

  • (4) "Presença Espírita"/nov. e dez./94;

  • (5) "RIE"/S/n.º;

  • (6) "Gêneses da Alma";

  • (7) "Anuário Espírita"/1973;

  • (8) "RIE"/junho-72.

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