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Apropriação ArtísticaLouise Ronconi de Nazareno O Espiritismo coloca a necessidade do ser humano desenvolver-se, buscar o conhecimento, apropriar-se dele e construí-lo, também, vivenciar suas conquistas com amor e objetivar sua transformação moral, enquanto indivíduos particulares, ao mesmo tempo que sociais. Na verdade, ele propõe um desenvolvimento do ser em sua totalidade - ou seja, em todas as esferas do humano e do espiritual. Nada mais razoável do que considerar que, sendo a Arte uma construção do ser - uma forma de conhecimento, todos conquistarão e trabalharão para adquirir a sensibilidade artística plena. Distintas da ciência as obras de arte, a Arte, não é jamais superada, ela é absoluta e não restringe-se a marcha de um progresso tecnológico. Uma obra acabada se comparada a outra, pode ser considerada menos bela, entretanto, não ultrapassada. O universo das artes não se enquadra em uma noção de progresso em linha reta, ele é expansivo em todas as direções, é englobante e total, ele produz para a permanência. O ser para apropriar-se das artes deve perceber que entra em outra estrutura de conhecimento, não é ciência, nem metafísica ou religião. Difícil fica determinar no que consiste exatamente esta estrutura, mas ao menos, algumas noções podem ser colocadas : ela trabalha com a expressão humana, adequada ao tempo, as conquistas individuais e ao ambiente cultural do produtor, já que este constrói segundo as condições das quais pode se apropriar; ela não usa o conceito de “utilidade” pertencente as necessidades econômicas do mundo, porém visualizando o desenvolvimento do espírito, sim, a arte será útil ; ela lida com a relação artista - público, intenção e reação na experiência estética, ou seja, ela sugere que o público absorva sensivelmente (uso dos sentidos) sua intencionalidade de expressão para que crie, então, um juízo sobre a obra, sem que isso venha censurar ou reprimir uma atividade criativa ; e tantos outros pontos mais particulares ... De fato, o que se quer colocar é que a apreciação de uma obra de arte não se baseia no puro gosto já moldado pelos preconceitos da própria experiência de vida de um ser. Sim, pode-se afirmar “eu gosto de Monet” ou “Renoir é chato”, entretanto se todas às vezes que houver uma oportunidade de observar-contemplar uma obra, esse alguém já com uma idéia moldada de que “isso é bom, isso é feio, isso é belo “ o ato de contemplar não acontecerá, e provavelmente, essa pessoa não gostará de apreciar obras de arte ... Apropriar-se da arte, fruir uma obra, ter uma experiência estética em relação a ela, é também doar-se, preparar-se para abrir os olhos, os ouvidos, os poros da pele, o coração, as narinas, o cérebro, enfim, estar apto a não julgar precipitadamente. Ora, então é também estar de acordo com os preceitos do Espiritismo : em busca do aperfeiçoamento vivenciado com compreensão, receptividade e amor. Loise Ronconi de Nazareno, integrante do Núcleo Artístico SEMEARTE |
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