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O perispírito e a sensibilidade musical

Léon Denis

Após o estudo da música terrestre, passaremos ao das harmonias do espaço, e para isto resumiremos as instruções que nos foram dadas pelo espírito Massenet no decorrer de várias sessões. Nesse ensinamento o ilustre compositor procede da mesma forma como fazia na Terra, com o mesmo método que aplicava em seus cursos no Conservatório.

Primeiramente, ele se ocupará do instrumento e dos meios de percepção. Porém na vida espiritual não se trata, como na Terra, de instrumentos de corda nem de sopro. Da mesma forma ocorre com relação às percepções, que não são localizadas como no corpo humano, estendendo-se à totalidade do corpo espiritual.

A música terrestre é apenas um eco enfraquecido e em surdina da música celeste, é a melodia eólia produzida por pesados e grosseiros instrumentos de madeira ou de metal; é o sonho estrelado e divino expresso pelas formas de uma vida inferior e material. Porém, nesse caso, o sonho é uma alta realidade.

Se nossos meios de execução musical, rudimentares demais, não nos podem dar uma idéia nítida e clara das supremas harmonias, a dificuldade não é menor quando se trata de explicar através da linguagem comum as regras e as leis da grande sinfonia eterna. Esta dificuldade revelou-se sobretudo no decorrer das lições que recebemos do espírito Massenet, as quais reproduziremos a seguir. Daí resulta que os termos pobres de nossa língua humana são impróprios para traduzir todas as belezas da obra divina.

Para expressar as sublimidades da arte seria necessária a própria arte, com seus mais altos e poderosos recursos e seus mais sutis processos.

(do capítulo 6 do livro O espiritismo na arte)

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