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O Terceiro Setor

Nancy Puhlmann Di Girolamo

Ao lado do Primeiro Setor ( o Estado) e do Segundo Setor ( o Mercado), as Instituições Assistenciais e as Organizações Não Governamentais estão sendo inseridas no chamado Terceiro Setor, valorizado modernamente como imprescindível para o equilíbrio da sociedade humana.

Nesse sentido, emergem desafios para os três setores. O Poder Público, com todo seu complexo funcional, é desafiado a riar facilidades, oferecer apoio decisivo e abrir espaço ao social de forma mais ampla conhecendo e ouvindo os agentes das obras assistenciais. A indústria, o comércio e o empresariado se sentem convocados para contribuições ostensivas até por desafio de ter que atualizar sua organização interna e, muitas vezes, rever seus estatutos para se adequar à linguagem criada para o Terceiro Setor.

Pensamos que as instituições filantrópicas, nascidas do impulso de ajuda e fundamentadas no princípio da fraternidade cristã, têm a necessidade absolutamente oportuna de refletir que: aceitar desafios é imposição do progresso mas uma ponderação avaliativa é imperativo do bom senso.

O modelo organizacional das obras do Terceiro Setor pode e deve obras do Terceiro Setor pode e deve aproveitar os subsídios e princípios da administração geral; mas não deixar que se percam as raízes básicas de suas origens, que se ligam ao trabalho centrado no ser humano e nas teses do amor ao próximo.

Ainda porque, nesse findar de século, está se identificando que esse é o mais alto nível de modelo de ação já atingido, precursor de tempos de paz e harmonia.

O Terceiro Setor não pode se desvincular das ciências do “ fazer” corretamente mas não pode esquecer que a ciência, como conhecimento, é um meio para a plenitude da  vida e não um fim em si mesma.

A dispersão ou diminuição dessa perspectiva poderia até levar a um relativo equilíbrio na área econômica mas não solucionaria a carência de harmonia na convivência humana.

Parece certo dizermos que equilíbrio é uma palavra importante mas harmonia é uma palavra sábia. Equilíbrio relaciona problemas e soluções e harmonia, que é o terreno onde suas raízes foram plantadas.

A cada degrau alcançado pelo progresso há um discurso novo que emerge e depois passa, para ser substituído por outro, muitas vezes repetindo-se com palavras diferentes. Por isso, pensamos que as instituições precisam estar atentas para selecionar os pontos relevantes da modernidade, na horizontalidade social, e redobrar a atenção do cultivo de suas finalidades de origem ( chamadas na linguagem do gestor social de “ missão”).

Enfim, parece-nos que as instituições filantrópicas não podem simplesmente enxertar dentre delas a estrutura provinda do Segundo ou do Primeiro Setor, dispersando-se no emaranhado da exagerada burocracia que ainda os envolve.

O ilustre sr, kanitz, criador do “ Prêmio Bem Eficiente”, tem ressaltado, em algumas de suas palestras, valores que devem ser conservados na experiência, mesmo inicialmente empírica, de instituições assistenciais.

Deduzimos que o Terceiro Setor apresenta, na verdade, um terceiro modelo que deve ser repensado para manifestar toda sua potencialidade, ainda longe de se esgotar.

O grande desafio de hoje parece estar na necessidade de reflexão para que sejam utilizadas as conquistas do progresso e da tecnologia mas que sejam preservados os reais valores que dão dignidade à vida – valores mais ou menos adormecidos no enredo social da vida moderna.

Nessa preservação é provável que esteja a mais alta “ missão” do Terceiro Setor.

(Terra Azul - Julho/ Agosto de 2000)

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