Chico Xavier e as Críticas

Carlos A. Baccelli

Quando ouço ou leio alguma crítica trabalho psicográfico de Chico Xavier- digo ao trabalho psicográfico, porque não creio que, em sã consciência, alguém, principalmente sendo espírita, tenha coragem de criticá-lo em sua vida pessoal -, fico pensando que, em primeiro lugar, o crítico deveria sentir-se na obrigação de fazer mais e melhor que ele!.

Evidentemente, não ser perfeito o homem, não há de ser perfeito o médium, mas questiona-se sob a mesma lógica: onde o crítico que não externasse em suas opiniões a sua visão imperfeita das coisas?

A crítica sincera nunca é mordaz. No caso específico dos críticos de Chico Xavier – daqueles que têm apontado senões na obra de sua lavra mediúnica – o que se pretende ao meu ver, sem tirar e nem pôr, é autopromoção. De quando em quando, não surgem do Movimento Espírita os que propõem revisões na obra de Allan Kardec, que consideram ultrapassada?

Os verdadeiros intelectuais espíritas – creio que os temos, pois não? – são mansos e puros de coração; não se prevalecem agora da natural fragilidade física do médium aos quase 91 de idade, para destratá-lo, nivelando-o a qualquer um deles ou... de nós.

Ora, Chico está acima disto tudo.

Não pensem que estou aqui a defendê-lo. Quem sou eu para tanto? Este singelo arrazoado é um apelo contra o ridículo – sim, um alerta pra os que, sem terem ainda consertado a si mesmos, querem consertar Chico Xavier!...

Como são destituídos que espiritualidade e... pontaria os que atiram pedras com a língua!... Mas o grande povo é sábio e não os escuta – Emmanuel, André Luiz e Humberto de Campos continuam vendendo os seus livros e difundindo as suas idéias.

Chico está dando cabal cumprimento à sua missão. Como é de seu desejo, ninguém o obriga ir às sessão do “Grupo Espírita da Prece”; gradativamente, desvincula-se do corpo físico em franca atividade, qual só acontece com os verdadeiros missionários.

As críticas a ele envelhecerão com o papel de categoria inferior em que, para baratear o seu custo, os jornais espíritas habitualmente são impressos – um ou outro talvez ainda venha a ser útil num boteco de legumes e frutas...

Quando a mim – escrevendo pouco, porque também sei qual vai ser, em breve, o destino deste meu artigo – , digo-lhes, antes de levar em consideração qualquer crítica à obra psicográfica de Chico Xavier, por mais erudito o seu autor, perguntaria pelas suas credenciais na Doutrina e pediria para ver o seu currículo.

(Jornal A Flama Espírita - Nov. 2000)