Bibliografia de Pesquisas Científicas
de Fenômenos Espíritas
Luiz Otávio Saraiva Ferreira
Campinas - SP - Brasil
Junho de 1995.
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Cultura da República Federativa do BRASIL sob o Nº de Registro 99.301, no Livro
141, Folha 358.
O AUTOR AUTORIZA A REPRODUÇÃO DESTE TEXTO DESDE QUE SEJA CITADA A FONTE
(TÍTULO DO TRABALHO, AUTOR E VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO), E DESDE QUE A REPRODUÇÃO
SEJA PARA USO ESTRITAMENTE PESSOAL.
Resumo - Uma bibliografia de quase 400 publicações que abrange os fenômenos
espíritas, a história de suas descobertas e as pesquisas científicas realizadas
com o fim de se entendê-los e se criar uma teoria para explicá-los. Esse
catálogo de obras permite ao interessado na investigação científica dos
fenômenos espíritas ter contato com os principais trabalhos realizados na área,
e visa atender especificamente aos pesquisadores interessados na hipótese do
espírito. As informações foram classificadas conforme os seguintes títulos:
- Introdução
- O Que é Ciência
- Revisão Histórica
- Do Magnetismo Animal ao Hipnotismo
- Do Magnetismo Animal ao Espiritismo
- O Período Espirítico
- O Início do Período Científico
- A "Psychical Research"
- A Metapsíquica
- A Metapsíquica e a Psicanálise
- As Comissões de Investigação
- A Parapsicologia
- A Psicotrônica
- A Psicobiofísica
- Pesquisas de OOBE (Experiência Fora-do-corpo)
- Pesquisas de NDE (Experiência de Quase-Morte)
- Pesquisas de Reencarnação
- Pesquisas de EVP (Fenômeno das Vozes Eletrônicas)
- Pesquisas Espíritas da Atualidade
- Conclusão
- Referências Bibliográficas
- Bibliografia
Agradecimentos - este trabalho foi possível graças às preciosas fontes
bibliográficas cedidas pelo Dr. Hernani Guimarães Andrade e Prof.a. Suzuko
Hashizume, do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas, e pelo Eng.o.
Alcivan Wanderley de Miranda Fo., do Instituto Labor, e pelo Prof. Dr. Aécio
Pereira Chagas.
Introdução
Nos tópicos seguintes são descritos o objetivo e o escopo, i. e., a
abrangência deste trabalho
Objetivo
Desde o Episódio de Hydesville, em 1848, que a quase totalidade das pesquisas
dos fenômenos espíritas gira em torno de um único ponto: a comprovação da
existência dos fenômenos. E cada nova geração de pesquisadores insiste em
renegar as conclusões da geração anterior para recomeçar da estaca-zero, com as
mesmas indagações, de vez que sempre se chega ao beco-sem-saida de ter-se que
admitir a existência do espírito. E como o dogma materialista não pode ser
contrariado, tem-se que renegar tudo para recomeçar sempre.
É necessária a idéia do espírito para se romper esse círculo vicioso, e o
Brasil é o único país do Ocidente em condições de, atualmente, rompê-lo, de vez
que conta com milhões de adeptos do Espiritismo, dentre os quais muitos
pesquisadores profissionais, para os quais o espiritualismo é o ponto de partida
para suas interrogações à natureza, e para os quais a teoria espírita elaborada
por Kardec e a convivência com os fenômenos espíritas já ensinaram muito do que
é necessário saber-se, na prática, para a boa condução desse tipo de pesquisa.
Toda pesquisa científica tem que iniciar-se por uma pesquisa bibliográfica, a
fim de que se saiba o que já foi feito e, a partir daí, critique-se o
estabelecido, proponham-se alternativas, e se crie algo de novo. Para facilitar
esse primeiro passo das pesquisas é que este trabalho apresenta ao leitor,
inicialmente, as modernas conceituações de Ciência, e em seguida uma ampla
bibliografia.
Escopo
Inicialmente são apresentadas as modernas conceituações de Ciência, de vez
que os conceitos de Ciência mais difundidos e aceitos na sociedade em geral e
mesmo na comunidade científica são inteiramente ultrapassados. Em seguida vem
uma resenha bibliográfica das pesquisas de fenômenos espíritas que cobre o
período que se inicia no ano 1779, com o trabalho de Mesmer, passa pelo
surgimento do Espiritismo a partir das pesquisas de Kardec; pelo período das
pesquisas espiríticas iniciado por William Crookes em 1870; pela Metapsíquica de
Charles Richet no início do século XX; pela Parapsicologia de Rhine, criada em
1934; pela Psicotrônica, criada nos antigos países comunistas depois de 1945;
pela Psicobiofísica de Andrade, criada em 1958; pelas pesquisas sobre
reencarnação, vozes eletrônicas, e viagems astrais; e termina com as recentes
pesquisas espíritas de Tourinho e de Miranda. São citados os pesquisadores e
instituições cujas produções são importantes para o conhecimento da
fenomenologia espírita, bem como as teorias e hipóteses sobre os mecanismos
naturais que os produzem.
Breves resumos dos assuntos tratados nas referências são apresentados nos
diversos tópicos deste trabalho, para facilitar a busca da literatura citada, na
qual podem ser achadas as informações detalhadas.
O Que é Ciência
Há um grande desconhecimento, mesmo no seio da comunidade científica, do que
seja realmente Ciência. O conceito de Ciência foi sendo refinado ao longo do
tempo a partir do século XVII, quando começou a surgir o que hoje se entende por
Ciência, e a grande maioria dos membros da comunidade científica ainda se
encontra apegado a conceitos inteiramente ultrapassados pelas modernas pesquisas
da História da Ciência e da Filosofia da Ciência.
Esclarecedora literatura a esse respeito foi produzida pelo químico
brasileiro Aécio P. Chagas, destacando- se os seguintes artigos: 1) artigo[67]
em que passa em revista a história e a conceituação de Ciência, esclarecendo seu
caráter de obra coletiva (Ciência Comunidade), o conceito de Filosofia da
Ciência, os objetivos da Ciência, os mitos sobre a Ciência, a idéia de "Ciência
Oficial", o caráter científico da obra de Kardec, o lugar da Ciência no
conhecimento humano, e a relação entre a Ciência e o Espiritismo; 2) o
artigo[68] intitulado "Espiritismo: Ciência da Mediunidade", em que aborda o
caráter científico da obra de Kardec, o estudo das religiões sob o ponto de
vista espiritista, a contribuição da visão espírita da Natureza para as Ciências
Humanas, e procura desmistificar a relação entre o Espiritismo e as outras
ciências; 3) os artigos[70,78] em que aborda (e desmistifica) a questão das
provas científicas da sobrevivência do espírito, as quais não necessitam da
chancela das outras ciências assim como, por exemplo, a Química não precisa da
chancela da Física para suas teorias e vice-versa; e 4) o artigo[71] em que as
relações entre o Espiritismo e a comunidade acadêmica são analisados sob os
pontos de vista histórico, social e filosófico, cogitando sobre a possibilidade
de se fazerem pesquisas espíritas na Comunidade Acadêmica ( Universidades e
Institutos de Pesquisas).
Igualmente esclarecedora literatura foi produzida pelo físico e filósofo
brasileiro Chibeni, destacando-se os seguintes artigos: 1) artigo[72] em que
apresenta a visão clássica da Ciência, a visão moderna de Ciência sob os
pontos-de-vista de Popper[256], Kuhn[257] e Lakatos[258,259], a análise do
caráter científico do Espiritismo e a comparação do Espiritismo com outras
linhas de pesquisa que estudam os fenômenos espíritas, 2) artigos[73,74] em que
apresenta a visão de Ciência de Lakatos e analisa o Espiritismo, concluindo que
este "possui todas as características de um programa de pesquisa progressivo,
sendo, portanto, genuinamente científico, segundo o critério de" Lakatos, e
nitidamente superior às assim chamadas " Ciências PSI", que são baseadas no
Positivismo, que é uma visão superada de Ciência, 3) artigo[75] em que apresenta
a visão de Ciência do filósofo Kuhn, a compara com as visões anteriores e
apresenta argumentos que mostram que a Doutrina Espírita é genuinamente
científica, constituindo um Paradigma Científico no sentido apontado por Kuhn.
Nesse trabalho Chibeni afirma: "a obra de Kardec constitui um genuino paradigma
científico, e esse paradigma representa, até hoje, a única diretriz segura ao
longo da qual se podem desenvolver pesquisas científicas acerca dos fenômenos
espíritas e do aspecto espiritual do ser humano em geral.
Revisão Histórica
Boas referências históricas sobre a fenomenologia espírita são Conan
Doyle[1], Richet[80], René Sudre[3], Wantuil[4], a série de 27 artigos de H. G.
Andrade sob o pseudônimo de Goldstein[13,...,39], intitulados coletivamente de "
Parapsicologia - Uma Visão Panorâmica", e Miranda[5].
Do Magnetismo Animal ao Hipnotismo
Mesmer[3,5,15] foi um médico austríaco que, em 1779, publicou uma memória[84]
defendendo a existência de um " fluido universal", o qual poderia ser utilizado
na cura de doenças. Experimentou tratamentos com imãs (magnetos), mas concluiu
que o próprio corpo humano emanava forças mais poderosas que as do imã, as quais
denominou então de " magnetismo animal". Teve como seguidor o marquês de
Puységur[3,5,16] que, ao experimentar magnetizar camponeses, descobriu o
sonambulismo experimental[85,86,87], em que os pacientes sob transe induzido
apresentavam telepatia, visão com as pontas dos dedos, clarividência e outros
fenômenos. Puységur, por sua vez, fez numerosos discípulos. Embora durante certo
tempo rejeitada pelas academias científicas, no início do século XIX a doutrina
do "magnetismo animal" estava muito difundida na Europa, sendo natural que o
fenômeno das mesas girantes, surgido em torno de 1850, nos EUA, e logo repetido
no continente europeu, fosse classificado como uma nova propriedade do
magnetismo animal.
Os pacientes submetidos aos " passes magnéticos" às vezes entravam em estados
de sono de profundidade variável, chamados de " sono magnético" ou " estados
magnéticos". Foi um dos discípulos do marquês de Puiségur, o Abade Faria[5]
(José Custódio de Faria), que assentou as bases da interpretação científica do
magnetismo[88], tendo sido ainda um dos primeiros a experimentar o uso de
sugestões verbais na manipulação magnética dos pacientes.
O magnetismo animal teve boa acolhida na Alemanha, onde merecem destaque as
pesquisas do Dr. Justinus Kerner, que estudou a Vidente de Prevorst[102] (a
famosa médium sonâmbula Frédérique Hauffe), cujos fenômenos de efeitos físicos
testemunhou em companhia de Strauss e do magistrado Pfaffen[4]; as pesquisas do
químico austríaco Reichenbach[93,...,96] sobre a visão das auras dos imãs,
cristais e corpo humano pelos sensitivos (entre 1845 e 1868); e as memórias
publicadas por Schopenhauer[97,98].
É atribuído ao médico francês Alexandre Bertrand[89,90], que publicou seu
primeiro livro a respeito em 1823, a descoberta da importância da sugestão no
transe induzido.
Coube ao cirurgião inglês James Braid[3,16], no ano 1841, após estudar os
fenômenos do magnetismo, dar- lhes uma conceituação científica e fisiológica,
criando o Hipnotismo[83] e sua terminologia, que é a mesma utilizada atualmente.
Segundo a nova teoria, tudo devia-se à imaginação do paciente agindo sobre seu
sistema nervoso ( hipótese animista), rejeitando-se então a hipótese dos fluidos
( hipótese fluidista).
Estava assim criada a divisão entre fluidistas e animistas, que perdura até
nossos dias.
Dessa época em diante a interpretação fisiológica do hipnotismo predominou,
embora dentre os fenômenos atribuídos ao magnetismo animal ou ao hipnotismo
estejam alguns que mais tarde foram reconhecidos como fenômenos paranormais,
como, por exemplo, a telepatia[18], para o qual não há explicação nem
fisiológica nem física[19].
Durand de Gros[3,99,100] foi o primeiro a perceber a diferença entre o
mesmerismo, o hipnotismo e a sugestão.
Do Magnetismo Animal ao Espiritismo
As experiências com magnetismo animal e hipnotismo levavam os pesquisadores a
depararem-se freqüentemente com fenômenos que extrapolavam os domínios dessas
disciplinas ( telepatia, visão com as pontas dos dedos, clarividência e outros),
os quais suscitavam, dentre outras, a hipótese do espírito como explicação.
Entre outros casos bem documentados que extrapolam as explicações do magnetismo
animal e do hipnotismo, são citados abaixo os de Swedemborg, dos Shakers, de
Andrew Jackson Davis e o Episódio de Hydesville, o qual colocou a hipótese do
espírito em pauta definitivamente.
Swedemborg
Vidente sueco[1,3], que teve suas faculdades despertadas em 1744, em Londres,
aos 25 anos. Foi um grande engenheiro de minas, uma autoridade em metalurgia,
brilhante engenheiro militar, autoridade em Física e em Astronomia. Foi também
zoologista, anatomista, financista e político. Conhecia profundamente a Bíblia.
Escreveu várias obras[104,105,106], em que mistura narrativas de suas
experiências mediúnicas, especialmente desdobramentos, a interpretações
teológicas dessas mesmas experiências. Sob sua influência criou-se a Nova
Igreja, a qual, segundo Conan Doyle[1], "converteu-se em elemento negativo, em
vez de ocupar o seu verdadeiro lugar como fonte e origem do conhecimento
psíquico".
Os "shakers"
À mesma época, grupos " shakers" (refugiados religiosos da Inglaterra) se
estabeleceram em comunidades nos EUA. Cultivavam o mediunismo, que chegou a
manifestar-se em forma de transes coletivos durante sete anos consecutivos, após
os quais os entes manifestantes, que se afirmavam espíritos, retiraram-se
afirmando que retornariam em breve e então invadiriam o mundo, entrando tanto
nas choupanas quanto nos palácios. Suas experiências, foram descritas em vários
livros e artigos[109,110,111,112,113].
Andrew Jackson Davis
Grande médium vidente, clarividente, audiente, clariaudiente, psicógrafo e
psicofônico[1]. Quando submetido a transes magnéticos ditou mais de 30 livros,
intitulados coletivamente de Filosofia Harmônica e de Revelações Divinas da
Natureza, que tiveram grande impacto nos EUA. Em transe apresentava o fenômeno
de xenoglossia, embora fosse de parca instrução, e previu[107], antes de 1856,
detalhes do automóvel e da máquina de escrever, que seriam inventados várias
décadas depois. Previu, em 1847, o aparecimento do Espiritismo[108], o que se
daria no ano seguinte com o Episódio de Hydesville.
O Período Espirítico
Esse período vai do Episódio de Hydesville (1848) até as primeiras pesquisas
de Sir William Crookes (1870), sendo a discussão da hipótese do espírito sua
temática central, porém sem maiores envolvimentos da ciência oficial.
O Episódio de Hydesville
O dia 31 de março de 1848 é o marco inicial do espiritualismo moderno,
coforme narrado por Conan Doyle[1]. A família Fox, de Hydesville, estado de Nova
York, EUA, teve um caso de " poltergeist", que culminou com um diálogo através
de pancadas entre a filha mais nova, Kate, de onze anos, e uma inteligência que
se dizia o espírito de um caixeiro-viajante (cujos despojos foram encontrados
apenas em 1904[114]), que teria sido assassinado pelos antigos moradores da
casa. Os fenômenos continuaram mesmo em presença de uma multidão de curiosos.
Ocorreu assim a primeira manifestação pública de diálogo com os espíritos.
Deflagrou-se uma onda de manifestações espíritas espontâneas e provocadas, que
se espalhou inicialmente pelos EUA, e extravasou-se para a Europa e demais
Américas. Tamanha foi sua repercussão que suscitaram as primeiras pesquisas de
cientistas sobre fenômenos paranormais, feitas na Universidade de Buffalo em
1851[131]. Concluíram eles pela fraude (estalos do joelho) das irmãs Fox. Esse
resultado foi contestado por outros pesquisadores[1], de vez que as irmãs já
haviam sido submetidas a inúmeras comissões de investigação. Os jornais das
cidades de Rochester e de Nova York, daquela época, são fartos em artigos sobre
esse episódio e outros que o sucederam, instaurando o Modern Spiritualism nos
EUA. Elder Evans e outro " shaker" foram visitar as irmãs Fox em Rochester tão
logo tomaram conhecimento das manifestações espíritas ocorridas com elas, e
foram saudados entusiasticamente pelas forças invisíveis, que diziam que aquilo
era o trabalho que tinha sido predito aos "shakers" quatro anos antes[1].
As Mesas Girantes
Segundo Wantuil[4], em fins de 1850 os próprios espíritos sugeriram, através
das batidas em código, que os experimentadores se colocassem ao redor de uma
mesa, apoiando as mãos sobre ela e, ao ser proferida a letra do alfabeto
adequada, a mesa levantaria um dos pés e daria uma pancada, formando-se
letra-a-letra as mensagens que os espíritos queriam transmitir. Estava
estabelecido assim o fenômeno das mesas girantes, que logo se popularizou nos
EUA e, atravessando o atlântico, tornou-se o brinquedo noturno da moda nos
salões Europeus.
Deve-se esclarecer que o fenômeno das mesas girantes era conhecido nas
antiguidades grega[81] e romana[82], embora tivessem caido no esquecimento
posteriormente.
Os fenômenos espíritas, de tão paradoxais, fizeram que a maioria dos
cientistas que os estudaram se concentrassem na comprovação da existência, ao
invés de procurarem descobrir os mecanismos naturais que os produziam.
Em meio a um clima de enorme desconfiança e, segundo Conan Doyle[1], sem
qualquer conhecimento dos perigos e desgastes a que estavam se submetendo, Kate
e Margareth Fox, as médiuns através das quais foi iniciada a onda de fenômenos
espíritas, fizeram, a conselho das inteligências que se comunicavam através
delas, demonstrações públicas nos EUA durante mais de vinte anos. Em 1871 Kate
foi a Londres, sendo aí submetida a testes por, dentre outros, Sir William
Crookes, o famoso químico descobridor do tálio e do tubo de raios catódicos. Há
relatos de que nessa época chegou a produzir materializações luminosas.
Margareth e Leah (a irmã mais velha) juntaram-se a ela pouco tempo depois.
Tantas foram as pressões psicológicas sobre Margareth e Kate que suas
faculdades entraram em declínio por causa de alcoolismo, e elas morreram no
início da década de 1890. Digno de nota é o livro de Leah Fox, que revelou-se a
única das três a compreender as importantes implicações filosóficas e morais,
para a humanidade, dos fenômenos com que lidavam[133].
As Mesas Girantes nos EUA
Em janeiro de 1851 o famoso jurista John Worth Edmonds, ex-senador, ex-juiz
do Supremo Tribunal de New York, materialista confesso, declara-se convencido da
realidade do espírito[116], após haver presenciado os mais diversos fenômenos de
efeitos físicos e de efeitos intelectuais produzidos sob o mais rigoroso
controle. O anúncio de sua conversão abalou profundamente a opinião pública
norte-americana[4,113].
Aproximadamente à mesma época o ex-governador do Winscosin e senador N. P.
Tallmadge, dentre outros homens célebres dos EUA, também declarou publicamente
sua adesão ao espiritualismo, em função das provas experimentais da
sobrevivência obtidas[4,113].
Em 1852 os professores W. Bryant, B. K. Bliss, W. Edwards, e David A. Wells,
da Universidade de Harvard, após escrupulosos experimentos, publicaram um
manifesto em apoio à autenticidade do fenômeno de levitação de mesas[4,130].
O primeiro presidente da Universidade de Cleveland, Rev. Mahan[134],
sustentou a tese do fluido magnético para explicar os novos fenômenos, e o Dr.
Robert Hare - professor de química da Universidade de Pensilvânia, fez uma série
de experiências com fenômenos espíritas, iniciando com os métodos e aparelhos
relatados por Faraday em seu relatório à Sociedade Dialética de Londres, e em
seguida desenvolvendo seus próprios métodos e aparelhos, com o que se convenceu
da realidade dos fenômenos em questão. Em 1853 publicou um livro relatando suas
experiências e conclusões[135], as quais apontavam a existência dos espíritos
como causa dos tais fenômenos. Por isso foi praticamente obrigado a renunciar à
sua cátedra na Universidade de Pensilvânia, e sofreu perseguições da Associação
Científica Americana e de professores da Universidade de Harvard[1].
Além dos principais jornais norte-americanos, uma interessante fonte de
consulta sobre fatos da época é o periódico " Spiritual Telegraph"[115],
primeiro jornal espiritista do mundo.
Tamanho interesse tinham despertado os fenômenos espíritas nos EUA, que
alguns médiuns atravessaram o Atlântico e levaram as mesas girantes para a
Inglaterra, onde logo o fenômeno era assunto de todas as rodas.
As Mesas Girantes na Inglaterra
Os primeiros médiuns americanos desembarcaram na Inglaterra em 1852, levando
para lá os novos fenômenos[1,4], que a essa altura incluíam, além das batidas,
as materializações, levitações, escrita direta, voz direta, psicografia,
psicofonia, vidência, clarividência e outros. Foram feitas pesquisas pelo
célebre matemático e filósofo Prof. De Morgan[136], que concluiu pela veracidade
dos fenômenos. Faraday realizou pesquisas sobre as mesas girantes[137],
concluindo que tudo se devia a movimentos inconscientes dos médiuns, embora
houvesse casos registrados de movimentos das mesas sem contato dos médiuns,
conforme réplica do marquês de Mirville[119] a Faraday. O assunto não mereceu
maiores envolvimentos da ciência até 1869, quando foi nomeada uma comissão pela
Sociedade Dialética de Londres.
As Mesas Girantes na Alemanha
O Dr. Kerner, que já havia estudado a Vidente de Prevorst, publicou um livro
sobre as mesas girantes[103], e uma comissão de renomados professores da
Universidade de Heidelberg, composta por Karl Mittermaier, Henrich Zoepfl,
Robert von Mohl, Renaud, Vangerow, Carl von Eschemayer, Joseph Ennemoser, o Dr.
Justinus Kerner, e o Dr. Loewe também pesquisou o fenômeno das mesas girantes,
publicando um relatório a respeito[4,117,118]. As experiências com o fenômeno
das mesas girantes na Alemanha logo ganharam espaço na imprensa francesa,
estimulando a divulgação do fenômeno naquele país[4].
As Mesas Girantes na França
Segundo Wantuil[4], o marquês de Mirville[118], literato Eugène Nus[120], e o
conde de Gasparin[137] historiam a chegada do fenômeno das mesas girantes à
França, em 1853. Mirville defendia a realidade dos fenômenos e exigia o
pronunciamento da ciência sobre eles. O químico Michel Chevrel, em resposta a
Mirville, em nome da Academia de Ciências de Paris, publicou um livro[121] em
que explicava os fenômenos da vara divinatória, do pêndulo e das mesas girantes
como frutos ou da charlatanice ou de movimentos inconscientes dos operadores, no
que foi imediatamente refutado por Mirville[119], por Gasparin[137], e pelo Dr.
Louis Figuier[122], os quais apontaram no trabalho de Chevrel, além de graves
falhas metodológicas e de argumentação, a omissão de fatos comprovados. Era
opinião corrente na época que as mesas girantes poderiam ser explicadas pelo
magnetismo animal, mas o magnetismo animal não era bem visto pelas academias
científicas, estabelecendo-se calorosa contenda entre os magnetistas e seus
adversários. O fenômeno das mesas girantes veio confundir ainda mais os debates,
pois suscitava a interpretação de que por trás dele haveria a existência de
espíritos, o que chocava tanto as mentes que tinham os espíritos como crendices
populares quanto as que os tinham como coisas demoníacas.
Alguns periódicos franceses da época são também importantes fontes
bibliográficas sobre os fenômenos do magnetismo animal, sonambulismo, e
espiritismo[124,125,126,127,128,129].
Surgimento do Espiritismo
O educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido pelo
pseudônimo de Allan Kardec, iniciou estudos dos fenômenos das mesas girantes,
escrita automática e outros, aplicando-lhes o método científico. O primeiro
fruto dessas investigações foi " O Livro dos Espíritos", em que a interpretação
dos fenômenos observados o leva à conclusão da existência e comunicação dos
espíritos. Devem-se a ele a criação das palavras " médium", " mediunidade", e "
espiritismo", dentre outras. Nota-se em sua obra uma grande influência da idéia
do magnetismo animal. Fundou em 1858 e dirigiu a " Revue Spirite", que foi
importante fórum de debates sobre a fenomenologia, filosofia e religião
espíritas. O mais antigo tratado específico sobre mediunidade foi lançado pelo
mesmo autor em 1861 sob o título de " O Livro dos Médiuns". Kardec foi
classificado por Charles Richet como o mais influente personagem, entre os anos
de 1847 e 1871, na ciência do paranormal. Maiores detalhes biográficos podem ser
encontrados na biografia elaborada por Wantuil[6].
(obs: os termos entre parênteses nos dois parágrafos abaixo são acrécimos aos
textos originais a título de esclarecimento ao leitor).
Na atualidade a obra de Kardec foi profundamente analisada pelo físico e
filósofo da ciência Sílvio S. Chibeni, que em recente artigo[75] assim se
expressou: (Kardec) "nos legou um paradigma (científico) admiravelmente
coerente, abrangente, empiricamente adequado e heuristicamente fértil, que não
deixa nada a desejar aos mais bem sucedidos paradigmas das ciências ordinárias,
como a termodinâmica, o eletromagnetismo, as teorias da relatividade, a mecânica
quântica, etc". Mais adiante, no mesmo artigo, Chibeni faz um admiravelmente
sucinto resumo da obra de Kardec:
"Como uma indicação geral e aproximada, podemos dizer que O Livro dos
Espíritos[7], estabeleceu a ontologia e os princípios teóricos básicos (do
Espiritismo); O Livro dos Médiuns[8] e a segunda parte de O Céu e o Inferno[10]
efetuaram a conexão com a base experimental; O Evangelho Segundo o
Espiritismo[9] e a primeira parte de O Céu e o Inferno exploraram as
repercursões filosóficas do paradigma (espírita) no campo da ética; A Gênese, os
Milagres e as Predições segundo o Espiritismo[11] e ensaios diversos nas Obras
Póstumas[12] e na (Revue Spirit) Revista Espírita[123] aprofundaram vários
pontos da teoria (espírita), sendo que a revista constitui também valioso
repositório de relatos experimentais".
Para concluir, pode-se afirmar, com base nos trabalhos de Chagas[67,71] e
Chibeni[72,75], que até hoje não surgiu uma teoria dos fenômenos espíritas mais
sólida, estável, abrangente e bem sucedida que a de Kardec, a qual é a única a
atender aos mais modernos e exigentes conceitos de cientificidade.
O Início do Período Científico
Esse período inicia-se com as primeiras pesquisas de Sir William Crookes
(1870) e vai até a atualidade, caracterizando-se pela visão positivista de
Ciência que esterilizou todos os esforços realizados.
A Psychical Research
Denomina-se de Psychical Research à linha de pesquisas iniciada pela Society
for Psychical Research, linha essa de carater nitidamente positivista.
O debate entre magnetistas, sugestionistas e espiritistas não teve grandes
novidades até por volta de 1870, quando a Sociedade Dialética de Londres nomeou
uma comissão de estudo dos fenômenos espíritas, que trabalhou nos anos 1869-71.
Segundo Conan Doyle[1], era composta de 34 membros, tinha como tema "Investigar
os fenômenos tidos como manifestações espíritas", e concluiu que "o assunto era
digno de maior atenção e cuidadosa investigação do que tinha recebido até
então". A Sociedade recebeu muito mal essas conclusões, e recusou-se a publicar
o relatório, o qual foi publicado às custas da própria comissão[138].
De sua fundação participaram os principais nomes da ciência ingleses
interessados na investigação desses fenômenos.
Em 1882, por causa da recusa sistemática da Sociedade Dialética em investigar
os fenômenos então designados por mesmerismo, psiquismo e espiritismo, foi
fundada uma nova sociedade com esse propósito específico, por iniciativa de Sir
William Barrett, com a denominação de Society for Psychical Research. Sua
produção científica está registrada nos " Proceedings". Foi literalmente
dominada pelos materialistas, os quais na sua maioria negavam "a priori" a
possibilidade do espírito como causa dos fenômenos e, por isso, distorciam
(intencionalmente ou não) os resultados das investigações realizadas e faziam
uma permanente obstrução das pesquisas que tendessem a demonstrar a existência
do espírito. Por outro lado deve-se ressaltar que formou um grande acervo de
estudos de casos de telepatia[144,155,157,160,170,171], sugestão e
hipnotismo[161,178], clarividência[172], psicografia[195], fantasmas dos
vivos[162], fantasmas dos mortos[163,164], e assombrações[196]. Alguns dos seus
membros, isoladamente, renderam-se às evidências do espírito em face dos
fenômenos observados, especialmente fenômenos de materialização (na investigação
de Eusapia Palladino pelo Dr. Hereward Carrington[188]) , mas também pela
psicografia e psicofonia (na investigação de Mrs. Piper pelo Prof. Hyslop[197]).
As experiências de correspondência cruzada (mensagens interrelacionadas
psicografadas por médiuns diferentes em locais diferentes) forneceram excelentes
evidências da sobrevivência do espírito, e são bem relatados, dentre outros, por
Mrs. Johnson[184]e por Charles Richet[199].
As investigações de Sir William Crookes
Crookes iniciou estudando os fenômenos espíritas produzidos por D. D.
Home[140], que já havia sido estudado por Lord Adare[139]. Dentre outros
fenômenos, Crookes (um famoso químico e físico inglês) estudou em laboratório, a
partir de 1870, através da mediunidade de Florence Cook, a materialização de
espíritos. Crookes publicou os resultados de suas pesquisas (inclusive várias
fotografias das materializações[64]) em 1874, enfrentando grandes perseguições
por causa de sua conclusão favorável à origem espírita dos fenômenos[141,142].
As investigações do Dr. Alfred Russel Wallace
O famoso naturalista Dr. Alfred Russel Wallace também fez investigações sobre
os fenômenos espíritas[143], e igualmente concluiu pela origem espírita dos
mesmos, padecendo também perseguições por isso.
As investigações do Prof. William Barrett
William Barrett apresentou estudo dos fenômenos espíritas à Associação
Britânica para o Progresso da Ciência em 1876[356] e declarou publicamente seu
apoio à hipótese espírita.
As investigações de Lord Rayleigh e do Prof. De Morgan
Famosos matemáticos ingleses Lord Rayleigh[146] e Prof. De Morgan[136],
igualmente investigaram os fenômenos espíritas e declararam publicamente suas
conclusões favoráveis à hipótese espírita.
Fotografias Espíritas
Outro interessante fenômeno estudado nesse período é o das fotografias das
aparições de espíritos produzidas na presença de médiuns especialmente dotados.
As aparições não são visíveis a olho-nú, aparecendo apenas nas fotografias. Um
relato interessante é encontrado num livro autobiográfico do médium William H.
Mumler, de Boston ( EUA)[212]. O Dr. Alfred Russel Wallace também relata
experiências com fotografias espíritas[213].
Pesquisas sobre Telepatia e Sugestão
Sobre esse assunto pesquisaram, entre outros, Lodge[155,156], Thaw[170],
Sidgwick[159,171,180], Backman[172], Ochorowicz[173], Dessoir[176],
Schernck-Notzing[177], Hodgson[178], James[179], Myers[195,196],
Flournoy[181,182,183], Johnson[184], Verrall[158], Salter[166], Hyslop[167,168],
Troubridge[169]. Na França, Richet publicou ensaio abrangendo telepatia,
clarividência, diagnóstico de doenças, e a relação entre paciente e
magnetizador[198].
O Fenômeno das Vozes Diretas
Outro fenômeno igualmente interessante pesquisado na época foi o das vozes
diretas, que são aquelas produzidas sem o concurso dos órgãos fonadores do
médium, parecendo brotar do nada. Dentre outros pode-se citar os relatórios das
seguintes pesquisas sobre vozes diretas: pesquisas do Sr. Damiani[215], da
Sociedade Dialética de Londres; pesquisa do General Boldero[214], da SPR, com o
médium D. D. Home, e pesquisa do Prof. Hyslop[216] sobre a médium Elisabeth
Blake, de Ohio (EUA).
Moldagens em Parafina
Moldagens em parafina de membros dos espíritos materializados foi
excelentemente pesquisada pelo Dr. Gustave Geley[218].
Os Grandes Médiuns do Período Científico
Os principais médiuns que contribuíram com a produção de fenômenos espíritas
para estudo da ciência são citados a seguir.
Daniel Dunglas Home
Daniel Dunglas Home era escocês, nascido em 1833. Produzia principalmente
fenômenos de materialização, levitação, telecinesia e "raps". Foi investigado
pelo Prof. Wells, da Universidade de Harward, pelo Prof. Hare, pelo Prof. Mapes,
por Sir David Brewster[147], por Sir William Crookes[141], por Aleksander
Aksakof e pelo Prof. Butlerof.
Os Irmãos Davenport
Os Irmãos Davenport nasceram em Buffalo, estado de New York, EUA, em 1839 e
1841, respectivamente. Tiveram publicadas duas biografias: uma por T. L.
Nichols[148], e outra por Robert Cooper[150]. Nichols também narra fatos da vida
dos Davenport em outro livro[149]. Foram examinados pelos professores da
Universidade de Harvard em 1857 (cf. [148] pp. 87-88), que após terem atendidas
todas as suas exigências de controles contra fraude, e mesmo assim terem
presenciado as materializações, não fizeram relatório, provavelmente impedidos
pelos preconceitos vigentes. Deram demonstrações públicas de efeitos físicos por
todo os EUA, Europa e Austrália[1].
Os irmãos Horatio e William Eddy foram grandes médiuns de materialização no
estado de Vermont EUA. Iniciaram suas demonstrações nos anos de 1874/5. Foram
investigados pelo Coronel Olcott, um grande pesquisador de materializações, das
quais publicou relatos minuciosos[112]. Fez medidas de peso, força muscular e
altura dos espíritos materializados pelas faculdades desses médiuns.
Henry Slade
Henry Slade produzia escrita-direta em lousas lacradas. Exibiu-se nos EUA por
15 anos antes de ir a Londres, onde chegou em 1876. Foi investigado pela
Comissão Seybert (EUA), pelo Prof. Zöllner, em Leipzig, Alemanha[151],
juntamente com os professores William Edward Weber (físico), Scheibner
(matemático) e Theodore Fechner (físico). Foi estudado também em São Petersburgo
(Rússia) (cf. [1], p. 247).
O Dr. Monck
O Dr. Monck foi pesquisado por Alfred Russel Wallace[152] e por Sir William
Barret[153]. Produzia escrita direta em lousas seladas e materializações à plena
luz do dia. Foi apanhado em fraude algumas vezes, o que não invalida suas
produções verdadeiras.
Charles H. Foster
Charles H. Foster nasceu nos EUA, e foi biografado por George C.
Bartlett[189]. Além de grande clarividente, apresentava também a psicofonia.
M.me. d'Esperance
M.me. d'Esperance, cujo nome de batismo era Elisabeth Hope, foi um grande
médium de materializações. Escreveu uma importante autobiografia[190], e foi
estudada por Alexander Aksakof[65]. Alguns de seus feitos mediúnicos são também
descritos por William Oxley[191]. Teve um triste fim de vida, pois ficou
irremediavelmente doente após um pesquisador ter agarrado o espírito Yolanda
materializado numa seção em Helsingfors, no ano de 1893, na tentativa de provar
que havia fraude no fenômeno. A desmaterialização súbita do espírito e o choque
decorrente na médium a adoeceram.
William Eglinton
William Eglinton nasceu na Inglaterra. Possuía forte mediunidade de efeitos
físicos. Foi biografado por J. E. Farmer[192], e foi estudado na Universidade de
Cambridge, em 1880, sob os auspícios da Sociedade de Psicologia. No mesmo ano
foi estudado pelo Prof. K. F. Zöllner[151]e outros, em Leipzig (Alemanha).
Stainton Moses
Stainton Moses nasceu na Inglaterra. Possuía forte mediunidade de efeitos
físicos e de psicografia. Uma descrição detalhada de sua mediunidade foi dada
por F. W. H. Myers[193,194].
A Metapsíquica
Após uma fase de intensas pesquisas, o estudo de fenômenos físicos foi
abandonado na Inglaterra e, na França, ficou praticamente restrito aos trabalhos
de Paul Gibier[185,186,187].
A Metapsíquica, também de carater nitidamente positivista, foi o resultado de
um novo surto de interesse da comunidade científica sobre os fenômenos
espíritas, interesse esse despertado pelo surgimento de uma nova geração de
poderosos médiuns. Tal interesse resultou em longos anos de pesquisas por alguns
dos melhores cérebros da Europa, daí surgindo uma nova disciplina batizada de
Metapsíquica, da qual descendem as atuais Parapsicologia e Psicotrônica. Os
metapsiquistas pesquisaram desde a visão de auras até os fenômenos de
materialização, passando pelos de telepatia, clarividência, precognição,
psicofonia (denominado de "encarnação espírita") e psicografia (denominado de
"escrita automática"). As interpretações espiritualista ou materialista dos
fatos observados variavam de pesquisador para pesquisador como hipótese
cientificamente válidas, pois baseadas em fatos positivos.
O Renascimento do Magnetismo Animal
As pesquisas sobre visão das auras dos imãs, cristais e seres vivos,
iniciadas por Reichenbach, que haviam sido desprezadas por se basearem no
testemunho de sensitivos, foram retomadas em 1880 pelo Dr. Baréty[217], em 1891
pelo Coronel De Rochas[223], em 1903 pelo Prof. Blondot[224], e em 1912 pelo Dr.
Kilner[225]. Seguiram-se as pesquisas de Haschek[226] (em 1914) e de
Hofmann[227] (em 1919) sobre visão de auras de cristais e imãs, que deram
resultados negativos. As experiências de Boirac[231,232] e Alrutz[233] (sobre a
sensibilidade de pacientes à imposição de mãos), bem como as de Louis
Favre[234,235] e de Paul Vasse[236] (sobre a germinação de vegetais), mais
recentes, trouxeram apoio à hipótese fluidista.
Clarac e Llaguet[237] registraram a mumificação de tecidos vivos pela
imposição de mãos de uma sensitiva.
Luys, Chaigneau, Guebhart, Jacobson, Yvon, Dellane, Darget, Baraduc (vide [3]
p.247), Fontenay[228], e G. Le Bon (vide [3] p.247) pesquisaram ainda o registro
do fluidos magnéticos em chapas fotográficas. Após a superação de erros
experimentais em diversas pesquisas, concluiu-se que há fenômenos genuínos.
Zöllner[229] e Sokolowski[230] constataram a influência dos magnetizadores
sobre bússolas, e Grunewald[238] fez pesquisas empregando um galvanômetro
balístico de espelho, observando a produção de campos magnéticos pela
aproximação da mão de alguns magnetizadores.
Os fenômenos elétricos atribuídos ao magnetismo animal foram pesquisados com
o auxílio de galvanômetros por Gass-Desfossés[239] e Courtier a partir de 1874,
acrescentando-se depois os eletrômetros ao aparato experimental. Tais
experiências foram continuadas pela comissão do Instituto Geral Psicológico de
Paris (vide [3] p. 255) em 1905, por Imoda[240] em 1908 e por Ochorowicz[174]
logo em seguida. Em 1921 Yourevitch e Du Bourg de Bozas[241,242], apresentaram
os resultados de suas pesquisas sobre efeitos elétricos da radiação de pacientes
paranormais. Grunewald[243] também pesquisou o assunto à mesma época.
Concluiu-se que há uma energia que, sem ser a eletricidade, tem algumas
propriedades semelhantes a esta.
Devem-se ressaltar as pesquisas de Ochorowicz[175] sobre as emanações
humanas, que ele denominou de raios XX devido ao seu poder de penetração muito
superior ao dos raios X. Obteve inúmeras "radiografias", notadamente de mãos.
Experiências assemelhadas foram feitas pelo Prof. Foa[244], da Universidade de
Turim, por Geley, Richet e Sudre[245], no Instituto Metapsíquico de Paris e por
Geley[246] e colaboradores, no mesmo instituto.
Eusapia Palladino
Não se pode falar da pesquisa espírita sem ressaltar a grande contribuição da
médium Eusapia Palladino, cuja mediunidade despertou interesse de grandes
personalidades científicas da Europa no final do século XIX. Ela submeteu-se
pacientemente a longos anos de investigações científicas dos fenômenos
produzidos por sua potentíssima mediunidade, investigações essas que muitas
vezes colocavam em cheque sua lisura na produção desses fenômenos e
provocavam-lhe grandes desconfortos físicos e psicológicos[1].
Eusapia Palladino foi um dos médiuns de efeitos físicos mais estudados pela
ciência até nossos dias. Seu primeiro pesquisador foi o Prof. Chiaia, de
Nápoles, que a recomendou ao estudo do Prof. Lombroso[220]. Foi estudada ainda
pela Comissão de Milão (em 1892), da qual participaram o Prof. Schiaparelli,
Diretor do Observatório de Milão, o Prof. Gerosa, Catedrático de Física,
Ermacora, Doutor em Filosofia Natural, Aksakof, Conselheiro de Estado do Czar da
Rússia, Charles du Prel, Doutor em Filosofia de Munique, e o Prof. Charles
Richet, da Universidade de Paris. Foram realizadas 16 sessões.
Em seguida foi estudada em Nápoles (1893), em Roma (1893-4), em Varsóvia
(1894), onde deu 40 seções para o Dr. Ochorowicz e da elite científica da
Polônia, na França (1894) sob a direção do Prof. Charles Richet, de Sir Oliver
Lodge[154], de Mr. F. W. H. Myers e do Dr. Ochorowicz.
Em 1895 foi estudada novamente em Nápoles, e no mesmo ano foi estudada na
Inglaterra pelo Prof. Charles Richet, Sir Oliver Lodge, Dr. Richard Hodgson e
Mr. Sidgwick.
Ainda no mesmo ano foi estudada na França pelo Coronel de Rochas[221]; em
1896 em Tremezzo, em Auteuil e em Choisy Yvrac; em 1897 em Nápoles, Roma, Paris,
Montfort e Bordéus; em Paris, em novembro de 1898, pela comissão composta de
Camile Flamarion (astrônomo), Prof. Charles Richet, Albert de Rochas, Victorien
Sardou, Jules Claretie, Adolphe Bisson, Gabriel Delanne, G. de Fountenay e
outros.
Em 1901 foi investigada no Clube Minerva, em Genebra, em presença dos
Professores Porro, Morselli, Bozzano, Venzano, Lombroso, Vassalo e outros, e em
Gênova pelos professores Morselli[247] e Porro.
Entre 1905-1908 foi estudada no Instituto Geral Psicológico de Paris[248].
Houve muitas outras pesquisas na Europa e nos Estados Unidos da América.
Em 1906-7 foi estudada em Gênova, pelo Prof. Morselli, onde foram tiradas
fotografias, e em 1907 foi estudada por Bottazzi, em Nápoles.
Em 1908 a SPR nomeou uma comissão de três técnicos em ilusionismo, composta
por Mr. W. W. Baggally, Mr. Everard Fielding e pelo Dr. Hereward Carrington,
para investigar a mediunidade de Eusapia. O relatório das investigações foi
publicado em 1909[188].
Em 1910 o Dr. Hereward Carrington efetuou novas experiências com a
mediunidade de Eusapia, dessa vez em New York (EUA).
Investigações de Cesar Lombroso
Convidado por Chiaia[1] a investigar os fenômenos produzidos por Eusapia
Palladino, Cesar Lombroso (que era um cientista famoso) convenceu-se da
veracidade dos mesmos, proclamando-o publicamente, levando com isso outros
cientistas igualmente famosos a se interessarem pelo estudo dos fenômenos
espíritas. Publicou, dentre outros, um importante trabalho sobre mediunidade a
partir do estudo de Eusapia[219].
Investigações de Schrenck-Notzing
Pesquisou o ectoplasma entre 1908 e 1913, e publicou vários trabalhos sobre o
assunto[203,204,205]. Longaud também publicou sobre essas pesquisas[206].
Schrenck-Notzing comparou ao microscópio os cabelos de uma forma materializada
com os da médium Eva C., que produziu a materialização. Fez análise química do
ectoplasma, e obteve a filmagem do ectoplasma fluindo da boca do médium.
Investigações de Ernesto Bozzano
Realizou, dentre outros, importantes trabalhos sobre desdobramento e
fenômenos de bilocação[349], fenômenos de transporte[251], comunicações
mediúnicas entre vivos[252], e xenoglossia[253].
Investigações Charles Richet
Foi um dos principais pesquisadores de fenômenos espíritas. Estudou
profundamente o fenômeno de materialização. O nome "ectoplasma" foi criação sua,
depois de estudar os fenômenos produzidos pela médium Eva C., em Argel[200],
para designar a substância exudada pelos médiuns para produção do fenômeno de
materialização. Richet também constatou a correspondente desmaterialização do
médium durante as materializações de espíritos[201]. Um amplo relato de suas
experiências foi publicado em livro[199], tendo como obra mais importante seu
Tratado de Metapsíquica[202], do qual existe uma edição esgotada em português.
Investigações Gustave Geley
Importantes estudos do ectoplasma foram feitos também pelo Dr. Gustave Geley,
que foi diretor do Intituto de Metapsíquica (França), publicando importantes
obras sobre o assunto[207,208]. As importantes pesquisas do Instituto de
Metapsíquica estão relatadas na sua publicação oficial, intitulada "La Revue
Metapsychique".
Investigações de Aleksander Aksakof
Merecem destaque suas investigações sobre fenômenos de materialização,
transportes, e bilocação[66], tendo também observado o fenômeno de
desmaterialização do médium de efeitos físicos durante as materializações[65].
Investigações de John Crawford
O Dr. W. J. Crawford, Professor de Engenharia Mecânica da Queen's University
de Belfast (Irlanda), dirigiu uma importante série de experiências entre 1914 e
1920, com a médium Kathleen Goligher, as quais foram relatadas em
livros[209,210,211]. Utilizando balanças, provou que a translação e levitação de
objetos e os "raps" são produzidos por "estruturas psíquicas" que emanam do
corpo do médium. Provou também que o médium perde massa à medida que expele o
ectoplasma, recuperando-a parcialmente ao término dos fenômenos, e que também os
assistentes contribuem com alguns gramas de massa corpórea para a produção do
ectoplasma.
As Últimas Pesquisas da Metapsíquica
No final da década de 1920 e começo dos anos 1930, paralelamente ao
surgimento da Parapsicologia, que deveria mudar inteiramente o rumo das
pesquisas, foram realizadas importantes investigações por Eugène e Marcel
Osty[254], no Instituto Metapsíquico de Paris, sobre a detecção do ectoplasma
por fotocélulas infravermelhas e sobre a influência da luz vermelha e
ultravioleta no ectoplasma, com a colaboração do médium Rudi Schneider.
A Metapsíquica e a Psicanálise
Inardi[2] conta que Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, tinha
inicialmente uma posição de declarado ceticismo em relação aos fenômenos de
teleparia e premonição. Tal posição foi-se abalando com o passar do tempo, de
modo que ele aceitou ser membro correspondente da S. P. R. de Londres em 1911 e
da A. S. P. R em 1915.
Em 1921 ele escreveu um trabalho sobre psiconálise e telepatia, que seu
discípulo Ernest Jones desaconselhou-o de apresentar no congresso psicoanalítico
internacional em 1922 com o argumento de que a psicoanálise já era alvo de
suficientes polêmicas para que os ânimos fossem ainda mais acirrados com um
trabalho versando sobre assunto tão controverso. Tal trabalho foi publicado
somente em 1941. Freud escreveu outro trabalho, em 1922, intitulado "Sonho e
Telepatia", em que admitia a realidade dos sonhos telepáticos.
Sua mudança de posição frente aos fenômenos espíritas, após toda uma vida de
estudos e observações, fica patente na carta que enviou a Hereward Carrington,
em que declara: "Se eu soubesse que podia recomeçar a viver, dedicar-me-ia à
pesquisa psíquica e não à psico-análise."
As Comissões de Investigação
Paralelamente às investigações citadas anteriormente, algumas comissões de
investigação foram criadas para dar um veredicto científico sobre a realidade
dos fenômenos espíritas. Os resultados de tais investigações foram, no geral,
decepcionantes, principalmente devido ao despreparo dos membros de tais
comissões frente a esse tipo de fenômenos, os quais dependem, além das condições
físicas do ambiente e fisiológicas dos médiuns, das condições psicológicas de
todos os presentes ao recinto do experimento. Pode-se dizer que, face ao triplo
caráter Psicológico, Biológico e Físico dos fenômenos espíritas, os
investigadores teriam que possuir uma formação multi disciplinar para lograrem
preparar-se adequadamente para estuda-los. O caráter intimidatório de tais
comissões por si só já seria elemento suficiente para inibir a maioria dos
médiuns investigados, conforme Sudre ([3] p. 90 e ss.). É importante que se
conheçam tais investigações para não se repetirem os mesmos erros.
Investigações da Comissão Seybert
A comissão Seybert foi criada em função de uma herança de sessenta mil
dólares deixada por Henry Seybert, cidadão de Filadélfia (EUA), para a criação
da cadeira de filosofia da Universidade da Pensilvânia, com a condição que se
criasse uma comissão para investigar o Espiritismo. Ainda segundo Conan
Doyle[1], a comissão nomeada para as investigações tinha pouco interesse no
assunto, encarando a pesquisa como mera exigência legal para a posse da herança
legada por Mr. Seybert. Os trabalhos começaram em 1884, foi publicado um
relatório preliminar em 1887, que ficou sendo o relatório final, segundo o qual
a fraude e a credulidade constituem tudo no Espiritismo, nada havendo de sério
que mereça referência. Fique claro que a referida comissão testemunhou fenômenos
de "raps", escrita direta, e materializações fosforecentes genuínos, apesar de
também ter flagrado algumas fraudes. Caracterizou-se pela leviandade com que
encarou a investigação e escreveu seu relatório.
Investigações da Comissão do Instituto Geral Psicológico de Paris
Segundo Conan Doyle[1], a comissão do Instituto Geral Psicológico de Paris
realizou um total de 40 sessões com a médium Eusapia Palladino nos anos de
1904-5-6. Entre outros investigadores participantes dessa comissão tem-se
registro de Charles Richet, o casal Curie, Bergson, Perrin, e d'Arsonval. Seu
relatório foi muito criticado pela forma indecisa com que foi escrito, deixando
o leitor na incerteza quanto à presença ou não de fraudes nos fatos relatados.
Investigações da Comissão da Scientific American
Conan Doyle[1] também cita que entre os anos de 1923 e 1925 uma comissão,
nomeada pela Scientific American, estudou a médium Mrs. Crandon, mulher de um
médico de Boston (EUA). O secretário, Mr. Malcom Bird, e o Dr. Hereward
Carrington declararam sua adesão à hipótese espírita. Outros declararam-se sem
condições de dizer se tinham sido ou não enganados, ao passo que o Dr. Prince
tinha deficiência auditiva e o Dr. McDougall (vide o item referente à
parapsicologia, na segunda parte deste trabalho) teria sua carreira acadêmica
ameaçada se aceitasse a impopular explicação espírita dos fenômenos.
As Investigações da Comissão de Harvard
Ainda segundo Conan Doyle[1], logo após as trabalhos da comissão da
Scientific American foi constituída uma pequena comissão de pessoas de Harvard,
encabeçada pelo astrônomo Dr. Shapley. Também nessa comissão, apesar de
satisfeitas todas as exigências experimentais dos investigadores, e de não
poderem afirmar que haviam sido enganados, houve a conclusão de fraude como
explicação para os resultados obtidos, numa evidente contradição que mostra a
insegurança da equipe em enfrentar o desconhecido.
A Parapsicologia
O Prof. William Mac Dougall[2], famoso psicólogo inglês, foi eleito
presidente da S.P.R. de Londres em 1920 e no mesmo ano transferiu-se da
universidade de Oxford (Inglaterra) para a universidade de Harvard (Boston,
EUA), onde assumiu a cátedra de psicologia e logo veio a assumir a presidência
de A.S.P.R.
Nesse ínterim participou, entre 1923 e 1925, da comissão de investigação da
Scientific American sobre os fenômenos espíritas.
Em 1927 foi chamado para dirigir o Instituto e a Faculdade de Psicologia da
Universidade de Durham (Carolina do Norte, EUA), também conhecida como "Duke
University".
Ao transferir-se para a "Duke", Mac Dougall convidou o jóvem doutor em
botânica (então com 32 anos) e interessado em metapsíquica Joseph Banks Rhine
para acompanhá-lo, confiando-lhe um projeto de pesquisa que não tivera condições
de concretizar em Harvard.
Rhine gastou três anos em estudos preparatórios, e em 1930 iniciou a pesquisa
propriamente dita[41], tomando rumos inteiramente novos em relação a tudo que já
havia sido feito até aquela data em termos de pesquisa dos fenômenos
paranormais. Ao invés de médiuns especialmente dotados, estudou indivíduos
tomados ao acaso entre estudantes e voluntários, empregando um jôgo de cartas
padronizadas (conhecidas como baralho Zener) e o método estatístico para o
estudo dos fenômenos de telepatia, clarividência e precognição, batizados
coletivamente de Percepção Extrasensorial[43] (ESP - Extrasensory Perception).
Posteriormente o método estatístico foi adaptado ao estudo quantitativo dos
fenômenos de Psicocinesia (PK - Psychokinesis).
Diversos pesquisadores, tanto da Europa quanto dos EUA já haviam feito
experiências com a telepatia, mas somente com o início das pesquisas de Rhine a
qualidade das evidências obtidas a favor da existência da telepatia e da
clarividência mudou definitivamente para melhor. Após 85.000 provas feitas com
os mais rigorosos cuidados contra fraudes mesmo que involuntárias, os resultados
foram publicados em 1934, apresentando média de acerto acima de 7 em 25 (28%),
ao passo que o puro acaso permitiria acerto de apenas 5 em 25 (20%). Foram
feitas também experiências de telecinesia em que se pesquisava, com a mesma
técnica de análise estatística, a possibilidade dos pacientes influenciarem os
resultados do arremesso de dados. Aconselha-se a leitura das obras de
Rhine[58,60] na lígua original (inglês), pois as traduções para o português
atualmente existentes desfiguram seriamente o texto original.
O principal feito do trabalho de Rhine foi evidenciar estatisticamente a
existência de uma "faculdade paranormal". Até nossos dias a parapsicologia (que
não pode ser chamada de ciência por não preencher os modernos critérios de
cientificidade) não conseguiu atingir seu outro grande objetivo, que é o de
estabelecer as relações entre as faculdades paranormais e as outras faculdades
da mente (evita-se escrupulosamente a palavra " espírito" em parapsicologia).
Outra grande limitação da parapsicologia é sua fragilidade na pesquisa das bases
físicas da paranormalidade, além da fundamental ausência de uma teoria
satisfatória e abrangente para os fenômenos, pois a teoria espírita elaborada
por Kardec (que é a única, até hoje, a explicar satisfatoriamente os referidos
fenômenos e a preencher aos mais rigorosos critérios de cientificidade) é
rejeitada "a priori" pelos seus adeptos.
A grande limitação do método estatístico da parapsicologia é que ele se
presta apenas ao estudo de uma pequena classe de fenômenos, e mesmo nos casos de
telepatia e clarividência (que constituem as faces da "percepção extrasensorial"
- ESP) não substitue o método qualitativo (cf. [3] p. 58).
No primeiro grupo de bibliografias sobre parapsicologia estão as que a
definem como um campo da ciência, apresentam suas subdivisões, relações com
outras áreas do conhecimento, e definem termos e conceitos[41,58,260,...,267].
No segundo grupo estão as que apresentam os métodos objetivos de
pesquisa[268,...,279]. No grupo seguinte são apresentadas as bibliografias que
apresentam os fatos a respeito de PSI e de seus tipos[280,...,318], e em seguida
as que abordam a relação entre PSI e o mundo físico[319,...,337].
A Psicotrônica
Na extinta União Soviética os estudos dos fenômenos espíritas ganhou o nome
de Psicotrônica[2], nome esse que exprime a superação dos limites da Psicologia,
entendendo-se por Psicotrônica a disciplina que se ocupa das energias do ser
humano tendo como objetivo o conhecimento das possibilidades de interação entre
homem e homem e entre homem e ambiente através de capacidades possuidas por
quase todos. Tal como a Parapsicologia, a Psicotrônica também não é uma ciência
e também carece de uma teoria satisfatória e abrangente para explicar os
fenômenos espíritas, pois a teoria espírita elaborada por Kardec (que,
repetimos, é a única, até hoje, a explicar satisfatoriamente os referidos
fenômenos e a preencher aos mais rigorosos critérios de cientificidade) também é
rejeitada "a priori" pelos adeptos da Psicotrônica.
Pode-se destacar, dentre outras, as pesquisas sobre telepatia do fisiologista
Leonid Leonidovitch Vasiliev, realizadas a partir de 1950 nom laboratório por
ele organizado no Instituto de Fisiologia da Universidade de Leningrado (atual
São Petersburgo). Foram lançados no ocidente dois livros de sua autoria sobre o
assunto[338,339].
Dentre outros trabalhos, é digna de menção a investigação do agente
telecinético Boris Vladimir Ermolaev, realizada pelo doutor em Psicologia, prof.
V. N. Pushkin[340].
Os doutores V. M. Iniushin e G. A. Sergeiev, postularam independentemente a
existência de um "bioplasma"[341,...,343] que poderia explicar muitos dos
fenômenos paranormais.
As pesquisas psicotrônicas foram cerceadas pelo materialismo oficial dos
paises da cortina de ferro, que lançava em desgraça qualquer pesquisador que
tendesse a evidenciar a hipótese do espírito. No entanto realizaram grandes
avanços no estudo dos aspectos físicos da paranormalidade.
A Psicobiofísica
Procurando romper os nós que paralizaram a Parapsicologia e a Psicotrônica,
Andrade propôs a Psicobiofísica[40], disciplina que, baseada na teoria espírita
elaborada por Kardec, procura unir a Física à Biologia e à Psicologia para
atacar o problema da compreensão integral dos fenômenos paranormais (ou
espíritas).
Prosseguiu na linha de raciocínio inaugurada por Zöllner e propôs, na Teoria
Corpuscular do Espírito, um modelo de espaço de pelo menos quatro dimensões para
explicar os fenômenos espíritas, modelo com que o autor oferece caminhos para a
concepção de novos experimentos para se investigarem as bases físicas desses
fenômenos, tarefa em que a Parapsicologia fracassou. Seus livros[42,...,49,40],
são importantes fontes de informações pois, aliado à excelente didática,
oferecem ao leitor uma visão de conjunto das bases teóricas da Física, Biologia
e Psicologia que, unidas e estendidas, resultam em um modelo de realidade física
na qual o espírito é um elemento natural. Do mesmo autor também estão
disponíveis, dentre outros, trabalhos de pesquisa sobre reencarnação[48,51],
poltergeist[49,...,51], e "drop-in"[52] (manifestação espontânea do espírito de
um falecido que apresenta todos os dados objetivos necessários à sua plena
identificação).
OOBE (Experiência Fora-do-corpo)
Experiência Fora-do-Corpo indica o fenômeno em que o indivíduo vê-se saindo
do corpo físico e mergulhando numa realidade que extrapola a nossa realidade
física, embora geralmente mantenha durante o fenômeno perfeita consciência do
que se passa com o seu corpo físico. Durante tais estados de consciência o
indivíduo pode deslocar-se a outros sítios e reportar o que vê, havendo relatos
de casos em que o indivíduo consegue também provocar efeitos materiais de sua
presença no sítio a que seu "corpo astral" se deslocou. Tal fenômeno é também
denominado "viagem astral" ou "desdobramento".
Blackmore[344] publicou uma revisão dos trabalhos científicos sobre OOBE onde
o leitor poderá encontrar uma crítica razoável das pesquisas sobre o assunto.
Entre trabalhos científicos e depoimentos de experiências de OOBE, publicações
importantes foram também feitas por Crookall[345,...,348], Bozzano[349],
Monroe[349], Muldoon[350,351], Prado[352], Ritchie[62], Vieira[61], Zaniah[353],
e Osis[354,355].
NDE (Experiência de Quase-Morte)
Foram observados muitos pontos em comum nos relatos de indivíduos
ressussitados de paradas cardíacas e outras situações de quase-morte. Tais
semelhanças foram notadas mesmo entre indivíduos de culturas, credos, raças,
idades e profissões diferentes. Tais relatos incluem, no geral, uma experiência
fora-do-corpo, o encontro com seres "espirituais", a travessia de um "túnel", e
o retorno ao corpo físico.
As principais pesquisas sobre o assunto foram feitas por Barrett[356],
Osis[357,358], May[359], e Moody Jr.[54,55].
Reencarnação
Reencarnação é entendido como o renascimento do mesmo espírito em diferentes
corpos humanos, em vidas sucessivas.
Uma das linhas de pesquisa baseia-se na comprovação documental das lembranças
de vidas anteriores relatadas pelos indivíduos, dentre os quais inúmeras
crianças de tenra idade. Nessa linha tem-se as pesquisas brasileiras de
Andrade[48,51], e as pesquisas de Stevenson[63,363]. Uma outra linha de pesquisa
interessante é a que procura marcas de nascença nos reencarnantes que evidenciem
algum tralmatismo físico ocorrido numa encarnação anterior ("birthmarks"). Nessa
linha tem-se , por exemplo, as pesquisas de de Andrade[53] e as Muller[364].
Uma outra interessante linha de pesquisa sobre reencarnação, muito inovadora
pela sua metodologia, é da Dra. Helen Wanbach[56], que se baseia na análise
estatística das reminiscências relatadas por indivíduos submetidos a regressão
de memória através de sugestão hipnótica. Essa técnica torna a confrontação dos
dados colhidos com os registros históricos bem mais fácil que no caso de dados
individuais, e elimina as tendências pessoais, o que é muito importante.
Uma conseqüência das pesquisas sobre reencarnação foi o surgimento, na
Psicologia, da Terapia de Vidas Passadas. Netherton[365] foi o pioneiro dessa
linha terapêutica que está encontrando grande aceitação no Brasil, provavelmente
devido à grande disseminação e aceitação da idéia da reencarnação entre nós.
EVP (Fenômeno das Vozes Eletrônicas)
O fenômeno das vozes eletrônicas foi descoberto por acaso quando
Juergenson[366] realizava gravações de canto de pássaros no campo e apareceram
vozes falando em línguas estranhas na fita, vozes essas que falavam frases
compostas de palavras de várias línguas diferentes e se dirigiam a ele.
À descoberta de Jürgenson seguiram-se as observações de, dentre outros,
Bander[57], Raudive[367] e Meek[79], que obtiveram igualmente mensagens em
gravadores. Mais recentemente observaram-se o aparecemento de mensagens também
em discos magnéticos de computadores, na forma de arquivos- texto.
Pesquisas Espíritas da Atualidade
Talvez por serem os pesquisadores profissionais espíritas em pequeno número,
relativamente ao total de adeptos do Espiritismo no Brasil atual, talvez pela
reconhecida falta de tradição dos brasileiros em documentar os fatos (diz-se que
o Brasil é um país sem memória), a produção de obras espíritas de caráter
científico é ainda bastante modesta, mas pode-se pinçar alguns exemplos
importantes que, embora às vezes sem assumirem o título de "científicas", na
abalizada opinião de Chagas[78] são obras inatacavelmente científicas, as quais
podem servir de modelo para a produção de pesquisas para cuja realização muitos
espíritas estão capacitados. Tais obras são os já clássicos livros Diálogos com
as Sombras[78] e Histórias que os espíritos contaram[368], de Hermínio C.
Miranda, e os livros Surpresas de uma pesquisa mediúnica[369] e Curiosidades de
uma experiência espírita[370] de Nazareno Tourinho.
Outras obras espíritas que merecem especial destaque, essas assumindo
nitidamente o carater científico, são os já mencionados trabalhos de pesquisa
sobre reencarnação[48,51], poltergeist[49,...,51], e "drop-in"[52] (manifestação
espontânea do espírito de um falecido que apresenta todos os dados objetivos
necessários à sua plena identificação) de Andrade, e o trabalho do químico
brasileiro Tubino[76,77] sobre mediunidade de ectoplasmia, em que são analizadas
as características dos médiuns que liberam ectoplasma, as possíveis
consequências para o médium do uso inadequado dessa faculdade, a metodologia de
tratamento dos médiuns de ectoplasmia desequilibrados, onde e como liberar
ectoplasma, e algumas características do ectolpasma liberado para fins de cura.
Tais obras talvez se constituam nos marcos iniciais do que pode vir a ser
designado de "Período Neocientífico" ou "Período Espírita" das pesquisas de
fenômenos espíritas, período esse caracterizado pela superação da visão
positivista de ciência e pelo reconhecimento do caráter inatacavelmente
científico da obra de Kardec. Certamenta que há outras obras dignas de nota, mas
as acima citadas são suficientes para o leitor ter uma idéia do que é uma
pesquisa genuinamente espírita.
Conclusão
Esperamos ter contribuido com este trabalho para a formação de uma nova
geração de pesquisadores de fenômenos espíritas, pesquisadores esses libertos
dos constrangimentos impostos pela visão positivista de Ciência e seguros quanto
ao caráter científico do Espiritismo e quanto à sua independência em relação às
outras ciências.
O Brasil é um país riquíssimo em fenômenos espíritas, mas tal riqueza de
material de pesquisa se perde face à inexistência de motivação do pessoal
capacitado para observar esses fenômenos e documentá-los dentro dos modernos
parâmetros da metodologia científica (vide tópico sobre O Que é Ciência na
primeira parte deste trabalho).
Segundo estimativas recentes, há mais de sete milhões de espíritas em nosso
país, grande parte dos quais portadores de diploma de nível superior, o que, em
tese, torna essa grande comunidade sensível à importância da pesquisa científica
como instrumento de progresso da sociedade.
Essa comunidade tem necessidades peculiares por contar com grande número de
indivíduos praticantes regulares do mediunismo, mas encontra-se "órfã" da
ciência no atendimento das suas necessidades especiais em termos de saúde física
e mental, de vez que a mediunidade é rotineiramente confundida com morbidades
físicas e mentais, e assim os médiuns não encontram nos agentes de saude o
atendimento e a orientação especializados para que possam levar uma vida normal.
Há espaço para a mobilização de recursos no sentido de que a comunidade
científica estude a mediunidade sob o ponto de vista do Espiritismo e que assim
esses cidadãos venham a ter o atendimento adequado por parte dos agentes de
saúde e das autoridades em geral.
Pode-se afirmar com segurança que no Brasil atual há um grande número de
pesquisadores profissionais provenientes das áreas de física, química, biologia,
engenharia, psicologia, etc. que, uma vez carreados os recursos materiais
necessários à pesquisa científica profissional e em tempo integral da
fenomenologia espírita, migrariam de bom-grado para essa área de pesquisa, sendo
essa fase de migração facilitada pela presente bibliografia.
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