Decálogo do trabalhador espírita
Rodrigues Ferreira
- Escolha seu centro espírita e participe dele e apenas dele.
Cada centro tem sua maneira própria de interpretar as práticas e conduzir seus
serviços doutrinários e assistenciais. Assim, não fica bem, por causa da
mistura interpretativa que se forma, além do desagradável constrangimento que
pode surgir, que uma dada pessoa freqüente, ao mesmo tempo, duas ou mais
instituições. Não que seja proibido, pois a liberdade nos permite ir aonde
quisermos, mas até por uma questão de ligação afetiva, para não falar sobre o
fato de que, deste modo, não nos dedicamos, não tomamos parte, não estamos em
lugar nenhum. Ninguém mora em duas casas, não é mesmo?
- Primeiro, estudo espírita, depois, serviço espírita no bem.
Reconhecendo que o serviço assistencial espírita é uma decorrência natural do
aprendizado espírita, o freqüentador bem orientado deverá encaminhar-se, em
primeiro lugar, para os estudos doutrinários de esclarecimento e motivação,
até para aprender a suportar dificuldades e reduzir o coeficiente de
melindres, tão usados para justificar afastamento dos trabalhos. E, depois,
somente a Doutrina Espírita insiste na filosofia de que, na caridade, estamos
servindo a nós mesmos.
- Na hora do estudo, interromper sua participação no trabalho.
É tão desagradável ver um agrupamento espírita se empenhando em um estudo
esforçado, caprichado e interessado, enquanto uma turma, do próprio grupo, se
dedica a algum serviço ! Transmite a impressão de desorganização ou, o que é
pior, a de desinteresse pelo aprendizado. É verdade que há casos especiais que
justificam e permitem a medida, mas o referido aqui não é para estes. Devemos
todos dedicar-nos, o mais possível, para o nosso aculturamento, melhorando a
nossa conscientização das coisas, pois, é o saber que liberta o homem.
- Adquirir e cultivar o hábito de ler.
Interessar-se por jornais espíritas, revistas, mensagens e, sobretudo, pelos
livros, buscando manter a média de leitura de, no mínimo, dois livros novos
por mês.
- Participar dos cursos doutrinários do seu centro ou de
outros.
Os cursos de aprofundamento na Doutrina estão em alta. Quase todo centro já
montou o seu. O companheiro espírita costuma adotar uma regra, esquisita,
segundo a qual ele não precisa de curso nenhum, pois já estuda em casa. Quase
sempre este é um raciocínio falso. Nós todos temos que aprender e quanto mais
ensejo melhor. E ainda tem a confraternização, sempre de primeira linha, no
encontro com os amigos, não é verdade?
- Não se distanciar dos serviços assistenciais.
Nenhum estudioso sério de Doutrina Espírita permanece distante dos serviços
assistenciais, até como aprimoramento prático dos próprios sentimentos. E,
neste aspecto, a ligação direta com os necessitados é o instrumento mais
poderoso. Verifique se você faz assistência com suas próprias mãos.
- Inteirar-se da vinculação estudo-serviço.
Lá no centro existe uma ligação tão forte entre o estudo e o serviço que chego
a estranhar quando não existe isto em outros locais. Nossos serviços
assistenciais foram criados para os companheiros que estudam doutrina nesta
casa. Conscientizamos para que a pessoa se liberte e motivamos para que a
pessoa se concretize.
- Interpretar o serviço do próximo com equilíbrio.
Refletir que estamos ligados aos serviços assistenciais como decorrência
natural de nossa convicção espírita e, assim, trabalharemos no bem procurando
a alegria de servir, ao lado de eficiência produtiva. Não é nosso propósito
fazer muita caridade, cultivar aquelas manias mundanas de grandeza material,
de relacionar a grande quantidade de benefícios praticados, como se fazer
muito é que fosse importante. Faremos toda a caridade possível, sem a
preocupação de resolver o problema da pobreza, apenas aproveitando a alegria
atual de fazer algo.
- Não se avaliar como um grande caridoso.
‘’Reconhecer, mas reconhecer mesmo, que, trabalhando e servindo, estamos,
acima de tudo, cooperando a favor de nós próprios.’’ Assim fala André Luiz, em
Encontro de Paz e, aqui na casa, costumamos dizer que o centro não precisa de
nós, nós é que precisamos dele. Dedicamo-nos, assim, a ocupar o nosso espaço,
aceitando, humildemente, as atividades que nos cabem, esforçando-nos por
sermos fiéis no pouco para que nossos talentos possam ser multiplicados.
Afinal, estamos aqui para servir ou para sermos servidos?
- Não esquecer, nunca, o afeto.
Não nascemos para assentar praça, para fazer bonito ou para gozar a vida. Foi
para crescer espiritualmente. Incumbe-nos, então, o imperativo de buscar o
afeto em nossas relações doutrinárias, inclusive com os necessitados. Pense
nisso de vez em quando: dar pão aos pobres pode não ser uma caridade, pois,
até um robô pode entregar. Mas se você puser afeto na sua pequenina entrega,
ninguém pode substituí-lo.
Artigo publicado na edição n.º 3 do jornal Consciência Espírita
|