Tema apresentado por Jorge Gomes em nome da Escola de Beneficência Caridade
Espírita (Quinta do Arieiro - S. João de Ver)
Item do temário do CFN: Actividades associativas locais (lacunas a preencher
em áreas como formação de colaboradores, etc.)
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Introdução
É evidente que algumas associações já o fazem. Mas muitas outras não.
Umas fazem-no bem... à sua maneira. Outras concretizam essa tarefa, de
forma diferente, mas também... à sua maneira.
Não importa se uma faz melhor que outra. O que é relevante é que o façam em
consonância com Allan Kardec.
Estamos a falar de formação de colaboradores no centro. Um assunto
demasiado importante desde ontem.
Após 1974, quando o direito de associação foi restaurado pela Revolução dos
Cravos, quem ia frequentando o centro e se convertia em colaborador, como
sucedeu com tantos de nós, não tinha outra formação que não fosse a do
improviso.
Hoje, graças a Deus as condições são bem melhores. Porque já é possível
dispor de cursos sempre aperfeiçoáveis, com base didáctica e estruturação
cativante.
Parece haver dois caminhos, e na falta de talento para escolher melhores
palavras: o dos antigos e o dos novos. O dos antigos parece identificar-se,
salvo honrosas excepções, com o improviso e com o "vê como eu faço e faz o
mesmo também". O segundo grupo parece querer organizar a formação do
colaborador, avaliar discretamente a sua capacidade de assimilação e de
trabalho, antes de pouco a pouco, após o ter preparado, o integrar nas
actividades do centro.
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O calendário semanal de actividades e o grau de exigência de formação
As actividades clássicas de qualquer centro geralmente desdobram-se neste
plano de diversidade:
- Atendimento particular ao visitante do centro.
- Palestras (seguidas ou não de passe magnético, colectivo ou individual).
- Aula de infância.
- Aula de juventude.
- Reuniões mediúnicas (especificam-se em reuniões de educação mediúnica;
de atendimento a espíritos desencarnados; e reuniões de desobsessão).
- Grupo de assistência social.
O grau de exigência de formação em todas estas tarefas é elevado.
É notoriamente mau deixá-las ao improviso de lançar para a tarefa quem
apenas reúne em si próprio boa vontade e um ou outro conhecimento disperso.
Numa escala de 1 a 5, na nossa opinião a necessidade de formar gente varia
entre cada tarefa da seguinte forma, independentemente da responsabilidade em
causa:
- IV
- III
- V
- V
- V
- III
Deveria juntar-se o seguinte plano: um ano de Curso Básico para uma ou mais
turmas de 15 a 20 inscritos (inscrição gratuita) cada, transitando cada turma
para o ano lectivo seguinte, sendo neste segundo período de tempo ministrados,
nos mesmos moldes, vários minicursos encadeados sobre cada tarefa específica
desenvolvida no centro.
Porque é fundamental fazer com mais consciência; ou seja, saber fazer...
SABER FAZER
Um bom pescador estuda para bem pescar.
Um bom carpinteiro estuda para bem servir.
Um bom engenheiro estuda para bem trabalhar.
Um bom médico estuda para bem tratar.
Quem abraça tarefa no centro espírita, embora não faça sentido ter salário,
deve também ser um bom estudioso para ser mais útil.
Por isso, o Centro Espírita terá que ter um plano de formação (dura 2
anos), formado por módulos sucessivos.
Dá matérias básicas e fornece especializações.
Allan Kardec já recomendava: «O espiritismo, bem entendido, é o meio único
de... tornar-se, como dizem os espíritos, a grande alavanca de transformação
da humanidade».
(«Obras Póstumas»)
É necessário...
«... um curso regular de espiritismo, no intuito de desenvolver os
princípios da ciência e de propagar o gosto pelos estudos sérios. O curso
teria a vantagem de fundar a unidade de princípio, de fazer adeptos
esclarecidos, capazes de propagar as ideias espíritas (...). Considero esse
curso como elemento de influência capital sobre o futuro do espiritismo e
sobre as suas consequências» (Obras Póstumas»)
Falou-se, linhas acima, de Curso Básico.
O que é o Curso Básico?
Um Curso Básico de Espiritismo é um programa de base didáctica, bem
enquadrado na codificação espírita, onde são ensinadas as noções, conceitos e
informações histórico-conceptuais estudadas e publicadas por Allan Kardec.
O seu objectivo é o de, findo o ano lectivo, os inscritos compreenderem o
que é o espiritismo, o que é a mediunidade, os pontos estruturais da doutrina
e o seu enquadramento na vida, numa concepção científica, filosófica e ética.
Os meios necessários para o êxito deste curso é uma sala acolhedora (de
preferência com um projector de acetatos e um quadro de giz ou de canetas de
filtro), com um ou dois (desejável) monitores formados para o efeito.
A duração deve ser anual; por exemplo, de 01 de Outubro a 30 de Junho.
O que são esses Cursos Específicos do segundo ano de formação?
São minicursos, alguns deles baseados em apostilas compiladas pela
Federação Espírita Portuguesa*, que ensinam sobre:
- atendimento*
- palestrar*
- passe magnético
- atendimento a entidades desencarnadas em reunião (privada, claro!)
própria.
Os itens educação da mediunidade e reuniões de infância e juventude, bem
como assistência social, deveriam, a nosso ver, ser aplicados, no que respeita
à sua formação, fora do plano bi-anual.
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Novas vertentes
A Internet já chegou há muito. Este meio cresce vertiginosamente.
Centros com pequenos auditórios (sejam eles de 500 lugares, de 200, de 100
ou 20) têm ao seu dispor, quase sem despesas, um auditório virtual que pode
atingir um dia os milhares de audiência semanal, e abertos 24 horas por dia.
Basta comprar um correio electrónico ou e-mail (4.500$00 de dois em dois
meses), usá-lo num computador, e conceber e executar um conjunto de páginas
(há quem as faça em casos especiais por preço muito acessível) para serem
incluídas na Internet.
As associações mais actualizadas estão a realizar as primeiras experiências
neste campo: uma seara imensa.
Depois do Curso Básico e dos Cursos Específicos no ano seguinte, será fácil
encontrar quem oriente o movimento desta área tão acessível e riquíssima em
matéria de comunicação.
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Consequências
Hoje em dia, qualquer louco mais ou menos disfarçado pode ser dirigente de
um centro espírita...
Dizem os técnicos que as fronteiras entre esse tipo de alienação e a
chamada normalidade são demasiado ténues para serem traçadas à risca.
Basta a alguém encher de nomes os cargos de uma associação, constituí-la em
notário, ter uma prática presumivelmente mais ou menos espírita, e aí está,
quantas vezes, mais uma associação federada. Era assim até há uns poucos
anos... O futuro, veremos.
Pagam as associações idóneas por uma ou outra malformada nesta situação.
Quase sempre, são derivadas de outros centros, que por exemplo perderam
obviamente eleições e se retiraram para poderem ocupar os seus cargos de
importância (subjectiva)...
Será este um cenário de ficção? Já não sei se é.
O futuro (equivale a dizer, o presente) pode ser muito preocupante.
A nosso ver, uma ajuda ao controlo destas situações indesejáveis passa
obrigatoriamente pela instauração dum plano como o que apresentámos nas
associações federadas que ainda não o tenham organizado. Seria possível,
assim, separar com tranquilidade e vagar o trigo do joio. É fácil, neste
sistema, identificar qualquer "gato escondido com cauda de fora".
Outra das vantagens deste plano é o de permitir ao longo, por exemplo, de
uma década, formar (seriam 5 turmas) novos colaboradores/dirigentes da casa
espírita, com maior número de candidatos idóneos. Seria muito difícil depois
encontrar dirigentes septuagenários ou quase sem saberem a quem entregar o
centro que dirigem quantas vezes desde que o fundaram. Não é estranho que as
causas disso estejam supostamente fora das suas próprias opções de serviço?!
Léon Denis escrevia que o movimento espírita será aquilo que dele os homens
fizerem (mulheres incluídas também!). Allan Kardec recomendava a criação de
cursos. Aqui lembramos: como é possível dar cursos sem que haja formação de
monitores...
Já existem apostilas, os recursos técnico-didácticos estão cada vez mais
acessíveis, já existe gente com formação nessa área no movimento português.
O futuro começou ontem e continua hoje. Depende das opções de cada um de
nós.