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Lei do TrabalhoRoque Jacinto O TRABALHO O trabalho, queiramos ou não, é uma lei da Natureza e, por isso, o trabalho é uma necessidade imperiosa de que não nos convém furtar. A civilização, à medida que avança, conseqüentemente obriga o homem a mais trabalho, já que os tempos modernos aumentam as nossas necessidades e aumentam, conseqüentemente, os nossos prazeres. Não devemos entender, porém que o trabalho seja tão só o das ocupações profissionais que nos asseguram o equilíbrio psíquico e os prazeres do corpo físico. ATIVIDADE DO ESPÍRITO O nosso Espírito, em si, deverá trabalhar tanto quanto o nosso próprio corpo físico, sabendo-se que toda ocupação útil é uma atividade necessária para o nosso próprio equilíbrio espiritual. E toda ocupação útil é trabalho. O trabalho em si, é conseqüência da nossa própria natureza física, impondo-se como o meio de superar-se e nos realizarmos e, ao mesmo tempo, é o mais apropriado recurso para aprimorar e ampliar a nossa própria inteligência. Sem o trabalho, o ser humano permaneceria num primarismo da inteligência, incapaz de liberar-se para alcançar a maturidade espiritual necessária. Somos induzidos a uma atividade útil, por necessitarmos de alimentação e segurança e de bem-estar e, nesse conjunto de necessidades naturais, somente o trabalho físico ou a atividade intelectual nos dá a sensação de vida e de bem estar. Aos que tenham um corpo físico frágil, o Pai Celestial lhes atribui mais inteligência, para que possam desempenhar um trabalho ajustado à sua própria fragilidade. A NATUREZA Dentro da Natureza todos trabalham, movimentando-se de acordo com o que podem e devam realizar e os próprios animais desempenham atividades, de acordo com os rudimentos de inteligência que alcancem dentro da Lei de Conservação. O HOMEM O trabalho do homem, contudo, tem uma dupla finalidade, ou seja, a da conservação do corpo físico e o do desabrochar o seu pensamento, o que lhe é uma necessidade imperiosa, já que somente o desenvolvimento de sua inteligência poderá elevá-lo acima de si mesmo. OS ANIMAIS O trabalho dos animais está voltado para a sua própria conservação e este é o objetivo de sua atividades primárias. Entregando-se, contudo, a prover as sua próprias necessidades materiais, eles se tornam agentes, embora inconscientes, dos desígnios do Pai Celestial. O trabalho que os animais desenvolvem, também contribui para o objetivo final da Natureza, se bem que não descubramos ainda qual seja o resultado imediato dessa atividade. TRABALHO RELATIVO Em planos mais amadurecidos do que o nosso, todos se acham dentro da mesma necessidade de trabalhar, convindo, porém, observar que a natureza de cada atividade guarda estreita relação com a natureza das necessidades de cada Espirito. Mesmo que seja, portanto, material o trabalho, menos será a atividade material. Não creia, porém, que em algum lugar do Universo Divino, possa a criatura permanecer inativa e inútil, já que o não trabalho seria um suplício e não um benefício. AÇÃO NO CAMPO DO BEM O homem que possua bens suficientes para assegurar a sua própria existência poderá estar, talvez, livre do trabalho de ordem material.Ele deverá, contudo, render-se à obrigação de tornar-se útil, conforme com os meios de que disponha, a fim de aperfeiçoar a sua própria inteligência ou, então, para colaborar para que outros se aperfeiçoem e essa sua atitude é igualmente um trabalho. Se o homem, a quem o Pai Celestial facultou bens suficientes para assegurar a sua existência não está certamente, constrangido a nutrir-se com o suor do seu rosto, mas a obrigação dele ser útil a seus semelhantes é muito mais, quanto mais ocasiões ele tem de vivenciar o Bem. IMPOSSIBILIDADE DE TRABALHAR Há seres humanos, é certo, que estão impossibilitados de trabalhar ou de desenvolver qualquer atividade útil, em função de circunstancias físicas ou mentais adversas. Lembremo-nos, contudo, que o Pai Celestial é absolutamente justo e não submete a nenhum de seus filhos a um constrangimento aos que não podem, involuntariamente, exercer atividades materiais. O que é condenável, portanto, dentro da Lei do Trabalho, é aquele que inutiliza a sua própria existência, fazendo-se um inútil, voluntariamente, no campo da vida, já que assim procedendo passa a ter uma existência inútil. PAIS E FILHOS A Lei da Natureza impõe a obrigação de trabalhar a favor de seus parentes e, muito principalmente, a obrigação de trabalhar a favor de seus pais mais idosos. O Pai Celestial criou, em cada um de nós, o amor filial e o amor paternal e maternal e, essa expressão de amor, passou a ser um sentimento instintivo e natural, a fim de que, por essa afeição recíproca, os membros de uma mesma família se amparem mutuamente. Infelizmente, contudo, esse amor recíproco é facilmente esquecido pela nossa sociedade atual, notadamente quando se extrema a indiferença. LIMITE DO TRABALHO O repouso é, também, uma lei da Natureza, sem nenhuma dúvida, já que através do repouso, as forças físicas se recompõem e o repouso é também necessário, a fim de liberar um tanto mais a inteligência, para que o homem se exercite a pôr-se acima da própria matéria. O limite do trabalho, por isso, está no limite da força física ou intelectual e, sobre esse limite, o Pai Celestial deixa o homem inteiramente livre, cabendo à criatura ajustar-se ao limite de sua própria capacidade produtiva. EXCESSOS Em algumas regiões da Terra e em algumas circunstancias, alguém que utiliza a força dos trabalhadores poderá impor a seus subordinados um excesso de trabalho. Esse excesso é, sem dúvida, uma má e irresponsável ação, já que todo aquele que tem o poder do mando, responderá pelo excesso do trabalho que imponha a seus subordinados e isso é uma transgressão da lei do Pai Celestial. REPOUSO Atingida a velhice, já com as forças físicas desgastadas, é justo que tenha o homem de repousar, uma vez que trabalho deverá ser sempre de acordo com as suas próprias forças físicas. ` Ocorre por vezes, no entanto, que o velho necessita trabalhar para viver e nem sempre dispõe de forças para tanto. A regra justa da própria caridade é, neste caso, que o mais jovem deve trabalhar, para compensar a incapacidade do mais idoso. Cabe, pois, à sociedade, como um todo, que se o velho não tenha família que o ampare, a sociedade deve ,ampará-lo integralmente, já que no seu passado, esse homem trabalhou para muitos. CONSIDERAÇÕES Não basta alertar o homem sobre a obrigação de trabalhar. Faz-se necessário, acima de tudo, que aquele que tem do que se prover para a sua subsistência através do trabalho, encontre sempre no que se ocupar, fato este que nem sempre ocorre. Quando se generaliza a falta de emprego, estaremos sempre diante de um flagelo social e graves conseqüências, por se inclinarem os homens para a miséria. A Ciência Econômica, diante desse fato doloroso, deve buscar a solução desse desequilíbrio entre a produção e o consumo de bens, mas esse equilíbrio, se for possível obtê-lo experimentará sempre intermitências durante os intervalos do não-emprego e, naturalmente, nesses intervalos o trabalhador não deixa de ter que viver e sobreviver. Há, contudo, um elemento que nem sempre se costuma pesar na balança e sem o qual a Ciência Econômica não passa de simples e complexa teoria. Esse elemento é a educação. Não nos referimos, por certo, somente à educação intelectual, que poderemos absorver nos bancos escolares. Referimo-nos, isto sim, à educação moral. Anote, contudo, que não nos referimos à educação moral obtida na leitura de livros e, sim, à educação que forma o caráter, aquela que interioriza hábitos saudáveis, ao conjunto de atitudes igualmente saudáveis. Considerando-se, por outro lado, a massa de indivíduos que todos os dias se injeta na torrente da população terrena, sem princípios saudáveis, sem os freios morais e sujeitas, por isso, a seus próprios instintos rudimentares, por acaso poderemos ficar perplexos, espantados, com as conseqüências desastrosas de que isso resulta? Quando a moral for conhecida, compreendida e praticada, o homem exercitará os
hábitos da ordem e da Seus novos e saudáveis hábitos, portanto, lhe permitirão atravessar menos penosamente os inevitáveis maus dias. Vejamos, pois, que a desordem e a imprevidência, são duas chagas dolorosas que somente uma boa educação moral poderá sanar. A educação é o ponto de partida para alcançar o bem-estar mais continuo, para consolidar a segurança de todos. ECONOMIA DIRIGIDA Para realizar a Lei do Trabalho, a economia deve de ser dirigida, no tocante à técnica de produção e aos processos de consumo. Nada, contudo, deverá prejudicar a lei das trocas, já que qualquer ingerência nessa lei natural, resultará em graves conseqüências para toda a coletividade. A vida, em si, depende de trocas continuas e toda e qualquer restrição que se estabeleça, cria uma inversão de todos os valores da vida, dando margem à violência e ao extermínio. DAS LEIS MORAIS – Roque Jacinto |
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