Por que ser bom?

Erika Marques de Britto

Muitos aqui já devem ter ouvido falar que é preciso ser bom, que é preciso fazer o bem e não praticar o mal...

Mas alguém já parou pra pensar porque? Qual é a vantagem que isso traz?

O bem está se tornando uma palavra comum no nosso dia a dia, mas o homem moderno encontra sempre algum motivo para recusar o exercício do bem se confessando incapaz para esta prática, ou alegando cansaço, falta de tempo ou seja, aqui e ali se justificando, dizendo que é muito difícil, ou impossível, ou que é melhor esperar um pouco.

O apóstolo Tiago, no versículo 17 do Capítulo 4 no Evangelho, afirma que Todo aquele que sabe fazer o bem e não faz, comete falta.

O Livro dos Espíritos nos diz na questão n. 643 que não há ninguém que não possa fazer o bem e que somente o egoísta não encontra jamais a ocasião de poder praticá-lo. Diz ainda que o homem deve fazer o bem, no limite de suas forças, porque responderá pelo mal que causou, não tendo praticado o bem.

O “Evangelho Segundo o Espiritismo”, Capítulo XVII, diz que o verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a Lei de Justiça, de amor e de caridade em sua maior pureza. Quando interroga sua própria consciência, pergunta-se se não violou essa lei; se não fez o mal; pergunta-se se fez todo o bem que podia; também se deixou uma oportunidade de ser útil passar em branco; ou se alguém tem do que se queixar dele; enfim se fez ao outro tudo o queria que se fizesse por ele.

O homem compenetrado pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo faz o bem pelo bem, sem esperar retorno.

Devolve ao mal, o bem e se satisfaz com os benefícios que espalha, com os serviços que presta, com aqueles que torna feliz, com as lágrimas que seca.

Se primeiro movimento é de pensar nos outros, antes de pensar em si mesmo. Ele é bom, humano, benevolente com todo mundo, sem distinção de raças nem crenças, pois considera todos os homens como irmãos.

Ocasiões não faltam.

Diariamente multidões de doentes, desabrigados, famintos, nus e desorientados esperam por nós. Por exemplo, se encontramos um doente, sem possibilidades de tratamento e providenciamos sua melhora, simplesmente em troca da satisfação de vê-lo com saúde, pode nos trazer resultados incalculáveis de satisfação pessoal.

Só quem já passou por esse tipo de realização consegue julgar a pureza da emoção que nos domina, o encanto particular de podermos ser os ajudantes ativos, das vitórias do próximo. Talvez, esse tipo de ajuda, possa ajudar muitas pessoas a resgatar a confiança em Deus e isso depende de nós.

Mas, são raras as pessoas que param e se perguntam o que é o bem e o mal. E então como fazer para saber?

O bem é tudo aquilo que está de acordo com a Lei de Deus e o mal é tudo aquilo que dela se afasta. Deus nos deu inteligência para distinguirmos as várias situações que passamos e que fazemos os outros passarem. Essa intuição é o nosso termômetro para identificar o bem e o mal.

Jesus nos disse: “Vede o que quereríeis que vos fizessem ou não” e assim saberemos.

Parece simples, o que nos disse Jesus e realmente é, se treinarmos sempre, dia a dia, os ensinamentos que ele trouxe há 2000 anos.

Os homens freqüentemente cometem faltas, e aquele que tiver maior conhecimento,,,, e que for mais esclarecido é mais culpável aos olhos de Deus que o selvagem que se entrega aos instintos.

“Porque o mal se encontra na natureza das coisas?” pergunta Kardec. E os espíritos respondem: “Os espíritos foram criados por Deus, simples e ignorantes. Deus deixa a escolha do caminho ao homem: tanto pior para ele se seguir o mal; sua peregrinação será mais longa”.

Várias são as causas da maldade: o desequilíbrio econômico, a injustiça das leis, os preconceitos sociais, os vícios morais, a educação falseada, os desregramentos na conduta familiar e principalmente pelo materialismo.

O materialismo gera, egoísmo e orgulho e a partir daí tudo pode se transformar em maldade.

André Luiz, através da mediunidade de Chico Xavier, dizia que o mal não merece comentário, que não devemos perder tempo falando dos maus acontecimentos. Porque isto trás perturbação a mente e fazendo com que despejemos ondas vibratórias negativas no ambiente.

Se não existissem montanhas, não poderia o homem compreender que se pode subir e descer; e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros.

O mal depende da vontade que se tem de fazê-lo e o homem é mais culpado quando melhor sabe o que faz.

Não existe a “Lei da Dor”, portanto, o sofrimento e a dor são conseqüências da ignorância do homem.

O mal sempre recai sobre aquele que o causou, na medida da responsabilidade em saber o que estava fazendo, e assim é julgado.

O importante é a intenção que leva a pessoa a qualquer ato.

Desfrutar do mal que outra pessoa causou, também é participar.

Desejar o mal a alguém, também é como se o tivesse feito.

Vem daí a expressão de que podemos “pecar” por pensamentos, palavras e obras.

Se alguém deseja o mal, e não o pratica, apenas por falta de oportunidades, também é culpado.

Não é suficiente apenas deixar de fazer o mal para nos mostrarmos agradáveis a Deus tentando garantir uma situação futura.

O que é preciso fazer é o BEM, nos limite de nossas próprias forças, pois cada um de nós responderá por todo mal que tiver acontecido por causa do bem que deixou de fazer.

O mérito do bem é relativo a dificuldade.

Ou seja , não há mérito em fazer o bem quando não custa nada. Para Deus vale mais o pobre que doa pois vai lhe faltar do que aquele que dá daquilo que lhe sobra.

Diante do bem e do mal, não devemos perder tempo, o certo é praticar o bem, apesar de que a prática do bem não nos isentar de enfrentar o mal, mas teremos a consciência tranqüila, paz e paciência para essa luta silenciosa, mas vitoriosa.

Vamos então pedir que Deus, nosso amado Pai, nos ajude e ilumine para que os ensinamentos dessa noite, façam morada em nossos corações. Que possamos refletir sempre com mais discernimento sobre tudo que estamos aprendendo. Que Deus nos permita aplicar no dia a dia o Seu amor e que a fé inabalável nos acompanhe sempre. Que assim seja!