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Kardec, Ghost e um sucesso de divulgação

Gismair Martins Teixeira

No capítulo intitulado "Influência perniciosa das idéias materialistas sobre as artes em geral; a regeneração delas por meio do Espiritismo", constante do livro "Obras Póstumas", coletânea de documentos deixados por Allan Kardec, o mestre lionês tece considerações em torno da arte de seu tempo e o que seria lícito esperar do futuro, considerando-se o enfoque materialista ou espiritista da prática artística. Mais uma vez a presciência kardequiana causa espanto. Ouçamo-lo: "(...) Que inesgotáveis fontes de inspiração para a arte! Que obras-primas de todos os gêneros as novas idéias suscitarão, pela reprodução das cenas tão multiplicadas e várias da vida espírita! Em vez de representar despojos frios e inanimados, ver-se-á uma mãe tendo ao lado a filha querida em sua forma radiosa e etérea; (...) o criminoso a fugir em vão ao espetáculo (...) de suas ações culposas! (...)" Mais à frente conclui "(...) Sem dúvida, o Espiritismo abre à arte um campo inteiramente novo, imenso e ainda inexplorado. Quando o artista houver de reproduzir com convicção o mundo espírita, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações (...)" (excertos do capitulo e obra supracítados). Estas palavras, escritas há mais de cem anos, encontram respaldo no sucesso de um filme que há alguns anos emocionou a milhões de pessoas em todo o mundo, constituindo-se, por isso, num enorme sucesso de bilheteria: "Ghost - Do Outro Lado da Vida", uma produção de 1990, com direção de Jerry Zucker, estrelado por Patrick Swayze, Demi Moore e Whoopy Goldberg nos papéis principais.

Ali, em seu enredo, escrito por um conhecedor do Budismo, temos uma ambientação aproximada do que se passa na dimensão espiritual, tal como vislumbramos na Série escrita por André Luiz. Obviamente, em termos de profundidade, a obra desse extraordinário espírito suplanta, em muito, ao que assistimos na telona. Nem poderia ser diferente. A função precípua do cinema, no caso específico do hollywoodiano, é o entretenimento por si só. A propósito do filme, escreveram os redatores do Guia Prático do Vídeo - Dicionário dos Melhores Filmes: o filme tem carisma. Diretor acerta nas cenas tristes, alegres e românticas." (Grifo nosso). Coincidentemente, esta palavra por nós destacada esta associada a pratica mediúnica - feitos os necessários retoques históricos -, muito embora saibamos não ser essa a conotação pretendida pelos autores da definição. O que fica, porém, é a constatação de que essa película trouxe grande contribuição na divulgação de princípios espirituais que, de outro modo, raramente, atingiriam um público tão extenso. Neste rol incluiríamos outra superprodução cinematográfica: Gandhi. Filme produzido e dirigido por Richard Attenborough, em 1982, com Ben Kingsley, Candice Bergen, Edward Fox, levou o Oscar de melhor filme, direção, ator, roteiro, fotografia, figurino, direção de arte e montagem, merecendo, ainda, esta definição do Guia Prático de Vídeo: "Emotivo, grandioso, cuidadoso".

Em Ghost, temos um panorama póstumo; em Gandhi, um panorama biográfico. Ambos de natureza espiritual. Quiçá sejam essas produções as precursoras de outras de natureza transcendental. Adicionando este último elemento, a Sétima Arte nada terá a perder. Pelo contrário. Aí estão a teledramaturgia e o teatro, com a novela A Viagem e as peças Laços Eternos e Vida Depois da Vida, grandes sucessos de audiência e público, em apoio a esta asserção. Num exercício de imaginação ficamos a pensar, por exemplo, em como ficariam os romances de Emmanuel adaptados para o cinema! E os romances mediúnicos escritos por J.W. Rochester, Victor Hugo?!...

O sucesso das produções aqui mencionadas nos permite supor que haveria uma excelente receptividade, assim como nos permitiu perceber um pouquinho do alcance da genialidade de Allan Kardec.

Revista Espírita Allan Kardec, nº 38.

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