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Relatório Preliminar do I Fórum Nacional Antidrogas

(Realizado em Brasília DF - Novembro/1998)

Presidência da República
Casa Militar
Secretaria Nacional Antidrogas

2.4. Grupo Global

Coordenador Geral: Dartiu Xavier da Silveira

Subgrupo G1 - Local de Trabalho

Coordenador: João Carlos Dias

Responsáveis por perdas sociais e econômicas significativas, o abuso e dependência de álcool e drogas assumem papel relevante no âmbito empresarial. Ligados diretamente aos índices de acidentes de trabalho, absenteísmo, produtividade e deterioração das relações interpessoais, têm merecido atenção especial dos setores da Medicina Ocupacional e de Recursos Humanos das empresas. Desde uma perspectiva histórica, já no final do século passado o abuso de álcool era objeto de estudos e era considerado como decorrente das condições insalubres em que se desenvolvia o trabalho. Durante a I Guerra Mundial, foram adotadas medidas restritivas ao acesso ao álcool, em especial em indústrias vitais, ameaçadas pelo excessivo uso dessa substância entre os trabalhadores. Com o desenvolvimento do conceito de doença alcoólica, o trabalhador passou a ser objeto de cuidados do serviço de saúde das empresas. Posteriormente, o conceito de doença alcoólica estendeu-se aos abusadores/dependentes de outras drogas. Começaram, então, a surgir programas especificamente direcionados para atender a estes trabalhadores, a princípio baseados nos critérios de reabilitação de Alcoólicos Anônimos (EUA, 1933). Gradativamente, e acompanhando a evolução das possibilidades terapêuticas que admitiam múltiplos e variados fatores determinantes no estabelecimento da dependência, as empresas desenvolveram programas que entendiam a doença dentro de um processo de "continuum", proporcionando a possibilidade de se detectar precocemente indivíduos com propensão a desenvolver a doença e assim, com o efetivo envolvimento da família no processo, propiciar uma modificação na qualidade de vida do empregado com conseqüente aumento da produtividade da companhia. Os modelos de atendimento utilizados pelas empresas têm se mostrado não só úteis e efetivos, ao utilizar um adequado reforço comportamental - manutenção do emprego e da estabilidade financeira do trabalhador e sua família- mas têm, também, servido de modelo para propostas de regulamentação de atendimento de planos de saúde.

PROPOSTAS

  1. Toda Empresa deve ter uma Política de Prevenção e Assistência do uso de Drogas no Ambiente de Trabalho. Esta política deve estar claramente expressa em documento próprio da empresa e de conhecimento de todos os trabalhadores, operacionalizado em programas e atividades de prevenção e assistência;

1.1. Todo trabalhador tem o direito de exercer suas atividades em ambiente livre de drogas de abuso;

1.2. A política deve ser inserida em programas de saúde e qualidade de vida seguindo critérios técnicos e éticos;

1.3. Toda empresa deverá ter um Comitê composto por profissionais multidisciplinares;

1.4. As empresas deverão ter mecanismos de avaliação profissional de detecção e testagens do uso de drogas em atividades que podem representar risco para o trabalhador e para terceiros, vinculados a programas de prevenção e assistência. No entanto, esta proposta esbarra no respeito às liberdades individuais e aos procedimentos legais vigentes;

  1. Incentivar as empresas a implantar programas de atendimento, acompanhamento e prevenção ao uso indevido de drogas, através da formação de núcleos multiprofissionais, adequando os programas ao seu porte - grandes, pequenas e médias empresas. Recomenda-se a articulação com os órgãos representativos da indústria, comércio e serviços, sindicatos dos empregadores e empregados e demais recursos sociais existentes;
  2. Inserção de Programa de Prevenção Sobre Drogas (PPSD) em Local de Trabalho na Legislação, conforme o seguinte modelo: Portaria 3214 /78 do Ministério do Trabalho - Norma Regulamentadora 7 Item: 7.1 - Obriga-se toda Empresa com mais 50 empregados do seu quadro efetivo a implantar e manter Programa de Prevenção Sobre Drogas, cuja metodologia considere o indivíduo em sua dimensão global; 7.2 - O PPSD deverá ser elaborado por equipe multidisciplinar composta basicamente por representante do Serviço Especializado de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT), Psicólogo e Assistente Social; 7.3 - As ações previstas no PPSD deverão ser revisadas anualmente; 7.4 - A Empresa deverá manter em seu arquivo para posterior fiscalização o registro de todas as ações e atividades desenvolvidas anualmente, inclusive o de presença dos empregados aos eventos alusivos ao tema; 7.5 - A Empresa deverá realizar anualmente a Semana Interna de Prevenção Sobre Drogas, cujas atividades deverão ser coordenadas por pessoas qualificadas, sem prejuízo das demais atividades sistemáticas; 7.6 - A Empresa fica obrigada a viabilizar assistência aos empregados Dependentes de Drogas; 7.7 - A adoção de programas de testagem deverá ser decidida em acordo coletivo de trabalhadores; 7.8 - As Empresas terão 180 dias para adequarem-se a estas medidas a partir da data de sua publicação; 7.9 - As empresas que possuem menos de 50 empregados deverão proporcionar as ações descritas acima através de seus órgãos representativos da industria e comércio e serviços bem como sindicatos de empregados e empregadores.

PENALIDADES

Para efeito do descumprimento destas medidas, considerar-se-á as penalidades previstas na NR-28 para o PCMSO.

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Subgrupo G2 - Família

Coordenadora: Lídia Andreata

Em termos de prevenção do uso indevido de drogas, relacionamentos familiares solidamente constituídos são mais importantes do que atitudes repressivas dos pais com relação às drogas. Se, no decorrer de anos de convivência, as relações familiares forem bem constituídas e solidificadas, dificilmente o uso de drogas virá a se tornar um problema. Por outro lado, se a qualidade dos relacionamentos for precária, os pais deverão ficar atentos não apenas ao problema das drogas mas também a outros aspectos da vida familiar. Infelizmente, quando isto acontece, os pais nem sempre têm consciência do distanciamento que existe entre os membros da família. É freqüente que, nestas circunstâncias, os pais assumam atitudes arbitrárias e autoritárias perante os filhos, aumentando ainda mais esta distância. Provavelmente, a coisa mais importante que os pais podem fazer com relação à prevenção é serem eles mesmos um exemplo para os filhos. A maneira como os pais lidam com a questão tem muito mais efeito sobre o jovem do que as informações que são dadas. É importante que os jovens compreendam, através das atitudes dos pais, o que é uso adequado e o que é uso indevido de drogas. Este processo de aprendizagem começa na infância e persiste até o início da idade adulta. O Grupo 2, com o tema Família e Prevenção, foi coordenador pela jornalista Lídia Andreatta de São Paulo.

PROPOSTAS

  1. Como ajudar a família a prevenir o uso indevido de drogas?

O papel da família:

  1. Valorizar as relações familiares e os princípios religiosos, através da educação básica. Resgatar os valores familiares, adequados à realidade social;
  2. Estabelecer limites e normas familiares, com unidade de decisão na família. Procurar coerência entre palavras e ação na educação; estabelecer relações de causas e efeitos quanto à postura dos valores familiares;
  3. Vencer preconceitos quanto às drogas e buscar maiores informações com entidades que atuam na área. Ações concretas:
  4. Necessidade de ação conjunta do Estado e da Sociedade Civil:
  • Definição de ação por parte do Governo - na prevenção do abuso de drogas e no fortalecimento da família;
  • Organização e participação permanente da Sociedade Civil, assim como de grupos de trabalho e grupos de ajuda, durante todo o processo de definição, normatização e implantação da nova política nacional anti-drogas;
  1. Incentivo do Governo Federal a entidades não governamentais que trabalham com prevenção;
  2. Parceria do Governo Federal, estadual, municipal e da SENAD dando apoio e divulgação aos trabalhos dos Grupos de Auto-Ajuda, e ONG;
  3. Parceria do Governo com Empresas Privadas. Incentivo a empresas que investirem nesta área de tratamento às famílias e ao dependente;
  4. Vincular o tratamento da família a todos as formas de atendimento ao dependente - farmacoterapia, terapia individual e de grupo, terapia ocupacional e comportamental, grupos comunitários de ajuda mútua;
  5. Trabalhos de grupos de apoio;
  6. Campanhas de informação e prevenção, através da mídia e outros meios, valorizando a pessoa e a família, com ênfase no exercício da cidadania - direitos e deveres;
  7. Inclusão no Currículo Escolar de matérias pertinentes à Prevenção (Grupos na Escola);
  8. Investimento na área de saúde preventiva com formação de agentes;
  9. Maior divulgação de entidades que trabalham com prevenção com endereços e telefones;
  10. Qualificação dos profissionais da área de Recursos Humanos, através de cursos específicos de preparo para lidarem com Drogadicção e Tratamento.
  1. Como a família poderá atuar na repressão?
  1. O papel da família não é atuar na repressão, cabendo esta função às autoridades competentes;
  2. A família precisa de apoio das autoridades do Poder Judiciário, através do Ministério Público, para que a repressão seja instrumento de resgate humano e social, cumprindo uma missão reeducativa;
  3. Se enquadrarmos repressão na família, será necessária a reorganização da estrutura familiar, com unidade de valores, limites estabelecidos (civil e criminal), perdas de privilégios do usuário dentro da família.

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Subgrupo G3 - Escola

Coordenadora: Helena Gasparini

A instituição escolar é voltada para uma população constituída predominantemente de crianças e adolescentes, ou seja, indivíduos em fase de desenvolvimento. Por conseguinte, tratando-se de indivíduos que apresentam maior plasticidade, flexibilidade e maleabilidade quanto à sua estrutura de personalidade, tornam-se igualmente mais suscetíveis a influências do meio ambiente. Além disto, crianças e adolescentes tendem a permanecer praticamente a metade de suas vidas no ambiente escolar. Embora a Escola não tenha a finalidade de substituir a família, detém um papel de formação comparável àquele desempenhado pelo núcleo familiar de origem. Acrescentamos ainda que, em se tratando de famílias disfuncionais, freqüentemente a criança ou o adolescente passa a utilizar-se da escola como referência alternativa ao modelo familiar inadequado. O aluno, nestes casos, elege determinados professores como figuras substitutivas dos modelos identificatórios parentais insuficientes. Quanto à prevenção do uso de drogas, dois níveis de intervenção são passíveis de serem realizados no ambiente escolar:

1) antes do primeiro contato com o produto (prevenção primária) e;

2) em havendo uso de drogas, antes da instalação de uma dependência (prevenção secundária). Assim, às instituições de ensino caberiam as seguintes ações:

· intervenções de caráter pedagógico junto a familiares e educadores, agindo sobretudo na diminuição da demanda com relação a drogas;

· intervenções a nível de fatores de risco ou fatores de proteção, agindo predominantemente na interface oferta/demanda. O grupo enfatizou a importância bem como a necessidade da prevenção nas escolas, tendo em vista que estas são responsáveis não apenas pelas informações mas principalmente pela formação de crianças e adolescentes. Foram evidenciadas algumas dificuldades tais como a falta de programas preventivos longitudinais, a capacitação deficitária dos educadores que atuam em prevenção e a necessidade de reformulação de práticas pedagógicas com especial ênfase no trabalho multidisciplinar.

PROPOSTAS

Como resposta à falta de programas preventivos longitudinais:

1. Contemplar os Projetos de Prevenção ao uso de drogas nas escolas dentro da concepção de Educação, que tem como objetivo geral a valorização do ser humano e da vida;

2. O processo preventivo, para ter efeito educativo e formativo, precisa ser sistemático, contínuo e regular;

3. Trabalhar as informações científicas com serenidade, lucidez e isenção emocional, evitando o sensacionalismo, moralismo, alarmismo, terrorismo, de maneira não preconceituosa;

4. A informação sozinha não é suficiente para o aluno mudar comportamentos, daí um maior investimento pedagógico nas habilidades psicossociais, como o incentivo a tomar decisões responsáveis, fazer opções construtivas, interagir e desenvolver mecanismos de defesa;

5. Participação ativa da família e da comunidade em um plano integrado de prevenção;

6. Estabelecer normas reguladoras (proibitivas) contra o uso, consumo e venda de tabaco e bebidas alcóolicas nas escolas e festas ou comemorações promovidas pelo estabelecimento de ensino;

7. Disponibilizar e divulgar para as escolas os programas existentes na prevenção ao uso de drogas;

8. Capacitar representantes de estudantes (Grêmio estudantil, UBES, UNE etc.) para trabalharem nos programas de prevenção;

9. As palestras devem fazer parte de um programa amplo de prevenção e serem autorizadas pelo órgãos normativos competentes, assim como campanhas, folhetos, cartazes e outros meios de divulgação;

10. Incrementar e ampliar as etapas de acompanhamento e avaliação dos projetos desenvolvidos na área de prevenção. Como resposta à capacitação deficitária dos educadores

11. A capacitação e reciclagem dos educadores devem ter como base comum os parâmetros curriculares nacionais, proporcionando a formação de cidadãos críticos e responsáveis diante aos problemas sociais, entre eles a droga-dependência;

12. Capacitar professores e/ou técnicos a identificar alunos em situações de risco (social, emocional ou comportamental) em relação às drogas, dando o devido encaminhamento;

13. Oportunizar assistência e tratamento aos profissionais da educação, usuários ou dependentes de drogas. Frente à necessidade de reformulação de práticas pedagógicas

14. Parceria das escolas com outras instituições e multidisciplinariedade na formação de educadores, técnicos e adultos. A escola deve formar cidadãos conscientes, prontos a colaborar na construção de uma sociedade com melhor qualidade de vida;

15. Desenvolver, com auxílio de metodologias participativas, uma conduta pedagógica mais compromissada com a formação integral do aluno, derrubando preconceitos, valorizando não somente seu progresso cognitivo e motor, mas os seus avanços na vivência afetiva, social e espiritual. Outras propostas

16. Inserção de uma lei de incentivo fiscal para a educação, no modelo da Lei Roanet, para incentivar o patrocínio empresarial de projetos educativos de prevenção ao uso de drogas.

17. Incentivo financeiro às prefeituras endereçado à capacitação de educadores nos projetos de prevenção ao uso de drogas.

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Subgrupo G4 - Comunicação e marketing

Coordenadora: Clarinha Glock

As campanhas de prevenção ao uso abusivo de drogas realizadas até agora têm sido descontínuas, ineficientes e pouco atraentes. Utilizam, de uma forma geral, uma linguagem sensacionalista ou amedrontadora, que comprovadamente não traz os resultados esperados - ao contrário, com sua visão repressiva, estigmatiza o usuário e torna mais difícil o acesso à informação. Além disso, essas campanhas tentam abranger, ao mesmo tempo, um público muito diversificado, sem levar em conta as peculiaridades de cada grupo, como idade, sexo, condição sócio-econômica. Desta forma, acabam se tornando inócuas. Os familiares e amigos de usuários de drogas, por usa vez, não sabem onde procurar ajuda e tratamento. Os serviços especializados, assim como os telefones para informações sobre drogas, são ignorados pela maior parte da população. O grupo acredita que, para suprir essas carências, é necessária uma reformulação total do sistema de comunicação e marketing, com a estruturação de um departamento específico formado por profissionais da área. Caberá aos integrantes deste departamento a elaboração de campanhas de prevenção, a divulgação de ações da SENAD, bem como de serviços já existentes (locais de tratamento e reabilitação de usuários de drogas, por exemplo), que deverão ser cadastrados, disponibilizados para a população, e periodicamente atualizados. É entendimento do grupo também a importância de aproveitar a estrutura do novo departamento para levar a público as pesquisas feitas por universidades e outras instituições, hoje restritas aos meios médicos ou acadêmicos. E, principalmente, o departamento de comunicação e marketing deverá nutrir a mídia com informações sobre drogas e sobre a SENAD. Desta forma, estará colaborando também para a elaboração de políticas de prevenção e repressão mais adequadas à realidade que pretende atingir.

PROPOSTAS

  1. Criar um departamento de Comunicação e Marketing na SENAD para formular e colocar em prática as estratégias do setor;
  2. Rediscutir as estratégias já existentes de Comunicação e Marketing a partir dos seguintes pontos:
  1. Fazer uma pesquisa nacional para estabelecer o público-alvo a que vai se dirigir a campanha, levando em conta a faixa etária, os aspectos regionais, o nível sócio-econômico, o gênero, a escolaridade e a religião;
  2. Adaptar as estratégias de campanha às especificidades regionais e aos meios de comunicação a que se destinam (rádio, jornal, televisão, Internet);
  3. Definir as estratégias de campanhas distintas. Definir uma campanha para informação, educação, conhecimento e outra que leve a uma mudança de atitude e comportamento;
  4. Organizar grupos-focais específicos (crianças, mulheres, populações excluídas) para avaliar a campanha antes de implantá-la;
  1. Estabelecer canais de informação:
  1. Promover cursos e palestras com o objetivo de integrar os profissionais de saúde e comunicadores para que os primeiros saibam como melhor apresentar os resultados de seus trabalhos ao grande público e os comunicadores conheçam formas adequadas de abordagem do problema das drogas;
  2. Montar um banco de dados atualizado e colocá-lo à disposição por meio da Internet e de um telefone 0800, com os objetivos de: oferecer ao público informações sobre drogas e seus efeitos; divulgar o que está sendo feito na área de prevenção, tratamento e repressão às drogas; e disponibilizar dados de pesquisas de universidades, organizações não governamentais e outras instituições que trabalham na área. O número de telefone 0800 deverá ser amplamente divulgado, através de cartazes e folhetos, em postos de saúde, escolas, igrejas, associações de classe, associações comunitárias, agências de correio, ônibus, metrô, bem como constar na relação de telefones úteis dos guias telefônicos;
  3. Organizar um congresso nacional e um internacional, centrados no papel das áreas de Comunicação e Marketing na prevenção ao uso de drogas, para troca de experiências;
  4. Divulgar, da mesma forma mencionada no item 2.d), o serviço de disque-denúncia sobre drogas, salientando o aspecto do anonimato;
  5. Suprir os meios de comunicação de informações científicas, com linguagem acessível, sobre os efeitos das drogas lícitas e ilícitas e sua relação com a morbi-mortalidade, a violência e a estrutura do crime organizado;
  6. Tornar acessível aos meios de comunicação e à população em geral a legislação relativa a drogas;
  1. Sobre a Publicidade:
  1. Coibir a publicidade que estimula o uso de drogas lícitas, delimitando horários (após as 23h) e espaços.
  • Também foi sugerida como meta a ser perseguida no futuro a proibição total da publicidade de drogas lícitas em todos os meios de comunicação;
  1. Modificar o conceito visual da advertência sobre proibição de fumo feita pelo Ministério da Saúde nas propagandas atuais, de tal forma que seja capaz de competir com a mensagem publicitária do produto;
  2. Introduzir igual advertência nas campanhas publicitárias das outras drogas lícitas;
  3. Promover a propaganda contra o abuso de drogas com mensagem subliminar (merchandising social) em novelas, programas de televisão em geral, jornal, revista e rádio.
  • Foi também sugerida a inclusão de propagandas de prevenção às drogas nos cinemas antes da projeção dos filmes
  1. Sobre as campanhas do governo:
  1. Estabelecer campanhas específicas de acordo com o público-alvo (incluindo os portadores de deficiências), que contemplem a prevenção para não-usuários e a orientação para dependentes e familiares. As campanhas deverão utilizar uma linguagem acessível e adequada a cada grupo, enfatizando o lado positivo de valorização da vida;
  2. Fazer campanhas de esclarecimento, com o objetivo de eliminar o preconceito sobre o usuário de drogas e seus familiares, abordando o tema sem induzir a sociedade a marginalizar e discriminar o objeto da campanha (evitar a utilização de palavras como: drogado, viciado, maconheiro, e outras);
  3. Criar um comitê multidisciplinar com médicos, publicitários, pedagogos e ex-dependentes, que participem como consultores de futuras campanhas e colaborem na elaboração de material de divulgação;
  4. Formar parcerias com organizações não-governamentais e demais entidades governamentais com o objetivo de trocar experiências já existentes na área de Comunicação e Marketing;
  5. Usar a imagem de pessoas públicas em campanhas de prevenção e esclarecimento contra as drogas; f. Aproveitar os canais já existentes de televisão (educativa e cultura) e rádio governamentais para programas de debates e depoimentos de pessoas envolvidas com as drogas;
  6. Organizar programas para atender às comunidades que não tenham acesso aos meios tradicionais de comunicação, de forma a difundir as informações por meio de líderes comunitários, religiosos e outros representantes locais;
  7. Enfatizar o programa de vida saudável, relacionando a preservação do meio ambiente com a preservação da saúde e da recusa de utilização de drogas lícitas e ilícitas;
  1. Promover um concurso nacional para divulgar institucionalmente a SENAD (exemplos: criação de logomarca, selo, símbolo e outros).
  2. Incluir os medicamentos em geral na proibição de propagandas de drogas;
  3. Determinar um prazo de quatro anos para proibir definitivamente a propaganda de drogas lícitas na mídia;
  4. Inserir nas atividades de lazer e diversão, com freqüência, mensagens sobre os prejuízos das drogas;
  5. Ampliar a todas as emissoras de rádios e canais televisivos a abertura de espaços para campanhas, eventos e propostas de trabalho, inclusive através de legislação específica.

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Subgrupo G5 - Instituições de internação e abrigamento (prisões, abrigos, asilos)

Coordenador: Dr. Cássio Castelarin

As instituições de internação e abrigamento (prisões, abrigos e asilos) são foco importante na discussão sobre o abuso de drogas. Três questões se fizeram presentes na discussão do Grupo 5: a situação das entidades filantrópicas, o sistema prisional e as formulações de denúncia. A partir da discussão desses temas, foram elaboradas as propostas incluídas neste documento. As instituições filantrópicas e sem fins lucrativos são responsáveis por grande número de abrigos e asilos. São, também, agentes de intervenções junto às populações carcerárias, deparando-se com a problemática do uso de drogas no interior das prisões. O Grupo 5 chamou a atenção sobre a falta de recursos financeiros, humanos e materiais que possam garantir o bom funcionamento dessas instituições. O grupo também considerou inadequado o sistema prisional existente, principalmente, pela falta de cumprimento da Lei e no que diz respeito às questões de Educação e Trabalho. O G5 se preocupou, igualmente, com as formulações de denúncias, traduzidas oficialmente pela "Lavratura da Ocorrência Policial", a qual determina a abertura de inquéritos que não fazem juz à realidade. Muitas vezes, pessoas são prejudicadas e acabam sendo encaminhadas para o cumprimento de penas incompatíveis. O G5, com o tema Instituições de Internação e Abrigamento (prisões, abrigos, asilos), foi coordenado por Cássio Castellanin.

PROPOSTAS

  1. Estímulo ao funcionamento eficaz do serviço técnico pertencente aos IMLs, que deveria ser constituído por: psiquiatra, psicólogo, assistente social, com especialização para avaliar tecnicamente o grau de dependência e comprometimento patológico do indivíduo detido com o objetivo de auxiliar na fase de instrução policial;
  2. Que a SENAD fiscalize o uso indiscriminado de produtos químicos para o controle de pacientes em asilos de idosos;
  3. Capacitar o psiquiatra do IML e dos hospitais de custódia penitenciária para a realização de adequada investigação e diagnóstico da dependência química;
  4. Criar centros de tratamento para a população prisional específicos para a dependência. química, que pudessem inclusive implantar medidas sócio-educativas;
  5. Treinar policiais para o trato com crianças e adolescentes.

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Subgrupo G6 - Mulheres

Coordenadora: Dra. Silvia Brasiliano

Tradicionalmente, a dependência a substâncias psicoativas tem sido muito menos estudada em mulheres do que em homens. Uma série de razões podem ser levantadas para esta tendência, entre elas: a menor prevalência da dependência química entre as mulheres comparativamente aos homens; o sub-diagnóstico da dependência de substâncias psicoativas em mulheres; e o forte estigma social associado ao abuso de álcool e drogas entre elas. De qualquer forma, durante muitos anos esta deficiência de pesquisas levou a que resultados dos estudos com homens fossem, muitas vezes, indevidamente generalizados para as mulheres dependentes químicas. Recentemente, a progressiva atenção às mulheres dependentes químicas tem apontado para o reconhecimento de que elas constituem um subgrupo específico. Embora persistam muitas carências e dúvidas na compreensão de inúmeros aspectos, já existem evidências suficientes para afirmar que elas apresentam características e necessidades diferentes das dos homens. As mulheres diferem dos homens na motivação, padrão, fatores de risco e razões para iniciar o uso de drogas; na morbidade física e psiquiátrica e na mortalidade associada ao abuso de álcool e drogas e, também, nas experiências psicológicas e sociais relacionadas às substâncias psicoativas. Todos estes fatores apontam para a necessidade de programas de prevenção e tratamento diferenciados, de forma a otimizar os recursos e garantir a eficácia das propostas a serem implementadas. O G6, com o tema Mulheres, foi coordenado por Silvia Brasiliano. A relatora foi Liane de Jesus Teixeira Castrillon, e os secretários Lúcia Célia Magalhães e Carlos Rosa.

PROPOSTAS

Ações preventivas e saúde integral da mulher

  1. Desenvolvimento de ações preventivas relacionadas à saúde integral da mulher, que englobem as questões pertinentes ao álcool, ao tabaco e às drogas, nos postos de saúde. Estas ações terão caráter informativo e serão realizadas através de palestras, vídeos, discussões, cartazes e grupos de mães. Deverão ser promovidas de forma permanente, em todo e qualquer momento que a mulher procure o posto de saúde (vacinação, pediatria, pré-natal, ginecologia, clínica geral e saúde mental, entre outros);
  2. Com esta finalidade, deverão ser treinados os agentes de saúde que já trabalhem nos serviços, bem como selecionados e capacitados voluntários da comunidade para atuarem junto aos postos. O objetivo é garantir uma educação continuada através de todo o ciclo vital da mulher;
  3. Utilização de espaços ambulatoriais já existentes para a divulgação do valor da mulher e resgate da auto-estima. Educação e divulgação:
  4. Elaboração de um programa, a ser inserido no currículo escolar de 1º e 2º graus, que aborde a condição da mulher, com especial atenção para: autonomia; auto-estima; feminilidade e sensualidade; direitos; trabalho e saúde;
  5. Divulgação dos fatores de riscos e prejuízos provocados pelo uso de álcool, tabaco e drogas pela mídia para ambos os sexos, como forma de diminuir a discriminação preconceituosa da mulher. Necessidades específicas
  6. Ampliação dos recursos para o tratamento de dependentes de álcool e droga já existentes, de forma a contemplar o desenvolvimento de programas específicos para mulheres;
  7. Estes programas deverão estar capacitados para o atendimento de gestantes, bem como deverão oferecer alternativas de cuidado para os filhos das mulheres dependentes, através de parcerias e convênios com creches da comunidade. Como, em nossa sociedade, a mulher tem responsabilidade primária sobre as crianças, o objetivo é facilitar o seu acesso ao tratamento, possibilitando sua permanência no programa pelo período que se fizer necessário para a sua recuperação;
  8. Os recursos de tratamento deverão também prestar assistência às mulheres dependentes do álcool e/ou drogas que sejam portadoras do vírus da AIDS. Neste caso, e devido à desinformação e ao preconceito que circundam o tema HIV/AIDS, deverá ser oferecido aos técnicos um treinamento básico sobre formas de contágio, prevenção e estágios da AIDS, de forma a facilitar a inserção das pacientes soropositivas no tratamento;
  9. Capacitação dos médicos que atuam junto às mulheres na problemática da dependência de drogas lícitas prescritas ou não;
  10. Favorecer o acarreamento de recursos para projetos de pesquisa que possam levantar as características e necessidades específicas da mulher, de forma a otimizar ações de prevenção e tratamento;
  11. Assegurar na legislação da família a não penalização da mulher, no que diz respeito à guarda dos filhos, ao procurar tratamento para a eliminação da dependência;
  12. Possibilitar formas alternativas de geração de renda, principalmente, para as dependentes de álcool e drogas que se prostituem ou traficam como forma de sobrevivência.

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