Família e Educação

Nanci A. R. Martins

A educação, compreendendo o homem no seu sentido integral, isto é, tanto no aspecto intelectual como no que tange aos sentimentos e atitudes, tem a função de auxiliar a evolução do Espírito.

Walter O. Alves, em Educação do Espírito, refere que a verdadeira educação é a que olha o homem como Espírito eterno, criado para a perfeição, constituindo-se assim esse processo, na Educação do Espírito.

Segundo Kardec (O Livro dos Espíritos, q. 776) o homem traz em si o germe de seu aperfeiçoamento e se desenvolve à medida que compreende melhor e pratica a lei natural (leis da matéria e da alma), por meio das várias existências.

A educação é o caminho que conduz o homem ao conhecimento de si mesmo, de suas potencialidades, possibilidades e metas. Consiste em um processo (ocorre gradativamente, aos poucos) de desenvolvimento da capacidade física, intelectual, moral e religiosa. É um conjunto de hábitos adquiridos, que levam ao desenvolvimento da disciplina, postura fundamental para que se dê a aprendizagem sistemática nos diversos aspectos.

Na pergunta 634 de “O Livro dos Espíritos” encontramos que o Espírito aprende pela experiência, onde é citado o exemplo: “Se não houvesse montanhas, o homem não poderia compreender que se pode subir e descer...”. Assim, o processo educativo ocorre no dia a dia, nas vivências, nas relações de troca com as pessoas, no diálogo honesto. Ambos aprendem, educandos e educadores. Somos todos Espíritos necessitados de auto-educação, do trabalho com nossos sentimentos e pensamentos. Antes de educar temos que nos entender como educando. Auto-analisando, descobrindo acertos e enganos, poderemos arrancar dos nossos corações o joio e cultivar a boa semente que todos possuímos.

O meio familiar, principalmente, é o campo mais propício para esse aprendizado. É onde somos impulsionados a rever nossas crenças, desejos, sentimentos, conceitos. Na tentativa de compreender as situações cotidianas e as pessoas com quem convivemos, identificamos em nós mesmos limitações e conquistas, sempre com o ensejo de sermos felizes em interrelacionamentos prazeirosos.

Nessa busca da relação harmoniosa, descobrimos que cabe a cada um construir a vida que deseja, aceitando e enfrentando limitações, modificando ações e sentimentos, experimentando sensações gratificantes ao perceber conquistas e renovações.

Quando tentamos compreender o outro, saber como pensa, sente e percebe as situações, estamos revendo e ampliando a percepção que temos de nós mesmos, nos autodescobrindo.

Nessa proposta, convivendo em família somos impulsionados a desenvolver a afetividade, a solidariedade, o desejo de ajudar pessoas. Identificamos o valor do compartilhar, do encorajamento, do incentivo, do ouvir, da troca de carinho, do gesto terno, da voz mais calma, do olhar amigo.

Aliás, o afeto necessita estar presente em toda relação. Na família, o vínculo entre os membros leva a trocas de experiências individuais já conquistadas através das reencarnações, ajudando cada um a desenvolver em si mesmos, aspectos ainda não adquiridos. Nas relações as influências são mútuas, e cabe a cada um cultivar os aspectos positivos e trabalhar os negativos, que sem esse enfrentamento, poderiam nos prejudicar. Portanto, melhorando, renovando-nos pela educação de nós mesmos podemos melhorar o outro, no despertamento de um trato muito mais fraterno que, sem dúvida, acontecerá.

Junho/2001