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O educando na visão social espíritaMarcos Alberto de Mario A VISÃO DA SOCIOLOGIASegundo a moderna Sociologia, nos estudos ontológicos (teoria do ser) que faz sobre a sociedade e os indivíduos, o social está nos indivíduos, ou seja, a sociedade é não apenas a soma dos indivíduos, mas a consciência coletiva dos indivíduos, já que estes não perdem sua individualidade. O indivíduo age no social como o social age no indivíduo. As identidades são mantidas, embora se relacionem e se influenciem. E por que o indivíduo mantém sua individualidade? Porque possui a personalidade, cujos componentes são normalmente assim classificados:
A Sociologia considera o indivíduo e a sociedade apenas do ponto de vista desta existência, de uma única vida que nos é dada, portanto, sua posição é materialista. Desse modo, o educando precisa ser preparado para a vida, esta única vida física, sendo formado por três elementos básicos:
A formação intelectual do educando é prioritária. Não resta dúvida serem os três fatores apontados pela Sociologia importantes na composição do indivíduo, mas não respondem pelo ser integral, como facilmente podemos verificar na história humana e nas pesquisas atuais sobre o psiquismo. A Doutrina Espírita, considerando o homem como espírito imortal, também leva em consideração no estudo do ser - o Espírito reencarnado - os fatores biológicos (pois temos a influência do corpo); os fatores psicológicos (as estruturas do passado e do presente) e os fatores sócio-culturais (a influência da cultura, da mídia e do grupo social), mas possui uma visão mais ampla ao relacionar a esses três fatores apontados pela Sociologia mais dois fatores: o fator espiritual e o fator reencarnação. A VISÃO DO ESPIRITISMONo livro "Obras Póstumas", encontramos nas páginas 239 a 245, 26ª edição da FEB, o ensaio As Aristocracias, de Allan Kardec, que nos permitimos estudar de forma mais didática, onde encontramos uma posição lúcida sobre o indivíduo e a coletividade de acordo com os princípios espíritas, ampliando a visão sociológica do ser e da sociedade. Diz-nos Kardec que em razão da diversidade das aptidões e dos caracteres inerentes à espécie humana, há por toda parte:
A autoridade, ou seja, a necessidade de liderança social, investiu desse poder, sucessivamente:
A conservação do estado de força e privilégios foi feita através das leis, mas o tempo, com a conseqüente necessidade de busca de recursos para sobrevivência, fez com que os dominados se insurgissem contra os dominadores. É a evolução, princípio básico da lei divina. Entretanto, uma nova autoridade surgiu: o dinheiro, mas por pouco tempo, pois que para adquiri-lo é preciso inteligência, que nos nossos dias é a autoridade estabelecida, chamada pelos pensadores atuais de conhecimento. A inteligência, por si só, não equilibra o homem. O bom uso das faculdades depende da moral, que também não pode ficar isolada. A união da inteligência com a moral representa a verdadeira autoridade. Homens moralizados e instruídos implantarão o reino do bem na Terra.
O que temos de combater são os "vícios do caráter: o orgulho, o egoísmo, a cupidez com seus cortejos". A causa capaz de apressar o progresso humano é o Espiritismo, por ser uma doutrina de educação. O Espiritismo, aplicado:
"Em vez da fé cega, que aniquila a liberdade de pensar, diz ele (o Espiritismo): Não há fé inabalável, senão a que possa encarar face a face a razão, em todas as épocas da Humanidade. A fé necessita de base e esta base consiste na inteligência perfeita daquilo em que se haja de crer. Para crer, não basta ver, é, sobretudo, preciso compreender." A VISÃO EDUCACIONAL ESPÍRITAEssa nova ordem de idéias que o Espiritismo nos apresenta no campo sociológico modifica a visão educacional do homem, já que, como doutrina de educação, o Espiritismo considera o homem como ser criado por Deus, com a finalidade de se aperfeiçoar e contribuir na obra da criação. O homem é espírito-perispírito-corpo, sendo imortal, estando sucessivamente em dois estágios distintos:
O perispírito é o elo de ligação entre os dois estágios, interagindo com a mente e o processo orgânico do corpo. Ao estar encarnado não é esta a primeira existência do homem, pois que já as teve anteriores, trazendo delas tendências e idéias inatas. Cabe à educação:
O educador espírita deve manter o diálogo aberto; estimular o educando a fazer uso de suas potencialidades; deve dar-lhe instrumentos que possibilitem a sensibilidade do sentimento e fornecer-lhe a aplicação prática dos princípios de vida oferecidos pelo Espiritismo. Na medida do possível, objetivando a educação integral do ser, deve procurar unir a família ao processo educacional da escola, tendo sempre em mente que vida é educação e, portanto, a coletividade, a família, a escola, o trabalho, a sexualidade, enfim, tudo o que faz parte da existência terrena educa, na medida em que promovemos a integração do homem consigo mesmo, tornando-o consciente de si, de sua perfectibilidade, e também sua integração com o próximo e com Deus, nosso Pai. O homem educado no bem e para o bem, numa palavra, moralizado, terá consciência de como deve proceder, segundo o conselho do apóstolo Paulo de Tarso: "Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém." |
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