O Centro Espírita: uma escola

Hérin Andréas

Abrindo o item a) – O Centro Espírita é uma escola pergunta – se :

Desses, quantos apresentam resistências ?

Fatos: todas as situações que decorrem das manifestações do Espírito.

Diferença entre Doutrina Espírita e Movimento Espírita

A Doutrina Espírita se compõe de um conjunto de conhecimentos científicos, filosóficos e morais, além de uma estrutura metodológica. Tem por base o estudo do Espírito e sua comunicação com o homem.

O Movimento Espírita, por outro lado, é o conjunto de ações e interações humanas vinculadas à Doutrina Espírita. Desenvolve-se através de atividades realizadas pelos Centros Espíritas, pelo movimento de unificação, pelas editoras, pelas instituições assistenciais etc.

Embora diferentes entre si, a Doutrina Espírita e o Movimento Espírita estão interligados pelo espírita. É o espírita quem promove o Movimento Espírita, a partir do seu entendimento da Doutrina Espírita (O Espiritismo será o que dele fizerem os seus profitentes - León Denis?). Desse modo, o Movimento Espírita se constitui como meio para explicar e divulgar a Doutrina Espírita e se não houver vinculação à ela, os homens e os Centros Espíritas provocarão a descaracterização do Movimento Espírita.

O Centro Espírita é uma escola de formação espiritual e moral

Esta definição está contida no documento "Orientação ao Centro Espírita", de 1980, editado pela FEB.

Infere-se daí que também é consensual a convicção de que o C.E. seja, ou deva ser, uma escola . Isto é, destinado a educar, formar e edificar almas, tendo por endereço pedagógico como educando todos os seus trabalhadores e freqüentadores.

O C.E. exercendo a função básica de escola, leva o homem a trabalhar o seu mundo emocional, através do autodescobrimento, da reflexão, do esforço e desse modo, a descobrir que é o objetivo primeiro do processo educativo desenvolvido pelo C.E.

Como perceber isso ?

O homem percebe isso quando começa a criar hábitos, modificando o próprio comportamento, estimulado pelos estudos, pelos conhecimentos adquiridos no C.E.

É fato que gostamos que os outros experimentem e gostem daquilo que gostamos; será que acreditamos "convencer" os outros só pelas palavras? Tentamos fazer isto com os jovens ? ? ?

Sabemos por que eles não acreditam ? Palavras não são exemplos ! ! !

Somos nós, dentro do C.E. que formamos o Movimento Espírita e se queremos trazer o jovem para o C.E; o que temos a oferecer ?

Sendo o C.E. uma escola, como nos comportamos como alunos, qual é o grau de aproveitamento de cada um ? A escola comum tem um programa (conteúdo) que é desenvolvido, aplicado aos alunos durante o ano letivo e ao término deste, após avaliações próprias, devolve o aluno à sociedade,aprovado pelo seu aproveitamento escolar.

O C.E. não procede assim. Visa despertar para a o aperfeiçoamento do Espírito Imortal.

A escola não exige como resultado único que o homem se melhore.

O Centro Espírita visa a evangelização do Ser.

Assim o Centro Espírita não pode ser aquele que passa o conhecimento de modo descompromissado, que instrui caracterizando a Doutrina Espírita como uma Informação.

Conclusão:

O Homem deve exercitar em si, os conhecimentos recebidos.

Como se dá esse processo?

  1. O conhecimento
  2. O despertamento:

Este esquema sintetiza o processo educativo fazendo com que o CE deixe de ser o lugar onde vamos buscar ou pedir coisas; adquirimos hábitos novos, reconstruindo a vida:

Esta é a concisa e admirável definição que o Conselho Federativo Nacional, reunido na sede da Federação Espírita Brasileira, em Brasília, em outubro de 1977,resolveu aplicar às instituições chamadas de "centros espíritas". E são cerca de 5.000 em todo o Brasil. Esse conceito integra o documento "Orientação ao Centro Espírita, de 1980", editado pela FEB. Diploma esse elaborado após vários anos de consulta a todo o movimento nacional da Doutrina, resultando assim de conselho marcantemente democrático.

Infere-se daí que também é consensual a convicção de que o centro seja, ou deva ser, uma escola. Isto é, destinado a educar, formar e edificar tendo por endereço pedagógico como educando todos os seus trabalhadores e freqüentadores.

Emmanuel detalha essa definição:

"O Centro Espírita é uma escola onde podemos aprender a ensinar, plantar o bem e recolher-lhe as graças, aprimorarmo-nos e aperfeiçoar os outros, na senda eterna"

Trabalhando essa matéria para destacarmos os sete preciosos elementos que compõem a conceituação acima transcrita. Propomo-nos ainda demonstrar que essa definição e os sete fatores que estruturam o ato educativo em sua especificidade integral: a instituição educadora, o método, o currículo, a disciplina, o educando, o educador e os fins da educação.

1º Elemento: "O Centro Espírita é uma escola" - Aponta como a Instituição Educadora.

A afirmação é categórica: "É uma escola". Portanto, se o Centro Espírita, não se constituir como escola, deixará de corresponder à definição de Emmanuel. Perderá sua identidade de Centro Espírita. Comprometida restaria a sua nota fundamental de escola ?

Esse elemento da definição de Emmanuel corresponde ao primeiro fator do ato educativo: a Instituição Educadora (escola).

2º Elemento: "onde podemos aprender a ensinar" - assinala o método.

A ciência que "ensina a ensinar" é a Pedagogia, complementada pela Didática. Do que se conclui que os educadores no Centro Espírita devem qualificar-se, reciclando-se pelo menos com os rudimentos essenciais daquela ciência e daquela técnica.

Todavia, só podemos aprender a ensinar seguindo um método. Portanto esse segundo elemento da conceituação de Emmanuel ordena-se ao método como segundo fator componente do Ato Educativo.

3º Elemento: "(aprender) a plantar o bem" - exprime o currículo.

"Plantar o bem" é outra prática que deveria estar contidas nos Centros Espíritas. Todas as suas atividades deverão ser regidas pelo exercício do bem. Esse aprendizado também requer as suas normas pedagógicas.

Esse terceiro elemento denuncia a presença do currículo escolar, isto é,os temas os livros, a matéria a ser estudada, porque currículo é tudo aquilo que se ensina. Ensinar a "plantar o bem" constituir - se - á o objetivo do C.E..

4º Elemento: "(aprender) a recolher o as graças (do bem praticado)" - define uma das faces da disciplina que se refere às recompensas salientando as inefáveis repercussões intimas do bem praticado aqui chamado por Emmanuel de "graças": o gozo, a fruição espiritual do benefício produzido naquele que o exerce,incentivando – o a prosseguir.

Esse quarto elemento do conceito registra o fator disciplina do ato educativo, porque essa ordem íntima e espiritual, aponta para esse fortalecimento como legítima contrapartida interior do bem.

5º Elemento: "(aprender) a aperfeiçoar os outros" - essa expressão acusa a presença implícita tanto do educador como agente aperfeiçoador, quanto do educando como o objetivo aperfeiçoável ("os outros").

O quinto elemento da definição reitera e reforça a análise do segundo elemento - "aprender a ensinar" - no tocante à necessidade de método pedagógico. E "aperfeiçoar os outros" é a missão fundamental da educação, porém, ninguém poderá aperfeiçoar o próximo se já não sabe, ou se não aprendeu esse proceder.

6º Elemento: "(aprender) a aprimoramo-nos" - indica o fim imediato individual da Educação Espírita que é o desenvolvimento da Espiritualidade.

O auto-aprimoramento espiritual, a par do aperfeiçoamento dos outros, é a principal finalidade e razão de ser do Centro Espírita; também chamadas, essas finalidades, de auto-educação e heteroeducação.

7º Elemento: "(aprimorarmo-nos e) aperfeiçoar os outros na senda eterna" – define – se o fim supremo da educação, ou seja, Deus.

Deus é o fim supremo e último da educação espírita. Centro infinito de atração das almas que Dele vão se aproximando pelo aperfeiçoamento progressivo de suas formas.

Fica assim demonstrado que o conceito de centro espírita formulado por Emmanuel encerra os sete fatores que compõem o ato educativo. Fica patenteado, por esse desdobramento, que os centros espíritas se já não o são, devem se constituir em verdadeiras escolas. Não a convencional com seu currículo formado por ciências e artes, formação cultural e geral com complexa estrutura dirigida por profissionais.

*Considerando-se: a) a definição de centro espírita como escola do C.F.N. (Conselho Federativo Nacional) e a de Emmanuel; b. a análise da feliz conceituação desse Espírito superior, relacionando-a, elemento por elemento, com cada um dos sete fatores da educação.: "Escola de Formação Espiritual".

*Essas instituições legitimam-se, credenciam-se perante a Doutrina Espírita pelos resultados educativos promovidos em seus associados e freqüentadores no desenvolvimento espiritual de seus membros.

A escola convencional não pode dizer que ensinou se os seus alunos não aprenderam. Do mesmo modo, o Centro Espírita não pode afirmar que está educando os seus filiados, se esses não sentem desejos de se transformarem,mesmo que essa idéia seja tênue, esboçando durante um estudo ou em algum momento no tempo .

Por isso, o Centro Espírita não pode ser tomado como simples local onde se atendem Espíritos desencarnados, administra-se a caridade dativa, toma-se água fluidificada e aplicam-se passes. Tudo isso faz parte e é altamente relevante. Mas, todas essas atividades devem ser associadas dentro de uma programação educativa e com processos pedagógicos e didáticos adequados a cada tipo de ação .

Assim, o pão/educação, o agasalho/educação, medicamento/educação, passe/educação etc.

* Passam, desse modo, os Centros Espíritas, a elevar-se ao padrão e nível das agências clássicas; o lar, o templo e a escola convencional, para alcançarem a extensão transcendental de verdadeiras escolas de formação espiritual .

Finalidade do Centro Espírita: Divulgar o Evangelho interpretando os fatos à luz da Doutrina Espírita,despertando no Homem o desejo de renovar – se .

BIBLIOGRAFIA

"Artigo: O Centro Espírita

Extraído do Jornal O Mundo Espírita, Jan/93 pág. 5 Prof. Ney Lobo

"O Centro Espírita - Prof. Herculano Pires

Hérin Andréas
Agosto / 2001