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Obsessão e Divórcio

Nilton Sousa

Ao tratar do Mundo Espírita, Allan Kardec demonstrou uma preocupação bastante significativa em relação à capacidade de influência dos Espíritos em nossas vidas. Tornou-se célebre a questão 459 de O Livro dos Espíritos, que confirmou ao Codificador a realidade dessa interferência num grau muito maior do que pensamos, pontuando ainda que “muitas vezes são eles que nos dirigem os passos”.

Se não bastar a referida assertiva do Espírito da Verdade, vejamos outras inseridas nos textos bíblicos, que se harmonizam com a questão em pauta:

“Nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta(...)” [Hb 12:1]

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação[Mc 14:38]

“Nuvem de testemunhas” e “tentação”, conjugados num mesmo plano de interpretação, apontam respectivamente para a idéia dos Espíritos que nos cercam e da intromissão dos mesmos em nossas vidas.

E não temos livre-arbítrio? – Perguntarão os opositores à tese obsessiva. Não o estamos negando. Aliás, essa liberdade de escolha pode representar, em si, o acolhimento de sugestões do mundo invisível ou, após a decisão tomada, a sintonia com os que nos são afins. A autonomia absoluta é praticamente nula. Positivo será então se optarmos pela boa influência…

Entretanto, todo esse preâmbulo visa alertar para o fato de que a interferência extra-física existe nos mínimos detalhes da vida. E nesse ponto, desejamos nos deter quanto ao divórcio.

Se os consortes devem, antes de decidir pela separação, avaliar todos os fatores de ordem psicológica; fazer o balanço daquilo que foi construtivo ou não no relacionamento, também deverão analisar se suas escolhas não estão sendo movidas por influências de Espíritos que desejam vê-los infelizes. Qual o interesse dessas entidades nisso? Ora, há seres no mundo invisível ainda ligados pelos laços reencarnatórios do erro e do ódio às criaturas humanas que pelejarão por separar o casal, a fim de atingir outros objetivos.

É imensa a lista de casos relatados pelos mais diversos médiuns que notaram entidades vingativas acompanhando os cônjuges que atendiam. Divaldo Franco, por exemplo, cita o caso de uma senhora traída pelo marido que se viu envolvida no desejo de suicídio. Indo em busca do médium após ler-lhe uma mensagem (daquelas que se distribuem nos centros), descobriu a influência de um Espírito que promovia a situação. Atualmente o casal está recuperado e o obsessor renasceu como filho. E se esse casal tivesse se fechado na idéia de que a decisão pelo divórcio era exclusivamente sua…

Mas quais seriam os sinais precisos para entender se os consortes estão ou não sendo obsidiados? Antes de relacionarmos alguns apontamentos nesse sentido é necessário uma disposição imprescindível: humildade de ambas as partes.

A influência é perceptível quando:

Um dos cônjuges ou o casal se isola daqueles que podem ajudá-los, movidos por uma ilusão de auto-suficiência;

Se magoam, advertidos quanto à possibilidade de influência, inclusive, se afastando daqueles que consideram mais amigos (aliás os amigos verdadeiros são aqueles que advertem…)

Não se submetem a qualquer tratamento espiritual que possa equilibrá-los;

Evitam o diálogo reparador;

Dizem um ao outro palavras agressivas, distantes do comportamento comum, movidos pelo ciúme doentio ou pela desconfiança;

Afirmam não mais sentir nada um pelo outro sem que haja situações concretas para o desgaste do sentimento;

Só buscam aqueles que apoiam a decisão do divórcio, por medo de encarar outras tentativas;

Se dizem no direito de ser felizes, movidos pela luxúria, pela aventura, pelo descompromisso com a vida, desrespeitando cônjuge e filhos;

Se verificam sexualmente desmotivados em relação ao consorte e envolvidos por uma curiosidade exagerada por viverem novas experiências.

Um dia uma amiga nos disse: “os Espíritos não forjam sentimentos”. Imaginemos que seja verdade. Mas, o que dizer dos filhos que passam a odiar seus pais sem qualquer motivo material, descobrindo-se depois a influência de Espíritos? Por que o médium, quando um suicida se aproxima dele, sente e expressa um desespero incomensurável? Não se trata de forjar sentimentos; é o próprio ambiente mental do Espírito que, por invigilância do encarnado, neste se instala fazendo-o decidir e agir de conformidade com os pensamentos invasores.

Nessa mesma linha de raciocínio, quando a esposa ou o esposo, de uma hora para outra, diz ter deixado de amar o cônjuge, esse estado d’alma pode ter origem na influência obsessiva. Feito o tratamento espiritual, o sentimento antes nutrido volta ao seu natural.

É imperioso, portanto, esgotar todas as possibilidades, a fim de tomar a decisão acertada. Um divórcio nunca é fácil. E pode ser um erro muito grave que comprometerá aspectos importantes da própria encarnação.

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