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Terreno FértilRichard Simonetti Quem tem medo da obsessão ? - Ed. O Clarim Quando obsessores de atilada inteligência pretendem afastar líderes religiosos de suas tarefas, nunca descartam a fascinação afetiva, explorando suas tendências. No meio espírita vemos respeitáveis chefes de família, com responsabilidade na direção de instituições, envolvendo-se em perturbadoras experiências passionais patrocinadas por agentes das sombras. Desertam de compromissos conjugais e espirituais julgando atender ao glorioso chamamento do amor, ao lado de "almas gêmeas". Aprendem à custa de penosas frustrações que o amor legítimo jamais comete o desatino de sobre-por-se ao dever. *** Quando não encontram receptividade naqueles que pretendem transviar, os obsessores impõem-lhes embaraços envolvendo gente próxima. Exemplo marcante neste particular ocorreu como apóstolo Paulo, narrado pelo Espírito Emmanuel, no livro "Paulo e Estevão", psicografia de Francisco Cândido Xavier. Em uma de suas viagens missionárias Paulo esteve em lcônio, cidade da Ásia Menor, onde com sua palavra vibrante e esclarecedora, a par das curas que operava, fez muitos adeptos. Ali fundou uma igreja cristã, não obstante a resistência de rica comunidade judaica, intransigente na defesa de Moisés. O trabalho seguia firme e produtivo quando uma jovem noiva, dócil à influência de obsessores que combatiam o Cristianismo, tomou-se de amores por ele. Com isso afastava-se do noivo, que via com estranheza e irritação aquela situação. Certa feita a jovem pediu-lhe entrevista reservada e, com grande surpresa do apóstolo, falou-lhe de sua paixão. Paulo tentou explicar-lhe, inutilmente, que era simples servidor de Cristo, empenhado na disseminação de seus princípios, um homem frágil e falível que não deteria nenhum encanto - para ela. Em dado momento surge o noivo que, exaltado e se sentindo traído, entrou em discussão com a jovem. Mal-humorada ela reiterava seus propósitos de ligar-se afetivamente ao servidor do Cristo. O apóstolo tentou explicar: "- Amigo, não te acabrunhes nem te exaltes, em face dos sucessos que se originam de profundas incompreensões. Tua noiva está simplesmente enferma. Estamos anunciando o Cristo, mas o Salvador tem os seus inimigos ocultos em toda pane, como a luz tem por inimiga a treva permanente. Mas a luz vence a treva de qualquer natureza. Iniciamos o labor missionário nesta cidade, sem grandes obstáculos. Os judeus nos ridicularizam e, todavia, nada encontraram em nossos atos que justifique a perseguição declarada. Os gentios nos abraçam com amor. Nosso esforço desenvolve-se pacificamente e nada nos induz ao desânimo. Os adversários invisíveis, da verdade e do bem, cedo se lembraram de influenciar esta pobre criança, para fazê-la instrumento perturbador de nossa tarefa. É possível que não me compreendas de pronto; no entanto, a realidade não é outra. " De nada valem as ponderações de Paulo. O noivo, transtornado, passa a insultá-lo, situando-o por mistificador e sedutor de jovens ingênuas. O caso assumiu proporções de grande escândalo. As autoridades religiosas de lcônio usaram daquele pretexto para providenciar a prisão de Paulo, impondo-lhe o suplício dos trinta e nove açoites. A semeadura fora feita e floresceria em corações sensíveis, mas o grande servidor do Cristo foi obrigado a deixar a cidade, ante a pressão exercida pelas sombras, que se utilizaram de uma jovem invigilante, envolvida nas teias da fascinação afetiva. |
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