Masculino e Feminino: Atração, Escolha ou Conquista?

Enéas Martim Canhadas

Os comportamentos masculino e o feminino são bastante diferentes ao expressar os sentimentos que fazem homens e mulheres, irem a busca de um outro relacionamento. Estamos falando tanto de um novo relacionamento, como também dos relacionamentos de pessoas casadas, que buscam novos parceiros, o que caracteriza os acontecimentos afetivos classificados como casos extra conjugais, ou fora do casamento ou simplesmente, casos.

Precisamos ter em mente as nossas heranças animais que, por enquanto, ditam regras e inclinações que nos fazem lembrar dos resquícios animais que ainda vivem em nós. Nos relacionamentos humanos, especialmente o comportamento de conquistar, as marcas instintivas que existem nos seres humanos são evidentes. Estamos falando de uma característica animal que demonstra as diferentes formas de demarcar territórios e de atrair o outro, isto é, de conquistar.

Todo mundo sabe um pouco disso quando diz, com muita naturalidade, que o seu cachorro está fazendo xixi aqui e ali para demarcar território. É claro que os humanos não usam mais este recurso. Não? Vejamos. Evidente que um rapaz apaixonado não precisa fazer xixi nas esquinas do quarteirão onde mora a sua eleita. Mas temos certos comportamentos correspondentes.

O macho, isto é, o homem, pensa que pode trazer ou atrair para o seu território, quantas mulheres ele quiser e quem ele quiser. O gênero masculino mede os limites de sua propriedade literalmente, fantasiando quem e quantas ele é capaz de atrair. Quando um jovem parte em busca da sua amada, raciocina como se estivesse caçando. Primeiramente escolhe, ou pensa que escolhe, depois ele diz onde mora, isto é, qual território é o seu onde ele atua e domina, depois raciocina como se atraísse a sua escolhida para os seus domínios que é onde supõe que vai ser o dono da sua amada. Um dos problemas que os jovens de hoje estão vivendo, com as desculpas de que não se pode mais namorar na rua ou fora de casa, é que ao trazer a namorada para sua casa, mais propriamente para o seu quarto, os seus instintos funcionam como se todos os traços animais ainda fossem válidos. Assim a sua caça vem, literalmente, para sua caverna.

A mulher, pelo seu lado age como a fêmea no cio, que exala o cheiro e atrai o macho. Desta forma, o seu território não está demarcado como o do animal do gênero masculino, mas sim, o seu território está, simbolicamente dentro dela, isto é, age e espera ser a escolhida ou a preferida. Só então vai demonstrar se aprova o conquistador ou não. É nesse momento que o rapaz pensa que escolheu e laçou a sua pretendida. No entanto o que ocorreu foi o contrário. Ele jogou o laço, mas quem deixou-se prender foi ela. Ele jogou o laço na sua direção, porque dela vinha o cheiro que o atraía. A mulher não demarca uma área geograficamente falando, como fazem os homens, mas ela concede a ele o direito à propriedade mediante o seu poder de atração, e que se encontra com o desejo e impulso de conquista do parceiro.

Neste jogo de tempos imemoriais de conquistar e ser conquistado, homens e mulheres, machos e fêmeas atuam de maneiras diferentes que demonstram como lidam com o sentimento de querer e desejarem-se mutuamente um ao outro. A mulher atua pelo emocional, muitas vezes deixa transparecer a sua paixão ou a sua preferência. É quando os machões pensam que ela está caidinha por eles, e se faz de difícil. O homem, nesta hora, só entra em contato com o seu lado racional que não quer expressar emoções e preferências, e pensa que está agindo como se fosse o dono da situação. Fazendo xixi aqui e acolá para mostrar que, quem manda é ele. Ele pensa em tomar a decisão de ir ou ficar, enquanto a mulher espera essa decisão do homem para dizer se ainda quer ou não. Nesta história de aproximação do homem e da mulher, ela está no emocional desde o início e depois na hora da escolha é que vai colocar a razão para funcionar, enquanto o homem está no racional desde o início, decidindo este ou aquele momento, fazendo xixi aqui e ali para dizer onde manda e quanto manda, etc. e tal e só vai colocar o emocional para funcionar na hora em que chegar perto da sua amada. É por isso que às vezes, a voz não sai ou ele não sabe o que dizer e até mesmo mostra o seu lado mais frágil e se dá a conhecer muito mais do que está pensando.

Na sua conquista, a mulher tem tendência a idealizar a relação. Isto é, sonhar e fantasiar. Para a mulher, em princípio, a chegada do amado, sempre a faz sonhar e esperar pelo melhor e mais emocionante. E como ela concorda com ele em ser sua preferida, supõe que ele será único.

O homem tem a tendência de formar um harém, isto é, possuir duas, três ou várias. Ele sempre idealiza ter várias mulheres e relacionar-se com todas elas. Por isso ele pensa que está escolhendo mais uma.

O macho visa possuir a mulher. Mandar e ter a posse sobre ela.

A fêmea espera que o macho a escolha para reproduzir, e com isso ela ganha a exclusividade, e de antemão o direito sobre a cria, porque só ela é capaz de reproduzir, já que o homem não pode engravidar.

Sei que os leitores devem estar discutindo ou discordando em parte, e que as leitoras estão dizendo que hoje em dia não é mais assim, pois as mulheres mudaram muito, não são mais iludidas pelos homens e afinal, estão igualando-se a eles. Tenham calma que discutimos outros aspectos em próximos artigos.

03/06/2002