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Banco permanente de alimentosPaulo Azuaga «Revista de Espiritismo» nr. 25, 1994 Criar um banco permanente para recolha de bens e alimentos a favor dos mais necessitados, nomeadamente de crianças órfãs, vítimas da guerra e da fome, eis a ideia-força para este projecto. Nada mais nada menos do que uma forma de praticar a caridade, contribuindo para que se desfaça o preconceito social em torno da doutrina espírita. Utilizar as estruturas de instituições existentes e especialmente vocacionadas para esse fim, como por exemplo as da Unicef, da Cruz Vermelha, da Cáritas, entre outras, poderá ser a forma não muito dispendiosa de promover a distribuição dos alimentos angariados. Um quilo de arroz, outro de açúcar ou um litro de leite ou o que for possível. Não importa. Interessa, sim, é que, com muito pouco a cada um, mensalmente muito se pode fazer a favor dos mais necessitados. A resposta a este desafio guarda-a o tempo... mas cabe certamente ao movimento espírita em geral e a cada espírita consciente e responsável em particular. Será que nós, os espíritas, estamos fazendo tudo o que nos é possível no auxílio ao nosso próximo? Será que nós, espíritas, que tanto vimos recebendo ao longo do tempo em oportunidades de luz e de serviço redentor, não nos é exigido muito mais do que aquilo que vimos fazendo? As imagens e os relatos da fome, da guerra e da miséria que neste final de século se vêm multiplicando assustadoramente, e que constantemente chegam até nós vinculadas pelos mais diversos órgãos de comunicação social, não serão verdadeiros apelos à nossa capacidade de auxílio, bem como à caridade que tanto apregoamos? Não constituirão esses factos verdadeiras provas no caminho do espírito para testar a sua capacidade de transportar para o terreno, para o plano das acções, os ensinamentos que vem recebendo? As perguntas, não sendo novas, são pertinentes e constituem mais uma chamada. É preciso que os espíritas não se quedem no imobilismo dissimulado pelas palavras mais ou menos bonitas, mais ou menos verdadeiras que proferem. Que não se limitem às práticas no centro espírita. Que não se deixem cair no comodismo disfarçado pelas acções e pelas responsabilidades assumidas no centro espírita. Mais uma vez se sublinha que o espírita deve e pode fazer muito mais porque, como nos asseverou Jesus, «a quem muito foi dado, muito será exigido». Além disso, é preciso também que o movimento espírita ganhe maior credibilidade no seio da sociedade, é preciso contrariar a opinião mal-formada pelos leigos em relação à doutrina espírita. Espíritas: unamo-nos! Esqueçamos as divergências pontuais que por vezes nos separam e lutemos pelo que de comum nos une. Sabemos como é fácil falhar e que a vitória só se alcança na luta! Ficaremos a aguardar por todos aqueles que entendem que só com iniciativas de solidariedade social será possível ver o espiritismo ganhar no imo da sociedade civil a credibilidade que merece e alcançar o lugar que todos nós, espíritas, desejamos. Para contacto: Associação Lar Caridade - Travessa da Seara, 110 - Oliveira do Douro - Vila Nova de Gaia (telefone p.f.: 598173). ___________________ Meu amigo, muita pazA assistência social é a fraternidade em acção. Sem ela, indiscutivelmente, os nossos mais preciosos arrazoados verbalísticos não passariam de belos mostruários sonoros. É necessário teorizar com o exemplo, se desejarmos argumentar com segurança no campo das nossas realizações. Se é verdade que as obras sem ideal são primorosas esculturas da arte humana, sem o calor da vida, a fé sem obras, segundo já nos asseverava a palavra apostólica, há quase dois mil anos, não passa de cadáver bem adornado. A escola, a maternidade, a creche, o hospital, o refúgio de esperança aos viajantes da amargura, o albergue, o posto de socorro, a visita fraterna aos doentes e aos necessitados, a palestra amiga e confortadora, a casa de desobsessão, o auxílio de emergência aos companheiros de angústia, o amparo aos irmãos presidiários, a cooperação metódica nos centros especializados de tratamento, quais sejam os sanatórios, os hospitais e leprosários, a contribuição desinteressada, enfim, a dor de todos os matizes e de todas as procedências desafiam a nossa capacidade de imaginar, organizar e fazer, a fim de que possamos monumentalizar a nossa doutrina de amor e luz no mundo vivo dos corações. Trabalhemos, auxiliando-nos uns aos outros. Somos associados de uma só empresa de redenção, usando o sentimento, o raciocínio, as mãos, a palavra, a tribuna, a imprensa e o livro para o mesmo glorioso desiderato. Conscientes, pois, de nossas responsabilidades, marchemos para diante, sob inspiração do Cristo, nosso Senhor e Mestre, entrelaçando os braços e corações na mesma vibração de optimismo e esperança, serviço e sublimação. Hoje é o nosso dia. Agora é o momento. A luta é a nossa oportunidade. Ajudar é a honra que nos compete. Sigamos, assim, destemerosos e firmes na certeza de que o Senhor permanece connosco e, indubitavelmente, alcançaremos amanhã a alegria e a paz do mundo melhor. Emmanuel (Página recebida pelo médium espírita Francisco Cândido Xavier) |
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