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Centro espírita: ser ou não serRevista de Espiritismo nº. 30 - FEP O primeiro centro espírita de todo o mundo denominou-se Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, constituiu-se em 1 de Abril de 1858 em Paris. Daí para cá, um pouco por todo o mundo o número de grupos e de associações espíritas multiplicou-se de forma gigantesca. Dia a dia novas instituições se formam. Nem sempre são o que dizem ser: espíritas. Mas isso não evita que muitas outras o sejam. O que é o centro espírita?É uma associação cuja função genericamente consiste em confortar e esclarecer quem a procura dentro dos parâmetros doutrinários do espiritismo, sem nada – mas mesmo nada – cobrar. O centro espírita é, assim, um local de trabalho tranqüilo, onde convergem pessoas interessadas na vivência do ideal espírita. Este consubstancia-se em fraternidade e estudo. O salário para qualquer dos seus colaboradores não existe, nem mesmo subjectivamente: basta-lhes a alegria de se tornarem úteis, de contribuírem com apoio moral, de transformarem tristeza em reconforto interior, de ajudarem a reerguer quem ali entra sobrecarregado de pressões interiores. ColaboradoresOs colaboradores do centro espírita que sejam conscientes da sua responsabilidade estão abertos a reciclagem através de cursos próprios. Nenhum desses trabalhadores acredita nada mais ter a aprender nem tão pouco crê haver desvantagens na reflexão em grupo sobre as coordenadas da sua tarefa no centro. Imbuídos de propósitos de fraternidade operante, eles estão integrados num calendário semanal de actividades. É a tarefa de esclarecer e de confortar cada vez melhor que os move, encarando os outros sem quaisquer sentimentos de superioridade ou de inferioridade, mas apenas como companheiros na caminhada imensa da evolução, que, como eles próprios, possuem experiências de vida intransferíveis, rumo a aquisições maiores. Semana após semanaSemanalmente, há no centro espírita reuniões abertas ao público e outras privadas. As reuniões públicas – atendimento, palestras, passes, trabalhos de estudos doutrinários – prestam-se a esclarecimentos de interesse geral. As privadas – educação mediúnica, desobsessão, atendimento mediúnico, cursos específicos com inscrição dos destinatários, reunião de infância ou de juventude espírita – exigem uma maior preparação, sem distracções, sem interferências e incompreensões ou até fins espectaculares, que nunca ajudariam os objectivos das mesmas, pois a meta aqui é auxiliar os espíritos que se comunicam com necessidade de esclarecimento e os médiuns em processo de educação. EscolaA função de escola para todos os envolvidos é uma constante no centro espírita. Com isto liga-se o facto de a mensagem espírita por natureza não ser doutrinante, mas doutrinária. Ou seja, ela não é condicionadora, mas informativa, com total respeito e consideração pelo livre-arbítrio alheio. A mensagem espírita que deve viver no centro surge como um corolário de doses de verdade envolta em amor. Como se a realidade fosse um bisturi benfeitor e o amor a anestesia conveniente, numa operação cujo objectivo é reduzir a ignorância do espírito em evolução. O alívio que surge enseja outro aprendizado mais feliz. Quem procura o centro espírita? Aportam ali desde o simples curioso àqueles que procuram só milagres como solução para os seus problemas. Nunca nenhum espírita consciente prometerá curas, mas sim acompanhamento fraternal, ajuda. Ninguém melhor que o médico para tratar de moléstias. O centro espírita não é um núcleo de curandeirismo, mas pode ter uma função psicoterapêutica espontânea e esclarecida no acompanhamento fraternal de quem está aflito. Vejamos: um canceroso. Primeiro vai ao médico. Este é a pessoa mais competente para cuidar da saúde humana. Quando o médico, por força da sua formação materialista, não consegue fazer mais, e o problema for realmente de origem espiritual, aí entra a terapia espírita, que se baseia numa orientação de tranquilidade e confiança em Deus, no passe (doação de energias espirituais reconfortantes pela imposição das mãos, como Jesus fazia) ou na chamada água fluidificada (água normal em que os benfeitores espirituais introduzem energias retemperadoras). Perante quem o frequenta, têm os seus responsáveis o dever de afixar em local bem visível actividades edificantes organizadas até mesmo por outros centros espíritas do país ou da federação, deixando a outrem o direito de participar ou não. O centro espírita são não volta as costas ao inter-relacionamento fraterno. Espiritismo há só umEntão, o que não é o centro espírita? Uma igreja ou um lugar onde se inibe a liberdade de pensamento, um reduto de fanáticos ou um local de comércio. Por exemplo, um grupo onde se cobre dinheiro, bens ou favores, mesmo que ostente a denominação de espírita, na verdade nunca o será; ou onde haja rituais, altares ou velas, superstições ou crendices. O centro espírita sê-lo-á realmente ou não, consoante se adequar e reconduzir minimamente, pela sua actividade, aos preceitos doutrinários que resultam da codificação espírita, que continua actualizada ante o génio do seu autor: Allan Kardec. Porque espiritismo há só um e, no dizer de Herculano Pires, é o grande desconhecido... de muitos espíritas. Importa estudar e vivenciar. Sempre. |
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