Portal do Espírito |
|
Mapa do Site | Pesquisa no Site |
O que é PSI?Hernâni Guimarães Andrade Revista de Espiritismo nr. 27, 2.º trimestre de 1995 "Duvidar de tudo ou acreditar em tudo são duas soluções
igualmente cómodas: Depois da conquista dos segredos atómicos, a ciência ainda não encontrou os limites do conhecimento acerca dos fenómenos naturais. Abrem-se agora novas perspectivas em direcção aos mistérios do mundo da mente. O que é PSI? Eis a nova indagação deste atribulado fim-de-século. Acredita em fantasmas? Não?! Pois eles existem! Sim, existem, e alguns até já foram fotografados, não apenas em situações naturais, ocasionalmente, como em condições de rigoroso controlo de laboratório. O jovem fotógrafo amador Gordon Carrol, em Junho de 1966, procurava fotografar os detalhes da igreja normanda de Santa Maria, em Woodford, Northamptonshire. Qual não foi a sua surpresa ao deparar, numa das suas fotos, com uma estranha figura toda de branco — um fantasma — ajoelhada diante do altar! Na ocasião, a igreja estava vazia e, caso fosse uma pessoa real que lá estivesse, Carrol tê-la-ia percebido antes de tirar a foto. Em 1960, o vigário da igreja de Newby, a norte de Yorkshire, reverendo K. F. Lord, tirou uma fotografia do altar deste seu templo. Como no caso anterior ocorrido com o jovem Gordon Carrol, o sacerdote também colheu com a sua máquina fotográfica a imagem de um fantasma postado defronte ao altar, um pouco à direita do mesmo. Na ocasião não havia mais ninguém no interior da igreja, a não ser o reverendo Lord. Os fantasmas aparecem não apenas em igrejas. Eles podem ser vistos — alguns foram ocasionalmente também fotografados — nos mais variados locais. Assim, por exemplo, em Março de 1979, a médium londrina Gladys Hayter tirou uma foto da sua filha Dawn, quando esta estava ao volante de um belo carro estacionado no jardim de sua casa. No carro não havia mais ninguém a não ser a Dawn. Revelada e copiada a foto, esta mostrou a nítida figura de uma moça loira sentada no banco traseiro do automóvel. Estavam em pleno dia ensolarado e a fisionomia da referida jovem loira era desconhecida de ambas. São famosas as fotografias tiradas por «sir» William Crookes, renomado investigador contemporâneo de Connan Doyle (criador de Sherlock Holmes). Em Março de 1874, ele obteve 40 fotos de um fantasma produzido no seu laboratório particular. Tratava-se da materialização (ectoplasmia) do espírito da falecida Annie Owen Morgan, que se apresentava sob o pseudónimo de Katie King. Servia de médium a jovem Florence Cook. Em São Paulo, no Brasil, entre 1920 e 1935, foram produzidas e fotografadas inúmeras materializações realizadas graças à mediunidade de Carmine Mirabelli. Ocuparíamos todo o espaço reservado a este artigo se fôssemos enumerar a enorme quantidade de aparições de fantasmas cuja autenticidade se apoia em dados seguros: grande número de testemunhas, sinais de comprovação como marcas de combustão, fotografias, avisos de tragédia, morte, etc.. É natural que não se creia em fantasmas... mas que eles existem, disso não existe a menor dúvida. A precogniçãoA que se devem atribuir tais fenómenos insólitos? A resposta parece fácil. Para alguns, tudo não passa de puro engano, casos mal contados, truques, fraudes e toda uma série de factos naturais mal interpretados. Mas o rol dos acontecimentos inexplicáveis não se limita apenas a histórias de fantasmas. Estes representam até uma parcela modesta. Há, por exemplo, casos incríveis de precognição devidamente comprovados. E se formos fazer uma avaliação criteriosa, verificaremos que a precognição é o acontecimento deveras impossível. Conhecer precisamente um facto que irá ocorrer no futuro, por pura adivinhação, sem que se apoie a precognição em dados estatísticos ou equivalentes, é um absurdo que contraria o mais fundamental dos princípios: o "princípio da causalidade". Como é possível um efeito (o conhecimento do facto) ocorrer antes que ocorra a sua causa? Pense bem. E, no entanto, a precognição está solidamente estabelecida não só através de factos bem comprovados, como através de rigorosos testes em laboratório. Entre 1930 e 1940 o laboratório de parapsicologia da Universidade de Duke achava-se em intensa actividade. Nesta ocasião, o doutor Joseph Banks Rhine e sua esposa doutora Louisa E. Rhine solicitaram pela imprensa a colaboração do público norte-americano no sentido de lhes serem enviados relatórios de casos paranormais espontâneos. Milhares de pessoas atenderam esse pedido e dirigiram cartas ao laboratório a relatar as suas experiências. Em 1948, a doutora Louisa E. Rhine começou o estudo sistemático destes casos. Em 1961, ela publicou um livro sobre o resultado da sua pesquisa a respeito desse vasto material informativo: Hidden Channels of the Mind. Há uma versão em português com o título Canais Ocultos do Espírito, São Paulo: bestseller, 1966. A referida obra contém impressionante número de casos de premonição, telepatia, avisos de morte, aparições, etc., escolhidos de entre os milhares de relatos enviados em atenção ao apelo feito. Entre os eventos, 40% são de precognição, 68% dos quais ocorreram durante o sono sob a forma de sonhos. Como é possível explicar o facto incontestável da nossa mente, em certas ocasiões, atravessar as barreiras do espaço e do próprio tempo para, muito além do alcance dos sentidos, colher informações precisas de ocorrências distantes e futuras? A tragédia de AberfanAberfan fica no País de Gales. Em 21 de Outubro de 1966, um volumoso depósito de carvão acumulado no alto de uma colina rolou pela encosta abaixo e soterrou parte da vila dos mineiros. O balanço do tétrico acidente resultou na morte de 118 crianças de uma escola primária, mais 16 adultos; ao todo 134 mortos. Impressionado com a extensão da tragédia, o psiquiatra J. C. Barker solicitou por intermédio de seu amigo Peter Farley, correspondente científico do jornal londrino Evening Star, relatórios de pessoas que eventualmente tivessem tido sonhos precognitivos, pressentimentos ou avisos antecipados em estado de vigília, relativos à catástrofe de Aberfan. O doutor Barker recebeu 76 respostas. Destas, 60 mereceram estudos posteriores. Das 16 restantes, apenas três não mereceram consideração e as outras 13 não foram investigadas. Das 60 que mereceram atenção, 36 foram sonhos e as 24 restantes agrupavam visões ou pressentimentos em estado de vigília, associados a sensações de grande mal-estar. Todas previam a catástrofe de Aberfan. Actualmente tem-se dado especial importância às precognições. Em 1968 foi fundada uma "central de premonições" em Nova Iorque, EUA, pelo jornalista Robert Nelson. Este colaborou com Stanley Krippner, no laboratório de Sonhos Precognitivos, do Hospital de Maimonides em Brooklyn (Lessa, A. P. — Paragnose do Futuro: A Predição Parapsicológica Documentada, São Paulo: Ibrasa, 1978). A função PSISeria o homem exclusivamente material? Como se explicam então os sonhos premonitórios, os casos de avisos de morte, os de transmissão de pensamento, de influências à distância, de percepção extra-sensorial de alguns factos que ocorrem a grandes distâncias? Sem responder à indagação de podermos nós ser seres exclusivamente materiais ou não, a ciência, cautelosamente, já está a admitir a realidade dos factos estranhos a que aludimos. São hoje classificados, ainda que provisoriamente, na categoria de "fenómenos paranormais". Mais precisamente, tais ocorrências foram baptizadas por Robert Thouless e B. P. Wiesner, de fenómenos PSI. Pressupondo-se que tais factos estão na dependência de certas faculdades humanas ainda pouco conhecidas, deu-se-lhes a designação de função PSI. Esta foi subdividida em duas classes: 1 — Função psi-gamma: responsável pelos fenómenos de natureza subjectiva como a telepatia, clarividência, precognição e pós-cognição. Em geral, usa-se a nomenclatura de Rhine: ESP (de "extrasensory perception" — percepção extra-sensorial). 2 — Função psi-kappa: responsável pelos fenómenos de natureza objectiva, nos quais se observam movimento, alteração, modificação ou quaisquer outras operações sobre os objectos materiais. Em geral, usa-se a nomenclatura de Rhine: PK (de "psychokinesis" = psicocinesia). A ciência, embora se mostre aparentemente aberta aos factos novos, mantém rigorosa cautela a respeito de questões que parecem envolver problemas ligados à natureza espiritual do homem. Foi exactamente por este motivo, que Thouless e Wiesner propuseram, no 1º. Congresso Internacional de Parapsicologia, na cidade de Utrecht, em 1953, a nomenclatura citada no subtítulo anterior. A natureza de PSIThouless, particularmente, percebeu que as palavras que usamos para designar os fenómenos por nós experimentados podem influir na maneira de pensar acerca dos mesmos. Isto ocorre em muitos sectores do conhecimento humano. Na Física Quântica e na Relativística pode observar-se tal facto. Ele acontece com igual frequência no caso dos fenómenos paranormais. Assim, quando se fala em ESP — percepção extra-sensorial — pensa-se logo em percepções idênticas às sensoriais: ver, ouvir, sentir o paladar ou o cheiro, etc., tal qual o fazemos com os nossos sentidos e de maneira discriminada. Entretanto, a ESP tem uma significação mais genérica: "é a resposta a um estímulo exterior, sem o concurso dos sentidos normais". Do mesmo modo se dá semelhante confusão relativamente ao termo PK-psicocinesia. Esta palavra conduz-nos a imaginar uma "mente" imaterial capaz de agir directa e mecanicamente sobre os objectos materiais. Como é muito cedo ainda para se estabelecer tais identidades, Thouless e Wiesner sugeriram manter o nome de "função PSI" para englobar a estranha faculdade de provocar os fenómenos paranormais. Escolheram a vigésima terceira letra do alfabeto grego, PSI, que é também a letra inicial da palavra grega "psykhê", que significa alma. Completando a sua nomenclatura, Thouless e Wiesner formularam uma hipótese de trabalho acerca da origem da "função PSI". Admitiram a existência de uma entidade psíquica que opera não só nas actividades cognitivas, normais e paranormais, como também é capaz de interagir tanto com os objectos e cérebros externos como com o cérebro e o sistema nervoso do indivíduo em cujo corpo ela se situa. Deram a essa curiosa entidade o nome de "shin", o qual corresponde à vigésima primeira letra do alfabeto hebraico (Berger, A. - Robert Thouless, "The Man Who Invented Psi" - The Unexplained, London, vol.13, nº. 147, Outubro 1983, pp.2938 - 2940). Trocando em termos mais simples, "shin" seria a causa de todas as funções psíquicas normais e paranormais. A "função PSI" designa o conjunto das funções paranormais apenas, a saber: Psi-gamma — função subjectiva a responder pela telepatia, clarividência, precognição e pós-cognição, etc. — (ESP). Psi-kappa — função objectiva a responder pela psicocinesia, poltergeists, ectoplasmias, apports, etc. — (PK). ConclusãoNo decorrer desta série de artigos, iremos abordar de maneira mais explícita este aspecto da "função PSI" e da hipótese "shin" formulada por Thouless e Wiesner. Iremos ver que, afinal de contas, se tem tratado, de certa forma, de contornar o velho problema do espírito, cuja conotação religiosa e metafísica constitui o maior percalço para a sua aceitação na ciência oficial. |
Página principal | Mapa do Site | Pesquisa no Site |
![]() |