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Reuniões PúblicasRevista de Espiritismo nº. 32, Julho/Agosto/Setembro de 1996 As reuniões públicas no centro espírita, se bem orientadas, têm a natureza de um serviço de utilidade pública, com a diferença óbvia de, como acontece com toda a actividade espírita, não serem passíveis de remuneração. Dado o cariz de entrada livre, são da maior importância, pois, muitas vezes, o primeiro contacto de muita gente com o espiritismo ocorre nestes tipos de sessão. As reuniões públicas mais comuns são as palestras e o atendimento. Este último serviço é da maior importância. Sendo o espiritismo uma doutrina que se opõe a práticas místicas, ritualizadas, simbólicas, supersticiosas ou afins, aqui conversa-se individualmente com quem aparecer no centro naquele horário para esse fim. Então, escuta-se em geral pessoas com as suas dificuldades e tenta-se informar (sem chocar) numa atitude confortadora, assente na esperança e no bom senso à luz do conhecimento doutrinário. No centro, sem qualquer pretensão ou qualificação para substituir a medicina – sublinhe-se que, segundo o espiritismo, os médicos são os técnicos de saúde realmente habilitados para prescrever medicamentos, como é óbvio, e os psicólogos os terapeutas mais habilitados para tratarem as doenças comportamentais, desde que o consigam –, tenta-se ajudar do ponto de vista espiritual, naquilo que a ciência convencional se inibe. Em suma, dá-se acompanhamento fraternal, alentando quem deseje viver mais feliz, sempre que possível. Daí a importância de os dirigentes do centro espírita habilitarem devidamente e escolherem com cuidado quem se venha a ocupar dessa tarefa de atendimento individual em privado, tendo presente a grande heterogeneidade de preocupações ali expostas. Isso porque os neófitos, se assim lhes podemos chamar, tomam o espiritismo pelo que ouvem dizer os espíritas. A utilidade destas reuniões de atendimento está em esclarecer as pessoas sobre o facto de o espiritismo estar longe de ser milagreiro, mas dar conta de que cada um pode trazer dentro de si soluções ainda não vistas, e encaminhá-las eventualmente para algum trabalho adequado ao caso em pauta, sempre nessa perspectiva de ajudar cada um a viver melhor consigo próprio. Num ângulo descritivo, no centro espírita, as outras reuniões abertas ao público – as palestras –, sendo semanais, decorrem começando com uma prece curta, que é seguida de uma palestra de meia hora no máximo, por vezes seguida de vibrações ou de passes*. A prece não é um acto de ritual, mas sim uma elevação colectiva de sentimentos, visando como que criar uma predisposição para se absorver o conteúdo edificante da exposição oral, bem como para cortar com a tensão de um dia de trabalho tantas vezes desgastante e facilitar a distribuição de auxílio fluídico ou energético ministrado pelos espíritos benfeitores. Assim, urge criar condições para receber, caso contrário não conseguimos absorver a ajuda espiritual. Por seu lado, a palestra não se destina a ser um espaço de lucubrações pessoalistas do palestrante, mas uma mostra o mais didáctica possível da mensagem espírita, estruturada na simplicidade, na clareza doutrinária e no bom senso, sem esquecer a simbiose entre o tríplice aspecto da doutrina: ética, filosofia e ciência. Há quem defenda que a palestra espírita deve ser apenas e tão-somente uma manifestação de oratória — fala-se de orador, uma figura formal que deve encantar pela dicção, pela retórica, pelo apelo emocional. Nós diríamos que foi assim no princípio e em meados do presente século. Hoje, comunicação é algo que deve ter como objectivo principal não o encantamento de audiências, mas sim o passar uma mensagem nas condições ideais, ou seja, sem ruído. No centro espírita, as entoações exageradas ao longo da palestra ou gesticulações excessivas podem levar ao ridículo, sobretudo quando se pretende copiar eminentes oradores. Na palestra espírita, há uma mensagem simples e viva, a ser comunicada com tranquilidade e afecto durante, no máximo, 30 minutos. Exposição oral com conteúdo lógico e confortador, baseado em factos, acessível à linguagem mais comum. E por que não com o humor próprio, entre outros recursos didácticos adequados ao momento, que são os condimentos necessários para que a mensagem se torne acessível e útil com o vigor da razão. Depois, podem seguir-se as vibrações, que são como que uma prece um pouco mais longa (sete a dez minutos no máximo), em que bons sentimentos, quais energias felizes emitidas em direcção a quem sofre, são endereçados a diversos necessitados. O chamado passe-magnético que quase sempre se segue era longo assunto para nos ocupar, mas deixaremos isso para outra oportunidade. Mantém-se a isenção de gestualidade exagerada ou de ruídos e toques – lida-se mentalmente com energias que circulam em cada individualidade e para isso não há qualquer vantagem em tocar em quem recebe essa fluidoterapia. Para mais facilmente o definirmos, diríamos que ele pode ser uma transfusão de energias espirituais. Certo é que há toda a conveniência no centro espírita de haver periódicas reciclagens e reflexões úteis sobre a especialidade destes trabalhos fraternos, por muito boa que tenha sido a formação inicial. Aprender mais para servir melhor, aproximar para dar mais espaço à fraternidade operante vincula todo o espírita sincero, que não teme trabalhar dentro do que lhe é possível para ser mais útil. |
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