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O sucessor de Chico Xavier

Fátima Farias

Há anos, muito antes de Chico Xavier partir, já se falava ou questionava sobre seu sucessor. E ele, claro, sabia disso. Mas, por que teria Chico que ser substituído? È certo que representava para nós, referência compatível do papa para com os católicos. Só que Espiritismo não tem hierarquia, logo o que justificaria? Avatares de qualidades morais e espirituais equivalentes, a exemplo de Madre Teresa de Calcutá e São Francisco de Assis, que também dedicaram suas vidas ao próximo, foram antes. Ninguém falou em sucessão. Por que só com o Chico?

Sem desmerecer quem quer que seja, quem teria gabarito para tanto? Como disputar o lugar de uma liderança de quem aqui passou 92 anos, com “somente” 75 pautados no exemplo vivo da mensagem cristã, através da renúncia, educação, dedicação e amor ao próximo, regados a toda humildade que lhe era peculiar. Já ouvi o padre e deputado federal cearense, José Linhares – que tem muito prestígio no Vaticano - e o pastor da Igreja Presbiteriana de Copacabana, Nehemias Marien, chamar Chico Xavier de santo. Ambos o visitaram e elogiaram seu acolhimento indistinto para com as pessoas que dele se aproximavam..

Como atingir o currículo de quem psicografou e nos presenteou uma enciclopédia com cerca de 450 obras contribuindo e abordando diversos assuntos, inclusive científicos, mas com destaque sobretudo às mensagens de confortos e ensinamentos para evolução do ser? Quem estaria disposto a renunciar ao dinheiro dos direitos autorais disso tudo e transferir para obras sociais? Quem dedicaria madrugadas inteiras, atendendo filas enormes, para acalentar corações desesperados? Incansável, sem reclamar.

Isso é apenas uma mini-amostragem da dimensão que foi a trajetória de Chico na última encarnação. Cada um de nós é único, tem sua potencialidade diferente, embora aconteça, aqui e acolá, umas semelhanças de posturas, mas nascemos com missões variadas e intransferíveis. Por que suceder Chico Xavier se apenas seu corpo se foi? Seu espírito prossegue entre nós, através do reflexo da semeadura de suas obras. A equipe que o acompanhou continuará a postos na execução das tarefas assistenciais beneficentes e espirituais.

Ele continuará presente na assistência espiritual, no perfume e na energia de sua casa, que se tornará museu e conseqüentemente Fundação Chico Xavier. Chico continuará vivo na esperança daquelas centenas de pessoas que às quintas-feiras vão jantar e no sábado buscar as cestas básicas, agasalhos, enxovais e alento espiritual, numa das suas obras assistenciais em Uberaba. Tanto e por isso mesmo que Chico continua motivo de curiosidade e atração de público. Cerca de duas mil pessoas por dia fazem romaria ao seu túmulo.

Lamentavelmente não faltarão os oportunistas que se dirão seu sucessor ou sucessora. Gente, vamos parar de dar ouvidos ou fazer especulações desta natureza. Não existirá sucessão, porque somente Francisco Cândido Xavier foi, é, e será sempre Chico Xavier. Aquele ser iluminado que conquistou sua marca positiva e exemplar na história da humanidade e nos nossos corações, como um fiel discípulo de Cristo.

(Publicada no jornal O NORTE de João Pessoa – PB em 21.07.2002)

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