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A concepção de Deus no Velho TestamentoYuri Rodrigues Caros amigos, Até o mês de Setembro passado a única fonte de informação religiosa que tive veio através do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo de Kardec. Até os 50 anos de idade fui, o que se pode chamar, ateu. Negava Deus e Jesus de uma forma hipócrita, pois embora envolto na negação, os temia. Aos 50 anos, com o afloramento da mediunidade em minha mulher, descobri que havia algo mais que "sonhava a minha vã filosofia". Inicialmente foi um choque descobrir que Deus e Jesus não eram uma estória pois, se existiam espíritos comunicantes, prova irrefutável da continuidade da vida após a morte, teria que haver um Criador; e esse fato perturbou-me terrivelmente, pois passara 50 anos ao léu da verdade e tive muito medo pelas conseqüências decorrentes de meu ateísmo. Dediquei-me aos estudos das obras básicas do espiritismo na FEESP durante anos e, através de O Evangelho Segundo o Espiritismo, aprendi a conhecer o Deus de Amor descrito de forma tão maravilhosa por Jesus, o Mestre do Amor, da Fé e da Caridade. Descobri que Deus é Pai que ama todos os seus filhos; descobri um Deus Justo que, na Justiça de Seus desígnios, todos nós, apesar dos erros cometidos, teremos novas oportunidades de nos redimir e dar seguimento ao nosso aprimoramento moral tão maravilhosamente ensinado através da palavra e dos exemplos do Cristo. Minha vida mudou completamente, passei a ter fé e esperança no futuro; sabia que teria nova oportunidade de recuperar o tempo perdido e redimir-me da outrora negação; e com essa certeza, com essa fé inabalável, passei a amá-los e adorá-los. Tudo caminhava bem até no mês passado, quando imbuído por forte vontade de conhecer mais profundamente a religião a que me atirara, adquiri uma Bíblia, cuidadosamente escolhida, tomando por critério de seleção o Vetículo 20.6 que não utilizasse a palavra "espírita", "espiritismo", "aqueles que evocam os espíritos", etc., e sim uma que fosse traduzida corretamente, sem preconceitos doutrinários. Encontrei uma edição da SBB traduzida por João Ferreira de Almeida, comprei-a e passei a lê-la. A minha primeira Bíblia já aos 60 anos de idade. Aí começou o que qualifico de um pesadelo, nos Livros de Moisés encontrei um Deus diferente daquele DEUS que Jesus nos descreveu; Moisés descreve um Deus rancoroso e vingativo, exigente e vaidoso, intransigente e egocêntrico, parcial e arbitrário. Não é o DEUS que Jesus me ensinou a amar e respeitar; não é o DEUS de amor; não é o DEUS PAI de toda a humanidade que ama à todos os seus filhos e que faz o Sol brilhar sobre todos, justos ou injustos. NÃO É O MEU DEUS ! Certo que já ouvi sobre as leis criadas por Moisés que lhes dava conotação divina para serem obedecidas pelo povo rude e ignorante daqueles tempos, porém certas passagens resvalam a beira da fantasia e do absurdo, criadas por quem desejava manter o domínio absoluto sobre o povo, incutindo-lhes o pavor através das horríveis coisas que poderiam acontecer-lhes na desobediência. Analisemos algumas passagens descritas por Moisés que estão gerando a minha incredulidade:
Algumas passagens de igual teôr foram puladas senão continuaríamos escrevendo por muito tempo e também porque, até o momento, a minha leitura da Bíblia só chegou até o Levítico. Por expor meus pensamentos, alguns me chamarão de herege, outros me amaldiçoarão, porém não consigo imaginar o DEUS que JESUS nos descreveu, e nos ensinou a amar, como sendo o mesmo DEUS de Moisés. Vou continuar amando e louvando ao MEU DEUS, o DEUS do amor, o meu PAI carinhoso e paciente, aquele que nunca deixou-me faltar o pão, aquele que sempre me abençoou e à toda a minha família, aquele ao qual oro e rogo todos os dias de minha vida atual e futura. O Espiritismo ensinou-me a não aceitar a fé cega, passar antes tudo pelo crivo da razão, do raciocínio; é o que estou fazendo neste momento. Não sei se prosseguirei na leitura do Velho Testamento, pois até agora só conturbou tudo o que havia em minha mente; considero melhor restringir-me ao Novo Testamento, aos ensinamentos de JESUS, meu herói, meu irmão em DEUS PAI, meu Mestre querido. Recebam as minhas melhores vibrações com votos de muita Paz. Abraços (Publicado no Boletim GEAE Número 403 de 31 de outubro de 2000) |
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