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As Quatro Nobres Verdades - Parte 6Carlos Alberto Iglesia Bernardo IV - Questões FilosóficasA questão da Causa Primeira- Budismo
O Budismo não vê objetivos práticos nas questões envolvendo a origem do Universo e sua Causa Primeira. Considera que a essência do ser é eterna e que a questão se há uma "Causa Primeira" ou um criador não são importantes para seu destino. Assim, não acredita em um "Deus Pessoal" e afirma que o destino do ser depende unica e exclusivamente de seus atos e da lei de causa e efeito. O problema de como o ser entrou no circulo de causa e efeito não lhe interessa, mas sim como libertar-se dele. Todos os seres (animais, vegetais, homens, "deuses", etc...), tem a mesma "essência", todos com a mesma capacidade de iluminar-se e o mesmo desejo de libertar-se do sofrimento. - Espiritismo
A concepção espírita sobre o Universo, sua metafísica, tem raizes cristãs, sua base é Deus, "Causa Primeira" de todas as coisas e de todas as leis morais e físicas que regem a criação. A lei de Causa e Efeito faz parte do ordenamento moral do Universo, cujo objetivo é o progresso do ser. O espírito, individualização do princípio inteligente, começa da forma mais simples e, conduzido por ela, evolui até a perfeição relativa[1] . - AnáliseCuriosamente a posição de Buda em não incentivar a especulação sobre as origens do universo e a natureza de uma causa primária, não é muito diferente da apresentada pelos Espíritos que orientaram a Codificação Espírita. Quanto Kardec procurou aprofundar as questões sobre a natureza de Deus, estes lhe responderam que há coisas que escapam a nossa compreensão atual e que não nos faria melhores o fato de especularmos a respeito, pelo contrário, poderia nos induzir ao orgulho, levando-nos a tomar nossas hipóteses por conhecimentos que efetivamente não temos: "(...) Deus existe, não se pode duvidar, isto é essencial. Creiam-me, pois ir mais além seria lançar-se num labirinto de onde não se poderia sair. Este conhecimento não os tornaria melhores, mais porventura mais orgulhosos, porque acreditariam saber o que na realidade não sabem. Deixem, portanto, de lado todos esses sistemas e teorias; há muitas coisas que cabe aos homens desembaraçar-se. Isto lhes será mais útil do que pretender penetrar no que é impenetrável". Resposta a questão 14 do Livro dos Espíritos (da tradução de Sandra R. Keppler para a editora Mundo Maior). A principal diferença entre o Budismo e o Espiritismo está na importância que dão a questão sobre a existência de Deus, ou, em outras palavras, ao reconhecimento de uma "Causa Primeira" de todas as coisas. Para o Espiritismo o "problema do ser, do destino e da dor" - o "porquê da vida" - está intrinsecamente ligado a resposta para esta questão. Na filosofia espírita o ciclo de encarnações - o samsara dos Budistas - nada mais é que um recurso didático na longa jornada evolutiva do espírito. É a existência da inteligência suprema, da Causa Primeira, que explica porque há uma direcionalidade nas leis morais universais, sempre no sentido de progresso - da brutalidade para a angelitude, da ignorância para a sabedoria, do mal para o bem. As próprias leis materiais são parte disto também, criando o cenário onde o espírito exercita suas faculdades e progride rumo a libertação da ignorância e do sofrimento. Deus, sábio e justo, atua no Universo através de leis universais. Sua essência nos é desconhecida, mas sabemos que é em última análise a realidade suprema, que tudo mantém. A concepção espírita, que pode ser classificada como de um "Deus Pessoal"[2], defende que somos nós mesmos que construímos nosso destino, através dos nossos atos, mas também postula que Deus, por ser "amor", sempre nos abre caminhos para o progresso. Somos livres para trilha-los, assim não nos isenta da responsabilidade de nossas escolhas. 1 - Me parece que é correto dizer que Deus é o "limite" desta evolução, no sentido matemático, por ser infinito em perfeição. O ser sempre tenderá a ele, mas jamais o igualará. 2 - "Quanto à visão do Deus Pessoal e Impessoal, é preciso não esquecer que são posições humanas relativas à capacidade que temos hoje de entender a Divindade, mas que, em realidade, nada dizem sobre ela realmente. Acho que a Impessoalidade e a Pessoalidade são aspectos derivados da posição que adotamos. Em realidade, à Impessoalidade somos conduzido pela transcendência divina, e à Pessoalidade somos induzido pela imanência. Se oramos, nos relacionamos pessoalmente com o Divino, mas quando dizemos quando erguemos os olhos para o infinito, a Impessoalidade nos acorre. Como voce pode verificar mesmo considerando a Impessoalidade há um poder de criação. Se há criação, há momentos criativos." Elzio Ferreira de Souza, comentando um esboço deste artigo e me explicando o que realmente significa o conceito de "Deus Pessoal". Foi justamente nesta questão conceitual, do que significa a crença em "Deus Pessoal", em contraposição a concepção Budista, de não aceitar um "Deus Pessoal", que encontrei os maiores obstáculos. (Publicado no Boletim GEAE Número 434 de 2 de abril de 2002) |
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