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As Quatro Nobres Verdades - Parte 9Carlos Alberto Iglesia Bernardo IV - Questões FilosóficasResponsabilidade frente ao destino- Budismo
O homem é totalmente responsável por seu destino. Tudo o que lhe ocorre é devido a lei de causa e efeito e ele tem o livre arbítrio relativo (condicionado por seu carma passado, que o coloca em uma situação mais ou menos difícil no presente) para agir e mudar seu futuro. Não há graça divina ou intervenção de um criador no destino individual de cada um. Grupos sociais - por serem formados de indivíduos com atuação em comum, portanto com compromissos similares com a lei de causa e efeito - também tem o seu "karma" coletivo. Da mesma maneira que com o individuo, um grupo social é totalmente responsável por seu destino, pois o que lhe ocorre é conseqüência dos atos de seus membros. Importante notar que o ser - no ciclo de reencarnações - pode nascer como qualquer criatura sensciente. Não há nada que impeça que um homem renasça em um animal e vice-versa, se os seus atos o levarem a tal condição. - Espiritismo
O homem é totalmente responsável por seu destino. Além da lei de causa e efeito, há outras leis morais, entre elas a do progresso. Assim nosso livre arbítrio é relativo, limitado por nosso carma passado, pelo nosso "estágio" de desenvolvimento e pelas nossas necessidades educativas. Durante o período em que o ser necessita do ciclo de reencarnações, para sua evolução, há uma linha crescente de sofisticação dos corpos físicos utilizados para sua manifestação no mundo material, através dos renascimentos. O Espírito sempre evoluiu dos seres mais simples para os mais complexos e, embora possa estacionar temporariamente em um dos estágios, jamais regride. Assim, ao longo dos milênios, o vegetal se tornará animal, o animal evoluirá até atingir o estágio de ser humano, e o ser humano evoluirá até conseguir se tornar espírito puro, livre da necessidade da reencarnação. A evolução do espírito, significa também a evolução do seu perispírito, cada vez mais sutil e apto a servir de intermediário na ligação com corpos físicos mais sofisticados. A reencarnação de um espírito que já atingiu o estágio da humanidade em um animal seria impossível devido a própria incompatibilidade do perispírito. O ser humano compartilha a mesma natureza espiritual dos demais seres sencientes, é diferente destes apenas por ser "mais velho" na jornada evolutiva. Seu espírito aprendeu as primeiras lições de vida - desenvolvendo os automatismos - nos vegetais, depois aprendeu as sensações e os instintos no mundo animal e, agora, na condição humana, tem como desafio aprender a usar a inteligência, a emoção e a intuição. A caminhada evolutiva, apesar de conquista individual de cada ser, pode ser feita em grupos afins (tal qual nas escolas há grupos de alunos que seguem juntos por diversas classes), com o amparo mutuo. Famílias, nações e mundos são grupos de indivíduos afins. Estes grupos sociais estão sujeitos a compromissos comuns com a lei de causa e efeito. Compromissos que são conseqüência da atuação coletiva de seus membros ou das necessidades de aprendizado compartilhadas por eles. - AnáliseTanto o Budismo como o Espiritismo postulam a responsabilidade do homem, individualmente ou como membro de um grupo social, perante seu destino. Deve-se notar que há uma interessante diferença na amplitude aceita para os efeitos dos atos realizados pelo ser em sua existência. Para o Budismo, em conseqüência de seus atos, o ser pode renascer entre os reinos inferiores da natureza, mesmo depois de ter atingido a condição de ser humano. Para o Espiritismo, por seus atos o espírito pode estacionar, mas nunca regredir na escala evolutiva. Para a filosofia espírita, a evolução tem componentes morais e intelectuais. Nem sempre os dois são desenvolvidos pelo espírito no mesmo ritmo e isso pode resultar em ações que parecem incompatíveis com a situação aparente em que ele se encontra, mas que na realidade são manifestações de imperfeições ainda não superadas. (Publicado no Boletim GEAE Número 437 de 15 de maio de 2002) |
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