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As Quatro Nobres Verdades - Parte 10Carlos Alberto Iglesia Bernardo IV - Questões FilosóficasAtitude perante a Fé- Budismo
A doutrina Budista fundamenta-se em constatações feitas por Buda, que podem ser verificadas por qualquer pessoa. Naturalmente o esforço de verificação exige longo trabalho de preparação interior - pois o campo de pesquisas é a própria mente humana e tem por ferramenta a meditação. Com uso da meditação, o homem pode estudar a si mesmo e os seus processos mentais, desfazendo os enganos que o prendem a ignorância e ao mesmo tempo transformando-se para atingir a iluminação. Do ponto de vista Budista, a meditação é uma disciplina espiritual que permite controle sobre nossos pensamentos e emoções. Sob controle eles podem ser analisados e selecionados. Podem ser focados em objetivos determinados, levando a uma observação mais cuidadosa e profunda. Basicamente há a meditação "shamatha" - permanência serena - que mantém a concentração da atenção em um só objeto e a meditação "vipasyana" - discernimento penetrante - em que além da simples concentração da atenção, há o esforço do raciocínio em compreender o objeto da meditação. A importância da meditação e da transformação mental é tão grande no Budismo que este desenvolveu uma psicologia bastante interessante, com profundos conhecimentos sobre os processos mentais, sua relação com as leis de causa e efeito e com a situação do ser no mundo espiritual. Além da verificação direta e da dedução, o Budismo também reconhece como critério de verdade o testemunho - ou os ensinamentos - de pessoas fidedignas. Neste caso, o que torna estas pessoas fidedignas não é o seu conhecimento ou suas palavras, mas sim sua vivência da doutrina. Mestres espirituais que através de anos de estudo e de prática dos ensinamentos de Buda atingiram as experiências de que dão testemunho. O Budismo não desconhece os fenômenos mediúnicos, que até acabam ocorrendo como conseqüência das práticas de meditação, mas devido a seu enfoque na iluminação pelo fim da ilusão do "eu", na auto-análise, nos fenômenos interiores, não os faz objeto de seu estudo. - Espiritismo
A ciência espírita se baseia necessariamente na existência dos espíritos e sua intervenção no mundo material. A verificação destas bases é feita pelo estudo das manifestações dos espíritos através dos fenômenos mediúnicos. Estas manifestações podem ser espontâneas ou provocadas. O que caracteriza a manifestação dos espíritos, frente a grande quantidade de fenômenos físicos existentes, é a vontade independente e a inteligência que demonstram. O estudo das manifestações dos espíritos, longe de ser um campo fácil de investigação, exige grande observação e estudo, pois se lida com seres independentes e não forças cegas da natureza. Como os fenômenos normalmente não são reprodutíveis a vontade em um laboratório, há que se dedicar a analisá-los quando ocorrem e considerar sempre seu conjunto. Como, em essência, o homem é um espírito encarnado, existem também fenômenos provocados pelo próprio "médium", classificados sob a denominação de animismo, e que devem receber uma grande atenção para não serem confundidos com as comunicações dos espíritos e levarem a caminhos errados. O inconsciente, e suas manifestações na personalidade, são também fenômenos anímicos e nesta categoria são estudados pelo Espiritismo desde o seu surgimento. O estudo das manifestações dos Espíritos, além do objetivo de comprovação cientifica das bases da Doutrina, também tem o escopo de aprofundar os conhecimentos sobre o Espírito, sua situação no mundo espiritual, as leis que regem seu destino e as que regem a comunicação entre o mundo material e o espiritual. Este estudo também acompanha o avanço das ciências, de modo que o Espiritismo esteja sempre a par dos progressos realizados nos demais campos do conhecimento humano. Partindo da base fornecida pelas manifestações dos espíritos, o Espiritismo também estuda as comunicações obtidas através delas. Assim pode se dizer que a "Ciência Espírita compreende duas partes: uma experimental, sobre as manifestações em geral; a outra, filosófica, sobre as manifestações inteligentes. Quem quer que tenha observado somente pelo ângulo da primeira, está na posição daquele que conheceria a Física apenas pelas experiências recreativas, sem haver penetrado no fundamento da Ciência. A verdadeira Doutrina Espírita está no ensinamento dado pelos Espíritos e os conhecimentos que esse ensinamento comporta são muito sérios para poderem ser assimilados de outro modo que não seja por um estudo profundo e contínuo, feito no silêncio e no recolhimento; porque só nestas condições se pode observar um número infinito de fatos e de nuanças que escapam ao observador superficial e permitem firmar uma opinião" (Allan Kardec, Introdução ao "Livro dos Espíritos", FEB). Um aspecto a ser comentado, é que o avanço de algumas disciplinas cientificas acadêmicas rumo as realidades espirituais as tem colocado em relação próxima com o Espiritismo. Assim é comum encontrarem-se Espíritas contribibuindo diretamente nas áreas de psicologia, com a Psicologia Transpessoal e a Terapia de Vidas Passadas, e de medicina, com a psicossomática e a homeopatia. - AnáliseMe parece que o Budismo e o Espiritismo avançam para resultados muito semelhantes tendo dois pontos diferentes de partida. Enquanto o Budismo - dentro de um contexto cultural oriental - parte dos fenômenos internos ao individuo em direção a realidade que lhe transcende, o Espiritismo parte das manifestações dos espíritos, do mesmo individuo liberto da matéria, em direção a mesma realidade. As duas Doutrinas rejeitam a fé cega e enfatizam a necessidade do estudo prolongado e sério. Não basta só procurar, há que se saber como ... (Publicado no Boletim GEAE Número 438 de 28 de maio de 2002) |
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