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As Quatro Nobres Verdades - Parte 12Carlos Alberto Iglesia Bernardo IV - PráticaOrganização Interna- Budismo
Desde o início das pregações de Buda, a prática de seus ensinamentos em todos os seus desdobramentos - com seus altos níveis de realização espiritual em busca da iluminação - levou algumas pessoas a se desligarem completamente das atividades mundanas e a se dedicarem a uma vida de renuncias e de meditações. Estas pessoas, chamadas de bikshus (inicialmente com o sentido de monges mendicantes), formam a "Sangha", a comunidade de monges budistas. A continuidade desta comunidade, com variações de forma e organização pelos vários países pelos quais o Budismo se propagou, tem sido o principal fator de preservação e divulgação do Dharma. Os ensinamentos de Buda também podem ser seguidos e praticados sem que o discípulo se desligue completamente de seus laços com a familia e a sociedade. Naturalmente ele não poderá se dedicar tão intensamente as práticas de meditação. O resultado deste fato é que, ao lado da Sangha, existem os budistas leigos. Assim a diferença entre os monges e os outros budistas está na intensidade com que podem se dedicar ao Dharma. Os monges dedicam-lhe todo o seu tempo. - Espiritismo
Não há um "acestismo" espírita, no sentido de uma classe de monges dedicados ao eu estudo e divulgação. Muito menos uma hierarquia, pois a Doutrina Espírita não impõe uma forma de organização. A forma de organização proposta por Allan Kardec foi a adotada pela "Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas" [1] que serviu de modelo para os grupos espíritas posteriores, do mesmo modo que a "Revue Spirite" foi o modelo para o jornalismo espírita. Assim. ao longo da história do Espiritismo, se formou um "movimento espírita" organizado em torno de grupos espíritas. Surgiram grupos com diversas finalidades - estudo, atividades filantrópicas, reuniões religiosas, etc... Também surgiram entidades maiores como federações e associações nacionais. Importante notar que se pode perfeitamente ser espírita sem pertencer a nenhum grupo espírita. Do mesmo modo, não há nenhuma obrigação de que um grupo se filie a uma associação ou outra. A organização do movimento espírita é totalmente voluntária e visa apenas juntar esforços no estudo, na prática e na divulgação da Doutrina. Não há privilégios ou prerrogativas doutrinárias associadas a qualquer posição dentro do movimento espírita[2]. Uma forma muito comum de grupo espírita é o familiar. Amigos e parentes que se reúnem periodicamente para o estudo das obras básicas, principalmente do estudo do evangelho. Muitos dos grupos maiores nasceram em reuniões familiares, pelo aumento do número dos participantes e principalmente em torno de personalidades marcantes do movimento espírita. Pelas próprias características da Doutrina, os médiuns acabam desempenhando o papel de núcleo dos diversos grupos e ponto de referência para os demais indivíduos. A mediunidade, como faculdade natural no ser humano, efetivamente não dá a ninguém privilégios especiais dentro do Espiritismo. Apenas capacita o médium a ser um trabalhador em benefício de todos. - AnáliseA forma de organização difere entre o Budismo e o Espiritismo. A diferença está na existência entre os budistas, da "Sangha", a comunidade de monges dedicados ao estudo e divulgação do Dharma. No Espiritismo, tanto o estudo como a divulgação, podem ser feitos individualmente ou por grupos formados voluntariamente por seus adeptos, sem votos especiais. [1] - Vide "O Livro dos Médiuns" (cap. XXIX - Reuniões e Sociedades e XXX - Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas) ou "Obras Póstumas" ("Constituição do Espiritismo"). [2] - As estruturas existentes dentro dos grupos espíritas são puramente administrativas e operacionais. (Publicado no Boletim GEAE Número 440 de 02 de julho de 2002) |
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