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As Quatro Nobres Verdades - Parte 13Carlos Alberto Iglesia Bernardo IV - PráticaRitos- Budismo
No Budismo, os rituais tem um papel importante de auxiliares nas práticas de meditação e de formas simbólicas de expressão dos seus ensinamentos. O papel do simbolismo pode ser avaliado em sua correta dimensão quando se considera que a Doutrina foi ensinada oralmente por Buda e só posteriormente transcrita. Mesmo após seu registro na forma escrita, a forma mais valorizada da passagem do Dharma foi, e continua sendo, a transmissão viva de um mestre para seus discipulos. Assim, simbolos e rituais correspondem a uma forma muito eficaz de fixar idéias e memorizar ensinamentos complexos. Também o contato do Budismo com outros povos, e sua grande tolerância religiosa, o levou a absorver práticas de diversas origens e transformá-las conforme sua mensagem. Assim, por exemplo, encontramos no Budismo Tibetano rituais que remontam as práticas ancestrais do Tibet. Em essência seria possível conceber o Budismo sem rituais. É perfeitamente possivel seguir o caminho óctuplo sem eles e nada nas "Quatro Nobres Verdades" está amarrado a suas práticas. Mas seria uma visão muito parcial e despojaria o Dharma de toda sua riqueza simbólica acumulada em mais de 2.500 anos de história. - Espiritismo
O Espiritismo não tem rituais, principalmente por considerá-los desnecessários frente a prática sincera do amor ao próximo. Importante observar que ele respeita todas crenças sinceras e suas formas de manifestação. Normalmente as reuniões espíritas são organizadas conforme a finalidade do grupo, há reuniões de estudo de obras espíritas, reuniões com palestras doutrinárias, reuniões de auxilio espiritual, onde se aplicam passes e reuniões mediúnicas dos mais diversos tipos. As manifestações mediúnicas variam grandemente, desde reuniões dedicadas a psicografia ou a pintura mediúnica, até o atendimento a espíritos sofredores desencarnados. As aplicações de passe também tomam formas diferentes conforme as características dos grupos e o tipo específico de ação curativa que se almeja alcançar. Embora em alguns grupos as aplicações de passe possam parecer gestos ritualísticos, são na realidade técnicas desenvolvidas ao longo do tempo para dar maior eficiência a transmissão dos fluidos magnéticos aos pacientes. Sem fugir ao escopo deste artigo, gostaria de observar que os passes são aplicados com o intuito de assistência ao próximo e essencialmente não são exclusividade da doutrina espírita. Embora sua origem remonte a antiguidade - o próprio Jesus o aplicava aos doentes - seu estudo moderno foi retomado a partir de Mesmer no século XVIII e reconhecido pela doutrina espírita como uma das conseqüências da existência do espírito humano e do perispírito. Os termos "fluido" e "magnetismo" devem portanto ser entendidos dentro de um contexto próprio, evitando-se confusão com a nomenclatura atual da física. O conjunto de conhecimentos que forma a Doutrina Espírita tem como uma de suas formas principais de transmissão a palavra escrita. Desde as obras básicas de Allan Kardec até as obras espíritas da atualidade, os espíritos e os espíritas tem preferido a forma direta de exposição. Também, por seu caráter de ciência experimental, os conhecimentos são resultados de pesquisas e análises, reprodutíveis dentro de regras próprias da comunicação com o plano espiritual (1). Assim o papel do simbolismo religioso dentro da doutrina espírita é bastante limitado ou praticamente inexistente. - AnáliseA distância que separa o Budismo do Espiritismo na questão dos ritos é exatamente a distância histórica entre o surgimento de cada um dos dois. O Budismo tento nascido em uma época e cultura onde a tradição oral era o veículo por excelência da transmissão de uma filosofia, desenvolveu técnicas apuradas de simbolismo. Seus ritos e símbolos são a representação viva de seu conteúdo doutrinário. O Espiritismo por outro lado, tendo nascido imediatamente após o Iluminismo, no período que para a cultura ocidental ficou conhecido como o Século das Luzes, se empenhou em transmitir diretamente seus conhecimentos, principalmente através da palavra escrita. Dentro deste contexto, para o Espiritismo, os rituais e os símbolos não trariam contribuição efetiva e são considerados dispensáveis. 1 - No estudo do mundo material, ao qual se dedica a Física, é importante para uma ciência que todos os seus fenômenos sejam reprodutíveis por quaisquer experimentadores, dadas as mesmas condições de experimentação. Assim a lei da gravidade de Newton, ou as equações de onda de Maxwell, podem ser verificadas por qualquer cientista que se disponha ao empreendimento. No caso da Ciência Espírita, onde se estudam fenômenos ligados ao espírito humano, que tem um grau de liberdade muito maior que as grandezas físicas, a reprodução dos experimentos exige muito maior preparação do experimentador e principalmente muito maior compreensão das condições de contorno que podem afetar o experimento. Assim, para reproduzir os trabalhos de Sir William Crookes com as materializações de Kate King o experimentador teria não somente de obter uma médium com possibilidades mediunicas equivalentes as de Miss Florence Cook, como também teria de ter a mesma seriedade nos propósitos. Na ciência do espírito, o estado de espírito do experimentador influência decisivamente os resultados - alguém dedicado a experiências frívolas ou sem maiores propósitos de edificação espiritual encontraria somente espíritos do mesmo gabarito a auxiliá-lo. Provavelmente não passaria de resultados medíocres e de fraudes vergonhosas. (Publicado no Boletim GEAE Número 442 de 13 de agosto de 2002) |
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