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As Quatro Nobres Verdades - Parte 14Carlos Alberto Iglesia Bernardo V - Conclusão
Deixando-se de lado as questões metafísicas, que para o Budismo não são essenciais, as duas doutrinas - os dois caminhos espirituais - são extraordinariamente afins. Um Budista e um Espírita trocando idéias perceberiam rapidamente que concordam no essencial, nos meios para tornar o homem livre de sofrimentos, e que as discordâncias de detalhes tem mais a ver com visões culturais diferentes do que propriamente com a "essência" dos ensinamentos. Para o Espírita a psicologia budista traz ensinamentos valiosos e para o Budista os conhecimentos científicos espíritas lhe permitiriam estender sua compreensão de como o fluxo de consciência "não-material" atua sobre o mundo material. Por exemplo, no estudo da lei de Causa e Efeito, juntar os enfoques diferentes - a ciência Espírita com a atuação do perispírito e o Budismo com o funcionamento da mente - abriria novas perspectivas. Um exemplo de um trabalho bastante interessante, unindo os enfoques Budista e Espírita, é o livro "Plenitude", do espírito Joanna de Ângelis, psicografado pelo médium Divaldo Pereira Franco. Neste livro, a autora aborda o problema do sofrimento, sua existência, suas causas e forma de eliminação. É um estudo bastante criterioso e consistente, onde conceitos milenares do Budismo integrados aos conhecimentos Espíritas fornecem o ferramental adequado para aprofundar o tema e dar-lhe solução. Tanto o Espiritismo como o Budismo dão pouco valor ao proselitismo (a busca de conversões) e enfatizam o respeito a todas as tradições religiosas, assim não há fontes de conflito ou empecilhos maiores a troca de idéias e ao dialogo. VI - AnexosPara conhecer melhor as doutrinas discutidas neste artigo
- BudismoRecomendo, além dos livros de Tenzin Gyatso, o XIV Dalai Lama, os livros "O Monge e o Filósofo" e "O Despertar do Buda Interior". O "Dhammapada" por outro lado é uma leitura obrigatória para se ter uma idéia da essência dos ensinamentos morais de Buda; Apenas como curiosidade, os livros "O Monge e o Filósofo" e "A Força do Budismo" (vide bibliografia) tiveram participação de autores franceses e uma observação que salta a vista do leitor espírita é o desconhecimento deles com relação ao Espiritismo (que teve seu nascimento na França, com as obras de Allan Kardec ). Também espanta, para o leitor brasileiro, perceber o quanto o materialismo está impregnado no pensamento desses autores. A posição parece refletir uma realidade bastante diferente do ambiente intelectual brasileiro, onde a religiosidade natural do povo brasileiro e a crescente influência do Espiritismo e de outras correntes espiritualistas, tornam o materialismo militante uma exceção. Devido ao materialismo destes autores, a visão que apresentam da espiritualidade ocidental, nos diálogos com o Dalai Lama e com o Monge Budista, é bastante superficial - praticamente restrita ao Catolicismo - e assim deixam de abordar questões e aprofundar comparações que seriam de extrema valia para o pensador Espírita. Por exemplo, na questão da reencarnação apresentam um desconhecimento tão grande - mesmo das recentes pesquisas com a terapia de vidas passadas, efetuadas pelos psicólogos norte-americanos - que é difícil para seus interlocutores explicar com maiores detalhes a visão Budista. - EspiritismoSem duvida os livros de Allan Kardec, principalmente "O Livro dos Espíritos", o "Livro dos Médiuns" e o "Evangelho Segundo o Espiritismo", também recomendo os livros de Léon Denis, principalmente "No Invisível". A partir desta base há excelentes obras complementares, entre elas as psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier - impossível deixar de citar "O Consolador" do espírito Emmanuel e "Nosso Lar" de André Luiz. Uma Homenagem à Francisco Cândido Xavier
Pode parecer estranho encerrar uma série de artigos, que comparam as Doutrinas Budista e Espírita, com uma homenagem a um médium, mesmo que seja um médium tão extraordinário como Francisco Cândido Xavier. O motivo desta opção foi a de que Chico Xavier ilustra de forma extremamente clara as afinidades entre o Espiritismo e o Budismo. Chico, independentemente de suas faculdades mediúnicas, foi um ser humano impressionante. Nele as virtudes cristãs, que são a base moral da Doutrina Espírita, encontraram sua vivência completa. Ele foi um mensageiro do qual se pode dizer que, não só transmitiu fielmente a mensagem espírita, como se transformou na própria mensagem. Similarmente, se olharmos Francisco Cândido Xavier com os olhos de um Budista, veremos nele a encarnação perfeita das virtudes ensinadas por Siddharta Gautama, na sua compaixão ilimitada para com todos os seres sencientes. Chico Xavier é um Bodhisattva na mais completa acepção deste termo, um ser iluminado, que para libertar-nos do sofrimento, veio nos trazer a verdade libertadora da prática incondicional do bem. Fica portanto, como fechamento destes artigos, nossa profunda homenagem e gratidão ao "Mineiro do Século": Francisco Cândido Xavier 02/04/1910 - 30/06/2002 (Publicado no Boletim GEAE Número 443 de 1 de outubro de 2002) |
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