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Espiritismo e ReligiãoJosé Lucas (Sobre os comentários publicados no boletim 272 - Doutrina Espírita - abordando o tema Espiritismo e Religião) Caros amigos, De fato as posições extremadas a nada conduzem, no entanto não podemos adulterar a mensagem que Kardec nos legou. Quer-nos parecer que este assunto esta a ser analisado conforme as tendências de cada um; os partidários do epíteto de religião puxam a brasa a sua sardinha e os outros igualmente. Ora não havia necessidade disso, se estudássemos bem os livros de Kardec. Allan Kardec, no seu memorável discurso de 1 de Novembro explicou "Porque dizemos que o Espiritismo não é religião?" explicando igualmente que as pessoas não veriam mais do que o reeditar de mais uma religião a semelhança das outras já existentes, perdendo assim o espiritismo o seu caráter universalista. Por outro lado, existe uma outra abordagem: ha tempos em conversa com um alto dirigente espírita brasileiro ele estava orgulhoso pois no seu pais o espírita podia afirmar que a "sua" religião era a religião espírita. Ora estamos fazendo precisamente o contrario do espírito universalista que Kardec quis imprimir ao espiritismo. Numa outra altura, conversando com um outro dirigente espírita, desta feita, português, quase fui "amaldiçoado" com ameaças veladas com o umbral, caso fizéssemos campanha contra a postura do espiritismo ser religião. Coloca-se uma questão: quem é o espírita? Kardec informa com muita propriedade que o espírita reconhece-se pela sua transformação moral e não pelo emblema que queira colocar ao peito. Então porque será que continuamos com esta luta de palavras? Penso que seja por atavismos do passado e por uma falta de entendimento cultural do espiritismo, pois como sabemos muitos de nos já paroquiamos no passado e deambulamos pelos conventos. Perante a hipótese de ter o poder de novo num centro espírita e ser considerado o guia espiritual terreno de muitos, por vezes a tentação é grande. O Espiritismo não se compadece com isso. Não somos mais amigos de Deus nem o Criador nos ama mais ou menos pelo fato de nos dizermos religião. No entanto, psicologicamente as pessoas agem como tal, como se o fato de ostentarem o epíteto religião fosse uma espécie de passaporte para a antecâmara dos planos felizes da espiritualidade. O que Deus espera de nos não é um disputa estéril em torno de conceitos mas sim a nossa renovação intima, sempre que possível. Ora, como me identifico quando perguntam pela minha religião? Não tenho religião, sou cristão e sigo a doutrina espírita. Mas o espiritismo não é religião? Não, de acordo com a definição de Allan Kardec: "O Espiritismo é uma ciência filosófica de conseqüências morais". Claro como a água! O curioso disto tudo é que ha tempos um outro dirigente espírita definia assim: "Espiritismo é uma ciência filosófica de conseqüência religiosas" tendo sido chamado a atenção para a adulteração da definição de Kardec. Tenhamos pois cuidado e não nos iludamos. O Espiritismo esta bem estudado e fundamentado por Kardec. Uma definição? Ora ai vai: "Ciência filosófica de conseqüências morais" (in "O que é o Espiritismo") José Lucas, Portugal (Retirado do Boletim GEAE Número 275 de 13 de Janeiro de 1998) |
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