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São poucos os espíritas no BrasilIvan René Franzolim Preliminares do Censo 2000 revelam que são poucos os espíritas no maior país espírita do mundo Em 1991 os espíritas eram 1,12% da população e em 2000 passaram a módicos 1,38%. Apesar do crescimento (pequeno), esse indicador revela que não há esforço organizado para conseguir novas adesões. Essa atividade fica por conta da iniciativa de alguns espíritas nos seus relacionamentos familiares e de amizade. Certamente devem ter ajudado o esforço dos comunicadores vinculados às Associações de Divulgadores do Espiritismo de cada estado (ADE), pelo menos para que a situação não piorasse, mas, há muito por fazer. A incapacidade do Movimento Espírita na disseminação de sua doutrina fica mais evidente ao considerar que há um grande número de pessoas de outras religiões que simpatizam com o espiritismo ou com algumas de suas idéias, freqüentam esporadicamente os Centros, lêem milhões de livros espíritas vendidos anualmente e mostram forte interesse por filmes e novelas que abordam a temática espírita. Esse contingente é calculado em 30 milhões pela FEB - Federação Espírita Brasileira. Contudo, mesmo com esse público favorável, o Movimento Espírita conseguiu obter um crescimento significativo. Os Católicos baixaram de 83% em 1991 para 73,8% em 2000, as diversas religiões evangélicas quase dobraram atingindo em 2000 15,4%. Isso mostra que foram insuficientes o investimento da Igreja Católica em jornais, revistas, programas de rádio, TV, Internet, o aparecimento de líderes na grande mídia e o lançamento do Movimento Carismático, mesmo assim os evangélicos cresceram às custas dos católicos. Resta saber até quando eles conseguirão sensibilizar parte da população com seus mecanismos de persuasão, mas é inegável o sucesso que eles tiveram. Diminuíram de adeptos os Católicos romanos, o Budismo e a Umbanda. Aumentaram, os Evangélicos, os Espíritas que eram 1.644.344 e passaram para 2.337.432. Aqueles que se declararam sem religião eram 4,73% e em 2000 somaram 7,26%, demonstrando que um grande número de pessoas desistiram de sua religião e não encontraram nenhuma outra para ocupar esse lugar. Entre os espíritas, houve um aumento da participação das mulheres que eram 57,2 em 1991 no Censo 2000 cresceram para 59,17%. Diminuíram drasticamente os espíritas das áreas rurais de 20% para 2,6%! A distribuição de espíritas entre os estados é muito irregular. Há 5 estados
apresentando porcentual acima da média nacional, com mais de 2%, mas também há
18 estados apresentando porcentual menor que 1%. Goiás, Distrito Federal e Rio
de Janeiro despontam com 2,81%, 2,80% e 2,76% de espíritas, enquanto na outra
ponta aparecem Amapá (0,08%), Maranhão (0,08%) e Piauí (011%).
Todos os dirigentes e comunicadores precisam rever as atividades desenvolvidas junto ao público, fazer mudanças, estabelecer novas metas, ouvir o seu público, ousar ou, pelo menos, tentar. Quem exerce função de comunicador está devidamente treinado? Em caso afirmativo, esse treinamento está atualizado e atende as expectativas do público?. Estamos procurando meios para ouvir o público e conhecer melhor como ele percebe o espiritismo e as atividades desenvolvidas? Será que a linguagem usada não é antiquada com termos indecifráveis pelas pessoas? Pode ser que o tom e o ritmo estejam transmitindo monotonia. Quem sabe as explicações e raciocínios ainda denotam excesso de religiosismo? Nossa participação na grande mídia ainda é escassa e nossa atuação não tem sido muito boa. Precisamos encontrar meios para aparecer mais e comunicar bem o espiritismo. Precisamos de uma política nacional de comunicação. Precisamos organizar um esforço sistemático para oferecer o conhecimento espírita para o público não espírita. Se o produto é excelente, porque o consumo é pequeno? Muita coisa precisa ser feita para que o espiritismo tenha um crescimento mais satisfatório e não corra o risco que está correndo de poder diminuir! Vamos todos enfrentar essa realidade e agir. Não podemos ficar parados esperando uma orientação espiritual. Esse trabalho é nosso, não dos espíritos. Mão à obra! (Publicado no Boletim GEAE Número 439 de 11 de junho de 2002) |
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