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SecaCarlos Alberto Iglesia Bernardo Em viagem recente estive na cidade de Recife, onde na ocasião a seca trazia tormentos inumeráveis para a população mais pobre. Surpreendente foi encontrar caminhões pipas sempre disponíveis a quem pudesse pagar, rios passando pelo meio da cidade com água apenas esperando o tratamento adequado e poços artesianos ao alcance de todos que pudessem arcar com o custo. O povo também falou de obras de abastecimento que começam, mas que nunca terminam. A seca, talvez vista por muitos como castigo de Deus - arraigados aos velhos conceitos de um Deus tirano - é suportada com estoicismo e não há como não ficar impressionado com o sorriso no rosto do povo sofrido e de sua resignação ante o descaso a que está sujeito. Descaso sim, pois se Deus coloca os povos diante da adversidade, lhes dá as
ferramentas e as Seca moral mais que seca de água, seca de fé verdadeira, seca da compreensão que todos são filhos de Deus, destinados ao progresso e a felicidade, transitando por situações diferentes de vida. Seca moral que faz com que a industria da seca exista e seja explorada, seca moral que perpetua o sofrimento e não busca a implantação da fraternidade. Seca de entendimento da lei divina que cobra de todos o amor ao próximo e que a cada um devolve o resultado de suas obras. Seca que somente a água viva da Boa Nova trazida por Jesus pode sanar, pois só a transformação moral dos indivíduos - diminuindo o egoísmo e o aumentando o interesse pelo destino alheio - pode reformar as estruturas culturais, sociais e econômicas que perpetuam a seca material, extinguindo-a. Seca que seria amainada pela certeza da vida após a morte, pelo conhecimento da lei de causa e efeito, pela percepção de que os valores materiais amealhados a custa - ou indiferentemente - ao sofrimento alheio, são débitos pesados que inexoravelmente deverão ser reparados. Enfim, voltei dessa viagem com a convicção de que em uma terra onde há seca, não há como resolver o problema da água se primeiro não se modificarem suas causas. E para atacar as causas principais, que parecem ter mais a ver com a atitude dos homens do que com as chuvas nos açudes, nada mais eficaz que a difusão e aplicação da Doutrina Espírita* - colaboração que está ao alcance de todos nós ! * 799. De que maneira o Espiritismo pode contribuir para o progresso? - Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz os homens compreenderem onde está o seu verdadeiro interesse. A vida futura, não estando mais velada pela dúvida, o homem compreenderá melhor que pode assegurar o seu futuro através do presente. Destruindo os preconceitos de seita, de casta e de cor ele ensina aos homens a grande solidariedade que os deve unir como irmãos. (O Livro dos Espíritos, Capítulo VIII - Lei do Progresso, Influência do Espiritismo no Progresso. Edição FEESP, tradução de Herculano Pires) (Publicado no Boletim GEAE Número 338 de 30 de março de 1999) |
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