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Falando de Profecias

Josué de Freitas

Sabemos que os mundos existentes no Universo são classificados em cinco categorias: mundos primitivos, mundos de expiação e provas, mundos de regeneração, mundos felizes e mundos divinos. Nossa pobre Terra, ainda se encontra no segundo estágio, onde a maioria dos habitantes passa por dificuldades para ajustar contas com a Lei e sofrer experiências visando o desenvolvimento da inteligência e da capacidade criativa básica. A humanidade sempre conviveu com a dúvida a respeito do fim do mundo. Alguns profetas antigos falaram deste duro período que, mais cedo ou mais tarde, a humanidade teria que enfrentar. O próprio Jesus Cristo, o maior dos profetas, realizou um sermão profético no qual falava do fim, revelação pouco estudada pelos espíritas e mesmo pelo próprio Allan Kardec.

O Codificador deixou claro que viera dedicar mais atenção ao estudo dos princípios morais das Escrituras, e o fez muito bem. Isso porém não impede quem quer que seja, de estudar os outros aspectos obscuros da Bíblia, principalmente hoje, quando os cipoais do materialismo estão envolvendo intensamente o mundo com suas ilusões. Existem algumas obras no meio espírita a respeito do assunto, mas, a nosso ver, apresentam um caráter superficial. Um dos caracteres da revelação profética é que as profecias estão intimamente ligadas entre si. Se um estudioso encontra uma explicação para um dos seus pontos, aquela chave deverá explicar todos os outros onde ele se liga. Esta é a grande dificuldade dos estudos espíritas existentes. Geralmente oferecem uma explicação associada à moral, mas que deixa todos os outros pontos das profecias obscuros. Isso pode atender às necessidades dos que aceitam qualquer explicação sem se aprofundarem, porém, não pode encarar a razão face a face.

Sabe-se que a Bíblia é desconsiderada por muitos dos espíritas. Assim procedem porque ela lhes parece confusa e excessivamente alegórica, mas pode não o ser. O Espiritismo nos oferece muitas chaves para compreendermos inúmeros pontos até hoje mal interpretados. É necessário que estudemos as lições proféticas sem o preconceito de tudo saber, não deixando jamais que o entendimento fuja do bom senso kardecista. Entre o que hoje se entende como a transição para o terceiro Milênio na Bíblia e aquilo que pensa a maioria dos espíritas, existe uma diferença considerável. Enquanto os espíritas esperam uma transição serena, a Escritura fala de uma transição traumática.

Sabemos de tudo?

Um dos grandes desafios para os estudiosos dos mistérios do Espírito é compreender as profecias. Outro, é vencer o próprio orgulho. Sabemos que, infelizmente, essa erva daninha está presente em grande parte de nossas atitudes. Segundo os próprios Guias da Humanidade, constitui-se ele em imenso obstáculo ao aprendizado. Nos estudos a respeito de profecias é preciso deixá-lo de lado.
Lamentavelmente, o espírita do nosso tempo julga-se detentor de uma sabedoria inquestionável. Isso porque lhe foi depositada nas mãos, a terceira das Revelações. Essa mentalidade, cultivada por muitos, fez com que, no fluir do tempo, se formasse uma barreira em volta do meio doutrinário, que impediu o pensamento de crescer em muitas áreas, dentre elas, as profecias.

Alguns espíritas de renome se propuseram a lançar luzes sobre o assunto. Louvável esforço, porém, coroado de poucos resultados. Autores, como Edgard Armond, Nelson Lobo de Barros e mesmo Cairbar Schutel, procuraram desenvolver estudos no sentido de compreenderem melhor as previsões existentes nas Escrituras Sagradas. Pouca coisa conseguiram de concreto. O raciocínio exposto em seus trabalhos são por demais simplórios, derrubados facilmente ao menor exame da razão. Adaptações de ordem moral, como se faz freqüentemente para explicar o que não se compreende, não deve ser expediente dos que estudam as profecias. Tudo o que foi feito neste campo pelos profetas, pouco tem a ver com ensinamentos morais. Trata-se de um esboço da revolução social que o mundo virá sofrer para chegar à categoria de mundo regenerador.

Allan Kardec em A Gênese, capítulo 16, realiza profundo estudo a respeito da teoria da presciência. Demonstra que os Espíritos livres, quando evoluídos, possuem aquilo que chamou visão de conjunto. Explica que nos planos superiores, o espaço e o tempo assumem uma dimensão incompreendida por nós. A visão espiritual penetra tudo isso, fazendo com que, pela vontade de Deus, sejam revelados acontecimentos do porvir, de um povo ou da própria humanidade: são as profecias.

Os profetas eram médiuns. Geralmente, possuíam a faculdade de desdobramento. Em transe, deixavam seu corpo carnal, penetrando nas dimensões do espaço e do tempo, revelando, quando voltavam a si, sonhos. São inúmeras as passagens proféticas citadas pelos evangelistas, que falam da presença de Jesus na Terra. Desde os tempos mais antigos, os profetas falavam da vinda do Messias e descreveram particularidades de sua vida. Tais fatos são explicados somente por esta maravilhosa viagem que o Espírito liberto realiza nas dimensões do tempo.

O mundo se sustenta da matéria

Compreender o mundo é fundamental para aqueles que desejam entender o sentido das profecias. Elas falam intimamente do processo evolutivo do planeta Terra, contando as revoluções vividas por ele em muitas de suas fases. O estudioso das profecias não pode estabelecer limites para o aprendizado. Deve afastar-se do convencional, pois o entendimento dos princípios que as direcionam pouco tem de comum. Assim como as parábolas, as verdades das profecias estão escondidas sob o véu da alegoria. Bem mais complexas do que as parábolas, as profecias não foram feitas para a sabedoria pública. Seu conteúdo só pode ser revelado em tempo certo e compreendido por pessoas com o espírito maduro o suficiente, para fazer o adequado uso de tudo o que elas trazem em sua essência.

Sabemos que o Espiritismo está entre nós a quase cento e cinqüenta anos. O mundo, no entanto, até o seu advento vinha se sustentando, e o faz até os dias de hoje. As coisas funcionam à revelia dos nossos ensinos espíritas. Na verdade, Deus sustenta a evolução do mundo com forças primárias, direcionadas para um fim proposto por Ele, e que, aparentemente, nada têm a ver com nossa pretensa missão de iluminar o planeta. Sabemos que depois do período transitório, que certamente virá sobre o mundo, a sociedade do III milênio se sustentará sob os alicerces das leis espirituais conhecidas. Porém, essas transformações parecem não depender de quase nada do que até agora se fez no Espiritismo, contrariando o espírito da Doutrina. Na codificação do Espiritismo, as entidades responsáveis por ele evitaram embrenhar-se pelos caminhos proféticos. E, certamente, não era essa a missão de Allan Kardec. Foi por este motivo que alguns Espíritos impuseram ao meio doutrinário algumas mensagens de caráter salvacionista. Esses pontos não devem transformar-se em impedimento para tais estudos. O mundo, vai pouco a pouco perdendo o comando das rédeas sobre o povo. Desconhecendo as leis do Espírito, certamente seu destino será de dores e de sofrimentos.

O Sermão Profético

Um dos mais apaixonantes textos para os que estudam as profecias é o Sermão Profético de Jesus. Ausente somente do Evangelho do apóstolo João, o discurso narra acontecimentos relacionados com o fim do velho mundo. A pregação foi confundida por alguns estudiosos, com a destruição do templo de Jerusalém. Até hoje seu real significado continua sem interpretação. Vamos comentar os principais pontos da revelação, partindo de Jesus para examinarmos mais tarde, outras profecias.

O primeiro alerta do Messias, fala dos falsos cristos que surgiriam nos tempos finais. O Senhor, como todos os profetas, sabia da confusão de idéias que haveria quando a transição estivesse em sua fase crítica. Perdidos na matéria, os homens buscariam no sobrenatural saída para sua crise. É lógico que surgiria neste clima, pretensos messias e salvadores do povo. Ensinariam doutrinas falsas, fundamentos da mentalidade humana, afastando-se da sã moral ensinada pelos mensageiros do Alto. Disse Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; porque muitos virão em meu nome dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. Suas palavras são claras quanto às doutrinas estranhas que surgiriam no panorama terreno.

Pergunta-se: Como os seguidores do Espírito de Verdade poderão saber o que é o bem e o mal nesta confusão? O próprio Senhor, nos fornece segura pista: pelos frutos os conhecereis, dizia. Não importa o título que tragam, ou o nome que envergam, analisemos as obras dos que se dizem enviados de Deus. Não vindimam uva dos abrolhos. Todo aquele pois, que ensina filosofias de homens, fundamentadas em seus próprios pensamentos, não são criaturas que buscam a felicidade espiritual de ninguém.

Há na atualidade doutrinas que prescrevem condutas visando tão somente a alegria no mundo. Do que adianta a criatura encontrar paz material quando, depois de sua passagem para o mundo espiritual, permanecer nas regiões de sofrimento? A doutrina da verdade deve ser capaz de livrar as pessoas da ignorância pois é ela a causa de toda a dor. Quando João em sua epístola primeira, capítulo 43, versículo 3, disse que o Espírito, quando é de Deus, confessa que Jesus veio em carne, não quis dizer com isso, que bastaria que reconhecesse a encarnação do Mestre, para ser considerado entidade de luz. Reconhece-se o Espírito do bem, quando ele compreende ser a doutrina de Jesus a única via de salvação, ensinando-a pelo exemplo. Os conselhos do Evangelho são a salvaguarda da felicidade neste e no outro mundo. Esta é a simbologia da confissão da descida do Messias na carne. Guardemo-nos pois, dos falsos profetas. No movimento espírita, travestidos de ovelhas, encontram-se falsos mestres. Examinemos suas obras e doutrinas, antes de seguirmos quaisquer de suas orientações.

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