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Considerações sobre Mediunidade curadoraGrupo Espírita Bezerra de Menezes Introdução:
A mediunidade curadora propriamente dita, segundo Allan Kardec, requer uma condição moral que dificilmente encontramos na Terra, pois trata-se de faculdade encontrada em almas de escol, que já se depuraram espiritualmente, sendo portadoras de fluido salutar que podem aliviar ou curar muitas doenças. Entretanto ele mesmo nos diz que qualquer pessoa pode desenvolver a faculdade curativa, mediante o exercício, se tiver dentro de si o sincero desejo de servir no campo do bem. Neste trabalho pretende-se entender melhor como se dá esta abençoada faculdade, compreender seus mecanismos e o que se pode fazer para se colocar à disposição dos bons Espíritos nesse campo. Longe de traçar metas ou dar a última palavra sobre o assunto, faremos um estudo baseado nas orientações de Allan Kardec, que se ocupou muito deste lado da mediunidade, por entender que se tratava de extraordinário meio de divulgação do Espiritismo. Havendo doentes do corpo e da alma por todo o planeta, é indiscutível que o homem buscará os meios de se livrar de seus sofrimentos, mesmo que isto contrarie seus supostos princípios filosóficos ou religiosos. Encontrando na Doutrina Espírita esse alívio e, certamente, a necessidade de modificar-se fazendo nascer daí um homem novo, rapidamente despertaria nele, e, por consequência, na humanidade, o sentido da existência de algo acima de suas limitadas potencialidades terrenas. Daí a grande importância de se entender como se dá o processo e de como se pode estabelecer as bases desse trabalho nas casas espíritas bem estruturadas, a fim de bem atender os irmãos necessitados também no campo da saúde física. No texto de Allan Kardec transcrito acima, falando de um dos muitos "milagres" de Jesus, o mestre francês nos dá em rápidas palavras o "caminho das pedras". Trata a questão como fenômeno natural, como de fato o é, nos reportando ao estudo e entendimento dos fluidos, ou energias, como explicação lógica e racional para todos os processos de cura, que aos nossos olhos de criaturas ainda presas à matéria, nos parece nebuloso e até mesmo sobrenatural. Certamente em um futuro próximo, a ciência encontrará esse elo entre o Espírito e a matéria e avançará muito no entendimento das enfermidades e em seu processo de cura. A seguir, trataremos do assunto "Curas espirituais", dentro do desenvolvimento de 15 itens encontrados na Revista Espírita, número de setembro de 1865. Desenvolvimento
Como se vê na instrução acima, existe uma grande diferença entre médiuns receitistas e médiuns curadores. Os primeiros exercem a mediunidade como escreventes, nada tendo do dom de curar ou aliviar as enfermidades, pois servem apenas de intermediários, embora tenham uma aptidão especial para esse tipo de comunicação. Mesmo que um médium receitista trabalhe com Espíritos que foram conhecidos médicos terrenos, ou que se identifiquem como médicos na Espiritualidade, não se trata de mediunidade curadora, pois ele apenas transcreve para o papel as instruções deste. Servem de instrumentos para que o Espírito que deseja servir nesse campo, possa realizar a sua obra. Bom lembrar que embora seja comum esse tipo de mediunidade, é necessário que se tenha cautela com a existência dos Espíritos embusteiros e charlatães. Importante ressaltar que mesmo sendo uma realidade a existência de médiuns receitistas, a prática de receituários nas casas espíritas, quer alopáticos, quer homeopáticos ou fitoterápicos, não são aconselháveis, pois em linhas gerais não se coadunam com a orientação kardequiana, que prescreve como terapêutica a fluidoterapia e a moralização do indivíduo. Além disso, é necessário considerar os aspectos legais de tais práticas, pois as leis humanas não aceitam a comunicabilidade dos Espíritos como um fenômeno verdadeiro. O espírita deve observar a legislação vigente.
Este é um ponto importante que precisa ser bem compreendido. Dentro do entendimento da ciência dos fluidos, compreendemos que podemos doar das energias que dispomos, vindas do magnetismo próprio que possuem todos os seres vivos. Algumas pessoas são possuidoras de magnetismo mais ou menos poderoso que pode ser utilizado no auxílio dos doentes. Sabe-se que o fluido magnético pode modificar o estado das substâncias, alterar o estado molecular dos corpos, imprimir qualidades aos líquidos orgânicos etc. Sabe-se também que a ação desse fluido depende de sua qualidade que por sua vez é conseqüência direta das qualidades espirituais e orgânicas de quem doa. Com isso, pode-se deduzir que se o magnetizador não for pessoa de boa índole, poderá causar prejuízos ao magnetizado, mesmo que tenha uma carga fluídica considerável. Levando-se em consideração que os seres encarnados neste planeta ainda são bastante ignorantes em relação às coisas do Espírito, por estarem muito presos à matéria e fora da compreensão da Verdade, podemos concluir que se não tivermos o concurso dos bons Espíritos, pouco poderemos produzir por nós mesmos.
Este é o princípio fundamental de todo o processo da cura. O fluido doado através do médium, vindo de duas fontes (humana e espiritual), deverá ser o mais depurado possível para exercer a influência benéfica a que se propõe. Sendo os fluidos espirituais mais puros e por isso mesmo com melhores propriedades, deduz-se que são os fluidos dos encarnados que necessitam de cuidados, pois estarão impregnados das qualidades físicas e morais que o magnetizador imprimirá a eles. Sendo o médium curador condutor dos fluidos vindos do mundo espiritual, poderá alterar esses fluidos se seu "vaso" não estiver suficientemente limpo. Raciocínio lógico uma vez que poderemos colocar a perder a essência curadora de um medicamento se não tivermos os cuidados próprios de conservação e higiene, se o colocarmos em frascos inadequados, sujos ou contaminados. Sua ação será fraca, inócua e por vezes até prejudicial, não deixando contudo de ser um medicamento. Por mais que tenhamos uma água cristalina e pura, se o meio de condução dela for um cano contaminado por impurezas ela entrará limpa, mas sairá na outra extremidade com as qualidades adquiridas em sua passagem pelo condutor impróprio. Daí a necessidade de todo o que se dispõe a se dedicar a esse tipo de mediunidade, trabalhar incessantemente pela sua depuração moral a fim de não alterar a qualidade dos fluidos dos Espíritos e melhor exercer a influência benéfica dos fluidos curadores sobre o organismo enfermo. Magnetizar alguém portanto não é procedimento tão inócuo assim, como se pode pensar quando se pratica a ação sem conhecimento de causa.
Allan Kardec nos instrui que é imprudência submeter-nos à ação magnética do primeiro desconhecido. As qualidades do fluido humano variam conforme as qualidades físicas e morais do indivíduo. O mesmo raciocínio se aplica aos Espíritos, que se for de uma ordem inferior, emprestará ao médium seus fluidos insalubres, causando prejuízos para a economia orgânica do paciente. Desde que o magnetizador não é apenas uma máquina de transmissão de fluidos, pois participa do processo curativo doando do seu próprio, e estando o resultado disto na razão direta do instrumento e do agente produtor, pode-se deduzir com facilidade que tolo seria quem se submetesse aos cuidados de qualquer pessoa ou trabalho, sem conhecer-lhe a idoneidade e seriedade. Como não se pode saber com segurança, na primeira experiência, sobre a credibilidade do serviço de que vamos utilizar, pode-se avaliar através dos resultados obtidos e pelos métodos utilizados, se racionais ou não. Se pelo fruto se conhece a árvore, certamente teremos um bom parâmetro de avaliação. Uma maneira simples de se certificar superficialmente se estamos em trabalho sério ou não, é observar a maneira como a casa conduz seu trabalho, se dentro de uma organização racional, ou se envolto em fantasias.
No caso da magnetização pura e simples, o magnetizador doa de seu próprio elemento vital, podendo fatigar-se, pois o fluido humano, sendo menos ativo, exige uma magnetização mais prolongada e continuada e, portanto, mais doação de energia. Certamente que levará à fadiga com facilidade se não houver descanso para refazimento das forças vitais. No caso da mediunidade curadora, os fluidos humanos associam-se aos fluidos espirituais para que se tenha um resultado satisfatório. Neste caso, a fadiga do médium é pouca, respeitando-se as estruturas e resistências orgânicas de cada um. Não se pode deduzir disso, entretanto, que se pode trabalhar continuamente sem descanso por se tratar de ajuda espiritual, pois seria um contra-senso não considerar a capacidade física do encarnado. Vale lembrar que o fluido humano sofre direta influência das condições de saúde do médium, não podendo este, portanto, ser portador de enfermidades, quaisquer que sejam elas. Incluindo aí o tabagismo e alcoolismo que emprestam ao corpo físico substâncias impuras e deletérias, impregnando evidentemente o fluido que vai ser doado. E além do aspecto do dano físico, não se pode esquecer do aspecto moral do viciado de qualquer natureza, que sem dúvida é condição indispensável para a mediunidade de cura.
Os Espíritos podem curar sem a intermediação de alguém, se for necessário. Sabendo-se que os fluidos dos Espíritos superiores são depurados e extremamente mais ativos e salutares que os dos encarnados, pode-se entender que é bem fácil para eles atender às necessidades das criaturas, evidentemente dentro de um plano traçado por Deus para seus filhos. Isto fundamenta os casos de tratamentos espirituais à distância, em que as equipes são solicitadas pelos trabalhos estruturados dessa forma, ao atendimento de pessoas necessitadas, dentro de uma norma preestabelecida pelo grupo de encarnados. Esses Espíritos visitam os doentes em hora determinada e aliviam ou curam muitos males, conforme nos fala a experiência de muitos grupos que trabalham nesse sentido. O descrédito de algumas pessoas em relação a esse tipo de assistência, se deve ao desconhecimento da dinâmica dos fluidos, da realidade do mundo espiritual e da grandeza da Criação. Permanecendo no estreito entendimento das coisas divinas, não podem admitir que algo exista sem que seus sentidos sejam impressionados, sem que a ciência oficial dê sua sanção. De um lado, a ignorância que oblitera a razão, de outro o orgulho que impede a busca do conhecimento maior. Felizmente, Deus não necessita que suas criaturas acreditem Nele para que Sua obra se concretize. Tendo pessoas de bem que possam se dispor a esse tipo de trabalho e que tenham as condições orgânicas, Ele envia os recursos espirituais necessários. Nos centros espíritas onde existe esse tipo de atendimento, a equipe marca data e hora para realizar a visita espiritual. No momento aprazado, os doentes permanecem em prece, colocando-se em condições psíquicas de serem auxiliados.
Pode-se deduzir desse texto a importância que tem a depuração espiritual do médium curador. De fato só a boa vontade não basta, pois carece ter condições de trabalhar em tão digna missão de alívio e curas de males. Tendo essa faculdade estreita relação com a modéstia, humildade, devotamento, altruísmo e abnegação, pode-se compreender a razão pela qual ela não é comum em nosso meio cheio de imperfeições. Isso, porém não deve desanimar aqueles que tem em seu coração o desejo de servir nessa área. Pelo contrário, deve servir de estímulo para o crescimento interior, já que a prática se alia a uma constante avaliação de si mesmo. Podemos auxiliar os Espíritos nesse mister se nos propusermos a servir com dedicação e sinceridade aos propósitos nobres do amor ao próximo. O orgulho e o egoísmo, sendo as molas mestras de todo o processo de atraso do ser, devem ser extirpados gradativamente, através de exame sincero de si mesmo.
A mediunidade curadora é, por assim dizer, uma bênção e um favor do Alto para seus filhos, utilizando da ação benfazeja dos fluidos emanados do médium, que por sua vez, precisa ser dotado de qualidades específicas, tanto no aspecto físico quanto, e principalmente, no aspecto espiritual. Se depende do médium ser assistido ou não por bons Espíritos, só a ignorância poderia justificar alguém que tenha o Dom, não buscar as condições de melhoria íntima para que tal se dê. Os fluidos vindos dos Espíritos superiores tem a capacidade de qualificar, direcionar e aumentar os fluidos dos encarnados, razão pela qual a atitude do médium deve ser a de trabalhar incessantemente pela sua melhoria a fim de merecer a atenção e ajuda desses missionários do Além. Essa é a única maneira de se obter a companhia deles. Não há outra.
Ao contrário do que se pensa, mesmo aqueles que têm o dom natural da mediunidade curadora, não poderão exercê-la plenamente sem a ação dos bons Espíritos. Como a esses é dado escolher com quem querem trabalhar, buscarão os que possuem de fato o verdadeiro sentimento de amor ao próximo, vasculhando as reais pretensões de cada um. Embora seja um dom natural, um fluido específico de cura, não há como se saber que se o tem, se não for pela experimentação. Os resultados do trabalho dirão se aquele médium é portador do dom de curar. Sempre bom lembrar que a presunção de ter o dom, quase sempre funciona como um antídoto para ele.
Sabe-se que o fluido espiritual é uma das variações do fluido cósmico universal. É a atmosfera dos seres espirituais, estando pois impregnada das qualidades boas ou más dos pensamentos que são emitidos. Sabe-se também que os fluidos são o veículo do pensamento e que a vontade é atributo do Espírito. Pela vontade, o Espírito pode agir sobre a matéria através da emissão fluídica provocada pelo pensamento, operando certas transformações moleculares na matéria. No caso das curas, trata-se de substituir uma molécula doente por outra sadia. Portanto, a potência curadora depende tanto da qualidade da substância doada quanto da energia que se imprime a ela pela vontade. O Espírito, encarnado ou desencarnado, é o agente dessa vontade. Se for impelido pelo ardente desejo de ajudar o próximo, e imprimir nisso uma vontade enérgica, a emissão fluídica será mais abundante. Da mesma forma, mesmo seja o médium portador do fluido curador, nada poderá fazer se não tiver firme. Seus pensamentos não têm o influxo fluídico necessário para imprimir no corpo perispiritual as modificações necessárias.
Entendendo que os fluidos transportam o pensamento do Espírito, não é difícil entender a importância da prece nos fenômenos de cura. A mulher curada por Jesus de uma hemorragia, recebeu o benefício sem qualquer ação consciente do Mestre, apenas pela fé que tinha Nele, o que funcionou como uma força de atração da corrente magnética potencialmente curadora que tinha Jesus. A prece, sendo uma evocação, é essa força atrativa de pensamento e se for sincera, fervorosa e sem segundas intenções, atrai para junto de nós os bons Espíritos, que nos fortalecem, aumentam e qualificam os nossos fluidos. Funciona como uma magnetização, pois emite igualmente uma corrente fluídica sobre o indivíduo. Compreende-se, então, a importância que é o hábito da prece em todos os procedimentos de cura que forem realizados. Através dela os Espíritos superiores nos atendem dependendo do merecimento e do grau de moralidade de cada um.
Quem pode ser médium curador? Quem tem o dom. E o que é o dom? É um fluido magnético específico para agir no campo da matéria, que algumas pessoas possuem, mesmo sem o saber. E quem pode curar? O médium que fundamenta suas ações na humildade, na dedicação e no amor ao próximo e, principalmente na submissão à vontade de Deus. A estes aliam-se os Espíritos superiores que trabalham neste campo de alívio dos sofrimentos humanos. E como saber quem tem o dom? A única maneira é realizando a experiência nas pessoas de bem, a menos que ela se manifeste espontaneamente, o que é raro. Porém, diz Kardec que qualquer um que trouxer a fé, o fervor, a vontade e a confiança em Deus pode suavizar os sofrimentos ou mesmo os curar, pois a todos é dada a oportunidade de fazer o bem, não pela condição individual do ser encarnado neste planeta, mas por misericórdia divina, para seu adiantamento espiritual.
A mediunidade curadora não se opera exclusivamente conforme a vontade do médium, pois depende da afinidade fluídica existente entre o fluido do médium, do doente e do Espírito que está realizando o trabalho de cura e, acima de tudo, da permissão de Deus. A faculdade desses indivíduos apresentam graus variados de energia, conforme sua aptidão pessoal e a natureza dos Espíritos pelos quais são assistidos. Compreendendo-se a ciência dos fluidos, pode-se entender a grande importância das afinidades fluídicas em todos os fenômenos da mediunidade. Algumas pessoas são bons condutores do fluido espiritual e outras não o são. A mediunidade curadora está fundamentada na ação fluídica de um indivíduo sobre outro, podendo esta ser mais ou menos instantânea, dependendo de vários fatores. Algumas pessoas conseguem curar mesmo acidentalmente algumas vezes, e para determinado caso. Outros curam determinadas doenças e não curam outras. Outros beneficiam alguns tipos de enfermidades, mas poderão nada fazer em outro indivíduo com a mesma enfermidade. Há que se considerar que o fluido próprio de certas doenças pode ser refratário ao fluido do médium, não havendo aí afinidade fluídica, condição fundamental para que se opere o benefício. Por isso os verdadeiros médiuns curadores não prometem curas, pois sabe que não depende dele a realização da obra e sim da vontade de Deus. Além do mais as doenças tem causas diversas, não havendo portanto um fluido curador universal que atendesse a todas as inúmeras doenças existentes no planeta. Conclui-se, pois que não há médiuns curadores universais.
Aqui Allan Kardec não deixa dúvidas quanto à nobreza e superioridade da tarefa cumprida pela mediunidade de cura, pois afirma peremptoriamente que a faculdade se desenvolve pelo exercício do amor ao próximo. Segue daí que uma pessoa que se dedica a trabalhar no campo do Bem, em auxílio a seus semelhantes, pode ser experimentado nessa atividade, pois pode ser que tenha o germe de sua potencialidade em estado latente, que crescerá à medida que for desenvolvendo o trabalho. Por outro lado, as pessoas que têm o dom, ainda que exuberante, da mediunidade curadora podem perdê-la se não se fizer digno da tarefa. Por essa razão, alguns médiuns perdem sua faculdade quando atribuem a si todo o mérito e faz disso um móvel para satisfação de sua vaidade. Portanto, como todo gênero de mediunidade, esta também requer um preparo do médium no campo da moralização a fim de que possa ser utilizada proveitosamente. Embora seja uma aptidão pessoal do médium, os resultados dela independem de sua vontade, uma vez que ele será intermediário de um fluido mais purificado que na verdade é o que vai agir sobre as células doentes. Se não tiver as condições morais necessárias será um condutor deficiente, além de não contribuir com seu próprio fluido para o bom desfecho da missão.
Para que se promova a cura através da mediunidade curadora, existem três fatores os quais devemos compreender, ou pelo menos crer: a existência do mundo espiritual, a manipulação dos fluidos pelos Espíritos, e um fluido especial existente no encarnado. O processo da transmissão dos fluidos curadores se dá de Espírito a Espírito, melhor dizendo de perispírito a perispírito e deste ao corpo carnal. Ora, as pessoas descrentes dessas realidades não poderão se colocar em condições de receber ajuda oferecida, pois a afinidade fluídica é quase nula, o que impossibilita a ação, pois sua descrença funciona como uma força repulsiva, conforme nos ensina Kardec. Além do mais, dentro de sua suposta sabedoria, creditam tudo ao fanatismo religioso, não se dando ao trabalho de examinar a questão sob a ótica da razão. Todos esses fenômenos são procedimentos naturais, decorrentes das próprias forças da Criação, que a ignorância chamou (e ainda chama) de milagre, mas que a Doutrina Espírita veio explicar ponto a ponto. Mediunidade curadora, pois, praticada de maneira racional, só se pode conseguir com as orientações do Espiritismo. ConclusãoO objetivo do trabalho de atendimento a enfermidades físicas é curar quando possível, aliviar muitas vezes e confortar sempre. Há que se considerar que não havendo médiuns curadores universais, não haverá também possibilidade de tudo ser resolvido por este meio. Isso seria derrogar os esforços do homem diante da ciência médica, desvendando as causas e tratamentos de moléstias do corpo que são verdadeiros flagelos humanos. Entretanto as curas espirituais são uma realidade e seria muito proveitoso para todos se a medicina terrena aliasse seus conhecimentos ao estudo dos fenômenos magnéticos ou fluídicos, pois entraria em um campo de investigação excepcional, com evidentes progressos para a Ciência oficial. Assim não se dá por se tratar de atividade que ainda se liga ao fanatismo religioso, o que afasta as pessoas, que se julgam cultas e sábias do que acham ser improvável por ser impalpável ou intangível. Se elas se dessem ao trabalho de analisar antes de rotular, veriam que todas as explicações estão nas leis naturais e nada se dá fora dela. Na verdade, a doença, com sua diversidade de causas, é apenas o efeito de uma desorganização perispiritual, com repercussão orgânica. No conhecimento das causas reside a escolha da terapêutica adequada. O móvel de tudo, entretanto é a situação evolutiva da criatura que ainda necessita de corrigendas determinadas pela Lei Divina. Daí a importância de se instruir o paciente para a reformulação de hábitos e princípios morais, desde que todos os males são decorrentes da imperfeição humana. Dentro da diversidade das causas das doenças pode-se citar aqui um trecho bastante esclarecedor, dos estudos de Allan Kardec:
Entende-se, portanto, o mecanismo das curas instantâneas e a razão pela qual ela não se dá com freqüência. Evidente que entre esses dois tipos de causas de doenças, há uma imensidão de variações em que as duas causas se interpenetram em diferentes situações, o que é mais freqüente encontrar. Sendo o fluido curador um verdadeiro agente terapêutico e dependente das qualidades físicas e morais do portador, deduz-se que existem inúmeras qualidades de fluidos, como são inumeráveis as características de cada um. Compreendendo, através dos estudos realizados por Allan Kardec, que para que se efetue a cura é necessário que haja "adequação das qualidades do fluido à natureza e à causa do mal", pode-se concluir que tudo se dá obedecendo a princípios básicos das leis naturais, incluindo aí a lei de causa e efeito, não havendo nenhum milagre ou fato sobrenatural. Esperamos, com este despretensioso estudo, colaborar para que as casas espíritas se coloquem em condições de atender neste campo de ação, por entendermos ser obrigação de todo cristão tentar aliviar a dor dos seus semelhantes. Nada mais sublime do que associar a esta vontade a ação dos Espíritos que trabalham em nome do Bem, aguardando com fé, perseverança, devotamento, humildade e abnegação que a obra seja realizada. |
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