Por que Allan Kardec?
Silvio Seno Chibeni
Dogmatismo? Tradicionalismo? Fanatismo? Visão estreita?
Vejamos:
- A obra de Allan Kardec, quando analisada internamente, revela uma
solidez lógica, uma racionalidade, uma limpidez argumentativa, uma
coerência de fazerem inveja aos mais conceituados tratados filosóficos que a
Humanidade possui;
- Allan Kardec revelou, em tudo o que fez, uma prudência, um equilíbrio, uma
sobriedade, um espírito positivo e despreconcebido, um bom senso,
enfim, que singularizam sua figura entre todos os expoentes da cultura humana;
- A obra de Allan Kardec, contrariamente ao que em geral acontece com outras
que abordam os mesmos assuntos, está firme e amplamente baseada em fatos,
cuidadosa e minuciosamente examinados à luz dos referidos critérios racionais;
não surgiu entre as quatro paredes de um gabinete, mas de uma extensa
convergência de informações;
- Allan Kardec era possuidor de uma vasta erudição, transitando
inteiramente à vontade pelos mais variados campos do saber – das ciências às
artes, das filosofias às religiões – o que lhe permitiu trazer ao seu domínio
de estudo os mais relevantes problemas que interessam ao homem, dentro de uma
visão abarcante e integrada da realidade;
- A obra de Allan Kardec apresenta-se dentro de padrões de clareza e
objetividade tais, que não deixa nenhuma margem a ambigüidades e
mal-entendidos, especialmente quanto aos pontos fundamentais;
- Allan Kardec soube ser impessoal, separando com rigor suas opiniões
pessoais e peculiaridades de sua vida privada do conhecimento doutrinário, que
é independente e objetivo; jamais pretendeu a posse exclusiva e completa da
verdade, nunca recusou um princípio pelo só fato de ter sido descoberto ou
proposto por outrem, nunca hesitou em abandonar uma idéia quando provada
errônea por argumentos insofismáveis;
- A obra de Allan Kardec é incomparavelmente abrangente, ocupando-se
desde os fatos mais palpáveis, destacadamente os relativos à sobrevivência do
ser, até as mais profundas investigações da ética, passando pelo exame lúcido
das grandes questões filosóficas que ao longo das eras têm desafiado o
raciocínio do homem;
- Allan Kardec tem sido confirmado, por fontes independentes e fidedignas,
como um grande emissário de Jesus, especialmente escolhido por Ele para
concretizar na Terra a Sua promessa do envio do Consolador,
[nota 1] que nada mais é do que o Espiritismo, que veio para
nos ensinar todas as coisas (o esclarecimento abundante que traz), para nos
fazer lembrar tudo o que Jesus nos disse (a sanção e explicação que ele nos dá
dos Evangelhos), e que estará sempre conosco (a perenidade do Espiritismo);
- A obra de Allan Kardec não é uma estrutura estática e fechada, mas sim
dinâmica e aberta a complementações futuras, incorporando a característica da
progressividade, essencial a todo sistema científico ou filosófico que
não pretenda ser sepultado pelas constantes e inevitáveis descobertas de fatos
novos e pela ampliação geral do conhecimento humano;
- Allan Kardec testemunhou em todos os atos de sua vida a sua
condição de Espírito de escol: jamais prejudicou a alguém; só com o bem
retribuiu as ingratidões, ofensas e calúnias com que em vão tentaram
embaraçar-lhe os passos; doou-se por completo à grande obra de educação dos
homens que é o Espiritismo: a ela sacrificou o conforto, o repouso, os bens
materiais, a saúde e até a própria vida.
Estudemos com seriedade essa obra. Conheçamos de perto esse autor.
[nota 2]
Depois, comparemo-los à obras e autores que os pretendam superar. Quais se
poderão gloriar de fazer-lhes frente em apenas algumas das dez características
enumeradas (para não dizer em todas)?
Retornemos, por fim, à questão: Por que Allan Kardec?
Talvez já não seja difícil respondê-la ...
[nota 3]
Notas:
1.Cf. Evangelho de João, cap. 14.[volta]
2. Para uma visão precisa, detalhada e completa da
personalidade de Allan Kardec, bem como das origens, dimensões e significado de
sua obra, consulte-se o livro Allan Kardec (3 vols.), de Zêus Wantuil e
Francisco Thiesen, editado pela Federação Espírita Brasileira em 1979/80.[volta]
3. Para uma exposição do caráter legitimamente científico (à
luz da moderna filosofia da ciência) do desenvolvimento de uma atividade de
pesquisa em torno de um núcleo de princípios básicos (como o Espiritismo o faz
em relação aos princípios fundamentais da obra de Allan Kardec), veja-se o
artigo "Espiritismo e ciência", em Reformador de maio de 1984. (Nota do
Autor em outubro de 1998: Para o mesmo tema, ver também os artigos "A excelência
metodológica do Espiritismo" e "O paradigma espírita", publicados na mesma
revista, números de novembro e dezembro de 1988 e junho de 1994,
respectivamente.) [volta]
Artigo publicado em Reformador, abril de 1986, pp. 102-3.
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