O Estudo Doutrinário e Seus Efeitos

Jornal Mundo Espírita - Junho de 2000

Podemos enumerar os efeitos do estudo doutrinário? Que tipo de conseqüências ele o estudo, traria para o espírita em particular e para as sociedades espíritas envolvidas com a preocupação de seriamente conhecer a Doutrina Espírita através do estudo? Apenas para efeito didático do presente trabalho, que pode receber acréscimos do leitor, enumeremos os principais efeitos do estudo doutrinário, considerando individualmente o espírita e também a Sociedade Espírita:

  1. Unidade de Princípios – Para ser entendida como a concordância advinda do estudo na mesma fonte. No caso, a Codificação Espírita. Natural que onde quer que se encontre um grupo ou pessoa que estude o Espiritismo, encontre-se a consciência dos princípios fundamentais, embora é claro respeite-se as diferenças de entendimento, pela questão da diversidade de maturidade e visão de conjunto. Porém, sem prejuízo do todo, há que se encontrar uma identidade ou semelhança de prática e estudo espírita;
  2. Prática Mediúnica – Com o estudo espírita, desaparecem os conceitos de privilégio, dispensa de estudo, misticismo ou endeusamento de médiuns. O estudo espírita faz entender os médiuns como criaturas normais, apenas dotadas da sensibilidade mediúnica. Convidando ao estudo permanente de seus postulados, o Espiritismo demonstra a todos (inclusive aos médiuns) a importância e necessidade do estudo, para evitar vaidades ou auto-endeusamento, bem como a formação de conceitos, de privilégios ou uso de recompensas. Para quem estuda a Mediunidade, haverá sempre a compreensão da contínua necessidade de estudar, e a absoluta derrocada para quaisquer tentativas de transformar a mediunidade em algo místico ou espetacular, para espetáculos públicos e sensacionalistas. Ao contrário, demonstra a responsabilidade da tarefa em benefício do semelhante;
  3. Compreensão do Evangelho – Com o estudo espírita, haveremos de compreender melhor os ensinos do Mestre, procurando aplicá-los na própria vida. Muitas passagens incompreendidas terão seu entendimento e aplicação facilitados, à luz da Doutrina Espírita. Entenderemos com mais facilidade o pensamento do Mestre;
  4. Reforma Íntima – A tão falada reforma íntima, tema de estudos e lições trazidas pelos espíritos, deixa de ser algo constrangedor ou como exigência de conquista do dia para a noite, para ser entendida como algo que conquistaremos gradativamente, através do esforço pessoal que a Doutrina vai aos poucos interiorizando nos corações. Aos poucos, pela própria absorção dos ensinamentos, nos tornaremos mais calmos, menos exigentes, mais ponderados...;
  5. Multiplicadores da Mensagem – Outro efeito extraordinário: Com o bem que a Doutrina proporciona a quem a estuda, surgirá naturalmente um desejo de fomentar a divulgação, daí advindo o surgimento de multiplicadores da mensagem, com o esforço pela escrita, oratória e outras iniciativas de divulgação. Lembrando, porém, que um comentário bem fundamentado com um vizinho ou colega de trabalho torna-se também uma tarefa de divulgação. Daí a importância de estudar para conhecer e transmitir conceitos com fidelidade doutrinária;
  6. Crescimento Mental e Intelectual – Engana-se quem pensa que a Doutrina somente trata de espíritos. O estudo espírita proporciona amplo crescimento mental e intelectual, pois que tratando de todos os temas humanos, tem o mérito de fazer crescer a visão de mundo, com melhor compreensão dos fatos e acontecimentos que envolvem a vida humana;
  7. Caridade – Melhor entendimento do tema. Saberemos da amplitude desta questão, não nos prendendo à superficialidade da esmola, mas compreendendo-a em toda sua amplitude de convivência com fraternidade;
  8. Profilaxia – O estudo espírita é profilático, evita doenças. Isto pela própria mensagem de fé raciocinada que transmite, eliminando medos e preocupações descabidas, neuroses ou violências que minam as defesas orgânicas. Convidando à ação no bem, à permanente ocupação dos braços e da mente, cria defesas naturais contra a invasão de enfermidades provindas da mente vazia ou do estado doentio da falta de confiança em Deus ou da ausência da esperança construtiva;
  9. Adepto esclarecido – Neste ponto, vale destacar, a ação espírita propriamente dita, que está distante do misticismo ou das distorções provocadas pela ignorância dos verdadeiros princípios da Doutrina. Todas as distorções, os desvirtuamentos e práticas incoerentes e distantes da Doutrina, devem-se à ignorância de seus princípios. O estudo espírita forma o espírita consciente, o adepto esclarecido, do ponto de vista de prática. Isto sem falar na moral espírita, outro fator vital.

É importante destacar que em O Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu capítulo VI, item 5, no subtítulo Advento do Espírito de Verdade, este num convite/advertência, pondera: “Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro ensinamento, instruí-vos, eis o segundo.” Nesta análise da instrução, pois que o amai-vos abre outras perspectivas de análise, percebemos a importância de estudar e suas conseqüências, tanto em nível pessoal, como coletivo, nos grupos formados por espíritas. Em todos, o estudo produz seus sadios efeitos de fraternidade e trabalho consciente, ponderado, coerente. Nada de personalismos, de disputas medíocres ou melindres que colocam esforços a perder. Quando se estuda verdadeiramente, percebe-se os altos objetivos da Doutrina, procurando aplicá-los para progresso pessoal e de terceiros, inclusive da entidade a que nos vinculamos sem egoísmo, pois que entendemos que a Causa é maior que a Casa.

Na verdade, precisamos saber o que fazemos, como fazemos, para que fazemos. Isto indica coerência. E esta convida à superação dos obstáculos que tanto mal tem feito ao Movimento: desentendimentos internos, distância do Movimento, Casas isoladas, espíritas desunidos. Tudo isto é fruto da ausência de estudo.

Quando estudarmos, compreenderemos o quanto se pode realizar com a união. Saberemos que o estudo nos faz progredir e então já não leremos somente romances, mas estudaremos a Doutrina nas fontes cristalinas da Codificação.