Os Expoentes da Codificação
Benjamin Franklin
Jornal Mundo Espírita -
Novembro de 2000
Ele foi chamado por Mirabeau, o líder revolucionário francês, como o filósofo
que mais fez para estender os direitos do homem sobre toda a Terra.
Foi impressor e autor, filósofo e homem de estado, cientista e inventor. Em
suma, foi um dos homens mais importantes que o continente americano produziu. De
caráter simples, tinha uma personalidade agradável e um senso de humor
delicioso.
Quando jovem, tinha um físico de atleta, algo que não podemos verificar pois
os retratos conhecidos já o apresentam quando homem de estado. Seu olhar era
sereno , afetuoso, destacando-se seus grandes olhos cinzentos e uma boca grande,
com expressão de bom humor, no rosto amplo.
Benjamin Franklin nasceu em Bóston, em 1706, como o 15º filho entre 17, de um
pobre fabricante de velas. Freqüentou a escola pouco mais de um ano, pois cedo o
pai o pôs a trabalhar. Quase tudo o que sabia aprendeu à custa de esforço
próprio, por si mesmo: ciência, filosofia, línguas. Falava o latim, francês,
alemão, espanhol e italiano.
Aos 12 anos, já era aprendiz na oficina do irmão, que era impressor. Aos 17,
escrevia artigos anonimamente e os colocava, à noite, por baixo da porta para
que fossem publicados pelo irmão.Nesse mesmo ano, foi a Nova York e começou a
trabalhar numa editora. Depois, estabeleceu _ se por conta própria. Fundou um
jornal e uma revista.
Aos 42 anos, já conseguira juntar uma pequena fortuna. A partir daí, dedicou
outros 40 anos de sua vida a serviço da pátria. Foi designado para missões
diplomáticas , por duas vezes, na Inglaterra e uma na França.
Como político, foi o primeiro a pensar nos Estados Unidos como uma única
nação e inventou um sistema de governos estaduais unidos sob uma única
autoridade, 20 anos antes da guerra da Independência Americana.
Como cientista e inventor, foi o primeiro a identificar os pólos negativo e
positivo da eletricidade. A ele devemos as palavras e os conceitos de bateria,
carga elétrica, condensador e condutor. Inventou o pára-raios, uma mão mecânica
para levantar objetos situados em lugares altos e o tamborete de cozinha que se
transforma em escada.
Aos 78 anos de idade, inventou a bênção dos óculos bifocais. Como músico,
tocava harpa, violão e violino e escreveu sobre os problemas da composição
musical.
Foi o primeiro a estudar os efeitos da água sobre o casco de um navio durante
a navegação, convertendo-se no pai da hidrodinâmica. Também, foi o primeiro a
descobrir que o tecido escuro retém o calor. Os europeus levaram cem anos para
seguir seu conselho e levar roupa branca para os trópicos.
Organizou a Sociedade Filosófica Americana , a primeira associação científica
dos Estados Unidos. Criou a primeira corporação de polícia profissional e o
primeiro serviço de bombeiros voluntários. Também deu impulso à Sociedade
Abolicionista e, na qualidade de diretor-geral dos Correios, melhorou o serviço
nacional e internacional, com a Inglaterra.
Foi, possivelmente, o escritor mais popular no mundo de língua inglesa, com
sua Autobiografia, Édito do Rei da Prússia, Regras pelas quais um grande Império
pode se tornar pequeno, O almanaque do pobre Richard e um livro sobre os
fenômenos elétricos, que foi traduzido para vários idiomas.
Ele pregava a alegria do trabalho e praticava o que pregava. Tinha um cuidado
especial com as descobertas de outros, insistindo para que a autoria fosse
sempre atribuída aos autores corretos. Em muitas ocasiões, retirava seus
trabalhos se outro pesquisador tivesse descoberto alguma coisa parecida com
eles.
Acreditava que podia se melhorar o próprio caráter se a criatura se impusesse
uma disciplina firme. "É uma arte que tem de ser estudada, como a pintura e a
música", dizia.
Quando jovem, fez uma lista das qualidades dignas de se admirar e se propôs a
persegui-las: ia ser moderado no comer, evitaria a tagarelice, seria sistemático
nos negócios, terminaria qualquer tarefa que começasse, seria sincero, trataria
os outros com justiça, suportaria as injustiças com paciência, evitaria as
extravagâncias, não deixaria que as pequenas coisas o afetassem.
Organizou um pequeno livro para si, separando uma página para cada virtude, a
fim de dedicar uma semana de atenção a cada uma delas, de forma seqüencial.
Ao desencarnar, no ano de 1790, aos 84 anos, foi encontrado o epitáfio que
ele mesmo escrevera, para si, nos dias da mocidade: "O corpo de Benjamin
Franklin, impressor, como a capa de um livro velho ao qual tivessem arrancado as
páginas e tirado as letras e o ouro, jaz aqui, comida para os vermes. Mas o
trabalho não terá sido totalmente perdido; porque, segundo ele crê, aparecerá
mais uma vez, numa edição nova e mais perfeita, corrigida e aumentada por seu
Autor."
Para ele, dois anos antes, escrevera George Washington: "Se os desejos
unidos de um povo livre, apoiados pelas preces fervorosas de todos os amigos da
ciência e da humanidade, pudessem aliviar o corpo das dores e enfermidades, logo
ficaria bom. Se ser venerado por sua benevolência, admirado por seu talento,
estimado por seu patriotismo, amado por sua filantropia puder satisfazer a mente
humana, terá o agradável consolo de saber que não viveu em vão. O senhor será
recordado com respeito, veneração e afeto por este seu sincero amigo e mais
obediente e seguro servidor."
Benjamin Franklin, entre outros espíritos , assina "Prolegômenos" em "O livro
dos espíritos", demonstrando fazer parte daqueles que se fizeram presentes ao
trabalho extraordinário da Codificação da Doutrina Espírita.
Fonte: Grandes vidas, grandes obras (Seleções do Reader's Digest) ,
1968.
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