Os Expoentes da Codificação
Erasto
Jornal Mundo Espírita -
Março de 2001
Com o respeitável nome de Erasto, cujas comunicações traziam sempre o "cunho
incontestável de profundeza e lógica", como disse o próprio Codificador,
encontramos duas personalidades, em momentos diferentes da História da
Humanidade.
A primeira, afirmativa do próprio Codificador, é de que ele seria discípulo
de Paulo de Tarso (O livro dos médiuns, cap. V, item 98). A afirmativa tem
procedência. Na segunda epístola a Timóteo, escrita quando prisioneiro em Roma,
relata o Apóstolo dos Gentios: "Erasto ficou em Corinto." ( IV,20)
Segundo consta na epístola aos Romanos, na saudação final, este mesmo Erasto
tinha cargo na cidade, pois se encontra no cap. 16, vers. 23: "Saúda-vos Erasto,
tesoureiro da cidade".
Em Atos dos Apóstolos (XIX,22) lemos que Paulo enviou à Macedônia "...dois
dos que lhe assistiam, Timóteo e Erasto..." , enquanto ele próprio, Paulo,
permaneceu na Ásia. Interessante observar a proximidade dos dois discípulos de
Paulo, pois em O Livro dos Médiuns, cap. XIX, encontramos longa mensagem
assinada por ambos, a respeito do papel do médium nas comunicações (item 225).
Juntos no século I da era cristã, juntos na tarefa da Codificação.
Ainda em O livro dos médiuns são de sua lavra os itens 98, cap. V, algumas
respostas a perguntas constantes no item 99, itens 196 e 197 do cap. XVI, itens
230 do cap. XX, onde se encontra a célebre frase: "Melhor é repelir dez verdades
do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea." Finalmente, na
comunicação de nº XXVII.
Em O Evangelho segundo o espiritismo, lê-se várias mensagens assinadas por
Erasto. A primeira se encontra no cap. I, item 11, a segunda no cap. XX, item 4
e se intitula: Missão dos espíritas, trazendo a assinatura de Erasto, anjo da
guarda do médium, aditando oportunamente o Codificador de que o médium seria o
sr. d'Ambel.
As demais compõem os itens 9 (Caracteres do verdadeiro profeta) e 10 (Os
falsos profetas da erraticidade), ambas datadas de 1862, sendo que na última é o
próprio espírito que se identifica como "discípulo de São Paulo", o que
igualmente faz no cap. I, item 11 de O evangelho segundo o espiritismo e cap.
XXXI, nº XXVII de O livro dos médiuns.
A outra referência a esse espírito se encontra na Revista Espírita, ano de
1869, da Edicel, no índice Biobibliográfico, onde é apresentado como tendo sido
Thomaz Liber, dito Erasto, médico, filósofo e teólogo alemão, nascido em 1524 e
morrido em 1583. Foi professor de Medicina em Heidelberg e de Moral, em
Basiléia.
No campo da Teologia, combateu o poder temporal da Igreja e se opôs à
disciplina calvinista e à ordem presbiteriana. Sua posição lhe valeu uma
excomunhão, sob suspeita de heresia, sendo reabilitado algum tempo depois.
Suas teorias tiveram muitos partidários, sobretudo na Inglaterra. Legou somas
consideráveis aos estudantes pobres, sendo especialmente respeitado por seus
gestos de benemerência.
De qualquer forma, o que resta incontestável, segundo Kardec, é que "...era
um Espírito superior, que se revelou mediante comunicações de ordem
elevadíssima..."(O livro dos médiuns, cap. XIX, item 225)
O que importa realmente é a tarefa desenvolvida à época de Paulo de Tarso e
ao tempo de Kardec, por um espírito.
Encarnado, o seu grande trabalho pela divulgação das idéias nascentes do
Cristianismo, em um ambiente quase sempre hostil. Desencarnado, ombreando com
tantas outras entidades espirituais, apresentando elucidações precisas em favor
da Codificação da Doutrina Espírita, respondendo a questões de vital importância
para uma também doutrina nascente, a Terceira Revelação, o Consolador prometido
por Jesus.
Fontes de consulta:
- Revista Reformador (FEB) de outubro 1993 - Um espírito chamado Erasto
- Atos dos Apóstolos, XIX, 22.
- Romanos,XVI,23.
- II Timóteo, IV, 20.
- Revista Espírita (Edicel) ano 1869 - Índice Biobibliográfico
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