Os Expoentes da Codificação
Emmanuel
Jornal Mundo Espírita -
Fevereiro de 2001
Emmanuel, exatamente assim, com dois "m" se encontra grafado o nome do
espírito, no original francês "L'évangile selon le spiritisme", em
mensagem datada de Paris, em 1861 e inserida no cap. XI, item 11 da citada obra,
intitulada "O egoísmo".
O nome ficou mais conhecido, entre os espíritas brasileiros, pela psicografia
do médium mineiro Francisco Cândido Xavier. Segundo ele, foi no ano de 1931 que,
pela primeira vez, numa das reuniões habituais do Centro Espírita, se fez
presente o bondoso espírito Emmanuel.
Descreve Chico: "Via-lhe os traços fisionômicos de homem idoso, sentindo
minha alma envolvida na suavidade de sua presença, mas o que mais me
impressionava era que a generosa entidade se fazia visível para mim, dentro de
reflexos luminosos que tinham a forma de uma cruz."
Convidado a se identificar, apresentou alguns traços de suas vidas
anteriores, dizendo-se ter sido senador romano, descendente da orgulhosa "gens
Cornelia" e, também sacerdote, tendo vivido inclusive no Brasil.
De 24 de outubro de 1938 a 9 de fevereiro de 1939, Emmanuel transmitiu ao
médium mineiro as suas impressões, dando-nos a conhecer o orgulhoso patrício
romano Públio Lentulus Cornelius, em vida pregressa Públio Lentulus Sura, e que
culminou no romance extraordinário : Há dois mil anos.
Públio é o homem orgulhoso, mas também nobre. Roma é o seu mundo e por ele
batalha. Não admite a corrupção, mostrando, desde então, o seu caráter íntegro.
Intransigente, sofre durante anos, a suspeita de ter sido traído pela esposa a
quem ama. Para ela, nos anos da mocidade, compusera os mais belos versos: "Alma
gêmea da minhalma/ Flor de luz da minha vida/ Sublime estrela caída/ Das belezas
da amplidão..." e, mais adiante: "És meu tesouro infinito/ Juro-te eterna
aliança/ Porque eu sou tua esperança/ Como és todo o meu amor!"
Tem a oportunidade de se encontrar pessoalmente com Jesus, mas entre a opção
de ser servo de Jesus ou servo do mundo, escolhe a segunda.
Não é por outro motivo que escreve, ao início da citada obra mediúnica:
"Para mim essas recordações têm sido muito suaves, mas também muito amargas.
Suaves pela rememoração das lembranças amigas, mas profundamente dolorosas,
considerando o meu coração empedernido, que não soube aproveitar o minuto
radioso que soara no relógio da minha vida de Espírita, há dois mil anos."
Desencarnou em Pompéia, no ano de 79, vítima das lavas do vulcão Vesúvio,
cego e já voltado aos princípios de Jesus.
Cincoenta anos depois, no ano de 131, ei-lo já de retorno ao palco do mundo.
Nascido em Éfeso, de origem judia, foi escravizado por ilustres romanos que o
conduziram ao antigo país de seus ascendentes. Nos seus 45 anos presumíveis,
Nestório mostra no porte israelita, um orgulho silencioso e inconformado.
Apartado do filho, que também fora escravizado, tornaria a encontrá-lo durante
uma pregação nas catacumbas onde ele, Nestório, tinha a responsabilidade da
palavra. Cristão desde os dias da infância, é preso e, após um período no
cárcere, por manter-se fiel a Jesus, é condenado à morte.
Junto com o filho, Ciro, e mais uma vintena de cristãos, num fim de tarde,
foi conduzido ao centro da arena do famoso circo romano, situado entre as
colinas do Célio e do Aventino, na capital do Império. Atado a um poste por
grossas cordas presas por elos de bronze, esquelético, munido somente de uma
tanga que lhe cobria a cintura, até os rins, teve o corpo varado por flechas
envenenadas. Com os demais, ante o martírio, canta, dirigindo os olhos para o
Céu e, no mundo espiritual, é recebido pelo seu amor, Lívia.
Pelo ano 217, peregrina na Terra outra vez. Moço, podemos encontrá-lo nas
vestes de Quinto Varro, patrício romano, apaixonado cultor dos ideais de
liberdade.
Afervorado a Jesus, sente confranger-lhe a alma a ignorância e a miséria com
que as classes privilegiadas de Roma mantinham a multidão.
O pensamento do Cristo, ele sente, paira acima da Terra e, por mais lute a
aristocracia romana, Varro não ignora que um mundo novo se formava sobre as
ruínas do velho.
Vítima de uma conspiração para matá-lo, durante uma viagem marítima, toma a
identidade de um velho pregador de Lyon, de nome Corvino. Transforma-se em Irmão
Corvino, o moço e se torna jardineiro. Condenado à decapitação, tem sua execução
sustada após o terceiro golpe, sendo-lhe concedida a morte lenta, no cárcere.
Onze anos após, renasce e toma o nome de Quinto Celso. Desde a meninice,
iniciado na arte da leitura, revela-se um prodígio de memória e discernimento.
Francamente cristão, sofreu o martírio no circo, amarrado a um poste untado
com substância resinosa ao qual é ateado fogo. Era um adolescente de mais ou
menos 14 anos.
Sua derradeira reencarnação se deu a 18 de outubro de 1517 em Sanfins,
Entre-Douro-e-Minho, em Portugal, com o nome de Manoel da Nóbrega, ao tempo do
reinado de D. Manoel I, o Venturoso.
Inteligência privilegiada, ingressou na Universidade de Salamanca, Espanha,
aos 17 anos. Aos 21, está na faculdade de Cânones da Universidade, onde
freqüenta as aulas de direito canônico e de filosofia, recebendo a láurea
doutoral em 14 de junho de 1541.
Vindo ao Brasil, foi ele quem estudou e escolheu o local para a fundação da
cidade de São Paulo, a 25 de janeiro de 1554. A data escolhida, tida como o dia
da Conversão do apóstolo Paulo, pretende-se seja uma homenagem do universitário
Manoel da Nóbrega ao universitário Paulo de Tarso .
O historiador paulista Tito Lívio Ferreira, encerra sua obra "Nóbrega e
Anchieta em São Paulo de Piratininga" descrevendo: "Padre Manoel da
Nóbrega fundara o Colégio do Rio de Janeiro. Dirige-o com o entusiasmo de
sempre. Aos 16 de outubro de 1570, visita amigos e principais moradores.
Despede-se de todos, porque está, informa, de partida para a sua Pátria. Os
amigos estranham-lhe os gestos. Perguntam-lhe para onde vai. Ele aponta para o
Céu.
No dia seguinte, já não se levanta. Recebe a Extrema Unção. Na manhã de 18 de
outubro de 1570, no próprio dia de seu aniversário, quando completava 53 anos,
com 21 anos ininterruptos de serviços ao Brasil, cujos alicerces construiu,
morre o fundador de São Paulo.
E as últimas palavras de Manoel da Nóbrega são: ` Eu vos dou graças, meu
Deus, Fortaleza minha, Refúgio meu, que marcastes de antemão este dia para a
minha morte, e me destes a perseverança na minha religião até esta hora.'
E morreu sem saber que havia sido nomeado, pela segunda vez, Provincial da
Companhia de Jesus no Brasil: a terra de sua vida, paixão e morte."
A título de curiosidade, encontramos registros que o deputado Freitas Nobre,
já desencarnado na atualidade, declarou, em programa televisivo da TV Tupi de
São Paulo), na noite de 27 para 28 de julho de 1971, que ao escrever um livro
sobre Anchieta, teve a oportunidade de encontrar e fotografar uma assinatura de
Manuel da Nóbrega, como E. Manuel.
Assim, o E inicial do nome do mentor de Francisco Cândido Xavier se deveria à
abreviatura de Ermano, o que, segundo ele, autorizaria a que o nome fosse
grafado Emanuel, um "m" somente e pronunciado com acentuação oxítona.
Fontes de consulta:
- Ave Cristo - Francisco Cândido Xavier/Emmanuel
- Cincoenta anos depois - Francisco Cândido Xavier/Emmanuel
- Entrevistas - Francisco Cândido Xavier/Emmanuel
- Há dois mil anos - Francisco Cândido Xavier/Emmanuel
- L'evangile selon le Spiritisme - Allan Kardec
- Revista Presença Espírita - jan/fev 1991- Curiosidades
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