Debate com o Pregador
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Estamos colocando à apreciação de nossos leitores um debate com um
protestante, que queria de todas as maneiras nos convencer que a reencarnação
não existe.
Elegemos a você, leitor, para ser o Juiz deste debate. Analise-o friamente,
sem qualquer espécie de preconceito religioso, e decida onde se encontra a
lógica.
Não vamos nos alongar mais, pois o debate já é por demais longo.
De: mm
To: pauloneto@redevisao.net
Sent: Tuesday, February 12, 2002 10:08
ESPIRITISMO X CRISTIANISMO
Caro Paulo Neto:
Depois de ler a tua página na Internet (www.redevisao.net/sedahome/crente2.htm),
tive a sensação de que as palavras de Jesus, a segunda revelação de Deus aos
homens segundo o espiritismo, assim como os profetas, estavam todos errados.
Toda a revelação estaria errada, Moisés errou, Jesus errou, os profetas erraram.
Sim, porque - segundo a Bíblia - Jesus é o Salvador prometido por Deus aos
homens. As profecias da vinda do Messias se cumpriram em Jesus. No entanto, o
Espiritismo desfaz isso, dizendo a salvação não vem mediante Cristo, mas por
mérito próprio.
Somos, eu os demais que creram em Cristo ao longo dos anos, o mais miseráveis
dos homens, pois cremos numa mentira. No entanto, os teus ataques à Bíblia nada
mais são do que um reforço à minha fé. Jesus disse aos saduceus: "Errais, não
conhecendo as Escritura, nem o poder de Deus. Porque na ressurreição nem casam
nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu." (Mateus
22:29-30). Ora, na ressurreição não voltaremos para o mesmo corpo, mas para um
novo corpo transformado, incorruptível (v. 1 Coríntios, a partir do vs. 12).
Daí, te digo, erras não conhecendo as escrituras. Jesus jamais suscitou dúvidas
à Bíblia. O espiritismo, no entanto, desfaz dela e, paradoxalmente, a utiliza
para a defesa da sua doutrina. Quanta incoerência! Se a Bíblia sofreu
alterações, os textos usados na defesa da mediunidade e da reencarnação também
poderão ter sofrido, daí tudo é duvidoso, nada é absoluto. Mas, certamente,
embora haja muitas aberrações, 99% dos textos bíblicos, comparados, possuem
semelhança na tradução. E não me venha citar textos da Bíblia católica (tu citas
pelo menos quatro traduções católicas); essa realmente não merecem confiança
(v., a propósito, o site:
www.zeuekela.hpg.ig.com.br/Paginas_Pessoais/1/interna_hpg3.html).
Não quero me delongar. Mas dou-te a conhecer o texto do Livro A REENCARNAÇÃO
À LUZ DA BÍBLIA que, embora sintético ao tratar de um assunto tão vasto, traz
provas irrefutáveis da inexistência da doutrina da reencarnação diante da
Bíblia.
Ah, só mais uma coisa: Se queres ver a alva, procure conhecer realmente a
Bíblia. Peça orientação ao Espírito Santo de Deus, sem preconceitos, busque a
Verdade e a Verdade te libertará. Mas abra o seu coração; de coração fechado,
jamais poderemos encontrar o Caminho: "Porque a palavra da cruz é loucura para
os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. (...) Mas nós
pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os
gregos. (...) Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a
fraqueza de Deus é mais forte do que os homens." (1 Coríntios 1:18, 23 e 25).
Cuide-se!
Jesus te ama e eu também.
Um forte abraço.
MM
Em 13 Feb 2002, Paulo da Silva Neto Sobrinho escreveu:
MM,
O que ainda não conseguiu entender é que para os Espíritas a "salvação"
provem de Jesus sim. Não como querem os teólogos dogmáticos, mas no sentido de
seguirmos os seus ensinamentos, já que é por aí que, segundo Jesus, seremos
julgados: "A cada um segundo suas obras".
Sobre a questão da ressurreição estamos anexando um texto sobre este assunto.
A questão da Bíblia é bem simples, pois apesar de nela ver algumas
revelações, não a temos revelada de capa a capa, já que não podemos admitir que
Deus tenha errado revelando coisas divergentes.
Veja o texto "A palavra de Deus na Bíblia".
Sugerimos o livro "Analisando as Traduções Bíblicas" do Dr. Severino
Celestino da Silva, Ed. Idéia, onde ele prova que as traduções das Bíblias em
português estão muito longe dos textos originais.
Por outro lado, não aceitamos nada que vá contradizer o que Jesus disse.
Muitos dos seus ensinamentos foram deturpados pelos homens que movidos por
interesses próprios desvirtuaram-nos com suas interpretações. Veja o texto: "O
Antigo Testamento foi revogado por Jesus?" e tire as suas conclusões.
E se formos perguntar aos católicos sobre a Bíblia, eles dirão exatamente
como você, ou seja, que a sua Bíblia é que não merece confiança.
O texto que nos enviou, não conseguimos abrir, pois se pede uma senha para
abri-lo.
Entretanto se você realmente quiser pesquisar sobre a Reencarnação é
necessário ver outras opiniões, principalmente dos que não estão compromissados
com sua própria religião. Assim, se me permite, sugiro a você os seguintes
livros:
1 - "Você já viveu antes", Dra. Edith Fiore, Ed. Nova Era/ Record;
2 - "Nós somos todos imortais", Patrick Drouot, Ed. Nova Era / Record;
3 - "Muitas vidas muitos mestres", Brian L. Weiss; Ed. Salamandra;
4 - "Reencarnação baseada nos fatos", Karl E. Muller, Edicel;
5 - "A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência", José Reis Chaves, Ed.
Martin Claret;
6 - "Reencarnação - O Elo perdido do Cristianismo", Elizabeth Clare Prophet,
Ed. Nova Era.
Podemos ainda acrescentar a essa lista o livro do pesquisador brasileiro Dr.
Hermani Guimarães Andrade, Casa Editora o Clarim.
E, finalmente, lhe recomendamos o livro "O Espiritismo e as Igrejas
Reformadas" do ex-pastor Jayme Andrade.
Queremos, antes de terminar, dizer-lhe que os textos que fizemos foram apenas
para defender a Doutrina Espírita dos ataques recebidos, que não entendemos
porque, já que não atacamos ninguém. Se você é feliz em sua religião, continue
assim meu caro, isso pouco importa, pois "Deus não faz acepção de pessoas",
assim o que estamos lhe enviando não tem sentido de convencê-lo ou convertê-lo.
Abraços
Paulo Neto
De: MM
Para: pauloneto@redevisao.net
Sent: Wednesday, February 13, 2002
Prezado Paulo:
Fiquei muito feliz em receber a sua mensagem/resposta. Estou enviando
novamente o livro A REENCARNAÇÃO À LUZ DA BÍBLIA, desta vez sem a senha.
Futuramente, pretendo enviar-te um pequeno comentário sobre alguns pontos
controvertido. No que diz respeito às Bíblias católicas, tu mesmo vistes os
erros nas traduções. Esses erros podem ser também verificados em algumas
traduções "evangélicas", pois baseiam-se no mesmo texto utilizado pelas Bíblias
católicas (textus criticus [acho que é assim que se escreve]).
Os eruditos da Bíblia reconhecem, quase que à unanimidade, que o chamado
textus receptus [acho que é assim que se escreve] é o mais aceitável. Já li
diversos livros espíritas. São fortes, convincentes, de bons argumentos, mas
nada encontrei que superasse a Bíblia (apesar de supostas contradições que
espero explicá-las para ti em breve). Não deixe de abrir o livro anexo [desta
vez sem senha]. Espero que ele possa te ajudar em alguma coisa.
Grato,
MM
Em 14 Feb 2002, Paulo da Silva Neto Sobrinho escreveu:
MM,
Como você pode ver em nosso e-mail anterior não nos restringimos a pesquisar
sobre o assunto reencarnação só na Bíblia. Lemos tudo que aparece. Recentemente,
algo foi mostrado na TV sobre o Delegado de Polícia de Curitiba, Dr. João
Alberto Fiorine, cuja especialidade é impressão digital. Segundo é aceito pelo
meio científico não há duas impressões digitais iguais, daí em nossa carteira de
identidade tê-la para nossa identificação. Ele apresentou um caso onde uma
criança diz ter sido seu avô, confrontado as duas impressões, a dele com a do
seu avô, verificou-se serem as mesmas. Como explicar isso sem a reencarnação?
Adquirimos uma fita de vídeo com a reportagem “Comunicação com os
recém-nascidos e sua influência na formação do homem”, do médico Dr. Ribamar
Tourinho (ribamartourinho@uol.com.br) de Teresina (PI). Em síntese ele tentou se
comunicar com bebês recém-nascidos, para saber se haveria algum tipo de
resposta, pois quando aplicava a regressão de memória em seus pacientes detectou
que muitos dos problemas atuais surgiram quando a pessoa ainda estava no útero
materno, como por exemplo, sentimento de rejeição. Assim resolveu conversar com
os bebês prematuros no hospital onde trabalhava. Após falar alguma coisa com o
bebê pedia para que se ele estivesse entendendo lhe desse um sinal levantando a
perna direita, ou braço esquerdo, ou abrir a mão (coisas deste gênero), e por
incrível que parece houve respostas positivas. A pergunta que poderemos fazer é:
como um bebê prematuro sabe o que é perna, braço, mão? De onde vem a noção de
direito e esquerdo? Não seria porque é um espírito reencarnado? Teria outra
explicação lógica para isso?
O pesquisador Ian Stevenson, possui inúmeros casos de crianças que lembraram
espontaneamente de uma encarnação anterior, comprovadas pelas informações
obtidas nos relatos e depois verificadas a sua veracidade.
O texto ainda não conseguimos abrir, quando tentamos abri-lo dá uma mensagem
"este programa executou uma operação ilegal e será fechado", assim gostaríamos
que você abrisse o texto em seu computador, salvasse no Word. Tentasse abrir
para ver se deu certo. Se sim, envie-nos este.
Abraços
Paulo Neto
De: MM
Para: pauloneto@redevisao.net
Sent: Wednesday, February 27, 2002
Prezado Paulo:
Perdoe-me não ter respondido antes.
Recomendo-te o livro Reencarnação ou Ressurreição?, de John Snyder, Edições
Vida Nova. Vejo que tens argumentos aparentemente fortes em favor da
reencarnação. Snyder, no seu livro acima, nos dá várias explicações possíveis
apresentadas pelos estudiosos desses fenômenos. Em Mateus 24:24 Jesus profetiza
a realização de prodígios nesses tempos finais. Em 2ª Tessalonicenses, somos
advertidos a respeito do surgimento do iníquo, "a esse cuja vinda é segundo a
eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com
todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da
verdade para se salvarem..." (vs. 8-12). Várias são as passagens da Bíblia nas
quais somos advertidos a respeito dos sinais dos tempos, quando Satanás se
revelará ao mundo e enganará a muitos.
Gostaria de saber que tu não serás mais um dos enganados (e esta enganação
haverá até entre pessoas que se dizem "crentes" ou salvas). Cuide para que não
venhas a perecer diante de uma doutrina de aparência boa e verdadeira (nem todo
aquele que diz: "Senhor, Senhor" entrará nos reinos do céu): "porque virá tempo
em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão
para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os
ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as
aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério" (2 Timóteo
4:3-5).
Pense bem: se Kardec tivesse razão sobre a reencarnação, Jesus não teria
ressuscitado; pelo contrário, vemos que na Bíblia há relatos verdadeiros (sobre
a ressurreição de Cristo) de homens que deram a sua vida pelo amor do evangelho
de Cristo. E se Cristo veio apenas pregar uma nova moral, e não morrer para
salvar os que haverão de ser salvos, então todas as profecias ao seu respeito
constantes da Bíblia nada valeriam; e nem a sua morte - predita anos antes -
teria sentido. De que valeria então o sangue dos mártires mortos por amor a
Jesus, se esse não ressuscitou? E se não há ressurreição, então foi falso os
ensinamentos de Jesus a esse respeito. Veja, a propósito, o que Paulo diz:
"Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por
nossos pecados, segundo as Escrituras, e que ressuscitou ao terceiro dia,
segundo as Escrituras. E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze. Depois
foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos... Depois foi visto por Tiago,
depois por todos os apóstolos. E por derradeiro de todos me apareceu também a
mim, como a um abortivo" (1 Coríntios 15:3-7).
Mais adiante ele acrescenta: "Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre
os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se
não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não
ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos
também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus,
que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os
mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não
ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis
nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se
esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.
Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos
que dormem. Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição
dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim
também todos serão vivificados em Cristo." (1 Coríntios 15:12-22).
E acrescenta mais: "Se, como homem combati em Éfeso contra as bestas, que me
aproveita isso, se os mortos não ressuscitam? Comamos e bebamos, que amanhã
morreremos. Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes.
(...) Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão?
Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer. E, quando
semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão, como de
trigo, ou de outra qualquer semente. (...) E há corpos celestes e corpos
terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres. (...)
Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção;
ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória.
Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural,
ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, também há corpo espiritual.
(...) Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos
seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última
trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e
nós seremos transformados." (1 Coríntios 15:32-33, 35-37, 40, 42-44, 51-52).
O fato de que Cristo ressuscitou foi testemunhado por tantos, que se tornou
incontroverso. No entanto, o Kardecismo ensina que o retorno da vida ao próprio
cadáver não é possível, pois a ciência assim demonstra. Ora, "aos homens é isso
impossível, mas a Deus tudo é possível" (Mateus 19:26) - Palavras de Jesus. Todo
aquele que não crê na ressurreição erra não conhecendo as Escritura, nem o poder
de Deus (Mateus 22: 29) - Palavras de Jesus. A ressurreição se dará em um novo
corpo, transformado e incorruptível.
Veja que, em Hebreus 9, a Bíblia demonstra que Jesus morreu somente uma vez,
um único sacrifício por todos; caso contrário, seria necessário que ele tivesse
sofrido [ou morrido] muitas vezes desde a fundação do mundo, o que jamais
ocorreu: "Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do
verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de
Deus; nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote
cada ano entra no santuário com sangue alheio; De outra maneira, necessário lhe
fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos
séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si
mesmo" (vs. 24-26). A expressão "De outra maneira, necessário lhe fora padecer
muitas vezes desde a fundação do mundo" está dizendo "Ora, neste caso, seria
necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo". Nos
livros de Romanos e 1 Pedro vemos que há uma confirmação desta afirmativa:
"Sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a
morte não mais tem domínio sobre ele. Pois quanto a ter morrido, de uma vez
morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus." (Romanos 6:9-10);
"Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos,
para levar-nos a Deus; mortificados, na verdade, na carne, mas vivificado pelo
Espírito" (1 Pedro 3:18).
Ainda em Hebreus 9, as Escrituras ensinam que, da mesma maneira como Jesus
veio ao mundo uma só vez, também ao homem está ordenado morrer uma única vez:
"E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,
assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos,
aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação". Portanto,
não há na Bíblia qualquer referência à reencarnação; antes, há expressa
referência à ressurreição: "E, se o Espírito daquele que dentre os mortos
ressuscitou a Jesus habita entre vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a
Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós
habita." (Romanos 8:11). Não entendo como é que uma pessoa possa trocar relatos
tão maravilhosos e coerentes como esses por uma nova "revelação" contrária aos
ensinamentos de Cristo e dos Apóstolos, os quais receberam diretamente de Jesus
os ensinos que hoje compõem o novo testamento.
Amigo Paulo: aceite a Cristo como único e suficiente Salvador e saias da
grande Babilônia para que a tua alma não venha a perecer junto com os que não o
querem aceitar: "E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu, caiu a
grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e covil de todo espírito
imundo, e esconderijo de toda ave imunda e odiável. Porque todas as nações
beberam do vinho da sua prostituição, e os reis da terra se prostituíram com
ela; e os mercadores com a abundância de suas delícias. E ouvi outra voz do céu,
que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados,
e para que não incorras nas suas pragas" (Apocalipse 18:2-4). Se tu és um dos
eleitos, SAI DELA, DA GRANDE BABILÔNIA E DA SUA PROSTITUIÇÃO.
Meu amigo Paulo: não sejas como as virgens loucas, que não estavam preparadas
para a chegada do esposo; mas sejas como a virgem prudente, que prepararam as
suas lâmpadas e não foram pegas de surpresa. Lembre-se: JESUS TE AMA MUITO. NÓS
TAMBÉM. POR ISSO QUEREMOS VER-TE ENTRE OS REMIDOS, SUBINDO TRIUNFANTES COM O SEU
SENHOR, JESUS DE NAZARÉ, O CRISTO DE DEUS.
Deus te abençoe!
Do amigo
MM
Em 27 Feb 2002, Paulo da Silva Neto Sobrinho escreveu:
Prezado MM,
A questão da reencarnação, mesmo que nada tivesse no Evangelho, para nós é
pura lógica. Sem ela não há como entender a Justiça Divina. Em nossos estudos
lemos muita coisa de vários autores que não eram espíritas nem fanáticos
religiosos que só enxergam o que querem. Acompanhamos algumas pesquisas
científicas na área. E não há como mudar de pensamento, pois tudo o que nos
apresentam contrário à reencarnação fere o princípio básico de justiça.
Veja bem, a teoria do inferno, de origem pagã acabou sendo incorporada ao
Cristianismo, é absurda, pois não há com conceber Deus colocando alguém para
pagar eternamente pelos erros cometidos numa existência aqui na Terra de no
máximo uns cem anos. Aos que não querem ver esta lógica, sinto muito mas não
podemos fazer nada. Na afirmativa de Jesus: "Se vós, então, que sois maus,
sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está nos
céus..." (Mt 7, 11), podemos ver um Deus de amor e de infinita misericórdia
(Parábola do Filho Pródigo). Ora, misericórdia infinita não se coaduna com
castigo eterno.
Recentemente lendo a Bíblia nos ocorreu um pensamento, por que será que Deus,
ao ditar os Dez Mandamentos, não disse também que se não os cumpríssemos iríamos
para o inferno ou um castigo eterno? Sabe por que? É porque ele não existe, isso
é pura invenção dos homens. Você poderá dizer que Jesus falou no inferno. Não
somos nós que iremos negar, só que, normalmente, é esquecido que inferno era
apenas uma figura de linguagem para demonstrar que os pecadores serão punidos, e
a palavra eterno, conforme já disse, anteriormente significava um tempo longo.
Em Mateus 5, 26: ..."de lá não sairás enquanto não pagares o último centavo", o
que equivale dizer que após pago sairemos de lá.
Jesus certa feita disse: "Porque o reino de Deus está dentro de vós" , via de
conseqüência o "inferno", também está dentro de nós. A Igreja Católica, ao que
parece, já anda dizendo a mesma coisa.
Você tenta sutilmente colocar a Doutrina Espírita como obra de Satanás. Não
há de ser nada, pois até Jesus foi chamado de príncipe dos demônios, quem dirá
nós.
Mas, veja bem, no tempo de Jesus os que mais lhe faziam oposição, eram
justamente os que tinham conhecimento religioso. Entretanto, agarrados demais à
lei Mosaica, não puderam sentir os ensinamentos de Jesus. Hoje a mesma coisa
acontece com o Espiritismo, que não veio senão explicar, sem dogmas e
preconceitos, os ensinamentos de Jesus, é atacado da mesma forma como fizeram ao
nosso Mestre. Se atacaram ao Mestre que dirá aos que se esforçam para seguí-lo.
Não estamos aqui para convencer ou converter ninguém, que cada um siga o
caminho que escolheu (ler Romanos 14, 22).
Quando do seu último e-mail, queremos fazer alguns reparos, pois o que você
coloca não condiz com o que dizemos.
Você diz: se Kardec tivesse razão sobre a reencarnação, Jesus não teria
ressuscitado... Gostaríamos que entendesse a nossa posição. Primeiro Jesus
encarnou aqui na Terra mas não reencarnou, por que já era um Espírito Puro, e
não estava sujeito ao ciclo da reencarnação. Nessa condição de Espírito Puro só
veio por abnegação e amor ao Pai.
A ressurreição existe sim. Só que para nós ela se dá em dois momentos. O
primeiro quando desencarnamos, o nosso Espírito, preste bem atenção, Espírito,
ressuscita no plano espiritual, com o seu corpo espiritual (o mesmo de que fala
Paulo) toda vez que passar pelo estágio da morte. A segunda, e definitiva, é a
ressurreição plena, quando o Espírito, por ter alcançado o ápice da evolução,
não necessita mais reencarnar.
A morte de Jesus não livra ninguém do pagamento dos seus erros, já que Ele
disse: "a cada um segundo suas obras”. A idéia de que o sangue de Cristo remiu
nosso pecado, voltamos a dizer, é a manutenção da idéia que tinham os hebreus
sobre os sacrifícios de expiação pelo pecado. Sacrificavam um touro ou um
cordeiro ou cabrito querendo com isso obter o perdão de Javé. Supunham que,
satisfeito com o cheiro de carne assada, pois não era mais que isso, Javé os
perdoariam dos seus pecados. Assim, essa idéia simplória foi transferida a
Jesus, que se transformou para alguns "no cordeiro de Deus que tira os pecados
do mundo".
Entretanto, não se aperceberam do ridículo dessa afirmativa, pois estaríamos
diante do seguinte absurdo: Jesus (=Deus) encarnando na Terra, morre na cruz, em
sacrifício a Deus (=Jesus), ou seja, Deus oferece a si mesmo para pagar os
nossos pecados. Sentimos muito, é difícil acreditar que ainda exista quem
acredite nesse absurdo teológico. A morte de Jesus foi por intransigência dos
sacerdotes de sua época, nada mais que isso.
A própria questão da divinização de Jesus é cópia da cultura religiosa dos
povos que dominaram os hebreus. Quem não acredita é só ler os livros de história
e verá.
Difícil ainda é para muitos compreenderem que a ciência é de Deus. Tudo o que
o homem descobre o desenvolve é porque Deus o permite : "Não se vendem dois
passarinhos por um centavo! Entretanto nenhum deles cai no chão sem permissão do
vosso Pai! Quanto a vós, até os cabelos de vossa cabeça estão contados!" (Mt 10,
29-30), ou seja, nada acontece sem a permissão e o conhecimento de Deus. Assim,
a ciência nunca conseguirá derrubar qualquer lei divina, mas lançará ao chão as
interpretações equivocadas que os homens dão a elas, isso não resta a menor
dúvida.
E, em nossa maneira de ver, existe uma coisa que é impossível a Deus. Sabe o
que é? É mudar algo que Ele tenha feito, pois isso equivaleria dizer que não
tenha feito com perfeição. Isso não quer dizer que não possa, poder Ele pode,
entretanto como Ele é imutável por natureza, isto se torna impossível. Sabemos
que isso é difícil de ser compreendido. Mas, se tivermos Deus como Senhor do
Universo, que é Infinito, e não o Senhor da Terra, como normalmente nos colocam
as religiões dogmáticas, fica fácil entender do que estamos falando.
A passagem de Hebreus 9, 27 é citada inúmeras vezes, como argumento contra a
reencarnação. Se o autor tivesse querendo dizer que temos uma só vida, por que
ele não disse assim: ao homem está determinado viver uma só vez? Se usam desta
passagem contra a reencarnação, nós poderemos usá-la contra a ressurreição. No
Novo Testamento é narrada a ressurreição da filha de Jairo, do filho da viúva de
Naim e de Lázaro. Se de fato houve essas ressurreições vale dizer que eles
morreram duas vezes, e aí como ficamos diante da afirmativa citada?
Ademais, o autor da passagem, não estava de forma alguma combatendo a
reencarnação, não é o contexto da narrativa. Mas, por outro lado, não deixa de
ser uma verdade, já que o corpo que possuímos em cada reencarnação realmente
morre somente uma vez.
Ao que parece existe uma diferença substancial entre o Espiritismo e outras
correntes religiosas. Nós queremos de qualquer forma realçar que o Espírito é
mais importante, assim é ele que ressuscita e também reencarna. Ao passo que
para os dogmáticos a importância é do corpo, é nele que esperam ressuscitar um
dia, o que fica incompatível com a reencarnação. Nós preferimos ficar com Jesus
que disse: "O espírito é que dá vida; a carne de nada serve" (Jo 6, 63).
Se você prefere ficar com o autor da passagem que diz: "ao homem está
destinado morrer uma só vez", nós preferimos ficar com Jesus que disse:
"Importa-vos nascer de novo".
Estaremos lançando brevemente o livro "A Bíblia à Moda da Casa" onde
provamos, categoricamente, que, apesar dela conter revelações Divinas, está
impregnada de erros, mitos, lendas, coisas impossíveis de acontecer. Estaremos
usando como argumento as próprias informações que os tradutores colocaram nela.
Assim, nós procuramos, na medida do possível, seguir somente os ensinamentos de
Jesus, tentando retirar deles as interpretações equivocadas e interesseiras de
alguns, de conveniência de outros e, principalmente, dos teólogos do passado que
não tinham as luzes do conhecimento que as pessoas dos dias atuais possuem.
E, para finalizar, não estamos querendo lhe convencer de nada, apenas estamos
expondo o que pensamos, respeitamos sua maneira de pensar, e isso não nos
incomoda de forma alguma, pois sabemos que apesar de muitos não gostarem "Deus
não faz acepção de pessoas", por isso todos nós um dia seremos salvos, temos a
eternidade para isso, iremos reencarnar quantas vezes se façam necessárias.
Sabemos que o caminho é longo, entretanto preferimos este ao do "fogo do
inferno".
No mais, gostaríamos que refletisse sobre estas passagens:
Mt 7, 1: "Não julgueis os outros, para não serdes julgados, porque com o
julgamento com que julgardes, sereis julgados, e com a medida que medirdes
sereis medidos".
Mc 9, 38-40: "João lhe disse: 'Mestre, vimos um fulano expulsando demônios em
teu nome. Queríamos impedi-lo, porque não nos seguia'. Mas Jesus disse: 'Não
deveis proibi-lo. Ninguém há que faça algum prodígio em meu nome e logo depois
possa falar mal de mim. Pois quem não está contra nós está a nosso favor".
Atos 5, 38: "Por isso, agora vos digo: não façais nada contra estes homens.
Deixai-os em paz. Porque, se este plano ou esta obra vem dos homens, fracassará
na certa. Mas, se vem de Deus, então nunca podereis destruí-la. Pois neste caso
estareis lutando contra Deus”.
Paz em Cristo!
Paulo Neto
De: MM
Para: pauloneto@redevisao.net
Sent: Monday, March 11, 2002
Prezado amigo Paulo:
No teu último e-mail, tu tentas demonstrar que a reencarnação é pura
lógica,questão de justiça. Eu perguntaria: Qual a justiça, a dos homens ou a de
Deus? A pergunta, logicamente, é para demonstrar que a tua idéia de justiça é
diferente do conceito de justiça para Deus, senão vejamos: "Porquanto, não
conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça,
não se sujeitaram à justiça de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para justiça
de todo aquele que crê" (Romanos 10:3-4). Podemos assim dizer, em resposta à sua
mensagem, que os espíritas sim "só enxergam o que querem".
Assim é com a "teoria do inferno" que tu dizes de origem pagã, foi ensinada
claramente por Jesus. Ai tu me dizes: "não há como conceber Deus colocando
alguém para pagar eternamente pelos erros cometidos numa existência aqui na
Terra de no máximo uns cem anos". Ora, suponhamos que eu queira te dar uma casa
nova ou um carro zero quilômetro, mas tu rejeitas a minha dádiva; Nada posso
fazer para te obrigar, pois essa foi a tua escolha. Deus dá ao homem diversas
oportunidades em uma única vida; mas se este não aceita e prefere viver a sua
vida de pecados, sem arrepender-se e nem aceitar a Cristo como seu Salvador, que
poderá Deus fazer? (a propósito, veja a parábola do rico e de Lázaro - Lucas
16:19-31). É o livre-arbítrio, o direito de escolha concedido ao homem.
Quanto ao texto de Mateus 7:11, nada há ali falando sobre o inferno. Jesus,
na verdade, está falando da oração, um momento de comunhão entre o homem e Deus.
E na parábola do filho pródigo, houve arrependimento oportuno e foi-lhe
concedido o perdão. O que Jesus quis dizer foi que, ainda que erremos, havendo
sincero arrependimento, haverá perdão, sem necessidade de reencarnações. Tanto é
que, ao malfeitor na cruz, Jesus disse "Em verdade te digo que hoje estarás
comigo no Paraíso" (v. Lucas 23:39-43). TEXTO SEM CONTEXTO É PRETEXTO PARA
HERESIAS.
Sabes por que Deus, ao ditar o Decálogo, não disse também que se não o
cumpríssemos iríamos para o inferno? Porque já estava implícito. Em toda a
Bíblia, vemos que Deus nos chama para a salvação, dando-nos a liberdade de
escolher entre céu e inferno, vida e morte, Jesus Cristo e Allan Kardec: "Os
céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a
vida e a morte, a benção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e
a tua descendência" (Deuteronômio 30:19); "Mas se o ímpio se converter de todos
os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e proceder com
retidão e justiça, certamente viverá; não morrerá. De todas as transgressões que
cometeu não haverá lembrança contra ele; pela justiça que praticou viverá.
Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor Deus; Não
desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva? Mas, desviando-se o
justo da sua justiça, e cometendo a iniqüidade, fazendo conforme todas as
abominações que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as justiças que tiver
feito não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu, e no seu
pecado com que pecou, neles morrerá".
Se o inferno for invenção, será invenção de Jesus e não dos homens. Jesus o
ensinou sim, e de forma clara (Mateus 5:22, 29 e 30, 10:28, 11:23, 16:18, 18:9,
23:15 e 33; Marcos 9:43, 45 e 47; Lucas 10:15, 12:5, 16:23; etc). A passagem
bíblica que diz "de lá não sairás enquanto não pagares o último centavo" não se
refere ao inferno, mas à prisão comum (veja o versículo anterior). O ensinamento
de Jesus é no sentido de que os que para lá [inferno] vão jamais sairão (Lucas
16:19-31; Apocalipse 20:10 e 15).
Outro equívoco na tua mensagem está em afirmar que Jesus disse que, assim
como o reino de Deus, o inferno também está dentro de nós. A propósito, convém
informar que a expressão "dentro em vós" pode tanto significar "dentro" como "no
vosso meio". O que Jesus quis dizer não foi que o reino de Deus estava dentro
dos fariseus incrédulos, mas sim que Sua pessoa e obra já atuava no meio deles
[nesse sentido, o inferno JÁ está no meio dos perdidos]. Tanto é que, já no
versículo 23, Ele diz que haveria tempo em que os discípulos desejariam ver um
dos dias do Filho do Homem e não veriam. Veja o texto completo para melhor
compreensão: "E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de
Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior.
Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre
vós. E disse aos discípulos: Dias virão em que desejareis ver um dos dias do
Filho do homem, e não vereis. E dir-vos-ão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali. Não
vades, nem os sigais; Porque, como o relâmpago ilumina desde uma extremidade
inferior do céu até à outra extremidade, assim será também o Filho do homem no
seu dia".
Quando Jesus diz que não virá o reino com aparência exterior, mas que "o
reino de Deus está entre vós", Ele deixa claro isso. Jesus estava no meio dos
fariseus, mas estes esperavam um rei sentado no trono de Davi. Esse foi o
contexto e essa foi a verdade. O que a mãe das heresias (a Igreja Católica) diz
pouco importa. O importante é a mensagem de Cristo ao seu povo.
Quanto à sua comparação do Espiritismo a Jesus (quando este foi chamado de
príncipe dos demônios), a diferença é que Jesus não ensinou nenhuma heresia e
nem levantou dúvida quanto a veracidade dos textos bíblicos. Veja, por exemplo,
a história do profeta Jonas (Jn, caps. 1 e 2), segundo a qual ele esteve no
ventre do peixe por três dias e três noites. Jesus confirma a veracidade da
mesma ao dizer: "Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém não se lhe dará
outro sinal senão o do profeta Jonas; pois, como Jonas esteve três dias e três
noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três
noites no seio da terra" (Mateus 12:39-40; v. tb. Mateus 16:4 e Lucas 11:29). Ao
comparar a história de Jonas com a sua morte e ressurreição, Jesus autentica-a,
ao mesmo tempo em que confirma a crença na ressurreição.
Talvez o amado amigo não creia no relato bíblico da história de Noé e do
dilúvio [vários espíritas suscitam dúvida dessa e de outras histórias da Bíblia
chamando-as de lenda], que destruiu a vida sobre a terra. Cristo tanto cria como
a confirmou em Mateus 24:38-39: "Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao
dilúvio, comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até ao dia em que
Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a
todos, assim será também a vinda do Filho do homem" (v. tb. Lucas 17:26-27).
Jesus também legitima a narrativa bíblica da criação, enquanto o Kardecismo
corrobora a falsa a teoria da evolução: "Não tendes lido que aquele que os fez
no princípio macho e fêmea os fez...?" (Mateus 19:4).
Jesus afirmou a solidez e a inspiração plenária da Bíblia. Em João 17:17,
orando ao Pai, Ele diz: "A tua palavra é a verdade" [cf. Salmo 119:160]. Quando
tentado, sempre usando a expressão "está escrito", Ele responde citando o texto
de Deuteronômio 8:3: "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que
sai da boca de Deus" (Mateus 4:4). Em Mateus 24:35 diz: "O céu e a terra
passarão, mas as minhas palavras não hão de passar". Ele sempre usou a Bíblia
para ensinar, redargüir ou instruir em justiça.
Aos Saduceus, os quais não criam na ressurreição, Jesus respondeu: "Errais,
não conhecendo as Escritura, nem o poder de Deus. Porque na ressurreição nem
casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu. E,
acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou,
dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus
não é Deus dos mortos, mas de vivos" (Mateus 22:23-33).
Na parábola do rico e de Lázaro (Lucas 16:19-31), Jesus mais uma vez
demonstra a sua convicção na Palavra ao narrar a resposta dada pelo pai Abraão
ao rico, quando este lhe pedira que enviasse Lázaro aos seus irmãos: "Disse-lhe
Abraão: Tem Moisés e os profetas; ouçam-nos". Aqui Moisés representa a lei ou o
Pentateuco (os cinco primeiro livros da Bíblia) e os Profetas as demais
revelações dadas por Deus na Bíblia. Jesus quis dizer que nenhuma outra forma de
revelação poderia ser apresentada aos homens [inclusive a mediúnica], pois já
lhes foi dada a verdadeira revelação - a Bíblia.
Não há registro de alguma palavra de Cristo levantando suspeita sobre
qualquer parte das Escrituras. Assim, tudo aquilo que suscite dúvida sobre a
Bíblia não provém de Deus e deve ser rejeitado pelo autêntico cristão: "À lei e
ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz
neles" (Isaias 8:20). Daí o erro de pensar que, se Jesus foi chamado de príncipe
dos demônios, é normal que chamem ao Espiritismo de obra de Satanás. Um e outro
falam línguas diferentes; Jesus ensinou coisa totalmente diferente do
Espiritismo.
Realmente, os que mais fizeram oposição a Jesus foram os que tinham
conhecimento religioso. Negaram a divindade de Cristo, assim como os espíritas
negam; negaram a ressurreição do corpo (Mateus 22:23-33), assim como os
espíritas negam; blasfemaram de Jesus tantas vezes, assim como o Espiritismo tem
blasfemado da sua morte expiatória, dos seus ensinamentos sobre morte, inferno,
condenação eterna... Os espíritas não se esforçam em seguir a Jesus, mas sim a
Kardec; caso contrário, não desfariam tantas coisas que o Mestre Jesus ensinou.
Tentar explicar os Seus ensinamentos não é desfazer deles. Pense bem.
Vejamos agora os "reparos" que tu fazes ao meu anterior e-mail. Quando eu
disse que Jesus havia ressuscitado, é porque realmente Ele ressuscitou. Jesus
encarnou aqui na Terra sim, mas realmente não reencarnou - não simplesmente
porque era um espírito puro, mas porque a reencarnação não existe. Veja que, em
Hebreus 9, a Bíblia demonstra que Jesus morreu somente uma vez, um único
sacrifício por todos; caso contrário, seria necessário que ele tivesse sofrido
[ou morrido] muitas vezes desde a fundação do mundo, o que jamais ocorreu:
"Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro,
porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem
também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano
entra no santuário com sangue alheio; De outra maneira, necessário lhe fora
padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos
séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si
mesmo" (vs. 24-26). A expressão "De outra maneira, necessário lhe fora padecer
muitas vezes desde a fundação do mundo" está dizendo "Ora, neste caso, seria
necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo".
Nos livros de Romanos e 1 Pedro vemos que há uma confirmação desta
afirmativa: "Sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já
não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois quanto a ter morrido, de
uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus." (Romanos
6:9-10); "Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos
injustos, para levar-nos a Deus; mortificados, na verdade, na carne, mas
vivificado pelo Espírito" (1 Pedro 3:18).
Ainda em Hebreus 9, as Escrituras ensinam que, da mesma maneira como Jesus
veio ao mundo uma só vez, também ao homem está ordenado morrer uma única vez:
"E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,
assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos,
aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação". Portanto,
não há na Bíblia qualquer referência à reencarnação; antes, há expressa
referência à ressurreição: "E, se o Espírito daquele que dentre os mortos
ressuscitou a Jesus habita entre vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a
Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós
habita." (Romanos 8:11). Tu tentas usar o texto acima contra a idéia da
ressurreição; ora, basta uma simples leitura do texto completo para ver que há
uma comparação entre a morte de Jesus (=evento único) com a morte do homem
(=evento único).
O autor do texto de Hebreus 9:27 não disse que ao homem está determinado
viver uma só vez porque isso implicaria em dizer que, com a morte do corpo,
morre também o espírito. Quanto ao morrer, não haverá outros eventos, exceto a
ressurreição. A idéia de que o corpo que possuímos em cada reencarnação morre
somente uma vez também não se encaixa no texto acima. Paulo sempre demonstrou
que, após a morte, vem a ressurreição do corpo (preste bem a atenção - DO CORPO
e não DO ESPÍRITO).
No e-mail passado eu te falei que o ponto central do Evangelho apostólico é
que Cristo morreu por nossos pecados: "Porque primeiramente vos entreguei o que
também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e
que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por
Cefas, e depois pelos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos
irmãos... Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. E por
derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo" (1 Coríntios
15:3-7).
O Apóstolo Paulo demonstra claramente que, se não há ressurreição, em vão se
faz a fé cristã: "Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como
dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há
ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não
ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos
também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus,
que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os
mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não
ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis
nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se
esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.
Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos
que dormem. Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição
dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim
também todos serão vivificados em Cristo." (1 Coríntios 15:12-22).
Mais adiante, o Apóstolo arremata: "Se, como homem combati em Éfeso contra as
bestas, que me aproveita isso, se os mortos não ressuscitam? Comamos e bebamos,
que amanhã morreremos. Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons
costumes. (...) Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo
virão? Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer. E,
quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão, como
de trigo, ou de outra qualquer semente. (...) E há corpos celestes e corpos
terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres. (...)
Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção;
ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória.
Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural,
ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, também há corpo espiritual.
(...) Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos
seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última
trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e
nós seremos transformados." (1 Coríntios 15:32-33, 35-37, 40, 42-44, 51-52).
Veja novamente o equívoco da tua interpretação. Paulo está dizendo, como
criam os judeus e cristãos, que o evento ressurreição será único, ante a última
trombeta. Essa estória de que a ressurreição será espiritual é mais uma
invenção. O corpo espiritual que Paulo se refere é um corpo semelhante ao de
Cristo após a Sua ressurreição.
A forma como tu usas o texto de Mateus 16:27 está igualmente amoldada à
doutrina espírita sem preocupação com a verdadeira mensagem ali exposta. Jesus
não coloca as obras como fonte de salvação. O que Ele está dizendo é que, quando
voltar nas nuvens com poder e grande glória [parte do texto que tu ocultas],
dará aos salvos conforme a obra de cada um. Os que recusarem a salvação, nada
receberão, pois somente ressuscitarão na segunda ressurreição, que é a
ressurreição para a morte, como veremos adiante.
As nossas obras, por si só (veja bem: "por si só"), de nada servem para a
nossa salvação. É o que se apregoa amplamente na Bíblia: "Sabendo que o homem
não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também
crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas
obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada"
(Gálatas 2:16); "[Deus], que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não
segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi
dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos" (2 Timóteo 1:9); "Porque pela
graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem
das obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9); "Mas se é por graça, já
não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas
obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra" (Romanos
11:6); "Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua
misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito
Santo" (Tito 3:5). Portanto, não somos salvos pelas obras, mas para as boas
obras.
Tu negas que a morte e ressurreição de Cristo remiram o pecador do seu
pecado. Mas isso serve de prova de que os espíritas não seguem a Cristo, pois
Ele mesmo se disse o Salvador. Para os que se perdem, realmente a idéia de um
Salvador pessoal é ilógica e absurda: "Porque a palavra da cruz é loucura para
os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. (...) Mas nós
pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os
gregos. (...) Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a
fraqueza de Deus é mais forte do que os homens." (1 Coríntios 1:18, 23 e 25).
Cuidado meu amigo Paulo, se tu realmente te esforças em seguir a Cristo,
siga-o plenamente, porque "...entre vós haverá também falsos doutores, que
introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os
resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição" (2 Pedro 2:1). Se tu amas
ao Cristo, ame-o incondicionalmente, sem procurar questioná-lo ou contestar o
plano de salvação de Deus através de Jesus. Nós não temos poder para isso: "Mas,
ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que
a formou: Por que me fizeste assim?" (Romanos 9:20) "Vós tudo perverteis, como
se o oleiro fosse igual ao barro, e a obra dissesse do seu artífice: Não me fez;
e o vaso formado dissesse do seu oleiro: Nada sabe" "Ai daquele que contende com
o seu Criador! O caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao
que o formou: Que fazes? Ou a tua obra: Não tens mãos?" (Isaías 29:16 e 45:9).
Se Deus assim o quis, assim foi e assim sempre será: "Lembrai-vos das coisas
passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro
semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as
coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei
toda a minha vontade." (Isaías 46:9-10). "Lembrai-vos perpetuamente da Sua
aliança e da palavra que prescreveu para mil gerações" (1 Crônicas 16:15).
Tu ainda dizes que a própria questão da divinização de Jesus é cópia da
cultura religiosa dos povos que dominaram os hebreus. Esse mais um erro que tu
apresentas. Pelo contrário, sabemos que Satanás sempre copiou ou forjou as
coisas de Deus para enganar os povos. Mas isso é outra história. Em toda a
Bíblia podemos ver que Jesus é Deus, senão vejamos: "Eu [Jesus] e o Pai somos
um" (João 10:30). Aqui o vocábulo grego "um" está no gênero neutro, que se
refere a uma única substância, e não no masculino [que significaria, então, "uma
só pessoa"]. A qualidade divina de Jesus resulta de dizer que o Filho é igual ao
Pai - da mesma maneira que um filho possui a qualidade humana do seu pai, assim
Jesus possui o atributo da divindade.
Em Colossenses 2:9, Paulo diz: "Porque nele habita corporalmente toda a
plenitude da divindade". Os termos "Pai" e "Filho" não está transmitindo, na
Bíblia, o nosso conceito de subordinação e superioridade, nem o de dependência
ou origem de existência (gr. teknos). As expressões, na verdade, transmitem o
conceito semítico e oriental de semelhança ou identidade de natureza e de
igualdade do ser (gr. huios). Os termos "Pai" e "Filho" são expressões judaicas
com esse último significado (semelhança ou identidade de natureza e de igualdade
do ser); por isso, o termo "Filho de Deus" está dizendo que Jesus é Deus Filho.
Daí porquê João declara: "O verbo era Deus" (João 1:1). Por isso o profeta
Isaías o chama de "Deus forte" (Isaías 9:6). Por isso também Tomé exclamou:
"Senhor meu e Deus meu!" (João 20:28). Jesus, na qualidade de Filho de Deus,
possui vários atributos divinos: Imutável (Hebreus 13:8), onipotente
(Colossenses 1:17; Mateus 28:18), eterno (Miquéias 5:2; Mateus 2:4-6; João 1:1,
2 e 14), Onipresente (Mateus 18:20; João 1:18, etc).
Cremos, portanto, com base nas Escrituras, que Jesus é a segunda pessoa da
Trindade, o Deus forte (Isaías 9:6), o Verbo [Deus] encarnado (João 1:1), o
Salvador (Atos 4:12), o Filho unigênito de Deus (João 3:16), o Todo-Poderoso
(Apocalipse 1:8), o Eterno (Apocalipse 22:13) e o Criador de todas as coisas
(João 1:3, 10).
Leia também os livros de história (e a própria Bíblia) e verás que também a
reencarnação é uma adaptação do paganismo, uma introdução fraudulenta de Kardec
ao cristianismo.
Bem, a ciência [no teu entendimento] é de Deus, porém a Bíblia não... Ora, a
falácia de que "tudo o que o homem descobre ou desenvolve é porque Deus permite"
deveria se encaixar em todas as coisas, inclusive na Bíblia [se Deus permitiu,
então é boa]. Deus permitiu que a ciência desenvolvesse armas e venenos para
matar a muitos - então isso é de Deus. A ciência sempre foi usada para
satisfação da ganância e interesses medíocres dos homens - então isso é de
Deus...
Ora, meu querido amigo, o texto de Mateus 10:29-30 é precedido de outro [v.
28], no qual Jesus adverte-nos para que temamos aquele [o Diabo] que pode fazer
perecer no inferno a alma e o corpo. Por que somente o texto seguinte
serviria-nos de lição? É certo que Deus a tudo vê e permite. Ele é onisciente,
onipotente e onipresente. Mas Deus também permite que os homens busquem a sua
própria corrupção e o erro.
A Bíblia leciona que Satanás usa de todo o poder, sinais e prodígios de
mentira, enganando a todos quantos não receberam o amor da verdade para se
salvarem: "E então será revelado o iníquo... a esse cuja vinda é segundo a
eficácia de Satanás, como todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com
todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da
verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para
que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade,
antes tiveram prazer na iniqüidade" (2ª Tessalonicenses 2:8-12).
Haverá muitas coisas que a ciência não poderá provar. Por exemplo, quem se
manifesta nos centros espíritas são espíritos dos mortos ou forças demoníacas? A
Bíblia nos responde dizendo que Satanás aparece aos homens como espírito de luz:
"E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz" (2
Coríntios 11:14). Em 1 Pedro 5:8 lemos: "Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo,
vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa
tragar". Saia do meio deles, meu amigo, para que não sejas cúmplice de Satanás
nessa mentira abominável.
Como vimos acima, o próprio Jesus nos adverte das astúcias de Satanás. A
ciência, pois, pode ser instrumento nas mãos de Satanás. Não dês tantos crédito
à ciência. A Bíblia ensina-nos que a sabedoria deste mundo é loucura diante de
Deus: "Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está
escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia" (1 Coríntios 3:19); Porque
a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais
forte do que os homens." (1 Coríntios 1:25). A ciência muda de opinião quase que
diariamente; Deus não!
Veja só, meu amigo Paulo, alguns anos atrás li na Revista Veja (salvo engano)
que a ciência tinha descoberto que toda a raça humana provém de um único casal,
mas que não eram o Adão e Eva da Bíblia. Os cientistas disseram que toda a raça
humana, no processo de "evolução", havia desaparecido (ou coisa parecida)
restando esse casal, o Adão e a Eva do evolucionismo. De certa forma, a ciência
vem a corroborar a Bíblia, mas busca rejeitá-la ou desacreditá-la. Outras
histórias da Bíblia são confirmadas pela ciência, mas pouco se fala sobre isso.
Mas, de todas as descobertas, as que mais nos alegra e nos faz manter firmes
na fé está na arqueologia. Sabemos hoje que existem mais de cinco mil documentos
do Novo Testamento e fragmentos deles, ultrapassando quaisquer outros do mundo
grego-romano. Isso significa dizer que o Novo Testamento é mais confiável que
qualquer outra fonte manuscrita de informações.
Muitos dos que fizeram uma jornada de investigação para desautorizar a Bíblia
acabaram defensores dos manuscritos. Assim foi com o estadista Gal. Lew Wallace
(escritor de Bem Hur) e com William Ramsay, um dos maiores arqueólogos da Ásia
Menor. Frederic Kenyon e W.F. Albright também foram firmes defensores da
confiabilidade essencial do N.T. "Acabaram-se os dias em que havia-se de 'provar
a Bíblia'.".
John Snyder assevera que, "enquanto há poucas gerações passadas era crença
geral que os documentos foram produções posteriores da igreja, geralmente
escritos em nome de algum apóstolo algum tempo após a sua morte, estudos
recentes dentro e fora da comunidade cristã apontam que o Novo Testamento foi
realmente completado antes da morte das testemunhas oculares originais"
(Reencarnação ou Ressurreição?, Edições Vida Nova, p. 64). Assim, a ciência pode
servir ao bem e ao mal, a Deus e a Satanás.
Não colocamos Deus como Senhor apenas da Terra.
O fato de que Lázaro, a filha de Jairo e outros hajam ressuscitado não
desautoriza a passagem de Hebreus 9:27. Pelo contrário, autentica a doutrina da
ressurreição, pois são provas evidentes do poder de Deus. Quando Jesus disse:
"Errais, não conhecendo as Escritura, nem o poder de Deus." (Mateus 22:29), Ele
deixa bem claro que o que aos homens é impossível a Deus é possível (Mateus
19:26). Jamais colocamos a importância no corpo; mas Deus não fez um dissociado
do outro.
Vejamos outro texto sem contexto: Em João 6:63, Jesus disse que o espírito é
o que vivifica, a carne para nada aproveita. Anteriormente, Jesus fala da
ressurreição do último dia (v. 44). Ressuscitará a carne, pois o espírito não
morre. Assim é que o espírito vivifica a carne. Ou seja, um não subsiste sem o
outro.
Nessa mesma passagem bíblica, Jesus ensina a doutrina da eleição (ninguém
pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer); após, Ele se declara o
único Salvador ao dizer: "aquele que crê em mim tem a vida eterna" (v. 47), e ao
acrescentar logo após: "eu sou o pão da vida" (48) [o que dele comer TEM A VIDA
ETERNA - v. 49]. Ora, se estes versos não te servem, muito menos o do versículo
63, pois nele Jesus ensina a ressurreição e a vida para os que a Ele aceita.
TEXTO SEM CONTEXTO É PRETEXTO PARA HERESIAS!
Tu dizes que prefere ficar com Jesus. Mas eu pergunto: qual Jesus? Pois o da
Bíblia, que disse: "importa-vos nascer de novo" (João 3:2-8), não professou em
qualquer momento a reencarnação. No texto citado, o Mestre ensina a Nicodemos
que ele deveria ter uma nova vida [mudança de hábitos] e não uma nova
reencarnação. Basta ver todo o contexto Bíblico para tirar essa verdadeira
conclusão.
Biblicamente, nascer de novo (=nascer do alto - grego Ánoothen) é abandonar
as velhas práticas pagãs e seguir a Cristo; é despir-se do velho homem, deixar
que morra e nasça dentro de si uma nova criatura. O novo nascimento é, pois,
espiritual, jamais físico ou reencarnacionista. Se uma pessoa nasceu apenas da
carne, ele é carne; mas se nasceu do Espírito, ou melhor, se teve um novo
nascimento em Cristo, ele é espírito, já não age pela carne: "Assim que, se
alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que
tudo se fez novo" (2 Coríntios 5:17); "E digo isto, e testifico no Senhor, para
que não andeis mais como andam também os gentios, na vaidade da sua mente. (...)
quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas
concupiscências do engano; E vos renovais no espírito da vossa mente; E vos
revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e
santidade" (Efésios 4:17 e 22-24); "Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão
nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura"
(Gálatas 6:15).
Quanto à essa regeneração, Tiago escreveu: "Segundo a sua vontade, ele nos
gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas
criaturas" (Tiago 1:18). E em 1 Pedro 1:23 ensina-se que fomos de novo gerados
[e não reencarnados] de semente incorruptível, pela palavra de Deus [reencarnar
significa pagar débito de vida anterior, o que seria uma semente corruptível]:
"Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela
palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre". Receber a Cristo como único
e suficiente Salvador é nascer de novo: "Mas, a todos quantos o receberam,
deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os
quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem,
mas de Deus" (João 1:12-13).
Outros textos bíblicos que falam sobre a transformação [e conseqüente
santificação] daqueles que recebem a Cristo: "Todo aquele que crê que Jesus é o
Cristo, é nascido de Deus. (...) Porque todo o que é nascido de Deus vence o
mundo; e esta é vitória que vence o mundo, a nossa fé." (1 João 5:1 e 4).
"Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é
nascido de Deus e conhece a Deus" (1 João 4:7). "Sabemos que todo aquele que é
nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o
maligno não lhe toca" (1 João 5:18). "Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo
aquele que pratica a justiça é nascido dele." (1 João 2:29). "E disse [Jesus]:
Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como
meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus" (Mateus 18:3). "Sepultados
com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o
ressuscitou dentre os mortos" (Colossenses 2:12). "Não mintais uns aos outros,
pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos, e vos vestistes do
novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou"
(Colossenses 3:9-10). "Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele
crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos
mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado. Ora, se
já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; Sabendo que, tendo
sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem
domínio sobre ele. Pois quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado;
mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos como mortos
para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos
6:6-11). "E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus
estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis" (Ezequiel 36:27).
Não se pode confundir regeneração, que é um novo nascimento moral e interior
[espiritual], com a reencarnação, que seria o retorno da alma a outro corpo. O
ensino de Jesus é no sentido de ser uma nova pessoa, transformada pelo poder de
Deus. Lembramos que, no momento em que falou a Nicodemos, Jesus havia expulsado
mercadores do templo, quando os judeus lhe perguntaram: "Que sinal nos mostras
para fazeres isto?" Jesus responde: "Derribai este templo, e em três dias o
levantarei" (João 2:18-19). Jesus falava do Seu corpo (v. 21), referindo-se à
sua ressurreição três dias após à sua morte (v.22), o que dá a certeza de que
Ele não se referia à reencarnação quando falou à Nicodemos.
Mais adiante (vs. 23-25), antes da conversa com Nicodemos, o Evangelista
testemunha a onisciência de Jesus: Ele não confiava nos que nEle creram vendo os
sinais que fazia, pois conhecia-os, sabia o que se passava em seus corações.
Nestes incluía-se Nicodemos, a quem Jesus ensinou o novo nascimento, ou seja, a
conversão do velho homem em um novo homem, regenerado pelo poder transformador
de Deus.
Dizes que estás lançando um livro para provar que a Bíblia está impregnada de
erros, mitos, lendas, coisas impossíveis de acontecer. Lembre-se: “o que aos
homens é impossível, a Deus é possível" (Mateus 19:26) - Palavras de Jesus.
Perderás tempo, enganando e sendo enganado. As mais inacreditáveis histórias da
Bíblia foram corroboradas por Jesus, "a segunda revelação". Acredite se quiser;
a escolha é tua. Nada disso servirá para desfazer desse Livro, o mais amado, o
mais lido e o mais atacado da face da Terra. "O céu e a terra passarão, mas as
minhas palavras não hão de passar" (Mateus 24:35). "Para sempre, ó Senhor, a tua
palavra permanece no céu"; "A tua palavra é a verdade desde o princípio..."
(Salmos 119:89 e 160). "Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso
Deus subsiste eternamente" (Isaías 40:8). "Sendo de novo gerados, não de semente
corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece
para sempre" (1 Pedro 1:23).
Certa feita alguém disse a uma jovem cristã: "como você pode acreditar que
uma baleia tenha engolido um homem. A ciência prova que a garganta da baleia é
menor que as medidas de um homem normal". A menina lhe respondeu: "se a Bíblia
dissesse que esse homem engolira uma baleia eu acreditaria, quanto mais o
contrário". A Bíblia não possui lendas. O homem, sim, é que é pequeno demais
para crer no poder de Deus. Portanto, interpretações equivocadas e interesseiras
são feitas pelos espíritas, que citam texto fora do contexto para tentar
justificar o seu erro.
Sim, amado amigo, Deus não faz acepção de pessoas. Assim sendo, tome a
decisão certa, pois o ensinamento de Cristo foi outro, diferente de Kardec e
seus apóstolos. Se preferes a salvação ao inferno, então esta é a sua
oportunidade. Pense bem: a salvação espírita independe de religião; por isso, se
escolheres a salvação através de Cristo, nada haverá de prejuízo para ti. Mas,
se as palavras que te digo forem a verdade (e são, com a garantia de Jesus),
então jogas fora uma boa oportunidade de abraçá-la. Cuide-se; pode não haver
outra ocasião.
Refleti sobre as passagens bíblicas citadas por ti no final e conclui:
escreverás um livro só para julgar e condenar a Bíblia que o próprio espiritismo
usa naquilo que lhe convém - não julgues para não sejas julgado; não condenes
para que não sejas condenado. Na passagem de Marcos 9:38-40 o fulano expulsava
DEMÔNIOS, reforçando a nossa tese de que os anjos caídos podem possuir o corpo
de uma pessoa, o que ocorre nas sessões mediúnicas.
Quanto ao conselho de Gamaliel, três observações: 1. ele se referia aos
apóstolos, os quais buscavam fazer realmente a vontade de Mestre e cumprir a
Bíblia (diferentemente dos espíritas) - Atos 5:29; 2. Eles (Apóstolos) criam no
Jesus ressurreto, o "remidor" dos pecados (vs. 30-31); 3. Quantas heresias foram
instaladas ao longo dos anos e que estão ai até hoje?
Prezado Paulo: O Evangelho anunciado pelos apóstolos não é segundo os
espíritos, mas segundo Jesus Cristo: "Mas faço-vos saber, irmãos, que o
evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o
recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo" (Gálatas
1:11-12). ACEITES O VERDADEIRO EVANGELHO E SEJA UM REMIDO, UM SALVO POR CRISTO.
Que Deus te abençoe!
MM
Em 30/03/2002, Paulo da Silva Neto Sobrinho, escreveu:
MM
Primeiramente queira nos desculpar por nosso texto ter ficado um pouco
extenso. É que nós dois não concentramos a nossa discussão num só tema, e por
isso as coisas seguiram por um caminho mais longo.
A questão que você coloca em dúvida quanto à reencarnação se ela é justiça de
Deus ou dos homens, poderemos afirmar-lhe que sem ela a Justiça Divina não tem
como ser aplicada. E quando falamos de Justiça Divina não é a que os teólogos
acham que é, mas uma justiça onde todos, repito, todos possuem os mesmos
direitos e deveres para com Deus. Mas para que fique bem claro é melhor definir
o que entendemos por Justiça Divina: equidade moral, imparcialidade no trato com
Suas criaturas.
Gostaríamos que você explicasse, utilizando argumentos lógicos e coerentes
com esse conceito de justiça, por que algumas pessoas nascem cegas, aleijadas,
pobres, miseráveis? Por que umas pessoas vivem muitos anos, outras morrem na
infância? Por que vemos pessoas más tendo longa vida e pessoas boas não? Por que
pessoas nascem gênios, outras não? Se fôssemos continuar com essa lista dos “por
quês” seria extensa, assim paremos por aqui.
Agora, a Justiça de Deus não é como querem alguns e nem a que algumas vezes
encontramos na Bíblia, já que este livro reflete muito mais o pensamento de seus
autores e dos que querem impor preceitos, a fim de dominar seus fiéis, chegando
inclusive a modificar os textos, adulterando-os, já que colocam neles algo que
nem existia na época em que foram escritos.
Nós Espíritas só enxergamos o que tem lógica, pouco nos importa se consta da
Bíblia ou não, já que até mesmo ela deverá passar pelo crivo: “julgai todas
as cousas, retende o que é bom” (1 Tes 5, 21).
Muitas pessoas nos dizem que somos incoerentes por citarmos textos bíblicos
para justificar nossos pensamentos. Não existe nenhuma incoerência nisso, pois
estamos “retendo o que é bom” e também preferimos utilizar a mesma fonte que
usam como sendo a pura verdade.
Conseguimos perceber qual é o nível de moralidade e evolução de uma pessoa
pelo vocabulário que ela usa. Palavreado de baixo calão, comparações ridículas,
tudo isso é próprio de seres de nível intelectual e moral atrasados, como por
exemplo, uma frase assim: “Lembrando o seu tempo de moça, quando se
prostituía e se entregava apaixonadamente a seus homens que têm pênis como de
jumentos e orgasmo como o de garanhões”. Só que infelizmente somos forçados
a dizer que, de acordo com o seu pensamento, essa frase foi inspirada por Deus,
já que consta da Bíblia. Quer a prova, é só você ler Ezequiel 23, 20, e
encontrará algo muito próximo disso.
Se fizermos algo que necessite de uma testemunha, devemos escolher uma que
possa ter plena condição de relatar fielmente aquilo que presenciou, isto é o
lógico e racional. Teria algum sentido alguém escolher uma pedra como
testemunha? Será que se convocada a dar o seu testemunho ela conseguirá falar?
Bom, sabe que este absurdo, tão ao pé da letra como muitos querem, consta da
Bíblia? Leia a passagem Josué 24, 27: “Eis que esta pedra nos será
testemunha, pois ouviu todas as palavras que o Senhor nos tem dito; portanto
será testemunha contra vós outros para que não mintais a vosso Deus”.
Tem mais, já que você sempre dá a entender a inerrância da Bíblia, nos
explique:
1- Você cumpre TODAS AS OUTRAS DETERMINAÇÕES constantes da Bíblia, sem
exceção de nenhuma? Como essas por exemplo:
Gen 17, 9-11: Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu e a
tua descendência no decurso das suas gerações. Esta é a minha aliança, que
guardareis entre mim e vós, e a tua descendência: todo macho entre vós serás
circuncidado. Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal
de aliança entre mim e vós.
Gen 17, 14: - O incircunciso, que não for circuncidado na
carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha
aliança.
Ex 20, 24: - Um altar de terra me farás, e sobre ele
sacrificarás os teus holocaustos, as tuas ofertas pacíficas, as tuas
ovelhas, e os teus bois; em todo o lugar onde eu fizer celebrar a memória do meu
nome, virei a ti, e te abençoarei.
Ex 21, 2: - Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá;
mas ao sétimo sairá forro, de graça.
Ex 21, 12: - Quem ferir a outro de modo que este morra,
também será morto.
Ex 21, 15: - Quem ferir a seu pai ou a sua mãe, será morto.
Ex 21, 17: - Quem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, será morto.
Ex 22, 2: - Se um ladrão for achado arrombando uma casa, e,
sendo ferido, morrer, quem o feriu não será culpado do sangue.
Ex 31, 14: - Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós
outros; aquele que o profanar morrerá; pois qualquer que nele fizer
alguma obra será eliminado do meio do seu povo.
Lev 11, 7-8: - Também o porco, porque tem unhas fendidas, e o casco
dividido, mas não rumina; este vos será imundo, da sua carne não comereis,
nem tocareis no seu cadáver; estes vos serão imundos.
Lev 11, 21-22: - Mas de todo o inseto que voa, que anda sobre
quatro pés, cujas pernas traseiras são mais compridas, para saltar com elas
sobre a terra, estes comereis. Deles comereis estes: a locusta
segundo a sua espécie, o gafanhoto devorador segundo a sua espécie, o
grilo segundo a sua espécie, e o gafanhoto segundo a sua espécie.
Lev 19, 26: - Não comereis cousa alguma com o sangue; não
agourareis nem adivinhareis.
Lev 19, 27: - Não cortareis o cabelo em redondo, nem
danificareis as extremidades da barba.
Lev 20, 9: - Se um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe,
será morto: amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue cairá sobre
ele.
Lev 20, 10: - Se um homem adulterar com a mulher do seu
próximo, será morto o adúltero e a adúltera.
Lev 20, 13: - Se também um homem se deitar com outro homem, como se
fosse mulher, ambos praticaram cousa abominável; serão mortos;
o seu sangue cairá sobre eles.
Lev 20, 18: - Se um homem se deitar com a mulher no tempo da
enfermidade dela, e lhe descobrir a nudez, descobrindo a sua fonte, e
ela descobrira a fonte do seu sangue, ambos serão eliminados do meio do seu
povo.
Lev 21, 9: - Se a filha dum sacerdote se desonra,
prostituindo-se, profana a seu pai: com fogo será queimada.
Lev 21, 17-20: - Fala a Arão, dizendo: Ninguém dos teus descendentes
nas suas gerações, em quem houver algum defeito, se chegará para
oferecer o pão do seu Deus Pois nenhum homem em quem houver defeito se
chegará: como homem cego, ou coxo, de rosto mutilado, ou desproporcionado, ou
homem que tiver o pé quebrado, ou a mão quebrada, ou corcovado, ou anão, ou que
tiver belida no olho, ou sarna, ou impigens, ou que tiver testículo quebrado.
Deut 21, 15-16: - Se um homem tiver duas mulheres, uma a
quem ama e outra a quem aborrece, e uma e outra lhe derem filhos, e o
primogênito for da aborrecida, no dia em que fizer herdar a seus filhos aquilo
que possuir, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao
filho da aborrecida, que é o primogênito.
Deut 21, 18-21: - Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde,
que não obedece à voz de seu pai e à de sua mãe, e, ainda castigado, não lhes dá
ouvidos, pegarão nele seu pai e sua mãe e o levarão aos anciãos da cidade, à sua
porta, e lhes dirão: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à
nossa voz: é dissoluto e beberrão. Então todos os homens da sua cidade o
apedrejarão, até que morra; assim eliminarás o mal do meio de ti: todo o
Israel ouvirá e temerá.
Deut 23, 2: - Nenhum bastardo entrará na assembléia do Senhor;
nem ainda a sua décima geração entrará nela.
Deut 23, 13: - Dentre as tuas armas terás um pau; e quando
te abaixares fora, cavarás com ele, e, volvendo-te, cobrirás o que defecaste.
Deut 24, 1: -Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela,
e se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado
cousa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der
na mão e a despedir de casa;
Deut 25, 5: - Se irmãos morarem juntos, e um deles morrer,
sem filhos, então a mulher do que morreu não se casará com outro estranho, fora
da família; seu cunhado a tomará e a receberá por mulher, e exercerá para
com ela a obrigação de cunhado.
Deut 25, 11-12: - Quando brigarem dois homens, um contra o
outro, e a mulher de um chegar para livrar o marido da mão do que o fere,
e ela estender a mão, e o pegar pelas suas vergonhas, cortar-lhe-ás a
mão: não a olharás com piedade.
Mc 16, 18: Pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem,
não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados.
At 2,44-45: Todos os que creram estavam juntos, e tinham tudo em comum.
Vendiam as propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida
que alguém tinha necessidade.
At 10, 34-35: Então falou Pedro, dizendo: Reconheço por verdade que
Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele
que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável.
Rm 2, 11: Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.
Tg 2, 9-10: Se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometereis pecado,
sendo argüidos pela lei como transgressores. Pois qualquer que guarda toda a
lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.
At 15, 20: Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos
ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados
e do sangue.
Rm 2, 1: Portanto, és indesculpável quando julgas, ó homem, quem quer
que sejas, porque, no que julgas o outro, a ti mesmo te condenas,
pois praticas as próprias cousas que condenas.
Rm 7, 6: Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que
estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na
caducidade da letra.
Rm 13, 6-8: Por esse motivo também pagais tributos: porque são ministros
de Deus, atendendo constantemente a este serviço. Pagai a todos o que lhes é
devido: a quem o tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito,
respeito; a quem honra, honra. A ninguém fiqueis devendo cousa alguma,
exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama ao próximo tem
cumprido a lei.
Rm 14, 1-5: Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir
opiniões. Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes;
quem come não despreza ao que não come; e o que não come não julgue o que come,
porque Deus o acolheu. Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu
próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso
para o suster. Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os
dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente.
1 Cor 11, 5-6: Toda mulher, porém, que ora, ou profetiza, com a cabeça sem
véu desonra a sua própria cabeça, porque é como se a tivesse rapada. Portanto,
se a mulher não usa véu, nesse caso que rape o cabelo.
1 Cor 14, 34-35: Conservem-se as mulheres caladas nas igrejas,
porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a
lei o determina. Se porém, querem aprender alguma cousa, interroguem, em
casa, a seus próprios maridos, porque para a mulher é vergonhoso falar na
igreja.
Ef 4, 29: Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e,
sim, unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e assim
transmita graça aos que ouvem.
Col 3, 25: Pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça
feita; e nisto não há acepção de pessoas.
1 Tes 2, 9: Porque vos recordais, irmãos, no nosso labor e fadiga; e de
como, noite e dia labutando para não vivermos à custa de nenhum de vós,
vos proclamamos o evangelho de Deus.
2 Tes 3, 7-10: Pois vós mesmos estais cientes do modo por que vos
convém imitar-nos, visto que nunca nos portamos desordenadamente entre vós,
nem jamais comemos pão, de graça, à custa de outrem; pelo contrário, em
labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a
nenhum de vós; não porque não tivéssemos esse direito, mas por termos em
vista oferecer-vos exemplo em nós mesmos, para nos imitardes. Porque, quando
ainda convosco, vos ordenamos isto: Se alguém não quer trabalhar, também não
coma.
1 Pe 5, 2-3: Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós,
não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por
sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos
foram confiados, antes tornando-vos modelos do rebanho.
Tg 3,13-14: Quem entre vós é sábio e entendido? Mostre em
mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. Se
pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento
faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade.
2 Pe 2, 12-14: Esses, todavia, como brutos irracionais,
naturalmente feitos para presa e destruição, falando mal daquilo em que são
ignorantes, na sua destruição também hão de ser destruídos, recebendo
injustiça por salário da injustiça que praticam. Considerando como prazer a
sua luxúria carnal em pleno dia, quais nódoas e deformidades, eles se regalam
nas suas próprias mistificações, enquanto banqueteiam junto convosco, tendo
olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecado, engodando almas
inconstantes, tendo coração exercitado na avareza, filhos malditos.
2 Pe 3, 16: Ao falar acerca destes assuntos, como de fato costuma fazer em
todas as suas epístolas, nas quais há certas cousas difíceis de entender, que
os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras,
para a própria destruição deles.
2 – Uma pergunta especial lhe faremos: A Igreja que você freqüenta exige dos
seus adeptos do sexo masculino atestado de virilidade (ou de macho se preferir)?
Se não, então é feito algum exame na genitália deles para verificar se o são?
Você pode falar: é um absurdo esse tipo de pergunta. É de fato, admitimos.
Entretanto, é o que de certa forma exige a passagem de Deuteronômio 23, 1: “Aquele
a quem forem trilhados os testículos, ou cortado o membro
viril, não entrará na assembléia do Senhor”.
3 - E, considerando que você aceita a Bíblia como totalmente inspirada por
Deus, sem nenhum erro, nos explique as divergências a seguir:
Genealogia de Jesus
Mt 1:1-17 - Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de
Abraão. Abraão gerou a Isaque; Isaque, a Jacó; Jacó, a Judá e a seus irmãos;
Judá gerou de Tamar a Perez e a Zerá; Perez gerou a Esrom; Esrom, a Arão;
Arão gerou a Aminadabe; Aminadabe, a Naassom; Naassom, a Salmom; Salmom gerou de
Raabe a Boaz; este de Rute gerou a Obede; e Obede, a Jessé; Jessé gerou ao rei
Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que foi mulher de Urias; Salomão gerou a
Roboão; Roboão, a Abias; Abias, a Asa; Asa gerou a Josafá; Josafá, a Jorão;
Jorão, a Uzias; Uzias gerou a Jotão; Jotão, a Acaz; Acaz, a Ezequias; Ezequias
gerou a Manassés; Manassés, a Amom; Amom, a Josias; Josias gerou a Jeconias e a
seus irmãos, no tempo do exílio em Babilônia. Depois do exílio em Babilônia,
Jeconias gerou a Salatiel; e Salatiel, a Zorobabel; Zorobabel, a Abiúde; Abiúde,
a Eliaquim; Eliaquim, a Azor; Azor gerou a Sadoque; Sadoque, a Aquim; Aquim, a
Eliúde; Eliúde gerou a Eleázar; Eleázar, a Matã; Matã, a Jacó. E Jacó gerou a
José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo. De sorte que
todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze; desde Davi até ao
desterro para a Babilônia, catorze; e desde o desterro para a Babilônia até
Cristo, catorze.
Lc 3:23-38 – Ora, tinha Jesus cerca de trinta anos ao começar o seu
ministério. Era, como se cuidava, filho de José, filho de Heli, Heli filho de
Matã, Matã filho de Levi, Levi filho de Melqui, este filho de Janai, filho de
José, José filho de Matatias, Matatias filho de Amós, Amós filho de Naum, este
filho de Esli, filho de Nagaí, Nagaí filho de Máate, Máate filho de Matatias,
Matatias filho de Semei, este filho de José, filho de Jodá, Jodá filho de Joanã,
Joanã filho de Resá, Resá filho de Zorobabel, este filho de Salatiel, filho de
Neri, Neri filho de Melqui, Melqui filho de Adi, Adi filho de Cosã, este de
Elmadã, filho de Er, Er filho de Josué, Josué filho de Eliézer, Eliézer filho de
Jorim, este de Matã, filho de Levi, Levi filho de Simeão, Simeão filho de Judá,
Judá filho de José, este filho de Jonã, filho de Eliaquim; Eliaquim filho de
Meleá, Meleá filho de Mená, Mená filho de Matatá, este filho de Natã; Natã filho
de Davi, Davi filho de Jessé, Jessé filho de Obede, Obede filho de Boaz, este
filho de Salá, filho de Naassom; Naassom filho de Aminadabe, Aminadabe filho de
Admim, Admim filho de Arni, Arni filho de Esrom, este filho de Faréz, filho de
Judá; Judá filho de Jacó, Jacó filho de Isaque, Isaque filho de Abraão, este
filho de Terá, filho de Nacor; Nacor filho de Seruque, Seruque filho de Ragaú,
Ragaú filho de Fáleque, este de Éber, filho de Salá; Salá filho de Cainã, Cainã
filho de Arfaxade, Arfaxade filho de Sem, este filho de Noé, filho Lameque;
Lameque filho de Matusalém, Matusalém filho de Enoque, Enoque filho de Jarete,
este filho de Maleleel, filho de Cainã; Cainã filho de Enos, Enos filho de Sete,
e este filho de Adão, e Adão, filho de Deus.
Percebe-se claramente que não são concordes as genealogias narradas por
Mateus e Lucas. Algumas pessoas querem, para que não fique evidenciada essa
divergência, que a de Lucas esteja baseada em relação à Maria, entretanto se
esquecem que naquela época as mulheres não tinham nenhum valor, e todas as
genealogias da Bíblia são colocadas em relação aos homens e não sobre as
mulheres.
Lugar onde seus pais moravam
Mt 2:1 - Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes,
eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém.
Mt 2:13 – Tendo eles partido, eis que aparece um anjo do Senhor a José em
sonho, e diz: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito, e permanece
lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para matar.
Mt 2:21-23 – Dispôs-se ele, tomou o menino e sua mãe, e regressou para a
terra de Israel. Tendo, porém, ouvido que Arquelau reinava na Judéia em lugar de
se pai Herodes, temeu ir para lá; e, por divina advertência prevenido em sonho,
retirou-se para as regiões da Galiléia. E foi habitar numa cidade chamada
Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito, por intermédio dos profetas: Ele
será chamado Nazareno.
Lc 1:26-27 – No sexto mês foi o anjo Gabriel enviado da parte de Deus,
para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com certo
homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria.
Lc 2:1 – Naqueles dias foi publicado um decreto de César Augusto,
convocando toda a população do império para recensear-se.
Lc 2:3-5 – Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também
subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada
Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua
esposa, que estava grávida.
Pelo relato de Mateus, a família de Jesus morava em Belém, só depois é que se
mudou para Nazaré. Entretanto Lucas coloca a cidade de Nazaré como se fosse o
local onde vivia a sagrada família, que teve que ir à Belém apenas para atender
ao decreto do recenseamento.
O servo do centurião
Mt 8:5-6 – Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, apresentou-se-lhe um
centurião, implorando: Senhor, o meu criado jaz em casa, de cama, paralítico,
sofrendo horrivelmente.
Lc 7:1-2 – Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo,
entrou em Cafarnaum. E o servo do centurião, a quem este muito estimava, estava,
quase à morte.
Vejam que Mateus diz que o servo do centurião se encontra deitado em casa
sofrendo muito, pois era paralítico. Já Lucas diz que o servo estava quase à
morte.
O possesso de gedara
Mt 8:28 – Tendo ele chegado à outra margem, á terra dos gadarenos,
vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal
ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho.
Mc 5:1-3 – Entrementes chegaram à outra margem do mar, à terra dos
gerasenos. Ao desembarcar, logo veio dos sepulcros, ao seu encontro, um homem
possesso de espírito imundo, o qual vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias
alguém podia prendê-lo.
Lc 8:26-27 – Então rumaram para a terra dos gerasenos, fronteira da
Galiléia. Logo ao desembarcar, veio da cidade ao seu encontro um homem possesso
de demônios que, havia muito, não se vestia, nem habitava em casa alguma, porém
vivia nos sepulcros.
Mateus diz tratar-se de dois endemoninhados, ao passo que Marcos e Lucas
dizem ser apenas um.
Cura de um paralítico
Mt 9:1-2 – Entrando Jesus num barco, passou para a outra banda, e foi para
a sua própria cidade. E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito.
Mc 2:1-4 – Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu
que ele estava em casa. Muitos afluíram para ali, tantos que nem mesmo junto à
porta eles achavam lugar; e anunciava-lhes a palavra. Alguns foram ter com ele,
conduzindo um paralítico, levado por quatro homens. E, não podendo aproximar-se
dele, por causa da multidão, descobriram o eirado no ponto correspondente ao em
que ele estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o doente.
Lc 5:17-19 – Ora, aconteceu que num daqueles dias, estava ele ensinando, e
achavam-se ali assentados fariseus e mestres da lei, vindos de todas as aldeias
da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém. E o poder do Senhor estava com ele para
curar. Vieram então uns homens trazendo em um leito um paralítico; e procuravam
introduzi-lo e pô-lo diante de Jesus. E não achando por onde introduzi-lo por
causa da multidão, subindo ao eirado, o desceram no leito, por entre os
ladrilhos, para o meio, diante de Jesus.
Na narrativa de Mateus o paralítico é levado a Jesus, deixando a entender que
não houve nenhum obstáculo para isso. Mas, Marcos e Lucas, dizem que tiveram que
descer tal paralítico do telhado, pois a multidão não deixava que o levassem a
Jesus. Mateus diz que Jesus chegou à sua cidade. Seria Nazaré? Marcos diz ser
Cafarnaum. Quanto a Lucas não diz em qual cidade.
Filha de Jairo
Mt 9:18 – Enquanto estas cousas lhes dizia, eis que um chefe,
aproximando-se, o adorou, e disse: Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem,
impõe a tua mão, e viverá.
Mc 5:22-23 – Eis que se chaga a ele um dos principais da sinagoga, chamado
Jairo, e, vendo-o, prostra-se a seus pés, e insistentemente lhe suplica: Minha
filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e
viverá.
Lc 8:41-42 – Eis que veio um homem chamado Jairo, que era chefe da
sinagoga, e, prostrando-se aos pés de Jesus, lhe suplicou que chegasse até a sua
casa. Pois tinha uma filha única de uns doze anos, que estava à morte. Enquanto
ele ia, as multidões o apertavam.
Diferentemente de Marcos e Lucas que dizem que a filha de Jairo estava quase
morrendo, Mateus já a tem como morta.
Cego e mudo?
Mt 12:22 – Então lhe trouxeram um endemoninhado, cego e mudo; e ele o
curou, passando o mudo a falar e a ver.
Lc 11:14 – De outra feita estava Jesus expelindo um demônio que era mudo.
E aconteceu que, ao sair o demônio, o mudo passou a falar; e as multidões se
admiraram.
Mateus diz ser o homem cego e mudo, mas Lucas diz tratar-se apenas de um mudo
o que estava possesso.
Cegos de Jericó
Mt 20:29-30 – Saindo eles de Jericó, uma grande multidão o acompanhava. E
eis que dois cegos, assentados à beira do caminho, tendo ouvido que Jesus
passava, clamaram: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de nós!
Mc 10:46-47 – E foram para Jericó. Quando ele saía de Jericó, juntamente
com os discípulos e numerosa multidão, Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu,
estava assentado à beira do caminho. E, ouvindo que era Jesus, o Nazareno,
pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!
Lc 18:35-38 – Aconteceu que, ao aproximar-se ele de Jericó, estava um cego
assentado à beira do caminho, pedindo esmolas. E, ouvindo o tropel da multidão
que passava, perguntou o que era aquilo. Anunciaram-lhe que passava Jesus, o
Nazareno. Então ele clamou: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!
Aqui temos Mateus dizendo que eram dois cegos em contradição com Marcos e
Lucas que afirmam ser apenas um. Por que somente Marcos identifica quem era este
cego?
Mulher com alabastro
Mt 26:6-7 – Ora, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso,
aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso
bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa.
Mc 14:3 – Estando ele em Betânia, reclinado à mesa, em casa de Simão, o
leproso, veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro com preciosismo perfume
de nardo puro, e, quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de
Jesus.
Lc 7, 36-38 – Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele.
Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa. E eis que uma mulher da
cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um
vaso de alabastro com ungüento; e, estando por detrás, aos seus pés, corando,
regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe
os pés e os ungia com o ungüento.
Jo 12:1-3 – Seis dias antes da páscoa, foi Jesus para Betânia, onde estava
Lázaro, a quem ele ressuscitara dentre os mortos. Deram-lhe, pois, ali, uma
ceia; Marta servia, sendo Lázaro um dos que estavam com ele à mesa. Então Maria,
tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus
e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com perfume do
bálsamo.
Mateus e Marcos relatam que Jesus estava em casa de Simão, o leproso, e que
uma mulher havia derramado o vaso de alabastro na cabeça de Jesus, não
identificando quem era ela. Só que João diz que a mulher era Maria a irmã de
Lázaro, que o fato acontecia na casa de Lázaro e que ao invés de jogar o perfume
na cabeça, ela ungiu os pés de Jesus. Em Lucas temos que esta mulher é uma
pecadora, portando não poderia ser a Maria irmã de Lázaro.
Ressurreição
Mt 28:1 – No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria
Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
Lc 23:54-56 – Era o dia da preparação e começava o sábado. As mulheres que
tinham vindo da Galiléia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo de
Jesus ali foi depositado. Então se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E
no sábado descansaram, segundo o mandamento.
Lc 24:1 – Mas, ao primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao
túmulo, levando os aromas que haviam preparado.
Jo 20:1 – No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de
madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida.
Mateus diz que Maria Madalena e uma outra Maria, foram ao sepulcro. João diz
que somente Maria Madalena tinha ido, e Lucas diz ter sido as mulheres que
tinham vindo com Jesus desde a Galiléia, sem especificar quais eram essas
mulheres.
Quem apareceu às mulheres?
Mt 28, 2-3: E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor
desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela. O seu aspecto
era como um relâmpago e a sua veste alva como a neve.
Mc 16, 4-5: E, olhando, viram que a pedra já estava revolvida; pois era
muito grande. Entrando no túmulo, viram um jovem assentado ao lado direito,
vestido de brando, e ficaram surpreendidas e atemorizadas.
Lc 24, 2-4: E encontram a pedra removida do sepulcro; mas, ao entrar, não
acharam o corpo do Senhor Jesus. Aconteceu que, perplexas a esse respeito,
apareceram-lhes dois varões com vestes resplandecentes.
Jo 20, 11-12: Maria, entretanto, permanecia junto à entrada do túmulo,
chorando. Enquanto chorava, abaixou-se e olhou para dentro do túmulo, e viu dois
anjos vestidos de branco sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à
cabeceira e outro aos pés.
Vejam a divergência na quantidade e na forma da aparição. Apesar dela ser
registrada por todos os evangelistas, Mateus diz ser um anjo, Marcos, um jovem,
Lucas, dois varões e João dois anjos.
Carregar a cruz
Mt 27:32 – Ao saírem, encontraram um cireneu, chamado Simão, a quem
obrigaram a carregar-lhe a cruz.
Mc 15:21 – E obrigaram a Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai
de Alexandre e de Rufo, a carregar-lhe a cruz.
Lc 23:26 – E como o conduzissem, constrangendo um cireneu, chamado Simão,
que vinha do campo, puseram-lhe a cruz sobre os ombros, para que a levasse após
Jesus.
Jo 19:17 – Tomaram eles, pois, a Jesus; e ele próprio, carregando a sua
cruz, sal para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico.
Mateus, Marcos e Lucas dizem que o cireneu chamado Simão foi obrigado a
carregar a cruz de Jesus, enquanto que João diz que foi o próprio Jesus quem
levou a cruz.
Continuemos.
O fato de Jesus ter utilizado uma linguagem figurada ou mesmo aproveitando o
que na época acreditavam não quer dizer necessariamente que Ele tenha sancionado
idéias equivocadas a respeito da Justiça Divina. Assim ao falar de inferno não
estava sancionando o que hoje alguns entendem como tal. Acompanhando toda a
Bíblia, conforme já o dissemos, percebemos que a palavra inferno se referia
simplesmente a uma região inferior onde acreditavam que, os que morriam
passariam a habitar a “morada dos mortos”, sheol (xeol) ou hades.
Se para Deus “mil anos é como se fosse um dia” não há como castigar
eternamente alguém pelo erro de menos de um dia. Não existe lógica nesta absurda
justiça a não ser para os interesseiros que querem a todo custo amedrontar seus
seguidores para lhes venderem o “Reino dos Céus”. Se Jesus disse que devemos
perdoar “setenta vezes sete”, cujo significado é que devemos perdoar sempre,
como Deus não segue as próprias recomendações dadas por Jesus? Pior fica, já que
você considera Jesus o próprio Deus, ou seja, Ele mesmo não segue o que nos
manda fazer como norma de conduta.
Na parábola do filho pródigo, o pai não mandou o filho, que malbaratara a sua
parte na herança, para os “quintos dos infernos”, mas simplesmente o abraçou
recebendo novamente como um filho.
Ademais a palavra eterno não tinha o significado que tem hoje de ser para
sempre ou perpetuamente, mas dizia respeito a um período longo do qual não se
sabia o fim. Para provar isso recorremos a uma passagem onde se diz que devemos
bendizer a Deus de eternidade em eternidade (Sl 106, 48). Ora, como não existe
mais de uma eternidade, assim o significado seria de tempos em tempos.
Muitas pessoas querem interpretar a Bíblia sem verificar o contexto cultural
da época dos acontecimentos, e é por isso que não compreendem a essência
simbólica de inúmeras passagens bíblicas.
O grande erro dos teólogos é querer que Deus tenha uma “ira” eterna. Além de
ser uma falta de bom senso admitir tal coisa, é pegar da Bíblia o que interessa,
pois ela diz exatamente que: “O Senhor não retém sua ira para sempre, porque
tem prazer na misericórdia” (Miquéias 7, 18). Mais claro fica ainda em Sl
103, 8-9, que diz: “O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz
benigno. Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira”.
Se existe salvação de graça, onde fica: “a cada um segundo suas obras”
(Jesus)? Nas passagens Sl. 62, 12; Jr 17, 10; Jr 32, 19; Mt 16, 27; Rm 2, 6; Ap
20, 13 e Ap 22, 12, você verá que essa expressão se aplica a julgamento mesmo.
A parábola do rico e Lázaro significa que os egoístas irão ser
responsabilizados pelos seus atos. Ele foi para o “inferno” porque não praticou
a lei de amor: amar ao próximo como a si mesmo. Não foi porque não aceitou Jesus
como seu salvador ou porque não pertencia a uma determinada Igreja, como pensam
alguns sobre a questão da salvação.
Em Mateus 7, 11, apesar de falar sobre a oração, temos que ver o sentido mais
importante e muito mais amplo, qual seja, se nós mesmos sendo maus sabemos dar
boas coisas aos nossos filhos muito mais Deus que é infinitamente superior a
nós. Assim pergunto qual pai humano que daria um castigo eterno ao seu filho?
Não sei se você sabe mas um dos princípios da Doutrina Espírita é o
livre-arbítrio de que você fala. Temos plena liberdade de escolher o que
acharmos melhor para nós, entretanto, se a semeadura é livre, a colheita é
obrigatória.
Vejamos a passagem Nm 14, 18: “O Senhor é longânimo, e grande em
misericórdia, que perdoa a iniqüidade e a transgressão, ainda que não inocenta o
culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta
geração” Observar que mesmo perdoando a iniqüidade e a transgressão não
inocenta o culpado, ou seja, o culpado deverá pagar pelos seus erros. Isso fica
mais claro pela tradução da Bíblia Edição Pastoral que assim traz esta passagem:
“Javé, paciente e misericordioso, que perdoas a culpa e a transgressão,
mas não nos deixas sem castigo...” (ver idêntico pensamento em Na 1, 3).
Quanto à questão de “visitar a iniqüidade dos pais nos filhos até à
terceira e quarta geração” pela própria Bíblia não podemos admitir como
sendo justo os filhos pagarem pelos erros dos pais, conforme podemos constatar
em Deut. 24, 16: “Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos
em lugar dos pais: cada qual será morto pelo seu pecado”. (ver também Ez 18,
2-4 e Ez 18, 20).
Mas, afinal qual dos textos é o verdadeiro, pois se comparamos um com os
outros veremos que existe uma contradição entre eles; um fala que os filhos
pagarão pela iniqüidade dos pais, enquanto que os outros falam que não, que cada
um pagará pelos próprios erros. Entretanto, podemos afirmar que não existe
contradição alguma entre esses textos, o que ocorreu foi uma adulteração
vergonhosa para retirar da Bíblia toda e qualquer idéia que pudesse sugerir a
reencarnação. No texto Nm 14, 18, mudaram a preposição “na” por “até”, já que na
terceira ou quarta geração o indivíduo poderia reencarnar como seu próprio neto
ou bisneto. Ou seja, a justiça divina atingiria realmente o próprio culpado, já
que o devedor estaria reencarnado como neto, e nessa condição, sofre as
conseqüências de seus próprios pecados. E, sendo assim, não entraria em conflito
com a passagem narrada em Deuteronômio.
Vejamos as narrativas relativas ao tal “bom ladrão” constante no Evangelho:
Mt 27: 38 e 44 – E foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua
direita e outro à sua esquerda. E os mesmos impropérios lhe diziam também os
ladrões que haviam sido crucificado com ele.
Mc 15:27 e 32 – Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita, e
outro à sua esquerda. Também os que com ele foram crucificados o insultavam.
Lc 23:39-43 – Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele,
dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.
Respondendo-lhe, porém, o outro repreendeu-o dizendo: Nem ao menos temes a Deus,
estando sob igual sentença? Nós na verdade com justiça, porque recebemos o
castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou:
Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhes respondeu: Em
verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
Jo 19:18 - Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e
Jesus no meio.
Mateus, Marcos e João nada relatam sobre qualquer diálogo entre os três
crucificados. Os dois primeiros, ou seja, Mateus e Marcos, dizem que os ladrões
estavam, isto sim, entre os que escarneciam de Jesus. Só Lucas diz que Jesus
teria dito para um deles que “hoje estarás comigo no Paraíso”. Se isso aconteceu
temos uma contradição de Jesus, pois ele mesmo disse: a cada um segundo suas
obras (Mateus 16, 27), bem como em outras passagens da Bíblia que se diz
exatamente a mesma coisa, conforme já dissemos um pouco atrás. Quando do
episódio com Madalena, após a ressurreição, Jesus disse a ela: “Não me
detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e
dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João
20, 17). Ora, se Jesus, três dias após sua morte, ainda não tinha subido ao Pai
como ele poderia ter afirmado ao “bom ladrão” que hoje estarás comigo, ou
seja, justamente no dia de sua morte na cruz. Por outro lado ao reconhecer que
“nós na verdade com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos
merecem; mas este nenhum mal fez” ele está aceitando a justiça dos homens,
por mais forte razão aceitaria a justiça de Deus que lhe daria uma pena
merecida. Também ele não aceitaria uma recompensa por algo que não tenha feito,
não é mesmo? Já falamos várias vezes, mas não custa repetir, coloquemos a frase
do seguinte modo: Em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso?
Veja como uma simples vírgula muda por completo o sentido do texto. É muito mais
condizente com a justiça divina, pois somente irá para o Paraíso quando tiver
realizado as obras que venham a fazê-lo merecer este paraíso, não importando
quanto tempo levará para isso.
Vamos supor que essa pessoa ao invés de ser esse “bom ladrão” ele fosse um
criminoso. Que fosse o criminoso de guerra Hitler por exemplo? Perguntamos:
Seria justo ele ir para o paraíso juntamente com Jesus?
De mais a mais, na passagem não há arrependimento de ninguém, apenas um dos
ladrões reconheceu que ele e o outro mereciam a condenação, pois eram culpados
de seus crimes, e reconheceu que Jesus era um inocente sendo condenado
injustamente. E ao dizer: “lembre-se de mim quando estiveres no paraíso”
ele, o “bom ladrão”, comportou-se como todos os puxa-sacos, que mesmo sem
competência ou merecimento querem receber “favores” das pessoas mais importantes
que ele.
É vocabulário comum dos religiosos sectários, os que se julgam únicos donos
da verdade, utilizarem a palavra heresia. Mas para nós HERESIA maior é não
utilizar a inteligência que Deus nos deu, pois é justamente ela que nos difere
dos animais irracionais. Não utilizá-la seria se comportar como eles. O taxar
aos outros de herético é uma forma de agressão barata que utilizam,
principalmente quando não possuem argumentos lógicos para sustentarem suas
idéias.
A passagem de Lucas a respeito do “bom ladrão” mostra-nos exatamente que quem
vive fora do contexto são exatamente aqueles que nos acusam de tal
comportamento.
E muitas vezes vão mais além, pois até onde não existe uma idéia no texto a
colocam como é o caso do inferno está “implícito” . Entretanto quanto à idéia de
nascer de novo (reencarnar) que está claramente explicita não a enxergam. Foi
por essa razão que Jesus advertiu de antemão: “Ouça quem tem ouvidos de
ouvir”. Aliás as maldições de Deus para quem não cumprissem os Seus
mandamentos e estatutos são coisas que ocorreriam aos infratores na condição de
vivos, não eram para a situação após a morte. Assim, se tem alguma coisa
implícita é a questão da reencarnação, já que Ele sabia de antemão que não
conseguiríamos pagar tudo de uma vez só.
Questionamos um pouco atrás, citando várias passagens constantes da Bíblia
para saber se as cumpre. Se a resposta for negativa para qualquer uma delas,
você não está guardando todos os estatutos Divinos, deverá ir para o inferno?
Veja o que encontramos a respeito disso: “Aquele que observa a Lei toda, mas
falha num só ponto, torna-se culpado de violar a Lei inteira” (Tg 2, 10).
Em Tiago 3, 10 encontramos: “de uma só boca procede bênção e maldição.
Meus irmãos, não é conveniente que estas cousas sejam assim. Acaso pode a fonte
jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?” Ora, isso é
contrário ao que dizem de Deus, já que lemos em vários textos bíblicos muitas
“maldições” provindas Dele. E aí como é que ficamos?
O inferno não é invenção dos teólogos cristãos, esses apenas o copiaram da
mitologia pagã, mais especificamente do Zoroastrismo, pela influência que os
persas exerceram sobre o povo hebreu.
Em 1 Pedro 3, 19, lemos: “no qual também foi e pregou aos espíritos em
prisão”. Nessa passagem vemos o termo prisão igual ao conceito
que lemos em Mateus 5, 25-26. Mas, outra coisa interessante nós podemos deduzir
dela, é que se Jesus foi pregar aos espíritos em prisão é porque eles poderiam
mudar de atitude, caso contrário não há sentido algum em pregar para quem não
poderia mudar de atitude. Já dissemos anteriormente que Deus não castiga
perpetuamente, conforme ensinamento bíblico. Preferimos ficar com isso a aceitar
um Deus tipo o que você quer que ele seja. Essa atitude de Jesus condiz com a
passagem: “...abençoado por Javé, que não deixa de ter misericórdia pelos
vivos e pelos mortos” (Rt 2, 20)
A passagem citada de Lucas 16, 19-31, não diz que o lugar de tormento é
eterno. Mas se querem tudo ao pé da letra diremos: que Abraão é Deus pois foi
para o seio dele que Lázaro foi; que todos os ricos irão para o inferno; que
somente os pobres que tem suas chagas lambidas pelos cães irão para o céu; que,
apesar de muitos afirmarem ao contrário, nós temos consciência e podemos até
conversar após a morte; que o julgamento é imediato à morte - e assim sendo,
onde ficará o juízo no final dos tempos? -; que não existe a ressurreição da
carne; que os mortos podem se comunicar com os vivos, entretanto isso é inútil
pois não lhes darão ouvidos (não é o que exatamente acontece com os espíritos
nos dias de hoje?).
Não podemos tomar todas as passagens ao pé da letra temos que observar que em
muitas delas há um sentido simbólico, até mesmo porque Jesus achou melhor não
modificar tudo de uma só vez: “tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o
podeis suportar agora” (Jo 16, 12).
A questão que você coloca que tenhamos cometido um equívoco ao afirmamos que
Jesus tenha dito que o inferno também está dentro de nós, prova que você não
entendeu o que estávamos querendo dizer; se Jesus disse que o reino dos céus
(não se referia a rei como quer) está dentro de nós a conseqüência lógica é que
o inferno também está, já que ambos são estados de consciências, e não lugares
físicos. Se pensar ao contrário, nos diga onde se encontra localizado o céu?
Quase todas as pessoas, que acreditam estar ele em algum lugar, normalmente
apontam para o alto, correspondendo ao céu azul que vemos. Entretanto, observe
que, sendo a Terra redonda, cada pessoa apontará o céu em uma direção
completamente diferente de outra. Assim pergunto: qual delas aponta para o local
certo?
Veja o esquema abaixo. As setas apontam para cima no céu. Cada uma representa
a posição que pessoa se encontra aqui na Terra:

A questão de significar uma coisa ou outra, realmente pode acontecer, visto a
pobreza da língua, entretanto no caso em questão e pelo contexto o significado
não poderá ser o outro, mas apenas o de “dentro em vós”.
Ao se referir à Igreja Católica você a coloca como a mãe das heresias,
entretanto quase todas as denominações cristãs têm sua origem nela, talvez até a
que você abraça. E muitos dos dogmas católicos (batismo, ressurreição da carne,
céu e inferno, divindade de Jesus, trindade, virgindade de Maria, só quem a
segue está salvo, não existe a reencarnação, etc.) foram adotados pelas outras
ramificações que derivaram dela, pois todas adotam as decisões dos concílios
católicos. De uma forma ou de outra, as recentes denominações cristãs são filhas
ou netas dela.
Você disse uma verdade incontestável: “o importante é a mensagem do Cristo”,
não o que querem impor as religiões dogmáticas, que passam longe dos verdadeiros
ensinamentos de Cristo. Não o vemos em momento algum desprezar ou condenar
qualquer sentimento religioso de alguém, nem tampouco querer convencer a “ferro
e fogo” as pessoas a seguí-lo, sempre disse: “quem quiser me seguir tome sua
cruz e siga-me”, ou seja, respeitou o livre-arbítrio de cada um.
A passagem de Jonas é um simbolismo que normalmente pegam ao pé da letra, em
verdade significa que o império Babilônico (baleia) não conseguiria conter por
muito tempo o povo hebreu (Jonas), que um dia se liberta deste domínio (jogado
na praia). Jesus, voltamos a afirmar, aproveitou dos conceitos vigentes, não
quis modificar muita coisa, esperando a própria evolução espiritual para que
pudessem suportar coisas mais elevadas. E usando de um simbolismo também aplicou
essa passagem também a Si mesmo, já que sempre usava desse expediente como
podemos ver em suas parábolas.
Quanto ao dilúvio, podemos colocar, alguns argumentos de nosso texto “A Arca
de Noé”:
Iremos estudar, numa análise crítica, longe do fanatismo religioso, a
Bíblia para que tenhamos uma visão sobre este assunto: ficção ou realidade?
Tomaremos, para isto, o Livro Gênesis.
“Faze para ti uma arca de madeira resinosa, dividi-la-ás em
compartimentos e a untarás de betume por dentro e por fora. E eis como o farás:
seu comprimento será de trezentos côvados, sua largura de cinqüenta côvados, e
sua altura de trinta. Farás no cimo da arca uma abertura com dimensão dum
côvado. Porás a porta da arca a um lado, e construirás três andares de
compartimentos”. (Gênesis 6, 14-16).
No livro A História da Bíblia, de Hendrik Willem Van Loon, tradução de
Monteiro Lobato podemos ler o seguinte: “Noé e os filhos puseram-se ao
trabalho, sob a chacota dos vizinhos. Que estranha idéia construir um navio num
lugar onde não havia água – rio nenhum, e o mar a mil milhas distante!”.
Ora, se uma milha equivale a 1.609 metros, temos, então, que estavam a 1.609 km
do mar. Pela distancia que moravam do mar é bem provável que não tivessem a
menor experiência sobre construção naval, não é mesmo? Assim, como conseguiram
construí-la?
Conforme pudemos apurar nas notas explicativas o côvado equivale a 45 cm.
Então temos: comprimento 45 cm x 300 = 135 metros, largura 45 cm x 50 = 22,5
metros e altura 45 cm x 30 = 13,5 metros. Como cada um dos três andares mediria
3.037,5 metros quadrados, a área total da arca estaria pelos 9.112,5 metros
quadrados. Área muito pequena para caber tudo o que Deus ordenara a Noé colocar
lá dentro. Como veremos na passagem seguinte.
“De tudo o que vive, de cada espécie de animais, farás entrar na
arca dois, macho e fêmea, para que vivam contigo. De cada espécie de aves, e de
cada espécie de animais que se arrastam sobre a terra, entrará um casal contigo,
para que lhes possa conservar a vida. Tomarás também contigo de todas as coisas
para comer, e armazená-los-as para que te sirvam de alimento, a ti e aos
animais”.(Gênesis 6, 19-21).
Imaginemos: Noé com sua família eram 8 pessoas, soma-se mais um casal de
todos os animais vivos e mais alimentação para as pessoas e os animais que teria
de durar por um ano, qual seria o peso e o volume disto tudo? Caberia nestes
poucos mais de 9.000 metros quadrados? Além de que a diversidade da alimentação
dos animais, como colocar isto dentro da arca? Mais ainda, não foi ordenado a
Noé colocar água dentro da arca, como os seres viveram por pouco mais de um ano
sem água para beber? E o que se come não é eliminado pelo organismo? Aonde foram
jogados os dejetos dos homens e dos animais, pois a arca estava quase que
totalmente fechada? E o ar lá dentro, como deveria estar? Haveria ainda oxigênio
para se respirar nesta arca? Será que somente 8 pessoas conseguiriam alimentar
os animais existentes na arca todos os dias, sem um único dia para o descanso,
durante o período de um ano e pouco?
“O dilúvio caiu sobre a terra durante quarenta dias. As águas
incharam e levantaram a arca, que foi elevada acima da terra. As águas inundaram
tudo com violência, e cobriram toda a terra, e a arca flutuava na superfície das
águas. As águas engrossaram prodigiosamente sobre a terra, e cobriram todos os
altos montes que existem debaixo dos céus; e elevaram-se quinze côvados acima
dos montes que cobriam”.(Gênesis 7, 17-20).
Na terra encontramos o elemento água nos rios, nos mares, na atmosfera, nas
nuvens, nos lençóis subterrâneos e, em forma de gelo, nas altas montanhas e nos
pólos. As que se encontram na superfície correm para as partes mais baixas do
planeta, formando os mares. E segundo a ciência 2/3 do nosso planeta é composto
de água. Ora, para se ter água a ponto de cobrir todos os montes da terra, temos
duas hipóteses:
1ª - afundamento de toda a superfície de terra; ou...
2ª - as águas da chuva vieram de outro lugar que não a Terra, pois a água do
nosso planeta é pouca para cobrir todos os montes altos (Monte Everest 8.848
metros de altura).
Se considerarmos um dilúvio localizado, em determinada região da Terra, e não
nela toda, é bem possível a 1ª hipótese, fora disto só em filmes de Steven
Spielberg.
Interessante a nota de rodapé constante, nesta passagem, na Bíblia Sagrada,
Editora Vozes: O dilúvio não foi universal mas uma grande
inundação que cobriu o horizonte geográfico de Noé. A existência de histórias do
dilúvio em outros povos primitivos mostra que há uma consciência geral sobre uma
catástrofe que ameaçou a humanidade dos primórdios. Ótimo, confirma a
possibilidade de ser localizado, entretanto o que não compreendemos é que apesar
disso ainda teimam em dizer que ele foi universal.
“No ano seiscentos da vida de Noé, no segundo mês, no décimo
sétimo dia do mês, romperam-se naquele dia todas as fontes do grande abismo e
abriram-se as barreiras dos céus".(Gênesis 7, 11).
“No ano seiscentos e um, no primeiro mês, no primeiro dia do
mês, as águas tinham secado sobre a terra. Noé descobriu o teto da arca, olhou e
viu que a superfície do solo estava seca. No segundo mês, no vigésimo sétimo dia
do mês, a terra estava seca". (Gênesis 8, 13-14).
Do início do dilúvio até o dia em que a terra estava toda seca, passaram-se 1
ano e 10 dias (considerando-se o mês de 30 dias). Período confirmado pelo
nascimento de Canaã, neto de Noé, filho de Cam.
Observar que Noé descobriu o teto da arca, o que leva a crer que neste
período todo a arca estava completamente fechada, numa escuridão total. Como
viveram os que lá estavam, neste período todo, sem a luz do sol?
Assim concluímos, que existem fatos na Bíblia que fogem ao censo
lógico e científico. Podemos aceitar que a história de Noé como relatada é
fantasiosa, entretanto como a questão do dilúvio parece constar da cultura de
outros povos, poderemos até aceitar, mas somente se ele tiver sido algo
localizado e não sobre a terra toda.
E para confirmar que a história de Noé, não passa de uma lenda, vamos ver o
que consta da Revista Galileu, Fevereiro/2001, nº 115:
As raízes de Noé.
Lendas sobre grandes dilúvios estão espalhadas entre diferentes
culturas. Estima-se que cerca de 300 histórias desse tipo já tenham sido
registradas. A de Noé, no entanto, é a mais famosa na civilização ocidental.
Estudiosos apontam que o Dilúvio, parte do livro do Gênesis, tenha sido
escrito entre 550 a.C. e 450 a.C., período em que os judeus mais influentes de
Jerusalém foram aprisionados na Babilônia. “O Gênesis cumpria o papel de
reforçar a identidade desse povo”, explica Fernando Altemeyer, professor de
teologia da PUC. Inspirado na literatura babilônica, o livro mostrava que os
judeus tinham uma história e um passado respeitável e deveriam buscar seu futuro
a partir daqueles ensinamentos de seus antepassados.
A história de Noé tem muito em comum com um poema babilônico escrito por
volta de 1600 a.C., que faz parte do Épico de Gilgamesh. O poema trata de
um rei mítico chamado Atrahasis, que é avisado a tempo pelos deuses de que um
dilúvio está prestes a destruir a humanidade. Atrahasis constrói então uma
enorme embarcação, e nela coloca sua família, seus pertences e alguns animais.
As semelhanças entre o Gênesis e Gilgamesh são muitas. A lenda babilônica, por
sua vez, também não é original, mas baseada em uma história suméria cerca de mil
anos mais antiga, provavelmente assimilada pelos babilônicos durante a conquista
da região.
A versão babilônica não influenciou somente o Antigo Testamento.
Entre os gregos, a lenda era muito popular, pois eles mesmos já tinham
presenciado a fúria das águas devido à erupção de um vulcão no século 15 a.C.
Dos gregos, a história passou aos romanos, e dessa vez, quem assume a autoria do
dilúvio é o deus Júpiter, enfurecido com a má conduta humana.
Quanto à teoria da evolução, colocaremos o que escrevemos recentemente sobre
esse assunto: Evolucionismo e Criacionismo.
Em A Gênese, cap. IV, Kardec faz as seguintes colocações:
“A história da origem de quase todos os povos antigos se confunde com a da
sua religião; por isso, os seus primeiros livros foram livros religiosos; e,
como todas as religiões se prenderam ao princípio das coisas, que são, também, o
da Humanidade, deram, sobre a formação e disposição do Universo, explicações em
relação com o estado dos conhecimentos da época, e dos seus fundadores. Disso
resultou que os primeiros livros de ciência, como foram, durante muito tempo, o
único código das leis civis”.
Ao querer colocar a Bíblia como um livro de ciência, o homem reproduziu o que
seu conhecimento podia lhe dar a respeito das leis da Natureza.
Isso é compreensível, não devemos condená-los por esse motivo. Entretanto,
querer manter a Bíblia como um livro em que se encontra toda a ciência do
Universo é querer pensar como os nossos ancestrais pensavam. Devemos abrir nossa
mente para aceitar esta verdade insofismável.
Continua, Kardec:
“A Bíblia contêm, evident |