Reencarnação

Paulo da Silva Neto Sobrinho

“Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo”.
(João 3, 3).

Introdução

Olhando à nossa volta, vemos as diferentes situações e condições em que nós, os seres humanos, nos encontramos: riqueza ao lado da pobreza, saúde e doença, pessoas normais e pessoas deficientes, inteligência versus idiotismo, uma pessoa boa sofrer muito, enquanto uma pessoa má vivendo impune na alegria e despreocupação. E ficamos a questionar o porquê de tudo isto. Onde a justiça e a misericórdia de Deus? Para responder a este importante questionamento só há uma maneira: é aceitar a reencarnação, um dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita.

Conceito

“A palavra ‘reencarnação’ foi gradualmente aceita para transmitir a idéia da possibilidade de um espírito humano ou alma ter diversas vidas sobre a terra. De acordo com o dicionário inglês Shorter Oxford, foi usada pela primeira vez em 1.858, sendo definida como ato de encarnar novamente. Encarnar significa entrar na carne e reencarnar expressa o ato de entrar na carne outra vez. O ego humano separa-se do corpo físico após a morte e, após algum tempo, retorna a um corpo novo. O termo empregado na Grécia antiga era ‘metempsicose’, geralmente traduzido como a ‘transmigração das almas’. É uma designação mais genérica, pois não é limitada pelo renascimento num corpo humano, mas inclui a idéia, então aceita, de que a alma poderia renascer também num animal ou vegetal”, como nos expõe Karl. E. Muller no livro “Reencarnação Baseada em Fatos”.

Na Antigüidade

Pensa-se que a reencarnação foi inventada pela Doutrina Espírita, entretanto vamos encontrá-la já na Antigüidade. Assim é que os povos da Índia, Egito, China, Pérsia e Grécia acreditavam que a alma poderia ter várias vidas.

Gabriel Delanne, diz no livro “A Reencarnação” que iremos encontrar nos Vedas (1.300 a.C.), que é o conjunto de textos sagrados, base fundamental da tradição religiosa – do Bramanismo e do Hinduísmo – e filosófica da Índia esta passagem: “A alma não nasce nem morre nunca, ela não nasceu outrora nem deve renascer; sem nascimento, sem fim, eterna, antiga não morre quando se mata o corpo. Como poderia aquele que sabe impecável, eterna sem nascimento e sem fim matar ou fazer matar alguém? Assim como se deixam as vestes gastas para usar vestes novas, também a alma deixa o corpo usado para revestir novos corpos. Eu tive muitos nascimentos e também tu, Arjuna; eu as conheço todas, mas tu não as conheces...”.

E os filósofos e os grandes sábios

Sobre o que os filósofos pensavam a respeito desse assunto, Dr. Inácio Ferreira, em seu livro “Psiquiatria em Face da Reencarnação”, nos traz o seguinte:

“Pitágoras, devido às suas viagens ao Egito, ficou conhecendo esses ensinamentos e os introduziu na Grécia, transmitindo, aos iniciados o conhecimento da reencarnação ascensional, e ao povo, devido a sua pouca compreensão, a mesma coisa, porém com regressão às formas inferiores, donde o erro da metempsicose”.

“Timeu de Locres, seu discípulo, arraigou, mais ainda, no espírito do povo, a transformação das almas, fazendo-lhe crer que elas passavam dos homens para o corpo das mulheres, naquele tempo, expostas ao desprezo e injúrias; dos assassinos, para os animais ferozes; dos impudicos, para os porcos; dos preguiçosos para os loucos; dos ignorantes, para os animais aquáticos”.

“Heródoto, aceitando, também os ensinamentos egípcios, os espalhou na Grécia, desvirtuando-os à regressão por penalidade”.

“Aristófanes e Sófocles, sob a denominação de as esperanças da morte, ensinavam, além das existências sucessivas das almas, a unidade de Deus e a pluralidade dos mundos”.

“Sócrates, Apolônio de Thyana, Empédocles, Platão, também acreditavam na reencarnação, dizendo este último; “aprender é recordar”, baseando-se, assim, na reminiscência”.

Mais adiante, sobre os sábios nos diz ele:

“É digno de ver como os cientistas, os sábios materialistas se perdem em um mar de conjecturas e teorias as mais disparatadas para explicar porque um:

“Essas coisas, evidentemente, só podem ser explicadas pelas experiências adquiridas em vidas passadas. Idealismo, dizem uns. Cérebros férteis em imaginações, dizem outros! Tolice, dizem os mais sábios e, no entanto, até para os mais sábios as crianças-prodígio e os filhos destes próprios sábios vêm desmentir as leis da hereditariedade ou, pelo menos, reduzi-las a expressão um pouco mais simples, tirando-lhes o caráter de generalidade. Assim viveu a humanidade e continua vivendo sem se apoiar no espírito”.

Na atualidade

Vejamos uma reportagem publicada na coluna “Um dia no Mundo”, do Jornal o Estado de Minas, no dia 19.07.1.994, página 13:

Menino de 4 anos já é líder budista

“Duas mil pessoas assistiram ontem no templo budista de Kagyu Ling (La Boulaye – França) à cerimônia de ascensão do menino Tulkou Kalou Rinpoche ao título de Lama. A criança, nascida em Paris de pais butani-tibetanos, foi declarada oficialmente a reencarnação de Kalou Rinpoche, um dos maiores Lamas do Budismo (falecido em l.989) e íntimo de Dalai Lama, o guia espiritual dos tibetanos. Kalou, 4 anos, fala francês, inglês e tibetano, e com apenas um ano, reconheceu os pertences de seu mestre”.

A reencarnação e a lei do carma constituem os postulados básicos do Budismo, religião seguida pelos povos da Índia, Ceilão, China, Vietnã, Coréia, Japão, Birmânia, Tibete, Camboja, Indonésia, Mongólia e Tailândia.

Essa crença se torna cada vez mais aceita entre os povos, inclusive no Brasil. Pesquisa realizada em agosto de 1.991, pela Igreja Católica, e divulgada no informativo “Construir a Esperança” n.º 7, da qual tiramos:

“A crença na vida eterna, imortalidade da alma e vida após a morte parece bastante confusa, mesmo para os católicos. É mais forte entre umbandistas e espíritas, que acreditam na reencarnação, crença partilhada também por mais de 60% dos católicos e 20% dos protestantes e crentes. (resta a dúvida do que se entende exatamente por reencarnação)”.

Obtiveram os seguintes dados:

Religiões na Grande BH

Adeptos

Acreditam na reencarnação

Católicos

73,3%

43,98%

Crentes Evangélicos

9,0%

1,8%

Espíritas (Kardecistas)

3,9%

3,9%

Protestantes tradicionais

3,4%

0,68%

Umbandistas ou tradições afro

1,4%

1,4%

Outras religiões

0,8%

--

Sem religião

8,2%

--

Soma

100,0%

51,76%

Como se poder observar a maioria, 51,76%, acredita na reencarnação.

No meio científico acompanhamos o desenrolar de pesquisas que buscam confirmar a reencarnação, onde trabalhos de pesquisadores de renome vêm contribuindo para o fortalecimento, cada vez mais, dessa crença.

O Dr. H. N. Banerjee (Índia), no seu livro “Vida Pretérita e Futura”, analisa casos de crianças que se lembraram, espontaneamente, de vidas anteriores.

O Dr. Ian Stevenson (EUA), médico e professor de psiquiatria, estuda o mesmo assunto, já tendo lançado um livro “20 Casos sugestivos de Reencarnação”, onde após o relato das crianças sobre uma vida anterior, procurou confirmar tais relatos indo aos locais onde elas afirmaram ter vivido anteriormente.

É cada vez mais empregada a TVP – Terapia de Vidas Passadas no sentido de ajudar às pessoas. O psiquiatra leva, por hipnose ou relaxamento, o paciente às vidas anteriores, em busca da causa que deu origem ao problema vivencial desse paciente, já que não foi encontrada nesta existência. Por exemplo: uma pessoa tem um medo tremendo de água, após a regressão descobre-se que, em uma existência anterior, ela morreu afogada, e quando volta da regressão, se liberta do medo, parecendo que ao reviver o problema o seu trauma também passa a ficar só no passado.

No campo da TVP, podemos citar os pesquisadores: Dr. Patrick Drouot, físico francês, autor dos livros “Reencarnação e Imortalidade” e “Nós somos todos imortais”; Dra. Edith Fiore, psicóloga, norte-americana, autora dos livros: “Você já Viveu Antes” e “Possessão Espiritual”; Dra. Helen Wambrach, psicóloga norte-americana, autora do livro: “Recordando Vidas Passadas”; Dr. Brian Weiss, psiquiatra e neurologista norte-americano, autor dos livros: “Muitas Vidas, Muitos Mestres” e “A Divina Sabedoria dos Mestres”.

Interessante e digno de nota é a pesquisa do Dr. Raymond A Moody Jr (EUA), psiquiatra, autor dos livros “Vida depois da Morte” e “Reflexões sobre a Vida depois da Morte”, que estuda os casos de “morte aparente”, as chamadas “EQM – Experiências de quase morte”, onde seus pacientes relataram o que se passou com eles quando estavam “desligados” deste mundo. Há casos em que a pessoa se encontra em coma no CTI de um Hospital, e conta, com riqueza de detalhes, o que estava ocorrendo com ela neste período, tendo, inclusive, algumas relatado fatos que aconteceram em outro andar do Hospital. Estas pesquisas embora não busquem provar a reencarnação, vêm demonstrar que o espírito não depende do corpo físico, tendo assim “vida independente”. Daí surgem os naturais questionamentos: se não depende do corpo para sobreviver, onde estará depois da morte? Onde esteve antes desta vida? Questões que são respondidas pelos princípios da reencarnação e da evolução do ser espiritual.

A reencarnação no Evangelho

Embora encontremos muitas pessoas dizendo que a reencarnação não consta do Evangelho, pelo nosso estudo chegaremos à conclusão de que consta. E apesar de sua clareza, vem sendo negada sistematicamente por várias correntes religiosas, fora os casos daqueles que a vêem, mas não querem admiti-la, distorcendo assim as interpretações das passagens evangélicas em que o assunto é tratado.

Iremos desenvolver nossos estudos de forma que venhamos a ter uma visão de como as pessoas na época de Jesus pensavam sobre o assunto, assim temos:

a) Para os discípulos

A idéia que os discípulos faziam está em João 9, 1-3:

“Quando ele ia passando, viu um homem que era cego de nascença. Os discípulos perguntaram: "Mestre, quem pecou, para este homem nascer cego, foi ele ou seus pais?” Jesus respondeu: "Nem ele nem seus pais, mas isso aconteceu para que as obras de Deus se manifestem nele".

Como um cego de nascença poderia ter pecado? Se a cegueira fosse “castigo de Deus” pelo pecado daquele homem, onde estaria seu pecado, pois era cego desde quando veio ao mundo. Assim, somente poderia ter cometido suas faltas em existências anteriores, fato em que os discípulos acreditavam, pois só assim justificaríamos a pergunta deles a Jesus: “Quem pecou, para este homem ter nascido cego, foi ele ou seus pais?”.

Diante do princípio “a cada um segundo suas obras” (Mateus 16, 27), no dizer do Mestre, ninguém paga pelo erro do outro, ficando a responsabilidade dos atos atribuída às próprias pessoas que os praticam.

A resposta de Jesus: Nem ele nem seus pais, mas isso aconteceu para que as obras de Deus se manifestem nele, poderá ser explicada da seguinte forma: diante de tanta ignorância e atraso espiritual daquele povo, havia a necessidade de Jesus fazer alguns “milagres”, como os fez, no sentido de despertar as criaturas para as verdades do Pai. Assim, juntamente com Jesus, encarnaram vários outros espíritos que vieram com a tarefa de auxiliá-lo, em sua missão e este homem cego era um deles. Os que escolheu como apóstolos largaram tudo para seguí-Lo, atendendo ao seu chamado, que funcionou como lembrete do compromisso que assumiram, quando estavam no plano espiritual.

b) Para o Povo em Geral

“Tendo chegado à região de Cesaréia de Felipe, Jesus perguntou aos discípulos: "Quem dizem por aí as pessoas que é o filho do homem?” Responderam: "Umas dizem que é João Batista, outras que é Elias, outras, enfim, que é Jeremias ou algum dos profetas”.(Mateus 16, 13-14; Lucas 9, 18-19; Marcos 8, 27-28).

O povo também acreditava que uma pessoa que já morreu poderia voltar. Ao dizerem que Jesus seria João Batista, Elias, Jeremias ou alguns dos profetas, confirmam este entendimento, pois todos eles já haviam morrido, inclusive, destes, somente João Batista foi contemporâneo de Jesus, entretanto à época desta narrativa já tinha sido morto por Herodes.

“Nesse ínterim, Herodes, o Tetrarca, ouvia falar de tudo o que fazia Jesus e seu espírito se achava em suspenso – porque uns diziam que João Batista ressuscitou dentre os mortos; outros que aparecera Elias; e outros que um dos antigos profetas ressuscitara. – Disse então Herodes: "Mandei cortar a cabeça de João Batista; quem é então esse de quem ouço dizer tão grandes coisas? E ardia por vê-lo”. Marcos 6, 14-16 e Lucas. 9, 7-9).

Nesta passagem encontramos novamente o pensamento do povo a respeito de Jesus. Entretanto, desta podemos tirar, sem nenhuma sombra de dúvida, que naquele tempo o conceito de ressurreição é o que hoje chamamos de reencarnação. Conforme o texto, Jesus, no pensamento do povo, poderia ser João Batista ou mesmo um dos antigos profetas ressuscitado, o que significa em linguagem clara é que pensavam mesmo é na possibilidade de Jesus ser alguém que tinha vivido anteriormente em nova encarnação.

c) Para os intelectuais

Em João 3, 1-8: “Havia entre os fariseus um, chamado Nicodemos, dos mais importantes entre os judeus. Ele foi encontrar-se com Jesus à noite e lhe disse: "Rabi, bem sabemos que és um Mestre enviado por Deus, pois ninguém seria capaz de fazer os sinais que tu fazes, se Deus não estivesse com ele”. Jesus respondeu: "Eu te afirmo e esta é a verdade: ninguém verá o reino de Deus se não nascer de novo”. Disse-lhe Nicodemos: "Como pode nascer um homem já velho? Pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, para nascer segunda vez?” Jesus respondeu: "Eu vos afirmo e esta é a verdade: se alguém não nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus. O que nasce da carne é carne; o que nasce do Espírito é espírito. Não te admires do que eu disse: é necessário para vós nascer de novo. O vento sopra para onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem aonde vai. Assim é quem nasceu do Espírito”.

Antes de nossa argumentação, vamos ver o que consta de Atos 23, 8: “É que os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjos, nem espíritos, enquanto que os fariseus admitem todas estas coisas".Nicodemos era um fariseu, portanto, conforme deduzimos deste texto, ele acreditava na ressurreição, que conforme mostramos anteriormente, corresponderia dizer que ele acreditava na reencarnação.

Observemos que Nicodemos entendeu o que Jesus quis dizer com o “nascer de novo”, e a dúvida que lhe ficou era: como isto poderia acontecer. Razão de suas perguntas: Como pode nascer um homem já velho? Pode voltar ao ventre de sua mãe e nascer segunda vez?

Jesus separa distintamente o corpo físico do elemento espiritual, o que nasce da carne é carne, o que nasce do espírito é espírito. E observe-se que aqui Ele substitui o nascer “da água” pelo nascer “da carne”, mostrando-nos que, de fato, há dois tipos de nascimento, isto é, um biológico, e outro espiritual.

d) Para Jesus

Veremos agora o próprio Jesus confirmar a reencarnação, fato que não combateu, quando do questionamento dos discípulos acerca do cego de nascença, e a respeito de quem as pessoas pensavam que Ele era.

No Antigo Testamento, o profeta Malaquias (3, 23) anuncia a volta de Elias: “Vou mandar-vos o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor, e ele converterá o coração dos pais para os filhos, e o coração dos filhos para os pais, de sorte que não ferirei mais de interdito a Terra".

A volta é de Elias, mas alguns, querendo fugir da realidade da reencarnação, procuram às vezes dar ao termo Elias o significado de Mensageiro. Outros dizem que é porque o ministério de João Batista é semelhante ao de Elias, não tendo, portanto, nada a ver com reencarnação.

Em Lucas l, 11-14, encontraremos o anúncio da chegada de Elias: “Mas o anjo lhe disse: “Não tenhas medo, Zacarias, porque tua oração foi ouvida: tua esposa Isabel vai te dar um filho e lhe porás o nome de João. E continuando no versículo 17: “Ele o precederá com o espírito e o poder de Elias, para reconduzir o coração dos pais aos filhos, bem como os rebeldes aos sentimentos dos justos. Vai preparar assim para o Senhor, um povo bem disposto”.

Se João estaria com o espírito e o poder de Elias, a conclusão óbvia é que João era o próprio Elias reencarnado. Por que não disse no espírito de Elias e no poder de Deus? É porque se referia mesmo a Elias.

E, finalmente, a confirmação que João Batista era o Elias: “Os discípulos lhe perguntaram: "Por que dizem os escribas, que Elias deve vir antes?” Respondeu-lhes: "Elias há de vir para restabelecer todas as coisas. Mas eu vos digo que Elias já veio e não o reconheceram, mas fizeram com ele o que quiseram. Do mesmo modo, também o filho do homem está para sofrer da parte deles. Então, os discípulos compreenderam que Jesus lhes tinha falado a respeito de João Batista”.(Mateus 17, 10-13; Marcos 9. 11-13).

O espírito Elias não foi reconhecido por estar reencarnado num novo corpo, agora com o nome de João Batista. Se fosse o contrário, Jesus não deixaria que seus discípulos continuassem pensando que João era o Elias, já que em várias outras passagens, demonstrou conhecer os pensamentos mais íntimos das pessoas.

E para que não restasse dúvida alguma quanto a isso, vem ele próprio dizer: “E, se quiserdes compreendê-los, João é o Elias que estava para vir. Quem tiver ouvidos, que escute bem".(Mateus 11, 14-15).

Aqui fica bem clara e taxativa a reencarnação, pois é da boca do próprio Jesus que sai a afirmativa de João ser o Elias que estava para vir antes Dele, a fim de preparar-Lhe o caminho.

E como sabia que ainda os homens levariam muito tempo para o completo entendimento de que falava da reencarnação, acrescenta: “Quem tiver ouvidos, que escute bem".

E a Justiça Divina

Em certa oportunidade, conversávamos com um amigo a respeito do porquê das grandes diferenças que vemos à nossa volta: saúde x doença, riqueza x pobreza, genialidade x idiotice e as mais variadas situações em que o ser humano se encontra neste mundo. Perguntamos, por que motivo Deus nos colocaria em tais situações? A resposta foi imediata: “Para Deus nos mostrar o seu poder”. Não me dei por satisfeito, pois penso que: na qualidade de criaturas insignificantes que somos, Deus nunca iria rebaixar-Se tanto a tal ponto de ter necessidade de Se afirmar para nós como o “Todo Poderoso”. Não aceitava esta justificativa, por não ver Deus como um ser sujeito a ter que provar nada para ninguém, e muito menos, a nós pobres mortais. Percebi então que na verdade nós, os seres humanos, ao imaginarmos como seria Deus, transferimos a Ele aquilo que somos. Víamos, em nossa estreita visão, ser Ele um velho de cabelos longos e barbas brancas, sujeito às imperfeições humanas, indeciso, pois Ele não sabia realmente o que queria, já que fazia algo, e depois o destruía e além de se mostrar irritado, vingativo, perseguidor, estava mais para “Senhor dos exércitos” do que para ser um Ser, cujo amor deveria ser infinito.

Lembramo-nos, então, de uma passagem do Evangelho (Mateus 7, 9-11), em que Jesus dizia: “Quem de vós dará uma pedra ao filho que pede pão? Ou uma serpente ao que pede um peixe? Se vós então, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará boas coisas aos que lhe pedirem!” O que, em outras palavras, significa nós, maus que somos, damos e queremos o melhor para nossos filhos, e, com certeza Deus dará muito mais que nós a seus filhos (que somos nós os seres humanos). E pensávamos, se nós pais tivéssemos todo o poder para dar aos nossos filhos o que quiséssemos, nós daríamos a um a saúde e a outro a doença, colocando um rico e outro pobre? Não, com certeza. Ora, se nós damos o que é bom para eles por que achar que Deus, que é a perfeição absoluta, não daria? Aqui, com mais certeza, ainda, diríamos novamente não. Entretanto as diferenças estão aí, onde conciliar sua justiça? Se todos nós somos seus filhos, não seria justo dar a um e não dar a outro. Inconciliável, portanto, a Justiça Divina com uma só existência, pois aquele que não teve algo nesta vida, estaria definitivamente privado de usufruir em qualquer oportunidade deste algo. A reencarnação entraria aqui, e esta pessoa teria em outra vida aquilo que não teve na atual.

Outras situações só poderiam ser resolvidas pela reencarnação. Muitas vezes uma pessoa se torna má mais pela influência do meio em que nasceu, quase, por assim dizer, que foi induzida a ser má. Como o lugar em que deveremos nascer é Deus que escolhe, seria totalmente injusta uma situação dessa. Esta pessoa passa a vida inteira praticando a maldade, e se depois de sua morte, o seu destino for o “inferno”, seria Deus mais injusto ainda. Não haveria para ela nenhuma nova chance? É claro que sim, pois seria perdoada “setenta vezes sete”. A misericórdia e a justiça de Deus são manifestadas pela reencarnação, em que, em novas vidas, ela tem a oportunidade de se aperfeiçoar até que, por fim, se torne perfeita.

Mas, para uma melhor compreensão da Lei da Reencarnação, e de como ela nos afeta, devemos buscar outros princípios da Doutrina Espírita em que podemos verificar qual seria o seu reflexo em nossas vidas, assim temos:

a) Livre-arbítrio

Somos inteiramente livres para decidir qual o caminho que iremos percorrer. A nossa consciência nos dá o discernimento para sabermos o que é bom ou o que é mau, e desta forma, podemos fazer a escolha que acharmos mais conveniente.

b) Lei de ação e reação

Também conhecida como Lei do carma. Como conseqüência do uso do nosso livre-arbítrio, iremos atingir, vamos assim dizer, outra lei que é a lei de causa e efeito (ação e reação). Consiste em: tudo o que fizermos voltará a nós mesmos. É no dizer de Jesus:“Quem com a espada fere, com a espada será ferido". (Mateus 26, 52).

Todos os nossos atos e pensamentos trarão de volta reações que, não sendo boas, irão atingir o nosso corpo espiritual, chamado perispírito. E como o perispírito é o molde do nosso corpo físico nas futuras reencarnações, quanto mais atingido por nossas más ações, mais deficiente e deformado será esse novo corpo físico de nossas novas reencarnações. É por esta lei que afirmamos que os maiores beneficiários de nossas boas ações na caridade e no amor ao próximo somos nós mesmos.

c) Lei do Progresso

O nosso livre-arbítrio conjugado com a Lei de ação e reação fará com que, inevitavelmente, busquemos cada vez mais ir de encontro àquele que nos criou. É o progresso espiritual a que todos nós, independentemente de raça, cor, posição social, religião, etc., estamos sujeitos, utilizando-nos das várias encarnações, para que possamos nos moralizar cada dia mais, até chegarmos ao Pai. O progresso se torna obrigatório para todos nós, pois o amor do Pai nos atrai irresistivelmente a Ele, por isso podermos dizer, agora, que o nosso livre-arbítrio é relativo.

Ao buscarmos o “sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai Celestial”, seguindo a valiosa orientação de Jesus, estaremos subindo a nossa “escada de Jacó”. Cada degrau corresponderá ao nosso progresso espiritual, quando incorporamos em nossos espíritos os verdadeiros valores morais da vida, até que, um dia, cheguemos ao topo da escada, encontrando-nos com Deus, nosso Pai, que estará de braços abertos para nos receber, a exemplo da Parábola do Filho Pródigo. Entraremos na vida eterna, ou seja, viveremos a nossa condição de espíritos puros, não mais necessitando de reencarnar.

E as pesquisas

Já falamos, anteriormente, das pesquisas realizadas por Dr. Ian Stevenson (EUA) e Dr. H. N. Banerjee (Índia), muito embora não sejam ainda consideradas como provas científicas, trazem fortíssimas evidências que, com certeza, dentro de algum tempo, passarão da classe de teoria para a de prova concreta, tal é o critério científico utilizado nelas.

Vamos mostrar alguns trechos do livro “Vida Pretérita e Futura” – 25 anos de estudos sobre a reencarnação publicado em l.979 pelo Dr. Banerjee:

- "Durante anos, os pesquisadores parapsicólogos que estudam os casos de reencarnação têm sido considerados charlatões, e seus estudos classificados como de efêmero valor. Mas, depois de mais de vinte e cinco anos de pesquisas neste campo, em que estudei mais de 1.100 casos de reencarnação em todo o mundo, e publiquei vários trabalhos sobre o assunto, a crítica diminuiu e surgiu maior interesse. Os fatos que cada vez mais chegam ao nosso conhecimento são tão impressionantes, que agora a comunidade científica passou a considerá-los como dignos de pesquisa”.

“Desde o começo, decidi formar um centro de estudos internacional sobre a reencarnação. Seu objetivo seria estudar cientificamente casos de vidas anteriores em todo o mundo e coligir dados relativos aos mesmos".

- “Minhas pesquisas de um quarto de século convenceram-me de que há muitas pessoas, nos Estados Unidos e em outras partes do mundo, dotadas de memórias diferentes, o que não se pode obter por vias normais. Chamo esse tipo de memória de" memória extracerebral ", porque as afirmações dos sujeitos de possuírem lembranças de vidas anteriores parecem ser independentes do cérebro, principal repositório da memória. É fato científico que ninguém é capaz de lembrar o que não aprendeu anteriormente (grifo nosso)”.

- “Os casos descritos neste livro não se baseiam no ouvir dizer nem em estórias de jornais; baseiam-se em pesquisas que fiz através de rigorosos métodos científicos. Meu estudo sobre a reencarnação foi concebido à luz de várias hipóteses, tais como, a fraude, a captação de lembranças através de meios normais, e a percepção extra-sensorial".

- "Usei os nomes das pessoas aqui citadas e dos locais onde ocorreram os fatos, a fim de realçar que os sujeitos dotados de lembranças de vidas anteriores realmente existem, não são fictícios; além disso, suas afirmações foram convenientemente confirmadas".

Achamos necessárias essas citações, para que cada um possa ter uma exata idéia da seriedade dessas pesquisas.

Nosso exemplo será de um dos casos do Livro “20 Casos Sugestivos de Reencarnação” do Dr. Ian Stevenson, Diretor do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Virgínia, EEUU, que também dedicou grande parte de sua vida ao estudo da reencarnação, interrogando milhares de pessoas que diziam lembrar-se de uma ou mais vidas anteriores. Além de registrar os depoimentos conseguidos, pesquisou os fatos relatados, e procurou descobrir se os personagens a eles relacionados realmente existiam. Os casos foram estudados de forma científica em várias partes do mundo. Mas, vamos a ele, então:

“Trata-se do caso do pescador Willian George, membro da tribo dos tlingits, Alasca, EEUU. Em várias ocasiões, conversando com seu filho e sua nora, ele disse que iria reencarnar como filho deles e que seria reconhecido pelas marcas que traria no corpo, semelhantes às que tinha no ombro esquerdo e na face interna do antebraço. Em julho de 1.949 entregou a seu filho um relógio de ouro que estimava muito, pedindo que o conservasse para quando retornasse em outra existência. No mês seguinte Willian George saiu para pescar e desapareceu, sem que seu corpo fosse jamais encontrado”.

“Pouco tempo depois sua nora engravidou e, a 5 de maio de 1.950, deu à luz a um menino. Durante o parto ela sonhou que seu sogro aparecera e, quando voltou a si depois do parto, esperava ver o sogro (talvez como um espírito) em sua forma adulta anterior. Mas o que viu foi um bebê robusto que trazia em seu corpo sinais exatamente iguais aos que seu sogro tinha em vida e também nas mesmas regiões. A identificação dessas marcas de nascença levou os pais a chamá-lo de Willian George Júnior”.

“À medida que o menino crescia, mostrava traços de gostos, aversões e aptidões semelhantes aos do avô. Este, por exemplo, costumava virar o pé direito para fora, hábito que o menino também apresentava. Os traços faciais, a tendência à irritabilidade, o hábito de dar conselhos, o conhecimento de pesca e de barcos e dos lugares piscosos eram semelhantes aos do avô, e, o que é bastante estranho, o jovem tinha um incomum medo da água. Também era mais sério e sisudo que seus companheiros”.

“Além dessas características, o menino mostrava marcante identificação entre a sua personalidade e a do seu avô, dizia que a tia-avó era sua irmã e tratava os outros como se fossem filhos ou filhas”.

“Quanto ao relógio de ouro, um dia sua mãe resolveu examinar as jóias que possuía e tirou-as juntamente com o relógio, do porta-jóias. Quando o garoto viu o que ela estava fazendo, agarrou o relógio dizendo que era seu e só com muita dificuldade a mãe conseguiu que ele o devolvesse”.

“Os familiares do menino, que foram cuidadosamente inquiridos pelo pesquisador, afirmaram, categoricamente, que jamais haviam falado sobre o relógio ou mencionado as palavras de Willian George”.

“O caso de Willian George Jr mostra as seguintes evidências reencarnacionistas: recordações iniciando-se na infância, visão, déjá vu (reconhecimento de um lugar onde nunca se esteve antes), sonhos anunciadores, informações da própria pessoa antes de morrer, prometendo voltar, defeitos congênitos e marcas de nascença, aptidões inatas ou sankharâ”.

E se fossemos relatar outros casos teríamos a certeza de que, realmente, somente o princípio da reencarnação pode explicá-los. Mas este trabalho de pesquisar sobre o assunto deixamos a você, caro leitor, busque conhecer o que já se tem a este respeito, principalmente fora da literatura Espírita, como os estudos dos pesquisadores já citados no presente estudo, e tire suas próprias conclusões, sem preconceitos e sem medo de descobrir a verdade.

Objeções à reencarnação

No desenrolar deste estudo sobre a questão da reencarnação, procuramos, na medida do possível, colocar-nos numa linha de raciocínio em que, quem pôde dispensar um pouco de seu tempo para lê-lo, pudesse verificar que ela existe de fato, entretanto sabemos que algumas pessoas ainda resistirão em aceitá-la de pronto.

Não haverá de nossa parte nada por que venhamos a condená-las, pois sabemos que a verdade nem sempre é aceita pacificamente por nós, haja vista vários exemplos citados pela História, como o caso de Galileu Galilei, que “teimava” em afirmar que a Terra não era o centro do Universo, que era ela que se movia em torno do Sol, e quase o queimaram por isso. No entanto, hoje, como acharíamos ridícula a afirmativa de que todos os astros celestes giram em torno da Terra, verdade absoluta daquela época. Assim é que a verdade é bem relativa, está diretamente relacionada com outros fatores que podem até bloquear o nosso raciocínio. Somente aceitamos como verdadeiro o que nossa mente consegue captar e compreender, é como me disse, de certa feita, um amigo: “Cada um tem a verdade que merece”.

No nosso caso, a reencarnação, que fatores são estes que poderemos trazer como sendo impedimentos, por assim dizer, de aceitá-la sem objeções? Pensando sobre isso, conseguimos identificar pelo menos cinco fatores que, com certeza, não são todos, e é bem capaz de poderem ser ampliados pela opinião de cada um dos leitores, mas vamos a eles, então:

1) Fatores culturais

Citamos, anteriormente, países em que a crença da reencarnação é admitida por seus povos. No entanto, outros há que, ou não se importam com o assunto ou até mesmo o combatem. Aqui no Brasil a situação é meio termo. Mas o ponto a que queremos chegar é: se quem não admite a reencarnação tivesse nascido em um país que a tem em sua cultura, não é bem certo que essa pessoa, nesta situação, acreditaria sem maiores problemas? É quase de todo provável que até defenderia esse ponto de vista, não é mesmo?

2) Princípios religiosos

Este ponto pode, até em certos casos, ser também uma questão cultural, mas não é sobre este aspecto que iremos abordá-la. É sobre a própria base religiosa. Aqui, também, umas religiões a aceitam, outras não, e há até aquelas que a combatem como se fosse uma heresia.

No entanto, para termos Deus como sendo um Pai bondoso, justo e misericordioso, o destino final de todos nós deverá ser o “paraíso” eterno junto a Ele. Coisa que as religiões não conseguem perceber que, sem o princípio da reencarnação, isso é impossível. Não admitem Deus nos dando nova oportunidade aqui na Terra, ou até mesmo em outros mundos, para que possamos evoluir, no duro aprendizado da vida num corpo físico. Ao invés disso, dizem que Ele nos colocaria num “inferno”, eternamente, situação bem contrária ao “perdoar setenta vezes sete”. Alegam, inclusive, que não consta da Bíblia este princípio, mas como Jesus afirmou: “ouça, quem tem ouvidos de ouvir”, ficará clara para aqueles que estudam os ensinos do Mestre, não se baseando na fé cega, mas, na fé raciocinada. A estes também perguntaríamos: e se Deus os tivesse feito nascer numa religião que aceita a reencarnação, como agiriam? Vejam que nesta situação, como na anterior, um simples lugar de nascimento poderia mudar por completo nossa crença.

3) Não se lembrarem das vidas anteriores

Como poderia a reencarnação nos trazer alguma evolução, se não nos lembramos de nossas vidas anteriores? Seria mais uma boa pergunta. Talvez ainda não tenhamos parado para pensar seriamente sobre essa situação. Ora, se perguntássemos a cada um dos leitores: o que estavam fazendo a tal hora de tal dia, a uns 10 anos atrás, é bem provável que quase ninguém conseguiria se lembrar. Podemos até lembrar-nos de algum episódio acontecido em nossa vida atual, mas não os teríamos todos na lembrança. Entretanto, nem por isso poderíamos afirmar que não tivemos infância, por não nos lembrarmos das coisas que nos aconteceram neste período de nossas vidas. Também não nos lembramos de tudo o que a nossa professora do primário nos ensinou para aprendermos a ler e escrever, mas hoje mesmo, sem lembrar como exatamente ela nos ensinou, sabemo-lo fazer. Do mesmo modo, as nossas experiências de vidas passadas ficam gravadas em nossa memória integral, e hoje nós as colocamos para fora em forma de intuição ou mesmo de uma aptidão para determinada coisa. São os casos, por exemplo, das crianças ditas “prodígios”, que muitas vezes sabem de algo sem terem, nesta vida atual, aprendido aquilo de que possuem o conhecimento.

Mas os acontecimentos podem não ser totalmente insondáveis, pois há casos, registrados por pesquisadores, sobre os quais já falamos anteriormente, em que crianças e adultos se lembraram espontaneamente de vidas anteriores. Também por hipnose pode-se, por assim dizer, ler esses arquivos, inclusive este método é atualmente utilizado por psicólogos e psiquiatras na busca de soluções dos problemas emocionais ou mentais de seus pacientes na aplicação da técnica da TVP – Terapia de Vidas Passadas.

4) Como se explicaria o aumento da população mundial

Numa certa linha de raciocínio, a dificuldade de compreender que não seria possível a população do mundo aumentar, se tivermos que reencarnar, nos coloca diante da questão: de onde viriam os espíritos? Fica realmente impossível de explicar isso àqueles que ainda acreditam que somente a Terra é um mundo habitado. Aos que acreditam em outra possibilidade é fácil: os espíritos vêm de outros mundos, assim como nós, conforme a evolução que formos adquirindo, também migraremos para outros planetas.

Olhando o céu, numa noite bem escura e estrelada, chegaremos à conclusão da nossa imensa pequenez diante do cosmo infinito, não podemos mais achar que somente o nosso insignificante planeta tenha vidas. Hoje, se os cientistas colocam radares cada vez mais potentes na tentativa de captar alguma mensagem de outro mundo é porque essa possibilidade é bem grande, a não ser que os taxemos de “cientistas loucos”, razão porque dispensam muito tempo e dinheiro nesta tentativa. Se algo ainda não foi captado não quer necessariamente dizer que não será um dia.

5) Não há provas científicas

Evidentemente, quem assim pensa, é porque está totalmente por fora das pesquisas sobre o assunto. As pesquisas são feitas obedecendo a métodos e critérios rigorosamente científicos, sendo, portanto, conclusões científicas. Os casos de recordações espontâneas de vidas passadas catalogados são tão numerosos hoje em dia, que passam a confirmar essa hipótese.

Como se afirma no meio científico: “ninguém é capaz de lembrar o que não aprendeu anteriormente”. As intuições, as aptidões e as lembranças de situações de outras vidas tornam-se realidades, porque são coisas adquiridas ou acontecimentos de vidas passadas.

Não há, pois, como negar o seu valor científico.

O que o codificador diz a respeito?

Na verdade, este item ficaria melhor antes do anterior. Entretanto, como queremos fechar este estudo com “chave de ouro”, achamos por bem colocá-lo aqui no final. Justificamos: porque os argumentos de Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, são irretocáveis, devido às suas inteligentes colocações. Assim sendo, a partir de agora, tudo o que iremos colocar, neste item, são opiniões de Kardec, extraídas do “Livro dos Espíritos”, capítulo V do Livro Segundo:

“Os Espíritos, ensinando a doutrina da pluralidade das existências corporais, renovam pois, uma doutrina que nasceu nas primeiras idades do mundo e que se conservou até os nossos dias no pensamento íntimo de muitas pessoas”.

“Apresentam-na apenas sob um ponto de vista mais racional, mais conforme com as leis progressivas da Natureza e mais em harmonia com a sabedoria do Criador, despojada dos acessórios da superstição. Uma circunstância digna de nota é que não foi somente neste livro que eles a ensinaram nos últimos tempos. Antes da sua publicação numerosas comunicações da mesma natureza foram obtidas, em diversos países, e depois se multiplicaram consideravelmente. Seria o caso de examinarmos, aqui, porque todos os Espíritos não parecerem de acordo com esse ponto; isso faremos mais tarde”.

“Examinemos o assunto sob um outro ponto de vista, e, abstração feita de toda a intervenção dos Espíritos, deixemo-los de lado por enquanto; suponhamos que esta teoria não foi ensinada por eles e mesmo que ela não foi jamais, por eles cogitada. Coloquemo-nos, momentaneamente, em um terreno neutro, admitindo o mesmo grau de probabilidade para uma e outra hipótese, a saber: a da pluralidade e da unidade das existências corpóreas, e vejamos para qual delas nos guiará a razão e o nosso próprio interesse”.

“Certas pessoas repelem a idéia da reencarnação por motivos apenas da sua conveniência, dizendo acharem bastante uma só existência e que não gostariam de recomeçar outra semelhante; reconhecemos que o simples pensamento de que tenham de reaparecer sobre a Terra, as faz pularem de furor. Temos só uma coisa a lhes perguntar: é se pensam que Deus pediu seus conselhos e consultou seu gosto para regular o Universo. Ora, de duas coisas, uma: ou a reencarnação existe, ou não existe; se existe, embora os contrarie, será preciso suportá-la sem que Deus tenha que lhes pedir permissão para isso. Parece-nos ouvir um doente dizer: “Já sofri demais hoje e não quero mais sofrer amanhã”. Qualquer que seja a sua irritação, ela não o ajudará a sofrer menos amanhã e nos dias seguintes, até que esteja curado; portanto, se eles devem tornar a viver corporalmente, eles viverão, eles se reencarnarão; protestarão inutilmente, como uma criança que não quer ir à escola ou um condenado que não quer ir para a prisão, pois, é necessário que passem por ela. Semelhantes objeções são muito pueris para merecerem um exame mais sério. Diremos, entretanto, para os tranqüilizar, que a Doutrina Espírita sobre a reencarnação não é tão terrível como imaginam, e se a tivessem estudado a fundo não ficariam tão assustados. Saberiam que as condições dessa nova existência depende deles; ela será feliz ou infeliz segundo o que tiverem feito neste mundo, e podem, a partir desta vida, se elevarem tão alto que não tremerão mais a queda no lodaçal”.

“Suponhamos que falamos a pessoas que crêem em um futuro qualquer depois da morte, e não àqueles que tomam o nada por perspectiva, ou que pretendem afogar sua alma no todo universal, sem individualidade, como as gotas de chuva no oceano, o que vem a ser o mesmo. Se pois, credes num futuro qualquer, não admitireis, sem dúvida, que ele seja o mesmo para todos, pois, de outro modo, onde estaria a utilidade do bem? Por que se reprimir, não satisfazer todas as suas paixões, todos os seus desejos, mesmo à custa de outros, uma vez que não teria conseqüência?”.

“Credes que este futuro será mais ou menos feliz ou infeliz segundo o que fizermos durante a vida; tendes, pois, o desejo de que seja tão feliz quanto possível uma vez que deve sê-lo pela eternidade. Teríeis, por acaso, a pretensão de serdes um dos homens mais perfeitos dos que existiram sobre a Terra e de ter, assim, o direito de alcançar sem dificuldade a felicidade suprema dos eleitos? Não. Admitis que há homens que valem mais que vós e que têm direito a uma melhor situação, sem que com isto estejais entre os condenados. Muito bem! Colocai-vos, por um instante, pelo pensamento, nessa situação intermediária que seria a vossa, como o admitis, e supondo que alguém venha dizer-vos: “Sofreis; não sois tão felizes como poderíeis ser, enquanto tendes diante de vós seres que gozam uma felicidade perfeita; quereis trocar vossa posição com a deles?” – Sem dúvida, direis: que é preciso fazer? – “Menos que nada, recomeçar o que haveis mal feito e procurar fazer melhor. – Hesitaríeis em aceitar mesmo ao preço de várias existências de provas? Tomemos uma comparação mais prosaica. Se a um homem, que, sem estar entre os últimos dos miseráveis, sofre privações em conseqüência da escassez de seus recursos, viessem dizer: “Eis uma imensa fortuna de que podeis gozar, sendo necessário, para isso, trabalhar arduamente durante um minuto”. Fosse ele o mais preguiçoso da Terra e diria sem hesitar: “Trabalharei um minuto, dois minutos, uma hora, um dia se for preciso; que importa isso se vou terminar minha vida na abundância?” Ora, que é a duração da vida corpórea em confronto com a eternidade? Menos que um minuto, menos que um segundo”.

“Raciocinemos desta maneira: Deus, que é soberanamente bom, não pode impor ao homem o recomeço de uma série de misérias e de tribulações. Concluiremos, por acaso, que há mais bondade em condenar o homem a um sofrimento perpétuo por alguns momentos de erro, antes que lhe dar os meios de reparar suas faltas? “Dois fabricantes tinham, cada um, um operário que podia aspirar vir a ser sócio do patrão. Ora, aconteceu que esses dois operários empregaram uma vez muito mal a sua jornada de trabalho e mereceram ser despedidos. Um dos dois fabricantes despediu seu operário, malgrado suas súplicas, e ele não tendo encontrado trabalho, morreu na miséria. O outro disse ao seu: perdeste um dia e me deves outro em compensação. Executaste mal o teu trabalho e me deves a reparação. Eu te permito recomeçar; trata de executá-lo bem e eu te conservarei, podendo ainda aspirar sempre à posição superior que te prometi.” Há necessidade de se perguntar qual dos dois fabricantes foi mais humano? Será Deus, a própria clemência, mais impiedoso que um homem? O pensamento de que nosso destino está fixado para sempre em razão de alguns anos de provas, ainda mesmo quando não tenha dependido de nós alcançarmos a perfeição sobre a Terra, tem qualquer coisa de doloroso, enquanto que a idéia contrária é eminentemente consoladora: ela nos deixa a esperança. Assim, sem nos pronunciarmos pró ou contra a pluralidade das existências, sem admitir uma hipótese à outra, diremos que, se podemos escolher, não existe ninguém que prefira um julgamento sem apelação. Um filósofo disse que se Deus não existisse seria preciso inventá-lo para felicidade do gênero humano; poder-se-ia dizer o mesmo da pluralidade das existências. Mas, como dissemos, Deus não nos pede permissão, não consulta nosso gosto; isto é ou não é. Vejamos de que lado estão as probabilidades e tomemos a questão sob outro ponto de vista, sempre abstração feita do ensinamento dos Espíritos e unicamente como estudo filosófico”.

“Se não há reencarnação, não há senão uma existência corporal; isto é evidente. Se nossa atual existência corporal é a única, a alma de cada homem é criada no seu nascimento, a menos que se admita a anterioridade da alma, caso em que se perguntaria o que era a alma antes do seu nascimento e se esse estado não consistiria, de alguma forma uma existência. Não há meio termo: ou a alma existia ou não existia antes do corpo; se ela existia antes do corpo, qual era a sua situação? Tinha, ou não, consciência de si mesma? Se não tinha consciência é como se não existisse. Se tinha sua individualidade, era ela progressiva ou estacionária? Num ou noutro caso, em que grau estava ao tomar o corpo? Admitindo, de acordo com a crença vulgar, que a alma nasce com o corpo, ou, o que vem a ser o mesmo, que antes da encarnação ela não tinha senão faculdades negativas, colocamos as seguintes questões:

  1. Por que a alma mostra aptidões tão diversas e independentes das idéias adquiridas pela educação?
  2. De onde vem a aptidão extra-normal, de certas crianças de tenra idade por tal arte ou tal ciência, enquanto outras se conservam inferiores ou medíocres, por toda a vida?
  3. De onde provêm, para alguns, as idéias inatas ou intuitivas que não existem em outros?
  4. De onde vêm, para certas crianças, os instintos precoces de vícios ou de virtudes, os sentimentos inatos de dignidade ou de baixeza, que contrastam com o meio em que nasceram?
  5. Por que certos homens, abstração feita da educação, são uns mais avançados que os outros?
  6. Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomardes uma criança hotentote recém-nascida e a educardes nas melhores escolas, fareis dela, um dia, um Laplace ou um Newton?”.

“Perguntamos: qual é a filosofia ou a teosofia capaz de resolver estes problemas? Não resta dúvida que ou as almas são iguais ao nascerem ou são desiguais. Se são iguais, por que aptidões tão diversas? Dir-se-ia que isto depende do organismo? É, então, a doutrina mais monstruosa e mais imoral. O homem não é mais que uma máquina, joguete da matéria, sem responsabilidade dos seus atos, podendo tudo repelir em razão de suas imperfeições físicas. Se elas são desiguais é que Deus as criou assim; mas, então, por que a superioridade inata concedia a algumas? Esta parcialidade está conforme a sua justiça e o amor igual que ele tem a todas as suas criaturas?”.

“Admitamos, ao contrário, uma sucessão de existências anteriores progressivas e tudo estará explicado. Os homens trazem, ao nascer, a intuição do que aprenderam antes. São mais ou menos avançados segundo o número de existências que viveram, segundo estejam mais ou menos distantes do ponto de partida; absolutamente como, numa reunião de indivíduos de todas as idades, cada um terá um desenvolvimento proporcional ao número de anos que tenha vivido. As existências sucessivas serão, para a vida da alma, o que os anos são para a vida do corpo. Reuni, um dia, mil indivíduos de um a oitenta anos; suponde que um véu caia sobre todos os dias que precederam e que na vossa ignorância os creiais nascidos no mesmo dia; perguntareis, naturalmente, por que uns são grandes e outros pequenos, uns velhos e outros jovens, uns instruídos e outros ainda ignorantes; mas, se a nuvem que oculta o passado, vem a se dissipar, compreendereis que eles viveram um tempo mais ou menos longo, e tudo se explicará. Deus, em sua justiça não pode ter criado almas mais, ou menos, perfeitas; mas, com a pluralidade das existências, a desigualdade que vemos não contraria a mais rigorosa equidade, pois apenas vemos o presente, não o passado. Repousa este raciocínio sobre um sistema ou uma suposição gratuita? Não, partimos de um fato patente, incontestável: a desigualdade das aptidões e do desenvolvimento intelectual e moral, que se encontra inexplicado em todas as teorias correntes; enquanto que a explicação é simples, natural, lógica, por uma outra teoria. É racional preferir aquela que não explica nada a esta que explica?”.

“Em relação à sexta questão, dir-se-á, sem dúvida, que o Hotentote é de uma raça inferior; então perguntaremos se o Hotentote é um homem ou não. Se é um homem, por que Deus o fez, e à sua raça, deserdado dos privilégios concedidos à raça caucásica? A Doutrina Espírita tem mais amplitude do que tudo isto. Segundo ela, não há várias espécies de homens, há apenas homens cujos espíritos estão mais ou menos atrasados, mais suscetíveis de progresso; isto não está mais conforme a justiça de Deus?”.

“Vimos a alma em seu passado e em seu presente; se a considerarmos quanto ao seu futuro, encontraremos as mesmas dificuldades:

  1. Se nossa existência atual, unicamente, deve decidir o nosso destino, qual é, na vida futura, a posição respectiva do selvagem e do homem civilizado? Estão eles no mesmo nível ou distanciados em relação à felicidade eterna?
  2. O homem que trabalhou toda a sua vida no seu aprimoramento está na mesma posição daquele que permaneceu inferior, não por sua culpa, mas porque não teve tempo, nem possibilidade de se aperfeiçoar?
  3. O homem que praticou o mal porque não pode se esclarecer, será culpado de um estado de coisas que não dependeu dele?
  4. Trabalha-se para esclarecer, moralizar e civilizar os homens. Mas, por um que se esclarece, há milhões que morrem, cada dia, antes que a luz chegue até eles. Qual o destino destes últimos? São tratados como réprobos? No caso contrário, que fizeram para merecerem estar na mesma categoria que os outros?
  5. Qual o destino das crianças que morreram em tenra idade, antes de poderem fazer o bem ou o mal? Se estão entre os eleitos, por que este favor, sem haverem nada feito para o merecer? Por qual privilégio estão isentas das tribulações da vida?”.

“Existe uma doutrina que possa resolver todas essas questões?”.

“Admiti as existências consecutivas e tudo se explicará conforme a justiça de Deus. O que não se puder fazer numa existência, se fará em outra. É assim que ninguém escapa à lei do progresso, em que cada um será recompensado segundo o seu mérito real, e ninguém está excluído da felicidade suprema, a que todos podem pretender, quaisquer que sejam os obstáculos que tenham encontrado em seu caminho”.

“Essas questões poderiam ser multiplicadas ao infinito, porque os problemas psicológicos e morais que não encontram solução, senão na pluralidade das existências, são inumeráveis; limitamo-nos aos mais gerais. Qualquer que ele seja, dir-se-á que a doutrina da reencarnação não é admitida pela Igreja; isto seria, pois a subversão da religião”.

“Nosso objetivo não é tratar esta questão neste momento; é-nos suficiente o termos demonstrado que ela é eminentemente moral e racional. Ora, o que é moral e racional, não pode ser contrário a uma religião que proclama Deus a bondade e a razão por excelência. Que teria sido da religião se, contra a opinião universal e o testemunho da Ciência, ela se obstinasse contra a evidência, e rejeitasse do seu seio todos os que não acreditassem no movimento do Sol e nos seis dias da Criação? Que crédito houvera merecido, e que autoridade teria tido, entre povos esclarecidos, uma religião baseada em erros manifestos dados como artigos de fé? Quando a evidência se patenteou, a Igreja se colocou a seu lado. Se está provado que, sem a reencarnação, as coisas que existem são impossíveis, se certos pontos do dogma não podem ser explicados senão por este meio, é preciso admitir-se e reconhecer-se que o antagonismo desta doutrina e desses dogmas não é mais que aparente. Mais tarde mostraremos que a religião está menos distanciada do que se pensa, desta doutrina, e que não sofreria mais do que já sofreu com a descoberta do movimento da Terra e dos períodos geológicos que, à primeira vista, pareceram desmentir os textos sagrados. O princípio da reencarnação ressalta aliás, de várias passagens das Escrituras e se encontra notavelmente formulado, de maneira explícita no Evangelho:

“Quando desciam do monte (após a transfiguração), Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis do que acabais de ver, até que o Filho do homem seja ressuscitado de entre os mortos. Os seus discípulos então o interrogaram dizendo: Por que pois, dizem os escribas que é preciso que Elias venha primeiro? Mas Jesus, lhes respondeu: “Em verdade Elias virá primeiro, e restabelecerá todas as coisas. Mas declaro-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe sofrer tudo o que quiseram. Assim farão eles também morrer o Filho do homem. Então entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista”. (São Mateus, cap. XVII).

“Uma vez que João Batista era Elias, há, pois, uma reencarnação do Espírito ou da alma de Elias no corpo de João Batista”.

“Qualquer que seja, de resto, a opinião que se tenha sobre a reencarnação, que se aceite ou não, se existe deve ser suportada, não obstante toda a crença em contrário. O ponto essencial é que o ensinamento dos Espíritos é eminentemente cristão: apoia-se na imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, na justiça de Deus, no livre arbítrio do homem, na moral do Cristo, não sendo, portanto, anti-religioso”.

“Raciocinamos, como o dissemos, abstração feita de todo ensinamento espírita – que para certas pessoas não tem autoridade – que, se nós, e tantos outros, adotamos a opinião da pluralidade das existências, não é só porque ela nos veio dos Espíritos, mas porque nos pareceu a mais lógica e a única que resolveu essas questões, até então insolúveis”.

“Viesse ela de um simples mortal e a teríamos adotado da mesma forma e não hesitaríamos mais tempo em renunciar às nossas próprias idéias. Do momento que um erro está demonstrado, o amor próprio tem mais a perder, que a ganhar, se se obstina em uma idéia falsa. Do mesmo modo nós a teríamos repelido, embora vinda dos Espíritos, se nos parecesse contrária à razão, como repelimos tantas outras, porque sabemos por experiência que não é preciso aceitar cegamente tudo o que vem deles, como aquilo que vem da parte dos homens. Seu primeiro título, para nós, antes de tudo, é de ser lógico, mas existe outro que é de ser confirmado pelos fatos: fatos positivos, e, por assim dizer, materiais, que um estudo atento e racional pode revelar a qualquer um que se dê ao trabalho de observar com paciência e perseverança, na presença daqueles que não permitem mais a dúvida. Quando esses fatos se popularizarem como os da formação e do movimento da Terra, será necessário reconhecer a evidência, e os seus opositores terão gasto em vão os argumentos contrários. Reconheçamos, pois, em resumo, que a doutrina da pluralidade das existências é a única que explica isto que, sem ela, é inexplicável; que ela é eminentemente consoladora, conforme a mais rigorosa justiça e é, para o homem, a âncora de salvação dada por Deus em sua misericórdia”.

Conclusão

Procuramos desenvolver esse estudo de maneira que o princípio da reencarnação pudesse ser visto de um ponto de vista mais abrangente. Várias são as correntes contrárias a ela, mas apesar disso, achamos que essa visão global que procuramos dar dela possa ajudar aos que não se tornaram cegos pela fé, mostrando-lhes que ela é realmente uma realidade.

Tivemos a preocupação de juntar vários fatores, que pudessem levar à compreensão de que a reencarnação é a misericórdia Divina se manifestando, de modo que os que ainda não tivessem essa crença pudessem aceitá-la pelo conjunto dos argumentos. Não queríamos ficar apenas com o que consta dos Evangelhos. Se ficássemos só com eles atingiríamos somente aqueles que acreditam serem eles a palavra de Deus, mas aí cairíamos na mesma armadilha do fanatismo religioso, levando as pessoas a pensarem que também nós estaríamos distorcendo-os, procurando dar uma interpretação que viesse a justificar o nosso pensamento. Além de que não temos, como eles, a visão de que tudo que ali se encontra é inquestionável. Somente o seria, se tivesse sido escrito pelo próprio Deus, mas como não é, podemos e devemos questionar. E assim, buscamos levantar outros fatores, que não só os Evangelhos, para que qualquer um que possua raciocínio lógico e bom senso forme uma opinião racional, satisfatória e convincente a respeito desse assunto.

Jan/95

Revisão em Setembro/2001.

Bibliografia: