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Valorização da Vida Humana - IX

Rubens Policastro Meira

Porque temer a superpopulação? Porque temer a falta de alimentos?

A Terra é um dos principais bem de produção e como tal deve seus produtos serem estendidos a todo ser humano, pois nela, na Terra, reside um dos meios de conservação da vida. A Terra sempre produzirá de modo a proporcionar o necessário aos que a habitam, uma vez que somente o necessário é útil. O supérfluo nunca o é(1).

Mas, aparentemente, parece que a Terra não produz o suficiente. É que o homem não sabe contentar-se com o necessário e emprega no supérfluo o que poderia ser aplicado no necessário(2).

No mundo deparamos com milhões e milhões de seres humanos em estado de miserabilidade, de fome, de falta de recursos. A que atribuir isso? Existirá realmente falta de alimentos? Qual a causa da carestia dos gêneros em relação à falta de recursos da imensa maioria da população?

Assistimos através da imprensa escrita, falada, televisionada a quantidade fabulosa de toneladas de alimentos estocados, deteriorando, apodrecendo, nos armazéns deste imenso país.

Para que? Qual ou quais os objetivos?

Para manipulação de preços, maiores lucros, maior fome, miséria.

Qual a fonte, a causa da miséria, da fome?

A fonte está no egoísmo dos homens, que nem sempre fazem o que lhes cumpre.

Se é certo que a civilização, que o aumento populacional, multiplica as necessidades, também o é que multiplica as fontes de trabalho e os meios de viver. A natureza, a Terra, não pode ser responsável pelos defeitos da organização social, nem pelas conseqüências do egoísmo, da ambição e do amor próprio(3).

A necessidade de viver implica logicamente o direito de uso dos bens da Terra(4). Aqueles que esquecendo-se das leis de Deus, açambarcam os bens da Terra com prejuízo daqueles a quem falta o necessário à subsistência, terão de responder, perante as Leis Naturais da Vida, pelas privações que houveram causado aos outros. Os que vivem, os que acumulam riquezas, à custa das privações dos outros, exploram, em seu proveito, os benefícios da civilização, que pertencem à humanidade(5).

Falávamos no estudo anterior, que não haveria como compreender e aceitar em nossas consciências, uma queda com dissociação entre o conhecimento espírita e as exigências éticas a propósito da vida, com certos comportamentos inaceitáveis.

Não podemos tergiversar ante o erro. Não devemos, por comodismo, por subterfúgios tentar adaptar o conhecimento consciente, aos nossos interesses pessoais.

Não há temeridade ante a superpopulação quando o homem olhar seu semelhante como seu irmão, quando amá-lo como a sí mesmo.

A Doutrina Espírita é contrária à restrição à natalidade, porque entende e demonstra que as leis do progresso saberão criar, necessariamente, novas condições da vida, eliminatórias dos receios da superpopulação, uma vez o homem passe a caminhar ao lado destas leis, construindo uma sociedade alicerçada nas leis do Amor e da Solidariedade.

Para renovar a cultura da vida mister se faz permitir ao homem (espírito imortal) realizar seus desejos e aspirações, crescer, aperfeiçoar-se. Para tanto impõe-se que a renda social seja distribuída de forma a evitar a disparidade aberrante, clamorosa, em que parcelas ponderáveis da população vivem em estado de miséria absoluta, determinado pelo sistema social vigente na Terra. É imprescindível que os resultados da vida social sejam distribuídos e que todos possam ter acesso. Se a base imutável do governo é a democracia, a base imutável da democracia é a unidade dos direitos humanos, consubstanciados na necessidade do direito de viver, livremente e em paz, inerente a todo sêr humano.

Conforme já vimos, numa sociedade organizada segundo a lei do Amor, ninguém deve morrer de fome(6).

Qual a mensagem, a chave, que o Espiritismo mostra ao homem?

Para mudar, transformar, renovar a cultura da vida, necessário se faz que os bons, que são tímidos, queiram preponderar, pois são a maioria, e os maus por serem intrigantes e audaciosos, mas em minoria, sobrepujam os bons(7), pela sua intriga, audácia e astúcia.

Uma das conspirações existentes contra a vida encontra-se nos obstáculos à função natural do exercício da maternidade. Nos povos onde reina o princípio egoísta, de manter a abundância ao lado da escassez, do luxo ao lado da miséria, a prole numerosa cria situações insolúveis por falta de meios de subsistência, de saúde, de educação e cultura. Tais fatos não ocorreriam em uma sociedade a serviço do homem, espírito encarnado, sob a égide de Jesus.

A sociedade atual, dirigida por "cristãos" (sem o Cristo) em sua maioria, através de seus filósofos, "consideram" a fome e a miséria, à conta do crescimento populacional, motivo pelo qual procuram resolver o angustiante problema, conspirando contra a vida, impingindo a cultura da morte, apresentando medidas contraceptivas, abortivas, eutanasianas, guerras, etc.

Tais "programas" visando obstaculizar a reprodução, são contrários à Lei da Natureza e obviamente contrários à Lei Geral(8) para alguns, e para outros, consiste na satisfação da sensualidade, comprovando a predominância do corpo sobre o espírito, demonstrando quanto o homem ainda é materialista(9). O termo sensualidade aqui empregado não se restringe somente à lascívia, à luxúria, mas sim e também, ao amor aos prazeres materiais, ao luxo, a opulência, ao desperdício, dentro de uma sociedade tipicamente hedonista.

Obstando a natalidade por quaisquer métodos, programas, estaremos obstando a reencarnação, impedindo que os Espíritos progridam, se aperfeiçõem.

A renovação da cultura da vida pede a participação de todos, educando, ensinando, lutando, expondo a Verdade objetiva e que liberta, não a verdade mentirosa, falsa, que cria cadeias, algemas, ao espírito sequioso de progresso.

O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Para secundar o movimento da renovação o Espiritismo é a mais apta das doutrinas(10).

O Espiritismo diante da renovação da cultura da vida, nos ensina que não será ele (o espiritismo) que fará as instituições do mundo regenerado; os homens é que as farão, sob o império de justiça, de caridade, de fraternidade, de solidariedade, mais bem compreendidas, graças ao Espiritismo(11), destruindo uma das chagas da sociedade, o materialismo(12). Por materialismo não se deve entender somente a crença ou descrença de Deus, mas sim, ao espírito, à conduta de lascívia, luxúria, impiedade, de exploração, de desperdício dos bens da Terra, de impunidade, de corrupção e todos os outros males que assistimos no momento presente.

Para a conquista deste desiderato, lembremo-nos de Jesus, de quem Rui Barbosa comentou: "Foi como agitador do povo, e subversor das instituições, que se imolou Jesus". A missão de Jesus concentrou-se na defesa, espiritual e material do povo, e por isso mesmo, foi perseguido por motivos políticos. Na sua sentença de morte, inscreveu-se que foi condenado como "homem sedioso, contrário ao grande imperador Tibério Cezar. Congregrando muitos homens ricos e pobres, não tem cessado de promover tumultos, negando o tributo a Cezar".

Vamos seguir Jesus e Kardec? Quem se habilita?

Bibliografia:

  • (1) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - perg. 704
  • (2) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - perg. 705
  • (3) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - perg. 707 e comentário de Kardec
  • (4) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - perg. 711
  • (5) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - perg. 717 e comentário de Kardec
  • (6) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - perg. 930
  • (7) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - perg. 932
  • (8) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - perg. 693
  • (9) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - perg. 694
  • (10) A Gênese - Allan Kardec - Cap. XVIII, nº 26
  • (11) Obras Póstumas - Allan Kardec
  • (12) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - perg. 799

 

Correspondência:

 

Rubensmeira@nutecnet.com.br

Rubens Policastro Meira

Cx. Postal, 2002 - Agência Porto

Cuiabá - MT

CEP 78020-970

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