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EsperançaSérgio Biagi Gregório SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito de Esperança. 3. Pequeno Escorço Histórico. 4. Abordagens Filosóficas e Religiosas: 4.1. Niilismo; 4.2. Desespero e Presunção; 4.3. Perspectiva do Espiritismo. 5. Virtudes: 5.1. Virtudes Cardeais; 5.2. Virtudes Teologais. 6. Fé: Mãe da Esperança e da Caridade. 7. Paulo e a Esperança. 8. Conclusão. 9. Bibliografia Consultada. 1. INTRODUÇÃOO objetivo deste estudo é mostrar que a esperança, essa potência interior, possui uma dinâmica extraordinária para conciliar os nossos sofrimentos com o fim último da existência humana. Para tanto, analisaremos o seu conceito, a sua inserção no tempo, as filosofias da negação e a perspectiva da religião. 2. CONCEITO DE ESPERANÇADo latim sperare. Sentimento que leva o homem a olhar para o futuro, considerando-o portador de condições melhores que as oferecidas pelo presente, de tal sorte que a luta pela vida e os sofrimentos são enfrentados como contingências passageiras, na marcha para um fim mais alto e de maior valor. Do ponto de vista teológico, a Esperança é uma virtude sobrenatural, que leva o homem a desejar Deus, como bem supremo. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo) Genericamente, a esperança é toda a tendência para um bem futuro e possível, mas incerto. Psicologicamente, tensão própria de quem se sente privado de um bem ardentemente desejado (imperfeições), mas que julga poder alcançar por si mesmo ou por outrem. A esperança diz respeito aos bens árduos e difíceis, porque não dependem apenas da vontade de quem os espera, mas também de circunstâncias ou vontades alheias, e que, por isso, a tornam de algum modo, incerta e falível. Justaposta às esperanças do dia-a-dia, há a grande esperança, ou seja, um vínculo permanente entre a espécie e o seu criador. (Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado) 3. PEQUENO ESFORÇO HISTÓRICONo pensamento grego, a palavra e l p i d designava tanto o momento feliz ou infeliz de quem espera. Com Platão, já designa "a grande e bela esperança" num além depois da morte. No pensamento romano, a palavra spes designava somente o momento feliz. Tanto a e l p i d grega como a spes romana, mesmo nas suas mais elevadas expressões, jamais atingiram a certeza de um futuro feliz. Foi a revelação judaico-cristã que, ao dar como termo das tensões a posse gratuita e inadmissível do próprio Deus, elevou-a à categoria de uma virtude fundamental da vida cristã. São de assinalar os contributos de Paulo de Tarso, Santo Agostinho, Pedro
Abelardo e Duns Escoto para a compreensão do tema. No âmbito da filosofia moderna, toda centrada na exploração da subjetividade, o tema foi relegado ao campo das paixões e das emoções. É que diante do domínio racionalista, a fé cristã vê-se amputada dos grandes objetivos de sua dimensão escatológica, de modo que a spes quae acaba por ficar reduzida aos aspectos formais do ato de esperar (spes qua) . As filosofias existencialistas, marxistas e materialistas roubam as expectativas da fé com relação à vida após a morte. (Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado) 4. ABORDAGENS FILOSÓFICAS E RELIGIOSAS4.1. NIILISMONa Filosofia Moderna, as injunções dos pensamentos, a busca pela racionalidade e a supremacia da razão levam os indivíduos a decretar a morte de Deus. É a doutrina do nada além desta miserável vida. Esse sistema mata toda a Esperança. Como esperar algo se nada há o que se esperar? É por isso que Paul Sartre falava da náusea e do desespero, antíteses da esperança. 4.2. DESESPERO E PRESUNÇÃOSanto Tomás de Aquino classifica o desespero e a presunção como pecado, e por isso, o oposto da esperança. O desespero é a pouca confiança em Deus, o amor próprio, o orgulho pessoal. A presunção é achar-se alguém digno de uma posição religiosa vantajosa, sem de fato o ser. Tanto um quanto o outro é contrário ou opõem-se à esperança. Acrescenta ainda que as causas do desespero são os nossos vícios, os quais nos obnubilam. A presunção, por outro lado, está ligada à vaidade. Por fim, diz que a esperança não é uma atitude passiva, mas cheia de vitalidade e de amor. (Lain Entralgo, 1984) 4.3. PERSPECTIVA DO ESPIRITISMONa perspectiva do Espiritismo - que nos fornece uma dimensão realista da vida futura -, a esperança torna-se uma força inovadora. A expectativa de que a vida continua além-túmulo e que não seremos levados nem para o céu e nem para o inferno, porém, conduzidos de acordo com o peso específico de nosso perispírito, dá-nos confiança sem limite na infinita bondade de Deus. Esta crença induz-nos a estudar com mais afinco, a fim de que possamos servir a Deus com mais conhecimento de causa. Assim, o Espiritismo dá-nos subsídios para melhor compreender a esperança. Não a esperança beatífica do dolce far niente, mas a certeza de que seremos recompensados ou punidos de acordo com o bem ou o mal que fizermos ao nosso próximo. Nesse sentido, todas as nossas dores, os nossos sofrimentos, as nossas renúncias ficam gravadas em nosso subconsciente e servirão como ponto de apoio para o julgamento de nossa própria consciência. 5. VIRTUDESAs Virtudes - potências racionais que inclinam o homem para o bem, quer como indivíduo, quer como espécie, quer pessoalmente, quer coletivamente, podem ser divididas em: 5.1. VIRTUDES CARDEAISA virtude moral predispõe o indivíduo à prática do bem. Há duas ordens de moralidade, a natural e a infusa. Por isso, temos duas espécies de virtudes: adquiridas e infusas. Entre as virtudes adquiridas, distinguem-se principalmente quatro: prudência, justiça, fortaleza e temperança. Cognominadas de cardeais (de cardo, gonzo), por ser em redor delas que giram todas as outras, tais como a paciência, a tolerância, a brandura etc. 5.2. VIRTUDES TEOLOGAISEntre as virtudes infusas estão a fé, a esperança e a caridade , cognominadas de teologais, porque não são o produto de uma prática, mas um dom infuso de Deus nos seus filhos. Assim, a Esperança não é o produto de nossa vontade, mas de uma espontaneidade, cujas raízes nos escapam, porque não é ela genuinamente uma manifestação do homem, mas algo que se manifesta pelo homem, porque não encontramos na estrutura da nossa vida biológica, nem da nossa vida intelectual, uma razão que a explique. (Santos, 1965) 6. FÉ: MÃE DA ESPERANÇA E DA CARIDADEA fé é um sentimento inato no indivíduo. A direção dada a esse sentimento pode ser cega ou raciocinada. A fé cega, não examinando nada, aceita sem controle o falso como verdadeiro, e se choca, a cada passo, contra a evidência e a razão; levada ao excesso produz o fanatismo. A fé raciocinada, a que se apoia sobre os fatos e a lógica, não deixa atrás de si nenhuma obscuridade; crê-se porque houve A fé, mãe da esperança e da caridade, é filha do sentimento e da razão. Quer dizer, a fé, ao ser movida pelo livre-arbítrio, tem o suporte do sentimento e da razão, que lhe dão garantia de obter o esperado, desde que aja caritativamente. Nesse sentido, o Espírito Emmanuel diz-nos: "A fé é guardar no coração a certeza iluminada de Deus, com todos os valores da razão tocados pelo perfume do sentimento". A esperança e a caridade, como vimos, são filhas da fé. Esta deve velar pelas filhas que tem. Para isso, convém construir a base do edifício em fundações sólidas. A nossa fé tem de ser mais forte do que os sofismas e as zombarias dos incrédulos, porque a fé que não afronta o ridículo dos homens não é a verdadeira fé. Além disso, para que a fé seja proveitosa, deve ser ativa, ou seja, não deve-se entorpecer. (Kardec, 1984, cap. XIX) 7. PAULO E A ESPERANÇAEis algumas passagens tiradas das Epístolas de Paulo: "Porque tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança." (Romanos, 15, 4); "Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo." (Romanos, 15, 13); "Tendo por capacete a esperança na salvação." (I Tessalonicenses, 5, 8); "E assim, esperando com paciência, alcançou a promessa." (Hebreus, 6, 15); Em I Coríntios 13, Paulo discorre sobre a suprema excelência da caridade. Depois de tecer comentários sobre a parte e o todo, ele diz: "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três, mas a maior destas é a caridade." (I Coríntios, 13, 13) O Espírito Emmanuel, nos livros Vinha de Luz, Fonte Viva e outros do gênero, comenta vários desses versículos. Dos seus comentários, anotamos:
8. CONCLUSÃOA Esperança, sendo algo infuso, faz com que o nosso pensamento ultrapasse tempo e espaço e penetre na imensidão do espaço infinito. Assim, de posse desta virtude, esquecemo-nos momentaneamente das dores, dos sacrifícios, das doenças, das dificuldades e lembramo-nos somente da felicidade regida pela paz e tranqüilidade de nossas tensões. Isso não é utopia, é a dimensão do eu que se transcende a si mesmo rumo à espiritualidade superior. 9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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